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Depois da relação sexual, quanto tempo até engravidar?


- Artigo atualizado no dia 5 de agosto de 2020 -

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         A maioria dos métodos anticonceptivos atua de forma a prevenir a gravidez antes ou durante a relação sexual. A Anticoncepção de Emergência é um método anticonceptivo que pode evitar a gravidez após a relação sexual. O método hormonal, também conhecido por “pílula do dia seguinte”, utiliza compostos hormonais concentrados e por curto período de tempo para evitar uma gravidez indesejada. Mas existe uma grande confusão relacionada ao tempo de fertilização e efetiva gravidez de uma mulher depois de um ato sexual desprotegido. E o nome 'Pílula do Dia Seguinte' não ajuda em nada.

Principais tópicos neste artigo: 
  • QUANTO TEMPO ATÉ ENGRAVIDAR? (Esclarecendo desinformações: qual é o tempo mínimo até a concepção após o esperma atingir o canal vaginal?)
  • MÉTODOS CONTRACEPTIVOS DE EMERGÊNCIA (Resumo dos principais métodos de emergência para a prevenção de uma gravidez indesejada)
  • PÍLULAS DO DIA SEGUINTE SÃO ABORTIVAS? (Esclarecendo os mecanismos de ação dos contraceptivos hormonais de emergência e a polêmica da suposta possibilidade de aborto)  
  • POSSO FICAR GRÁVIDA LOGO APÓS A MENSTRUAÇÃO TERMINAR? (Explicando o porquê de não existir um período "seguro" no mês para se fazer sexo sem contraceptivo e sem risco de ficar grávida)
  • ULTRASSOM E DETERMINAÇÃO DA IDADE GESTACIONAL (Qual a acuracidade desse método e qual o melhor período gestacional para que seja utilizado?)

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    QUANTO TEMPO ATÉ ENGRAVIDAR?

         Imagine que a camisinha arrebentou e passe a existir um enorme risco de gravidez. Através de métodos anticoncepcionais de emergência é possível prevenir a fertilização ou implantação do embrião no útero, e evitar uma gravidez não planejada. Porém, muitas pessoas acham que pouco tempo depois do esperma da ejaculação atingir o canal vaginal já é implantada uma gravidez inicial, onde o óvulo fertilizado alcançaria o útero em questão de horas ou até mesmo minutos. Também acontece das pessoas associarem o nome  'Pílula do Dia Seguinte' como sugestão de que uma gravidez pode ocorrer em pouco mais de um dia seguinte à relação sexual, já que existiria uma urgência extrema no procedimento ("Tome no dia/manhã seguinte ou já era").

           Além disso, hospitais que são coordenados por instituições cristãs tendem a pedir testes de gravidez antes de executarem métodos anticoncepcionais de emergência (I) para saberem se existe uma gravidez anterior. Mas isso não faz sentido porque os métodos hormonais de emergência não ferem uma gravidez já em curso e não fazem mal ao feto, segundo as atuais evidências científicas, ou, caso contrário, elas não seriam nem liberadas pelas agências de saúde, já que a mulher pode estar grávida de uma relação anterior e nem saber disso quando usar o método para a proteção de outra relação desprotegida. Não é preciso esperar mais tempo para aplicá-los. De qualquer forma, isso contribui ainda mais para a crença de que poucas horas depois da relação sexual já existe a possibilidade de uma gravidez ter sido efetivada.

           Pode parecer estranho mas o tempo mínimo que leva para um dos espermatozoides do esperma fertilizar o óvulo - considerando que este está disponível -, e a célula-ovo resultante ser implantada no útero na forma de um embrião, é algo em torno de 1 semana. Durante todo esse período nenhuma gravidez de fato ocorre, independentemente se a mulher está no período fértil. E esse tempo necessário para a concretização de uma real gravidez pode variar de 6 a 17 dias, mas sendo bastante raro se ultrapassa os 14 dias. É inútil, portanto, aplicar testes de gravidez nesse intervalo mínimo de tempo (II).


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I. Isso era mais comum na época em que era proibida a venda de pílulas do dia seguinte sem receita médica, o que obrigava as mulheres a procurarem um centro de saúde.

II. Um teste de gravidez mede o nível de um hormônio no corpo chamado de gonadotrofina coriônica (hCG). O hCG é um hormônio produzido durante a gravidez pela placenta, e aparece no sangue e na urina de uma mulher grávida tão cedo quanto 8-10 dias após a concepção (início da gravidez).
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    MÉTODOS CONTRACEPTIVOS DE EMERGÊNCIA

        Se você ler as instruções de bula das formulações da Pílula do Dia Seguinte, verá que ela pode ser usada com grande eficácia depois de até 72 horas após a relação sexual (3 dias). Mas, na prática, esse prazo pode se estender para 120 horas (5 dias) ou mais. Por outro lado, é preciso também lembrar que, usando métodos hormonais desse tipo, a taxa de efetividade não é de 100%, mas sendo geralmente igual ou superior a 75% em relação ao total de mulheres que iriam engravidar caso não os utilizassem, variando de acordo com as combinações hormonais. Dependendo das circunstâncias, essa taxa de efetividade pode variar significativamente.

          De qualquer forma, caso você suspeite da possibilidade de uma gravidez indesejada e não conseguiu utilizar um método contraceptivo de emergência no dia seguinte, ainda existe um bom intervalo de tempo para a prevenção. Mas é válido lembrar que os métodos hormonais possuem sua ação preventiva diminuída significativamente à medida que o tempo passa após o contato do esperma com o canal vaginal. Por isso é dado o tempo limite de 5 dias, sendo que a maior taxa de sucesso é conseguida dentro de 12-24 horas. Após 72 horas, já existe uma chance de 2% de queda na sua taxa de eficiência, a qual aumenta ainda mais após esse período (no decorrer dos cinco dias, de 75% pode-se chegar a 50%) .

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          É válido também mencionar que os métodos contraceptivos de emergência podem ser utilizados  a qualquer momento depois da relação sexual, não sendo necessário esperar o dia ou manhã seguinte para fazê-lo, como sugerido pelo nome 'Pílula do Dia Seguinte'. Aliás, quanto mais rápido o uso, melhor. Falando nisso, é bom apontar também quais são os métodos anticoncepcionais de emergência que podem ser utilizados. São dois tipos:

1. Hormonal - Esta via, a qual é a mais comumente utilizada, pode vir em quatro formas:

a) Pílula do dia seguinte, a qual engloba dois métodos: Yuzipe e Levonorgestrel. O Yuzipe, utiliza anticonceptivos hormonais orais combinados (AHOC) de uso rotineiro em planejamento familiar e conhecidos como “pílