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Calvície comum: Causas, mitos e tratamentos


- Atualizado no dia 17 de fevereiro de 2024 -

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          À medida que envelhecemos, todos nós, homens e mulheres, perdemos cabelo. Alguns perdem mais outros perdem menos, e é uma parte natural na progressão da vida humana. O problema é quando essas perdas ocorrem de forma brusca e não natural, caracterizando diversas desordens de queda capilar. As causas podem ser inúmeras, onde doenças, drogas (como aquelas relacionadas com a quimioterapia, genética, entre outros, são fatores de risco que irão causar diferentes tipos de queda capilar, afetando uma ou mais partes do corpo. Mas a principal causa da queda de cabelo e que gera a maior parte das visitas "capilares" aos dermatologistas está relacionada com a alopécia androgenética, também conhecida como calvície comum ou apenas 'calvície'. E é nesse tipo de queda capilar que nós encontramos os mais variados mitos e desinformações.

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> CONTEÚDO DO ARTIGO:
  • ALOPÉCIA ANDROGÊNICA (Descrição clínica e prevalência populacional da calvície)
  • TRATAMENTOS (Principais tratamentos cientificamente comprovados para a calvície, incluindo uma revisão detalhada dos fármacos minoxidil e finasterida)
  • MITOS (Esclarecimento dos principais mitos associados à calvície)

 
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          A pele do corpo humano é completamente coberto por folículos capilares, com exceção de algumas partes como as solas do pé e da mão. Esses folículos estão fixados na derme em diferentes profundidades dependendo da parte do corpo sendo analisada. Porém, a maioria deles são minúsculos e a maior parte dos cabelos produzidos por estes são pequenos demais para até mesmo conseguirem sair dos poros da epiderme, fazendo que que grande parte do nosso corpo pareça "pelada" ou extremamente rareada (I). O fio, em si, é uma estrutura flexível formada pela proteína queratina. Os ciclos de crescimento capilar são bem complexos e diversificados em todos os mamíferos, e, mesmo nos humanos, ainda não entendemos completamente os mecanismos moleculares por trás de todos os processos, apenas morfologicamente. No geral, o cabelo humano passa por quatro fases de desenvolvimento, os quais consistem em sucessivos estágios de crescimento e involução e que incluem regressão e regeneração de tecido:



          Quando vamos para a região do couro cabeludo, a quantidade total de fios de cabelo chega na casa dos 100 mil. Todos os dias, cerca de 100 deles caem devido ao fim da fase telógena, onde o folículo em "descanso" começa a crescer novamente e recomeçar o ciclo de desenvolvimento capilar. E é aqui que entra a alopécia androgenética. Nessa desordem capilar, os cabelos do escalpo passam de grossos e pigmentados fios para um progressivo afinamento e despigmentação. Em resumo, a fase anágena encurta e a fase telógena permanece constante, resultando em uma miniaturização cada vez maior dos folículos com o passar do tempo e deixando os fios praticamente invisíveis de tão curtos e descoloridos. Afetando bem mais os homens do que as mulheres, os padrões de perda de cabelo nos dois sexos são quase sempre diferentes. Enquanto nos homens pode ocorrer perdas no vértex (caminhando para um "franciscano") e na frente-temporal (formando muitas vezes o clássico M), nas mulheres ela geralmente se dá no centro do escalpo, ganhando maior intensidade em torno do centro em um desenvolvimento que lembra uma "árvore de Natal". Normalmente, esse tipo de queda capilar está associada com o avanço da idade, mas a calvície prematura também é relativamente comum.


A alopécia androgenética afeta acima de 55% das mulheres com o avanço da idade, mas em apenas cerca de 20% a perda de cabelo é mais do que sutil. Já nos homens, a perda capilar é bem mais profunda, afetando em significativo grau cerca de 20% entre 20 e 30 anos, cerca de 30% entre 30 e 40 anos e em torno de 40% entre 40 e 50 anos. Apenas nos EUA, cerca de 50 milhões de homens e 30 milhões de mulheres são afetados pela condição. Na imagem acima, diferentes tipos e estágio de avanço da calvície comum; o padrão "árvore Natalina" - retratado na imagem-  é o mais comum entre as mulheres, mas existem outros padrões, incluindo perda frontal de densidade capilar.


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> Nas mulheres, a incidência e significância da alopecia androgênica aumenta de forma marcante com a idade. É estimado que a condição ocorre em cerca de 10% das mulheres na pré-menopausa, e em 50-75% das mulheres com idade superior a 65 anos (Ref.61).
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           Esses padrões e progresso da calvície ainda não são muito bem compreendidos pela ciência, mas dois componentes principais entram no jogo de forma decisiva: andrógenos, especialmente o DHT, e a genética. Aliás, estudos com gêmeos mostram que a extensão, início e progresso da calvície são determinados em mais de 80% por causas genéticas. Antes era pensado que apenas um gene estava associado com a desordem, mas hoje é bem estabelecido que diversos genes estão envolvidos (II) e ativados apenas em certos folículos do escalpo (III). Nesse cenário de determinação poligênica, numerosos estudos já identificaram dois loci genéticos de grande risco para o surgimento da alopécia androgenética, no locus cromossômico-X AR/EDA2R e no locus cromossômico 20p11. No entanto, em específico, o gene do receptor andrógeno (AR) - herdado de forma materna - é estimado de responder por 60% da hereditariedade da alopécia androgenética. Raras mutações genéticas nos genes EDA2R, WNT10A, HEPH, CEPT1 e EIF3F também foram recentemente associadas com a condição no sexo masculino (Ref.86).

         O crescimento dos dos cabelos em humanos é regulado por diferentes fatores, como os glucocorticoides, hormônios da tireoide, gravidez, hormônios circulantes e nível nutricional. Porém, os andrógenos são os maiores reguladores do desenvolvimento capilar. Quase todos os folículos capilares são influenciados por andrógenos, exceto aqueles localizados em áreas específicas, como os cílios e as sobrancelhas. Esses andrógenos englobam, geralmente, a testosterona e o seu subproduto, o DHT (dihidrotestosteona), este último sendo produzido pela ação da enzima 5-alfa-reductase. Ambos atuam nos folículos ao se ligarem a receptores específicos no mesmo, influenciando no desenvolvimento dos fios capilares. Porém, o DHT é um hormônio muito mais potente do que a testosterona na maior parte das vezes, e seus efeitos são exponencialmente maiores na ativação da calvície. Nesse sentido, existem dois curiosos efeitos que podemos observar na ação desses hormônios:

1. 'Paradoxo Androgênico': Apesar da testosterona e, principalmente, o DHT serem responsáveis pelo progresso da calvície comum no couro cabeludo, esses hormônios produzem um efeito contrário nos cabelos da barba, membros e peitoral, ou seja, induzem esses fios a crescerem mais. Por isso é comum ser notado que pessoas calvas costumam ter bastante cabelo na barba e várias outras partes no corpo, provavelmente por causa de uma maior sensibilidade ao DHT (apesar disso estar longe de ser uma regra, já que componentes genéticos diversos também entram na equação).

2. DHT vs. Testosterona: Curiosamente, a testosterona mostra ter um efeito muito mais forte do que o DHT em liderar o crescimento dos cabelos na região pubiana e debaixo dos braços. Ainda não são totalmente esclarecidos os mecanismos por trás dessa diferenciação.

Conversão da testosterona em dihidrotestosterona na presença da enzima 5-alfa-redutase (5AR). Existem três tipos dessa enzima (5AR Tipo 1-3), e a mais estudada é a 5AR Tipo 2, cujo gene (SRD5A2, localizado no cromossomo humano 2) é altamente expresso no sistema reprodutivo masculino. Um grande número de mutações identificadas no SRD5A2 pode resultar em níveis insuficientes de DHT, levando a desordens ligadas a uma genitália subdesenvolvida ou atípica; por outro lado, superprodução de DHT pelo SRD5A2 está associada com hiperplasia prostática benigna, alopecia androgênica e câncer de próstata devido à sinalização excessiva do receptor androgênico (Ref.73).

           Devido a fatores genéticos, é sugerido que em indivíduos enfrentando a calvície comum existe uma aumento da concentração tanto da enzima 5-alfa-redutase quanto de receptores androgênicos.

           A ação dos andrógenos na ativação da calvície junto com os fatores genéticos explica o porquê do uso de esteroides anabolizantes induzir a iniciação ou a aceleração da calvície comum em pessoas predispostas. Esses esteroides são justamente andrógenos, e suas moléculas constituintes, assim como seus subprodutos, possuem efeitos similares ou até mais fortes do que os andrógenos normalmente circulando no corpo. Alguns esteroides anabolizantes são, inclusive, a própria testosterona, mas a maioria costuma ser derivados desse hormônio. E considerando a grande parcela da população masculina que está predisposta a desenvolver uma calvície em quase todas as faixas de idade, essa é mais uma justificativa para o não uso desses esteroides sem mínima orientação médica, especialmente se o fim por puramente estético.

           Nesse sentido, doenças que promovem níveis anormais de andrógenos na circulação sanguínea também estão associadas com a alopécia androgenética, incluindo síndrome do ovário policístico, hiperprolactinemia, hiperplasia adrenal congênita e, raramente, tumores adrenais e ovarianos. É sugerido que os estrógenos podem ter um papel protetor no crescimento do cabelo humano, explicando o porquê da maior prevalência ou exacerbação da calvície comum em mulheres na pós-menopausa, durante tratamento com inibidores de aromatase ou tamoxifeno visando câncer de mamas, e documentados casos de completo recrescimento de cabelo em indivíduos transsexuais previamente com alopécia androgenética sob tratamento estrogênico (Ref.60).

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(II) Um estudo publicado em 2017 no periódico Plos One (Ref.40) revelou mais de 250 loci genéticos (locais fixos num cromossomo onde está localizado determinado gene ou marcador genético) independentes associados com uma severa perda de cabelo na calvície. Os resultados do estudo, obtidos a partir da maior análise já feita nesse tópico (mais de 52 mil homens do banco de dados da UK Biobank), permitiram inclusive criar um algoritmo que consegue descriminar aqueles que possuem severa perda de cabelo daqueles que não possuem perda de cabelo. Esse avanço traz ferramentas que podem melhor identificar aqueles em maior risco de perda de cabelo pela calvície e oferecer potenciais tratamentos genéticos para o futuro. Em adição aos achados, o estudo encontrou ligação genética significativa apenas entre a calvície e a Doença de Parkinson, algo que já tinha sido observado em outro estudo recente. Para outros problemas de saúde previamente sugeridos, como câncer de próstata, nada de significativo mostrou relação.

(III) Os genes da calvície não estão ativados na área calva como um todo, mas nos folículos capilares das áreas afetadas. Por exemplo, folículos transplantados de áreas não afetadas pela alopecia androgênica para áreas calvas (áreas frontais, temporais e/ou vértice do escalpo) não irão entrar em processo de miniaturização.

> Interessante mencionar um caso reportado em 2010 de calvície comum em um indivíduo com Síndrome de Insensibilidade Androgênica Completa (Ref.79) (!). No caso, um indivíduo de 52 anos de idade com cariótipo 46,XY (masculino) mas exibindo um fenótipo feminino por incapacidade das células serem sensibilizadas por andrógenos, incluindo o DHT. O indivíduo possuía um histórico de 10 anos de afinamento e redução de densidade capilar no escalpo, em um típico padrão difuso e central de perda capilar do sexo feminino (foto ao lado). O caso sugere que a ação direta do DHT pode não ser essencial para o desenvolvimento da calvície comum.


EVOLUÇÃO DA CALVÍCIE: Por ser um fenótipo muito comum entre humanos, especialmente na população masculina, é plausível que a calvície comum tenha sido alvo de seleção natural e/ou sexual. É comumente sugerido que a calvície pode ter evoluído como um sinal social para indicar senescência (avanço da idade), maturidade, competência ou dominância agressiva (talvez inclusive sinalização honesta de maiores níveis de hormônios androgênicos).Uma hipótese interessante sugere que a calvície pode ter se tornado muito prevalente por promover uma maior exposição aos raios ultravioletas (UV) do sol na pele (grande área superficial do escalpo exposta) - talvez compensando o uso de roupas e ocupação de altas latitudes por humanos (Ref.78). Essa maior exposição ao UV eleva a síntese de vitamina D (!), garantindo adequada proteção contra doenças ósseas e potencialmente contra outras doenças (metabólicas, cardiovasculares, cânceres, infecções) devido aos efeitos pleiotrópicos dessa vitamina.

(!) Leitura recomendadaCor da pele, Vitamina D, Ácido Fólico e Evolução
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          Apesar de não necessitar de um tratamento, por não ser um problema médico e, sim, estético, a calvície pode gerar transtornos psicológicos de diferentes graus em várias pessoas, especialmente nas mulheres, já que estas são mais pressionadas pela sociedade em relação aos padrões 'ideais' de beleza. Por isso, muitos buscam um tratamento para atenuar e até mesmo tentar reverter o processo de perda capilar. Bem, e assim como ocorre com qualquer coisa que gere intensa atenção por parte da população, várias são as distorções e falácias criadas como consequência, tanto por falta de melhores informações de esclarecimento quanto por motivos de trapaça para ganhos financeiros particulares.

          Propagandas para a promoção de produtos é o que não falta prometendo acabar com a calvície comum. Infelizmente, a maioria  desses produtos (para não dizer quase todos) não surtem efeito algum em termos de queda de cabelo. Pílulas diversas, ervas naturais, massagens, acupuntura, lasers, entre outros, apenas servem para arrancar dinheiro de pessoas desesperadas. Primeiramente, é preciso avaliar a causa da queda de cabelo. Apesar de possuir padrões bem específicos e ser a principal culpada da queda de cabelo dentro da população, a alopécia androgenética não é a única. Como dito no começo, várias doenças, certas drogas e outros agentes externos podem estar causando a queda de cabelo. Na maior parte desses casos, a queda de cabelo pode facilmente ser revertida ao se cuidar do problema primário, como aqueles que afetam a tireoide, por exemplo. Já a alopécia areata, que possui causas genéticas, mostra resistência a vários tratamentos, e precisa de uma aproximação diferenciada.

        Voltando para a calvície comum, não existe uma cura ainda para esse problema e os limitados tratamentos disponíveis apenas ajudam a impedir o progresso, promover um parcial crescimento renovado dos fios afinados ou aplicar novos fios para preencher parcialmente as áreas calvas. Essa limitação nas opções de tratamento é devido ao fato de ainda não entendermos muito bem todo os mecanismos fisiológicos, especialmente a nível molecular, por trás do desenvolvimento do fios capilares e das desordens que os atingem. De qualquer forma, os tratamentos eficazes disponíveis hoje englobam os métodos farmacêuticos e os cirúrgicos, a serem listados abaixo.

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    MINOXIDIL

           Amplamente usado há várias décadas, e vendido comumente sob o nome de Rogaine mas podendo ser manipulado, esse medicamento pode ser encontrado em soluções com concentrações de 2 e 5%. A recomendação é a aplicação de duas doses tópicas diárias, uma de manhã e outra à noite, na região onde a queda/afinamento do cabelo está ocorrendo. Porém, existe uma restrição muitas vezes ignorada: no caso dos homens, esse fármaco se mostra efetivo apenas na calvície no vértice, como mostrado na imagem abaixo. A calvície masculina na parte frontal, ou em diferentes outras partes do couro cabeludo que fogem do padrão de vértex, não mostra melhora com o uso do minoxidil. E o estágio desse padrão de calvície não pode estar muito avançado, ou os resultados provavelmente não serão significativos. No geral, o minoxidil aumenta o comprimento e diâmetro do cabelo, encurtando a fase telógena do ciclo capilar e induzindo uma extensão de duração da fase anágena. Além da calvície comum, é também utilizado com sucesso no tratamento de outros problemas capilares, como a alopécia areata.

Padrão e estágios indicados para o uso do minoxidil nos homens

           O minoxidil 5% mostra diferentes graus de efetividade em cerca de 60% dos homens e em 40-60% das mulheres. Formulações de 5% são superiores em termos de eficácia clínica (crescimento capilar - n° de fios visíveis por área - até 50% maior) (Ref.54). A versão 2% é indicado para as mulheres, já que concentrações maiores podem trazer efeitos colaterais indesejáveis, como possíveis crescimentos em cabelos da face e/ou danos em grávidas ou durante a amamentação (persiste no leite materno). Com o seu uso, em caso de resultados positivos, os cabelos afinando tendem a voltar a crescer, pode existir uma recuperação entre 10% e 16% do número de cabelos antes praticamente perdidos, além de promover uma desaceleração no processo de calvície ou até mesmo pará-lo em alguns casos. As mulheres costumam obter resultados melhores do que os homens, com esses resultados positivos geralmente demorando entre 4 e 6 meses para começarem a ficar visíveis por causa dos lentos ciclos de desenvolvimento dos fios capilares. O tratamento deve ser feito de forma permanente, caso contrário, o progresso anterior da calvície volta e os cabelos "regenerados" acabam sendo perdidos.

Molécula do minoxidil 
            Os mecanismos por trás da ação do minoxidil [2,4-pirimidinediamina, 6-(1-piperidinila)-, 3-óxido] em desacelerar e reverter o processo da alopécia androgenética, e induzir o crescimento capilar, ainda não são totalmente compreendidos. Esse medicamento - cuja forma ativa é o sulfato de minoxidil - é também utilizado como anti-hipertensivo e sua atividade de abridor de canais de potássio adenosina-trifosfato-sensitivos pode estimular a produção de fatores de crescimento do endotélio vascular, estes os quais podem promover o crescimento capilar. Aliás, esse medicamento era usado desde a década de 1970, como um potente vasodilatador periférico para o tratamento de hipertensão refratária severa, na forma oral. Essa vasodilatação leva à redução das pressões sistólica e diastólica, o que pode promover um maior suprimento de nutrientes e sangue rico em oxigênio aos folículos capilares. 

          Na verdade, são propostos múltiplos mecanismos de ação para o minoxidil, incluindo também efeitos anti-inflamatórios, anti-androgênicos, de indução da sinalização Wnt/beta-catenina, de proliferação celular nos folículos capilares, e de extensão ou redução da fase anágena e da fase telógena, respectivamente (Ref.66). O minoxidil também modera a concanavalina A, um intermediário no processo de ativação dos linfócitos-T, tendo um efeito imunomodulatório, com possíveis resultados positivos em alopécias autoimunes. 

           O efeito positivo do minoxidil sobre o crescimento capilar é principalmente devido ao seu metabólito, sulfato de minoxidil. Indivíduos que possuem uma maior atividade da enzima sulfotransferase (localizada nos folículos capilares e responsável pela sulfatação do minoxidil) respondem melhor ao uso tópico do medicamento. Aproximadamente 1,4% do minoxidil tópico é absorvido através de um escalpo normal, e aproximadamente 95% do fármaco sistemicamente absorvido e seus metabólitos são excretados pelos rins dentro de 4 dias.

           Efeitos colaterais, em geral, não são muito comuns, mas podem incluir irritação de pele, dermatite de contato, maior crescimento de cabelos na face (hipertricose), pele seca, taquicardia e possível piora na queda de cabelo na fase inicial. Neste último efeito, isso pode ser visto até como um efeito positivo, indicando que o produto está cumprindo sua atividade esperada. Existem duas formas de minoxidil: solução (forma líquida) e spray (espuma). A solução contém etanol e propileno glicol, dois solventes necessários para dissolver o minoxidil e aumentar sua absorção no tecido cutâneo. Alguns dos efeitos colaterais são devidos ao uso desses solventes.

          Deve ser usado idealmente duas vezes ao dia (1 ml cada dose aplicada) e nenhuma massagem é necessária após o uso. A absorção do minoxidil é em torno de 50% após 1 hora e de 75% após 4 horas. É ainda incerto se o uso de micro-agulhas para otimizar a absorção é uma estratégia realmente efetiva e clinicamente vantajosa, especialmente a longo prazo. As micro-agulhas são usadas para fazer microperfurações na camada mais externa da epiderme (stratum corneum), tornando a pele mais permeável para a entrega do minoxidil (ou outros fármacos de interesse), o que pode otimizar a eficácia do tratamento. Tem sido reportado resultados até 4-5 vezes melhores em termos de contagem de fios visíveis por área a curto-médio prazo com o auxílio das micro-agulhas (Ref.56). 

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> Geralmente recomenda-se aplicar a solução tópica de minoxidil no escalpo seco para otimizar a absorção. Porém, um estudo de 2016 publicado no periódico Dermatologic Therapy (Ref.96) trouxe evidência in vitro que o tratamento com minoxidil é mais eficiente se aplicado no escalpo úmido, permitindo maior penetração do fármaco. Experimentos com pele de rato e de suíno suportaram que uma maior umidade favorece difusão e consequentemente deposição do minoxidil no folículo capilar, além de prevenir cristalização desse composto (mantendo uma maior atividade termodinâmica por longos períodos e aumentando a penetração). A questão continua ainda em aberto.
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          Mulheres que não respondem à concentração máxima de mercado (minoxidil 5%) podem encontrar benefícios em concentrações maiores sem efeitos colaterais adversos cardiovasculares. Um estudo publicado em 2016 (Ref.46) analisou pacientes que não respondiam ao minoxidil 5%, dividindo-os em dois grupo: um recebendo solução de minoxidil 15% e o outro (controle) recebendo solução 5%. Após 12 semanas, no grupo recebendo a solução 15%, 60% dos pacientes responderam ao tratamento, exibindo um significativo crescimento capilar nas áreas calvas. No grupo de controle, nenhuma resposta significativa foi observada. A aparente segurança no uso dessas altas concentrações para as não-respondentes é hipotetizado de estar relacionada com o ideia de que esses indivíduos não conseguem metabolizar efetivamente o minoxidil para sua forma ativa e, portanto, uma maior quantidade de minoxidil acaba entregando uma quantidade similar de sulfato de minoxidil quando comparado com pacientes que respondem à solução 5%. De qualquer forma, sempre consulte um médico dermatologista antes de experimentar concentrações maiores.

          E apesar da forma oral do minoxidil ser atualmente prescrita apenas para o tratamento de problemas cardiovasculares associados com severa hipertensão, estudos vêm mostrando que essa via de administração também pode ser usada de forma segura para o tratamento de calvície (Ref.47, 55, 57), e a dose de 5 mg para homens parece ser mais efetiva do que as formulações tópicas de 2% e de 5% (Ref.67). Além disso, a forma oral é tipicamente mais barata e pode ser mais conveniente para muitos pacientes (por exemplo, muitos reclamam de um aspecto desagradável do cabelo após aplicação tópica no couro cabeludo). Nesse último ponto, para pacientes alérgicos ao minoxidil tópico, a forma oral sob baixas doses parece ser tolerada sem efeitos adversos (Ref.70). Por fim, estudos sugerem maior eficácia do minoxidil oral em relação ao uso tópico, e parece existir uma associação positiva dose-dependente entre baixa dose de minoxidil oral e sua eficácia para o tratamento da alopécia androgenética (Ref.71).


            Porém, é importante utilizar o minoxidil oral apenas sob orientação e recomendação médica, porque sintomas perigosos de hipotensão podem se manifestar dependendo da condição cardiovascular do indivíduo. Aliás, o uso do minoxidil como tônico capilar tópico desde 1987 veio oriundo do uso desse medicamento na forma oral, já que cerca de 1 em cada 5 pacientes relatavam crescimento excessivo de cabelos em várias partes do corpo, incluindo no couro cabeludo de indivíduos em processo de calvície. Evidências até o momento acumuladas (Ref.68) sugerem que as mulheres requerem doses menores de 0,25 até 2,5 mg por dia, enquanto homens requerem doses maiores para máxima eficácia, de 1,25 até 5 mg/dia. É recomendado inicialmente uso de 2,5 mg diários para indivíduos do sexo masculino - observando potenciais efeitos adversos - para então se aumentar para 5 mg/dia (Ref.100).

            Nesse último ponto, é importante realçar que uma dose ótima de minoxidil oral para o tratamento de alopécia androgênica em ambos os sexos é ainda questão de debate científico, mas deve se limitar a, no máximo, 5 mg/dia (Ref.105). Doses de ≤5 mg nesse contexto não parecem estar associadas a variações de pressão arterial com significância clínica (Ref.106).

           Relevante também alertar, um estudo publicado em 2018 no periódico Dermatologic Therapy (Ref.44), analisando 24 pacientes, mostrou que o uso concomitante de aspirina (ácido acetilsalisílico) (1) parece diminuir substancialmente a eficácia terapêutica do minoxidil, ao reduzir a atividade da enzima sulfotransferase. Nesse mesmo sentido, substâncias que aumentam a atividade da enzima sulfotransferase, como a tretinoína (comum em formulações tópicas para o tratamento de acne) tendem a otimizar a ação do minoxidil e até mesmo induzir resposta ao minoxidil em indivíduos previamente não suscetíveis ao efeito de crescimento capilar do fármaco (Ref.58). 


          Um fato interessante a ser realçado aqui é que uma moda recente começou a se alastrar envolvendo o uso do minoxidil para o crescimento de barba nos homens. Para quem quiser mais informações sobre o assunto, acesse o artigo Minoxidil para o crescimento da barba?.

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ALERTA: Pais usando minoxidil tópico devem evitar ter contato com bebês ou mesmo interromper o uso do fármaco caso esteja cuidando de um bebê. Bebês possuem uma pele muito mais fina do que os adultos, e, consequentemente, uma maior capacidade de absorver preparações transdermais. Nesse sentido, objetos contaminados com minoxidil ou mesmo o contato da pele tratada com o fármaco de qualquer um dos pais com a pele do bebê podem causar quadros severos de hipertricose (crescimento excessivo de pelos corporais). Um estudo publicado recentemente no periódico Dermatologic Therapy (Ref.59) reportou e descreveu o caso de três bebês saudáveis - duas meninas e um menino (4, 7 e 9 meses de idade) - que desenvolveram um sério quadro de hipertricose em várias partes do corpo (incluindo pernas, braços, rosto e costas), e cujos pais estavam usando formulações tópicas de minoxidil 5-7% para tratar alopécia androgenética. Quando os pais descontinuaram o uso do minoxidil, os quadros de hipertricose se resolveram espontaneamente dentro de 5-6 meses.

 
Paciente de 4 meses de idade do sexo masculino com progressivo aumento nos pelos corporais nos últimos 2 meses, como observado em (A). Avaliado em dois hospitais, proposta de possível caso de tumor produzindo hormônio foi descartada. O bebê possuía boa saúde, exibindo peso normal e genitália externa normal. Ele não havia recebido qualquer medicação. Testes laboratoriais (incluindo níveis hormonais), ultrassom abdominal-pélvico, ultrassom testicular e imagem por ressonância magnética estavam normais. Nenhum fármaco estava sendo usado na família, exceto minoxidil tópico 5% (nos últimos 2 meses e 2x ao dia) e finasterida oral para tratar a calvície comum. Após descontinuar o tratamento com minoxidil, uma progressiva melhora na hipertricose foi evidente até completa resolução (B). Ref.59


USO PEDIÁTRICO: Nesse mesmo caminho, é importante cuidado com o uso pediátrico, mesmo sob orientação médica. Para exemplificar, em um relato de caso de 2016, publicado no periódico Anais Brasileiros de Dermatologia (Ref.69), pesquisadores reportaram um caso Brasileiro de hipertricose em uma paciente de 5 anos de idade após o uso tópico de minoxidil. No caso, a paciente estava usando minoxidil 5% (20 gotas por dia) para tratar um quadro de perda capilar. Após dois meses, os pais da paciente notaram substancial crescimento capilar nas costas e na face da filha, assim como um leve crescimento dos pelos nos seus membros e um alongamento das sobrancelhas. Após exame de um dermatologista, investigação laboratorial foi realizada, excluindo hiperandrogenismo e disfunção na tireoide. Os pais negaram uso contínuo de outros medicamentos. Os pesquisadores concluíram que a concentração de 5% do minoxidil e a baixa massa corporal da paciente favoreceram um efeito sistêmico do fármaco. Crianças - pela maior área superficial em relação ao peso - podem ser mais suscetíveis a efeitos tóxicos e à hipertricose difusa causados pelo minoxidil tópico.


> Importante: Hipertricose é distinto de hirsutismo. No final deste artigo, um esclarecimento dos dois termos (!).

> O principal efeito colateral adverso do uso de minoxidil oral é a hipertricose, seguindo por tontura e edema dos membros, esses dois últimos com ocorrência muito menos comum (Ref.70).

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      FINASTERIDA

            Geralmente encontrada sob o nome de Propecia ou Proscar, a finasterida é uma substância que age como um bloqueador de ação da enzima 5-alfa-reductase Tipo II. Apesar do Tipo I estar mais presente na pele do escalpo, por causa da sua predominante presença nas glândulas sebáceas, a Tipo II é a que mais afeta a alopécia androgenética por estar presente nos folículos capilares. De qualquer forma, a finasterida bloqueia a enzima Tipo II presente nos folículos e aquelas em outros locais do corpo, levando a uma redução geral dos níveis de DHT tanto no folículo quanto aquele circulante no sangue. E com a diminuição desse hormônio, existe uma diminuição no progresso da calvície em diferentes graus que vai variar de indivíduo para indivíduo.

Perceba que a molécula da finasterida possui uma estrutura similar à testosterona. Nesse sentido, essa substância age como um competidor e bloqueador da enzima 5-alfa-reductase, concorrendo junto à testosterona pelos sítios de ligação. 

             No geral, mais de 95% das pessoas tomando o medicamento exibem alguma melhora no quadro de calvície comum, retardando seu progresso e podendo até ocorrer uma significativa regeneração no crescimento capilar, a qual pode demorar de 6 meses a 2 anos para ficar visível. No entanto, recrescimento capilar parcial/moderado é observado geralmente em cerca de 66% das pessoas sob tratamento e apenas 5% conseguem um notável recrescimento capilar. É sugerido também que o número de fios pode aumentar em relação ao número daqueles minimamente visíveis. E caso a pessoa que está usando a finasterida não apresente melhora alguma no quadro de calvície após 1 ano de tratamento, o uso deve ser interrompido, porque um maior tempo sob o medicamento não gerará outro resultado. Assim como o minoxidil, seu uso precisa ser contínuo, ou os efeitos serão revertidos.

               As doses diárias recomendadas são de um comprimido de 1 mg, a qualquer horário do dia e junto ou não da alimentação. É válido mencionar que esse medicamento não mostra efeitos positivos em indivíduos do sexo feminino, sendo seu uso apenas indicado para indivíduos do sexo masculino. Existe dúvida também na literatura acadêmica sobre se a eficácia desse fármaco é a mesma para qualquer tipo de padrão de calvície. No geral, a finasterida se mostra melhor do que o minoxidil no tratamento da calvície masculina, mas é preciso ser realista. Apesar de quase todos usando a finasterida apresentarem alguma melhora no quadro de calvície - principalmente freando o processo -, os resultados podem ser mínimos, moderados ou ótimos, e isso vai variar de pessoa para pessoa. Quanto ao aumento de fios através da recuperação daqueles antes praticamente perdidos, os ganhos tendem a ser baixos. Por isso, assim como no caso do minoxidil, o tratamento deve começar da forma mais precoce possível. E importante: usar uma dose acima de 1 mg/dia não está associado a melhores resultados e pode resultar em maior risco de efeitos colaterais indesejáveis. Doses de 1 mg ou de 5 mg, por exemplo, não parecem diferir em termos de eficácia.

           Um fato interessante é que alguns estudos trazem evidência que homens possuindo uma maior quantidade de cabelos espalhados pelo corpo parecem responder melhor ao tratamento, possivelmente por serem mais sensíveis à ação do DHT. Mas, como realçado anteriormente, isso não é uma regra, já que a genética também entra no jogo.

          E falando em efeitos colaterais, o uso na dosagem recomendada de finasterida não é um grande fator de risco para problemas relacionados à infertilidade e impotência sexual como muitos tendem a alegar ou acreditar. Diversos estudos científicos reportam que algo em torno de 1% das pessoas usando o medicamento apresentam algum grau desses sintomas. Revisões sistemáticas e estudos isolados mais recentes da literatura científica colocam o risco de disfunções sexuais em um patamar mais elevado, mas com os efeitos na maior parte das vezes bem brandos e com a conclusão geral de que a finasterida é bem tolerada entre as pessoas (Ref.25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33 e 34) . No geral, esses resultados ficam, incluindo os grupos tratados com placebo:

1. Disfunções eréteis: entre 3,4 e 15,8% ( placebo: entre 1,7 e 6,3%)

2. Diminuição da libido: entre 2,3 e 10% ( placebo: entre 1,2 e 6,3%)

3. Efeitos na ejaculação: entre 0,9 e 5,7% (placebo: entre 0,4 e 1,7%) - Aqui inclui-se também a contagem de espermatozoides, parâmetro o qual parece ser o mais atingido.

         E é válido mencionar que os estudos analisados levam em conta, em grande parte das vezes, pacientes tratados com finasterida para a alopécia androgenética e para a hiperplasia prostática benigna (HPG). Em alguns estudos, foi mostrado que os efeitos colaterais relativos às funções sexuais tendem a ser maiores nos pacientes com HPG (Ref.33). E é importante salientar que estudos também reportam que um pequeno número de homens sendo afetados por esses efeitos colaterais podem tê-los de forma permanente ou muito prolongada (meses ou anos), mesmo com o uso do medicamento sendo abandonado. Ainda não é claro se a finasterida é a responsável principal nessa situação.

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          No caso específico da libido e das funções eréteis, não são apenas os andrógenos os responsáveis pelo desejo sexual nos homens e pela ereção peniana. Estímulos diversos no cérebro precisam ser acionados para a ereção acontecer, por exemplo, e mesmo em homens com baixos níveis de testosterona essa função costuma não ser comprometida (e, lembrando, a finasterida não diminui os níveis de testosterona e, sim, de DHT, apesar deste também ter efeitos significativos nas funções sexuais). Além disso, como foi até sugerido nos resultados dos placebos apresentados acima, as pessoas sob o uso de finasterida podem reclamar de efeitos de perda de libido apenas por saber que o medicamento pode ter esse efeito colateral, inflando sem justa causa os reportes negativos contra a droga. Por isso ainda é complicado traçar uma linha clara de ligação entre o grau de libido e o uso de finasterida.

         De qualquer forma, é recomendado que homens e outras pessoas do sexo masculino com problemas de infertilidade, impotência sexual ou que queiram começar uma família, busquem conhecer bem os riscos e benefícios antes de iniciar o tratamento. Uma estratégia, que deve ser acompanhada junto a um médico, é usar doses menores para ver se efeitos colaterais negativos surgirão, para depois embarcar de vez nas doses recomendadas de 1 mg.

        Outros efeitos colaterais possíveis da finasterida podem incluir aumento no risco de problemas psiquiátricos, como a depressão, mas uma real associação nesse caso ainda não foi completamente estabelecida. A mesma situação vai para a relação entre aumento no risco de câncer de próstata e o uso de finasterida, algo também sem suporte de significativa evidência científica (aliás, a finasterida é usada para o tratamento desse tipo de câncer, já que as células tumorais nessa doença parecem ter o seu crescimento promovido pelo DHT; de fato, existe evidência de redução do risco desse tipo de câncer com o uso contínuo) (Ref.56). Não existe qualquer evidência ou reporte de ginecomastia devido ao uso do fármaco.
       
          É válido também mencionar outro medicamento já sendo bastante usado como alternativa à finasterida, conhecido como Dutasterida. Com ação similar, esse fármaco vem se mostrando melhor do que a finasterida em vários testes clínicos por ser eficiente  em bloquear as enzimas Tipo I e Tipo II da 5-alfa-reductase, diminuindo em até 90% os níveis de DHT circulantes no corpo (finasterida reduz em até 70%). Em termos de efeitos colaterais e usos para outros fins (como no tratamento de câncer de próstata e HPB), ambos os medicamentos se mostram bastante similares. Porém, alguns estudos sugerem que a dutasterida resulte em maiores efeitos colaterais, especialmente em termos de disfunções sexuais (Ref.24). É geralmente recomendada para pacientes com alopécia androgenética que não respondem à finasterida ao final de 6 meses de tratamento. Recentemente, o Japão e a Coreia do Sul aprovaram dutasterida oral (0,5 mg/dia) para indivíduos do sexo masculino com calvície (Ref.72).

> Finasterida Tópica: Apesar de ser pouco usada e com eficácia mais limitada, essa via de aplicação da finasterida vem se mostrando promissora e segura - associada também com uma redução menos dramática dos níveis sistêmicos de DHT. Uso tópico recomendado envolve solução de finasterida 0,25%. Existe evidência clínica de que uma solução de finasterida (0,25%) + minoxidil (3-5%) é mais eficiente do que um solução de minoxidil 3-5% isolada. Ref.56, 100, 103

> Combinação Farmacológica: Uma combinação terapêutica de finasterida oral (1 mg) com mixodil tópico 5% tem mostrado melhor resultado do que a monoterapia com um ou outro fármaco (Ref.56)

> Um estudo publicado em 2022 no periódico Journal of Dermatological Treatment (Ref.74), comparando a eficácia entre minoxidil oral, finasterida (oral) e dutasterida (oral) com base nas evidências acumuladas na literatura acadêmica, concluiu que a dutasterida é mais eficaz do que a finasterida e esta mais eficaz que o minoxidil oral. Para mais informações acesse o vídeo abaixo. A dutasterida é aproximadamente 3x e >100x mais potente do que a finasterida em inibir isoenzimas 5-alfa-redutases tipo I e II, respectivamente, e exibe meia-vida de 4 semanas na circulação sanguínea comparado com um tempo de 6-8 horas para a finasterida (Ref.104).

            

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> Existe também uma alegada condição que pode se desenvolver durante ou após o uso de finasterida, conhecida como Síndrome Pós-Finasterida (Ref.88). Essa síndrome possui incidência desconhecida e inclui uma constelação de potenciais sintomas sexuais (perda de libido, disfunção erétil, desordens ejaculatórias), físicos (erupções cutâneas, ginecomastia, fatiga, fraqueza muscular, problemas auditivos, anomalias metabólicas) e psicológicos (auto-inflição de danos, problemas de memória, cognição lenta, depressão, idealização suicida, ansiedade, mudança no afeto emocional, insônia). Esses sintomas persistiriam por até vários anos após descontinuação de uso e parte deles podem estar associados com mudanças neuroquímicas no cérebro induzidas pelo bloqueio de enzimas 5-alfa-redutases nesse órgão (Ref.89). Porém, a própria existência da síndrome e a sua ligação causal em relação à finasterida são ainda controversas (Ref.90-91). Possíveis mecanismos patológicos também são pouco esclarecidos, e fatores genéticos podem estar envolvidos (Ref.92). Alguns pesquisadores inclusive sugerem que a síndrome possa ser uma forma de doença psicogênica de massa* (Ref.93). Além da finasterida, dutasterida e inibidores da 5-alfa-reductase em geral estão associados com a síndrome (Ref.94).


> Existem preocupações levantadas na literatura acadêmica ligando o uso de longo prazo de finasterida e de dutasterida a vários eventos adversos no corpo além de transtornos mentais e problemas sexuais, incluindo potenciais doenças renais, hepáticas, metabólicas, ósseas e oculares. Porém, evidência de suporte nesse sentido é muito limitada. Ref.101-102
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   FINASTERIDA E HIPERTROFIA MUSCULAR

          Pessoas consumindo finasterida e sob treinamento de musculação ficam preocupadas com possíveis prejuízos no potencial de hipertrofia muscular do corpo - já que o DHT é um poderoso esteroide androgênico e seu nível circulante é fortemente reduzido sob uso de finasterida e dutasterida.

          Porém, evidência científica [ainda limitada] não suporta prejuízos nesse sentido em adultos. 

          Um notável estudo de alta qualidade publicado em 2012 no JAMA (Ref.97) investigou 139 indivíduos saudáveis do sexo masculino com idades de 18 a 50 anos sob supressão de testosterona, comparando o uso de placebo + enantato de testosterona com o uso de dutasterida (um forte supressor de DHT; 2,5 mg/dia) + enantato de testosterona. Após acompanhamento de 20 semanas, nenhuma diferença significativa foi notada na massa de gordura corporal, força muscular, volume prostático, entre outros parâmetros.

            Os resultados do estudo apontaram que o DHT não é essencial para mediar efeitos anabólicos sobre a musculatura humana masculina, no contexto de níveis normais de testosterona circulante. O DHT parece simplesmente realçar os efeitos androgênicos da testosterona no corpo, ao invés de ser instrumental para funções regulatórias na próstata, ossos e músculos. Em indivíduos com baixos níveis de testosterona circulante, o DHT pode ser mais relevante.

            Resultados similares foram obtidos em um estudo randomizado, duplo-cego e placebo controlado publicado em 2021 no periódico The Journal of Sexual Medicine (Ref.99) com 16 homens trans [sexo feminino] que tiveram os ovários removidos, e que estavam recebendo testosterona. O uso concomitante de dutasterida não impactou significativamente nos ganhos anabólicos musculares em comparação com placebo, reforçando a hipótese que a conversão de testosterona em DHT não é essencial para esse efeito em nenhum dos sexos.

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      ANTI-ANDRÓGENOS

              Medicamentos como a Espironolactona, o Acetato de Ciproterona e os próprios estrógenos podem também ser usados para combater a calvície, mas apenas nas mulheres. Diferente da finasterida, que bloqueia apenas a formação do DHT, esses medicamentos bloqueiam a ação de todos os andrógenos no corpo, impedindo os mais fortes e os mais fracos agentes androgênicos de continuarem estimulando o progresso da calvície. A Espironolactona possui boa eficácia em mais 90% das mulheres no sentido de desacelerar a calvície. As mulheres com interesse em usá-los, os quais também podem ser úteis para tratar acnes e cabelos faciais indesejados, devem pedir orientação médica prévia, especialmente em caso de gravidez ou suspeita de uma. Como o homem possui uma quantidade inúmeras vezes maior de andrógenos no corpo, e depende bem mais deles do que as mulheres, fica óbvio o porquê dessa estratégia não ser válida para o caso masculino. Porém, esses medicamentos podem carregar sérios efeitos colaterais também para as mulheres, apesar de raros. Por isso o ideal é sempre utilizá-los sob orientação médica.


> Outras vias terapêuticas farmacológicas: Existem outras apostas farmacológicas promissoras mas com mais limitado acúmulo de evidências científicas de suporte. Podemos citar o uso de prostaglandinas (tópico ou oral), ácido valproico e extrato da espécie Serenoa repens (um tipo de palma) (Ref.56). 

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AGENTE WAY-316606: Pesquisadores da Universidade de Manchester, liderados pelo Dr. Nathan Hawkshaw, recentemente descobriram um medicamento que mostrou ser extremamente efetivo para prevenir a perda de cabelo gerada pela calvície, chamado de 'agente WAY-316606. Para saber mais, acesse: Cientistas encontram uma potencial cura para a calvície
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IMPORTANTE: Apesar das alternativas e novos tratamentos farmacológicos promissores, apenas a finasterida (1 mg) e o minoxidil 5% (tópico) são tratamentos aprovados por agências de saúde internacionais para o tratamento da alopécia androgenética e que possuem robusto suporte científico de eficácia, incluindo dados clínicos de resultados a longo prazo e envolvendo grandes grupos de controle. 

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      CIRURGIAS CAPILARES

             Como os medicamentos acima podem não surtir efeito positivo em todas as pessoas e, quando surte, muitas vezes acabam não sendo muito satisfatórios, o transplante pode ser uma estratégia a ser tentada. Nesse caso, existem três tipos de procedimentos:

1. Transplante de cabelo: Aqui, folículos capilares são removidos de áreas normalmente não afetadas pela calvície, como as laterais do escalpo e até de outros fios capilares do corpo (ex.: barba), e aplicados nas áreas calvas. Tradicionalmente, são cortados pequenos pedaços de escalpo (cerca de 1 cm de largura e entre 30 e 35 cm de comprimento), estes divididos em folículos únicos ou minúsculos grupos de folículos, e implantados nas áreas visadas. A fixação dos folículos implantados é dada pela coagulação do sangue envolvido nas inserções. Normalmente, longas ou várias seções são necessárias (as quais são ainda muito caras) até que o preenchimento capilar seja satisfatório.

2. Redução do escalpo: Basicamente, áreas do escalpo afetadas pela calvície são retiradas, e áreas com cabelo são puxadas para ocupá-las, através de diversos métodos de expansão do tecido da pele. Ela é indicada para áreas longe da parte frontal do escalpo, já que deixa cicatrizes que podem ser bem explícitas.

3. Cabelo artificial: Sob anestesia, cabelos formados por fibra sintética são colocadas no escalpo calvo. Essa técnica, porém, carrega sérios riscos de infecção e formação de profundas cicatrizes. Além disso, as fibras implantadas podem cair com relativa facilidade após alguma tempo.

          Todas as técnicas cirúrgicas acima descritas carregam consideráveis riscos, já que se tratam de cirurgias e envolvem a aplicação de anestésicos e medicamentos diversos no pós-operatório, incluindo antibióticos. Além disso, a via cirúrgica está longe de ser milagrosa, por depender do estágio da calvície, das peculiaridades fisiológicas do paciente e das expectativas desse último. No geral, é estimado uma taxa de 5% de complicações, incluindo necrose do local doador, infecções bacterianas, cicatrização hipertrófica, queloide e foliculite. O uso de cabelo artificial, em específico, não é recomendado pelos dermatologistas por carregar alto risco de efeitos adversos e de insatisfação com o resultado final. E é preciso ficar atento, porque muitos profissionais podem ficar relutantes em alertar sobre os sérios riscos envolvidos em determinados procedimentos com medo de perder clientes. Nesse sentido, é mais do que recomendado sempre buscar cirurgiões bem experientes/renomados e ambientes hospitalares bem equipados para evitar operações mal feitas ou que deixem o estado final várias vezes pior do que o inicial, incluindo grotescas cicatrizes. E na balança dos riscos e benefícios, é bom lembrar de jogar no meio também o custo, este o qual é tipicamente bem salgado para esses procedimentos.

          Atualmente, técnicas cirúrgicas minimamente invasivas já estão disponíveis para esses procedimentos, minimizando bastante cicatrizes e outros efeitos colaterais adversos (Ref.42). Podemos citar a cada vez mais utilizada técnica FUE (Extração de Unidade Folicular), onde folículos são individualmente extraídos da área doadora e implantados na área calva - reduzindo sangramento e prevenindo as notáveis cicatrizes deixadas na área doadora com o procedimento tradicional de FUT (Transplante de Unidade Folicular)  (Ref.76). O FUE, porém, é limitado pela área doadora na cabeça (onde folículos não carregam a 'genética' da calvície) e tipicamente não é recomendado para indivíduos com cabelo crespo (em especial devido ao fato da raiz capilar não seguir a direção do fio de cabelo raspado exposto na superfície da pele, tornando muito difícil uma extração efetiva) (!). 

OBS.: Existe ainda em estudo o uso da técnica de clonagem celular para esse tipo de tratamento capilar. Nela, células das estruturas capilares não afetadas pela calvície são retiradas do paciente, multiplicadas em laboratório, e injetadas nas áreas calvas. Ainda não se sabe quando a técnica estará disponível ou se realmente será eficaz/justificável na prática clínica.

(!) IMPORTANTE: Apesar de cirurgiões geralmente recusarem indivíduos de cabelo crespo/Afro para a técnica de FUE, esse fenótipo não é necessariamente proibitivo para a técnica, principalmente considerando o enorme fluxo genético marcando a história evolutiva humana. Em geral, quanto mais crespo o cabelo, mais este está associado com uma pele mais firme e grossa, dificultando ainda mais a aplicação do FUE. Porém, devido à grande miscigenação de povos ao redor do mundo, nem sempre um cabelo crespo estará associado com características que dificultam o uso do FUE, e o contrário é válido para indivíduos com cabelos mais lisos (Ref.77). Cada caso deve ser avaliado individualmente.

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LOW-LEVE LASER THERAPY: Existe também suporte científico de segurança e de relativa efetividade para o uso de terapia com laser de baixo nível (LLLT) para a estimulação do crescimento capilar em pacientes com padrão masculino ou feminino de perda de cabelo que não respondem ou não são tolerantes aos tratamentos tradicionais (ou que não consideram vias cirúrgicas uma opção) (Ref.50-51). Essas terapias utilizam lasers com comprimento de onda entre 630 e 660 nm, envolvendo uso diário durante 15-30 minutos. A eficácia é demonstrada em um número limitado de estudos clínicos, mas inexiste evidência de que esse método terapêutico seja superior ou comparável aos métodos farmacológicos (Ref.75). 

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CÉLULAS-TRONCO: Um avanço recente foi dado na busca pelo crescimento capilar a partir de células-tronco, algo que pode superar todas as limitações dos tratamentos hoje existentes para esse fim. Cientistas da Sanford Burnham Prebys - um instituto de pesquisa médica sem fins lucrativos, localizado em La Jola, Califórnia - criaram cabelo com aspecto natural - via folículos capilares funcionais - que crescem através da pele usando células-tronco humanas induzidas pluripotentes (iPSCs, na sigla em inglês). Para saber mais, acesse: Cientistas fazem cabelo humano crescer a partir de células-tronco


   MÉTODOS DE CAMUFLAGEM

          Em um contexto de limitada eficácia ou impossibilidade de tratamentos convencionais farmacológicos ou cirúrgicos, muitas pessoas podem optar por usar métodos cosméticos para disfarçar ou camuflar as áreas calvas. Isso pode ser feito através de próteses capilares (fixação ou entrelaçamento de fios sintéticos ou naturais), uso de sprays ou pó (tintura temporária do escalpo), e tricomicropigmentação (Ref.80).

           A tricomicropigmentação, também conhecida como micropigmentação, é um procedimento estético não-cirúrgico de camuflagem permanente que usa tatuagem convencional sobre o escalpo e áreas com cabelo, com o propósito de disfarçar cicatrizes, deformidades, áreas com perda capilar, e outras condições que causam afinamento dos fios capilares. 

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           A técnica envolve inserir microgotículas de pigmento através da epiderme dentro da derme superior (aproximadamente 1,5 mm de profundidade) usando um instrumento padrão de tatuagem, o qual carrega de 1 a 6 agulhas e exibe entre 100 e 150 ciclos por segundo. Uma tatuagem é realizada usando um padrão pontilhado imitando o óstio folicular para reduzir o contraste entre o cabelo e a cor da pele. Nesse sentido, a tatuagem produz um efeito de aumento da densidade capilar. O tamanho e espaçamento dos pontos irá variar de acordo com o julgamento artístico do profissional.


Perda capilar camuflada com tricomicropigmentação; antes (A) e depois (B) do procedimento.

          Pigmentos usados na micropigmentação são principalmente inertes, atóxicos, não-alergênicos, estáveis em tecidos corporais e injetados com agulhas de aproximadamente 6 µm de espessura. As substâncias para pigmentação diferem dependendo da cor requerida. Cinabre e sulfato de mercúrio são usados para a cor vermelha, óxido de ferro para preto e marrom, e sulfeto de cádmio é usado para o amarelo. 

          O procedimento deve ser realizado por profissionais treinados, e está associado a riscos como infecção bacteriana e reações alérgicas. Pode existir complicação com sangramento seguido pela perda de pigmento quando esse é injetado muito superficialmente. Dependendo da intensidade, exposição direta à radiação solar pode mudar a coloração dos pigmentos aplicados.


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           Bem, explorada a natureza e os tratamentos cientificamente comprovados associados à alopécia androgenética, fica nesse ponto claro perceber que estamos cercados de inúmeros mitos sobre o assunto. Como estabelecido, a calvície, mesmo não sendo um real problema de saúde, pode afetar bastante o emocional dos indivíduos, especialmente no Ocidente. Somando-se a isso, o fato dos limitados tratamentos disponíveis e cientificamente comprovados não serem tão eficientes no geral - excetuando-se talvez as cirurgias -, acabou fomentando diversos produtos alegados como 'efetivas terapias alternativas'. 

1. "Medicinas alternativas são eficazes para combater a calvície".

           Se o tratamento sendo ofertado não englobar aqueles previamente descritos neste artigo, não existe suficiente evidência científica de suporte. Massagens especiais, acupuntura, aromaterapia, homeopatia, suplementos alimentares (ex.: cafeína, vitamina D, zinco, aminoácidos, Serenoa repens, óleos de plantas etc.), entre vários outros produtos e terapias, são fartamente ofertados no mercado para o tratamento da calvície, mas estudos clínicos de boa qualidade avaliando eficácia são escassos ou inexistentes, e evidências científicas são muito limitadas (Ref.81-83). Shampoo ou loções com cafeína têm ficado populares nos últimos anos, mas evidência científica de suporte é ainda insuficiente para esclarecimento da real eficácia. Nesse contexto, existe evidência recente sugerindo que loção tópica de cafeína 0,2% não é significativamente inferior ao uso de solução de minoxidil 5% em indivíduos do sexo masculino (Ref.84). É sugerido que a cafeína atua prolongando a fase anágena do crescimento capilar. Estudos de maior porte e de mais alta qualidade são necessários para melhor esclarecer a eficácia de várias terapias alternativas sendo oferecidas no mercado.

2. "Suplementos e ervas podem curar a calvície".

           Para começar, não existe atualmente cura para a calvície, e os tratamentos disponíveis, no máximo, controlam o seu avanço. Dizendo isso, se a pessoa é saudável, consumir nutrientes e ervas diversas não vai ajudar em nada. Caso você esteja com deficiência nutricional, quedas de cabelo podem até ocorrer, mas estas não estarão relacionadas com a alopécia androgenética e geralmente são temporárias. Se você voltar a se alimentar bem, os cabelos voltarão a crescer.

3. "A calvície vem do lado materno da família".

           É bem comum ouvirmos as pessoas dizerem que caso você queira saber se poderá ter calvície no futuro, é só olhar os integrantes da família da sua mãe, especialmente pais e avós. O motivo seria, alegadamente, que o "gene da calvície é herdado da mãe". Isso é apenas parcialmente verdade. De fato, o gene do receptor androgênico (AR) e alguns outros genes (ex.: EDA2R e HEPH) estão envolvidos na maioria dos casos de calvície comum, e são herdados do lado materno no caso dos indivíduos do sexo masculino (estão localizados no cromossomo X). Porém, como realçado, múltiplos genes estão envolvidos com a manifestação da calvície - em regiões localizadas além do cromossomo X - e a condição também é dependente dos níveis circulantes de DHT. E lembrando que calvície androgênica também é um problema comum nos indivíduos do sexo feminino, que herdam um cromossomo X da linhagem materna e paterna. De qualquer forma, o problema é hereditário, possuindo forte determinismo genético, sendo que estudos com gêmeos idênticos já mostraram que, em situações controladas, eles tendem a perder cabelo com a mesma idade, mesma velocidade e no mesmo padrão - apesar de certos fatores ambientais atuarem em alguma extensão para agravar ou não as perdas capilares (!). Cerca de 80% da variância fenotípica observada na calvície comum é atribuível a fatores genéticos.

4. "Ejaculação frequente gera maior queda de cabelo, incluindo a calvície comum".

           Não existe ligação científica entre homens com menor quantidade de cabelo, seja qual for a causa, e a ejaculação excessiva, tato aquela gerada pela masturbação quanto aquela gerada durante o ato sexual. Nesse sentido, outro mito comum é achar que os homens calvos são mais viris do que aqueles com menor grau ou nenhuma calvície, porque, supostamente, eles teriam maior quantidade de testosterona no corpo. Como já foi explicado, a calvície é determinada principalmente por fatores genéticos e por diferentes graus de sensibilidade à ação dos andrógenos, especialmente o DHT. Mesmo uma pessoa com grande quantidade de andrógenos no corpo pode não desenvolver calvície caso sua genética ou sensibilidade a esses hormônicos não sejam favoráveis ao surgimento da condição.

5. "Lavar a cabeça com água fria pode ajudar a tratar a calvície".

          Calvície e quedas de cabelo em geral não estão ligadas a uma menor ou maior circulação sanguínea no escalpo. Esse mito vem do fato de muitos pensarem que a ação do minoxidil é apenas a de aumentar o fluxo sanguíneo nessa região (aumentando o aporte de nutrientes e oxigênio), algo sem suporte científico para a maioria dos casos. Ainda não se sabe ao certo como esse medicamento age. Sim, lavar a cabeça com água fria irá aumentar o fluxo sanguíneo temporariamente, mas não mudará o curso da sua calvície. Na verdade, mesmo se a circulação sanguínea fosse a chave para a cura da calvície, esfriar a cabeça por um breve período de tempo provavelmente não surtiria efeito algum.

6. "Notar que o pente está cheio de fios ao pentear o seu cabelo significa que você está ficando calvo".

           Primeiro, é normal todo mundo perder cerca de 100 fios por dia, e isso faz parte do ciclo capilar natural. Segundo, caso você use gel, deixe o cabelo muito preso ou não mexa muito nele, por exemplo, é normal que saia grandes quantidades acumuladas durante o dia dos ~100 que já iriam cair, mas que acabam ficando presos. Lógico, claro, que quantidades muito grandes devem ser alvo de suspeitas, especialmente se áreas no seu cabelo estiverem ficando visivelmente rareadas (nesse caso, muito ou pouco cabelo perdido diariamente não importarão muito a longo prazo).

7.  "Só quem possui problemas capilares perdem densidade de fios no couro cabeludo".

          Como já mencionado, o processo de perda capilar geralmente aumenta com a idade, e isso vale para todos. A espessura dos fios também tende a afinar, independentemente da presença ou não de problemas capilares.

8. "Produtos capilares como gel, mousse e spray causam perda de cabelo ou aceleram a calvície".

          Não. Produtos dessa natureza e aprovadas por agências reguladoras não irão causar perda de cabelo de qualquer tipo.

9. "Ficar de cabeça para baixo ajuda a tratar a calvície".

          Esse relaciona o mesmo cenário do uso de água fria na cabeça. Novamente, a queda de cabelo ou calvície comum, em situações normais, não têm nada a ver com o grau de circulação sanguínea no escalpo.

10. "Usar bonés, chapéus ou outros objetos do tipo na cabeça causam queda de cabelo e aceleram a calvície".

           Esse mito é o mais clássico em termos de perdas capilares. Não, você pode usar o seu boné 24 horas por dia e pela semana inteira que o acessório não irá engatilhar ou acelerar a calvície, ou provocar outras formas patológicas de queda capilar. Os folículos capilares não precisam de 'ventilação' para se manterem saudáveis, porque essas estruturas obtêm nutrientes e oxigênio do sangue. Na verdade, se isso não fosse verdade, ninguém mais teria cabelos pubianos, nas axilas ou em qualquer outra parte do corpo que normalmente ficam cobertas o dia inteiro na maior parte das pessoas, especialmente na área genital e no pé. Isso vale também para profissões onde coberturas na cabeça (ex.: capacetes ou gorros) são necessárias por períodos prolongados, como cirurgiões, cozinheiros ou trabalhadores em construção civil. O boné e afins só irão trazer alguma perda de cabelo caso estejam apertados demais, colocando demasiada tensão nos fios. Isso, obviamente, poderá arrancá-los por vias mecânicas, mas sem relação com a calvície comum.

11. "Massagear ou esfregar o escalpo pode reduzir a queda de cabelo".

         Novamente, induzir uma maior circulação sanguínea no escalpo não irá ter influência na queda de cabelo de qualquer tipo.

12. "Alguns tipos de penteado podem levar à queda de cabelo".

         Aqui temos um sim e um não. Caso o penteado coloque bastante tensão no cabelo e use bastante força para ser feito, fios extras podem perdidos. Porém, aqui temos um motivo mecânico. No caso da calvície comum, penteados não serão fatores de risco.

13. "Cortar o cabelo ajuda a prevenir a perda de cabelo, incluindo a calvície comum".

          Não, e isso vem do mesmo mito da barba aparada. Cortar o seu cabelo não interfere nem ao menos com a raiz/folículo capilar. O cabelo cortado pode parecer mais "vivo" e grosso, porque a base de todo fio de cabelo é mais grossa do que a ponta e o cabelo em crescimento terá uma cor mais forte. No artigo Pelo barbeado cresce mais rápido, grosso e vistoso? a questão é esclarecida com maiores detalhes.

14. "Lavar a cabeça com frequência causa perda de cabelo".

          Expor seu cabelo à água ou ao shampoo com frequência não leva a uma perda de cabelo, especialmente se ela for devida à calvície comum. Os fios que caem durante a lavagem são aqueles que já caíram ou estão para cair no decorrer do dia.

15. "Excesso de Sol na cabeça leva à queda de cabelo".

          Existem duas situações aqui. A primeira é quando você tem cabelo preenchendo toda a cabeça com um bom volume. Nesse caso, os raios solares serão bloqueados pelo cabelo e nem chegarão à pele do escalpo, principalmente porque a proteína do cabelo, a queratina, absorve bem uma boa parcela da perigosa faixa da radiação ultravioleta (UV). A segunda situação é você já ter um estágio mais avançado de perda de cabelo e, com isso, ficar exposto a uma maior radiação solar. Bem, você percebe os cabelos do seu braço caindo por causa da luz solar incidente sobre o mesmo, em excesso ou não? A resposta, claro, é não. A própria pele já possui proteção com a radiação UV, servindo como um escudo contra a radiação chegando nos folículos e não existe mínima evidência científica de que uma maior exposição solar leve a um aumento na queda de cabelo. De qualquer forma, nunca exagere na exposição solar, já que isso pode levar à danos na pele, incluindo o fomento de cânceres.

16. "Produtos para tingir os cabelos podem causar perda capilar".

           Aqui, temos mais um sim e não. Caso seja mal usado, certas substâncias contidas nesses produtos, em contato com a pele, podem levar à perda de cabelo, por intoxicar os folículos. Porém, essa perda não é permanente, e seu cabelo geralmente é restaurado à normalidade com o fim do uso ou melhor uso dessas tintas. Já para a calvície comum, não existe ligação.

          Uma observação importante aqui vai para os produtos de relaxamento capilar, os quais podem gerar danos diversos, incluindo perda de cabelo e afinamento dos mesmos. Assim como as tinturas, os danos não costumam ser permanentes.

17. "Estresse causa queda de cabelo".

        Aqui temos mais um sim e não. Eventos ou momentos da vida de um indivíduo muito estressantes, incluindo cirurgias ou acidentes graves, podem levar a uma menor produção, temporária, de fios de cabelo. Existem evidências também - apesar de não conclusivas -, de que o estresse pode exacerbar o progresso da calvície. O que é conclusivo é o fato do estresse ser um fator determinante para o aparecimento prematuro de fios brancos (Leitura recomendada: Quais são as causas para o aparecimento prematuro dos fios brancos de cabelo?)

18. "O secador de cabelo pode causar perda de cabelo".

         Secar os cabelos com esses equipamentos, se não for feito com segurança, pode danificar, queimar ou prejudicar o visual dos cabelos, incluindo a parte superficial da pele, mas não gerará uma real perda de cabelo, este o qual  começará a crescer imediatamente após a perda da sua parte externa.

19. "A calvície está ligada a problemas de saúde".

          Aqui temos outro sim e não. Como já explicado, a calvície não é um problema de saúde (apesar de potencialmente gerar problemas psicológicos) e também não causa problemas de saúde. Mas, genes ligados à calvície também podem estar ligados a outras doenças, como problemas cardíacos e câncer de próstata (no caso, aumento de risco em desenvolvê-los) - apesar de evidências ainda conflitantes nesse sentido. De qualquer forma, ainda não se tem uma conclusão científica sobre essa ligação genética. Porém, existe evidência de que certas doenças de pele estão associadas com o progresso da calvície.


    (!ESTUDOS COM GÊMEOS

          Apesar do fator genético ser o principal determinante da alopécia androgênica, temos que lembrar que cerca de 20% ou menos dos fatores de causa e progresso da alopécia androgenética não são genéticos (talvez envolvendo epigenética). Fatores ambientais (exógenos) e endógenos diversos têm sido ligados ao problema.

            Nesse sentido, temos dois estudos conduzidos por Gatherwright et al. e publicados em 2012 (Ref.52) e em 2013 (Ref.53) trazendo evidências de que fatores endógenos e exógenos não-medicamentosos além da genética de fato parecem atuar para amplificar ou minimizar o padrão masculino ou feminino de perda capilar. No primeiro estudo, analisando 92 gêmeos idênticos do sexo feminino recrutadas de 2009 até 2011, encontrou que o fumo, divórcio, múltiplos casamentos, mais filhos, longa duração de sono, maior renda financeira, falta de proteção solar (incluindo o uso frequente de chapéu para proteger o escalpo do UV), falta de exercícios físicos, maior nível de testosterona circulante, e uma história de diabetes tipo 2, hipertensão, síndrome do ovário policístico, e doenças de pele podem contribuir significativamente para a perda de cabelo independentemente da genética. Muitos desses fatores, como exercícios físicos e maior nível de testosterona influenciam na taxa de DHT.

          Já no segundo estudo, envolvendo também 92 gêmeos idênticos do sexo masculino recrutados de 2009 até 2011, encontrou que o fumo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, aumento na duração de exercícios físicos, aumento da duração de estresse, baixo índice de massa corporal (IMC) contribuem para a perda de cabelo. No caso de um maior nível de testosterona, este mostrou ser um fator de proteção contra a perda de cabelo na região temporal, mas de exacerbação da perda de cabelo no vértex do escalpo. Uso diário de boné ou chapéu, assim como nas mulheres, mostrou proteger contra a perda de cabelo na região temporal. O fumo e a presença de caspa estavam associados com um substancial aumento da perda frontal de cabelo. Um baixo IMC, histórico de doenças de pele e um aumento no consumo de café mostraram-se significativamente associados com um aumento no afinamento dos fios de cabelo.

           Por fim, obesidade também é fortemente associada com uma alopécia androgênica mais severa. Estudos observacionais nos últimos anos têm consistentemente mostrado que homens com um maior índice de massa corporal (IMC) - particularmente sobrepeso ou obesidade - possuem um risco significativamente maior de calvície mais acelerada do que homens com um menor IMC, e que a calvície severa está fortemente associada com a obesidade (Ref.62-64). Nesse sentido, mais recentemente, um estudo conduzido em ratos e publicado no periódico Nature (Ref.65)  mostrou que o estresse induzido pela obesidade, assim como uma dieta rica em gorduras, afeta de forma robusta e deletéria a capacidade de regeneração das células-troncos dos folículos capilares via sinais inflamatórios, acelerando o afinamento (miniaturização dos folículos capilares) e eventual perda dos fios de pelo. O achado potencialmente corrobora a relação nos humanos entre obesidade e calvície mais severa.


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   CONCLUSÃO
   
        É preciso diferenciar as várias causas da queda de cabelo antes de se buscar um tratamento. De longe, a causa mais comum é aquela gerada pela alopécia androgenética, também conhecida como calvície ou calvície comum. E os fatores que induzem o início ou o progresso da calvície englobam primariamente, até onde se sabe, os hormônios andrógenos e os fatores genéticos. Portanto, supostas causas que fogem desses dois fatores primários tendem a ser apenas mitos ou alegações sem suficiente suporte científico - apesar de existir, sim, fatores ambientais determinantes em um número de casos. Em termos de tratamentos disponíveis para essa condição, esses são atualmente bem limitados, com robusto suporte científico apenas para a finasterida, minoxidil e cirurgias.

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(!) HIPERTRICOSE e HIRSUTISMO: A hipertricose (síndrome do lobisomem) é a transformação de pelos velus, de textura fina e distribuídos em todo o corpo, em pelos terminais. Não é causada por um aumento na produção de androgênios, podendo ser congênita ou adquirida. A hipertricose adquirida pode ser ocasionada por ingestão de medicamentos, algumas doenças metabólicas, como hipotireoidismo e porfirias, ou doenças nutricionais, como anorexia, desnutrição ou síndromes de má absorção. 

          Já o hirsutismo é definido como a presença de pêlos terminais na mulher, em áreas anatômicas características de distribuição masculina, como acima dos lábios, no mento, em torno dos mamilos e ao longo da linha alba em abdome inferior. De acordo com a etiologia, o hirsutismo pode manifestar-se como queixa isolada ou acompanhado de outros sinais de hiperandrogenismo (acne, seborréia, alopécia), virilização (hipertrofia do clitóris, aumento da massa muscular, modificação do tom de voz), distúrbios menstruais e/ou infertilidade ou ainda alterações metabólicas. O hirsutismo decorre da ação dos androgênios circulantes sobre a pele. Esta ação ocorre devido à presença e atividade de enzimas capazes de disponibilizar ou não metabólitos androgênicos mais ativos no interior do folículo pilo-sebáceo.
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Artigos Recomendados:

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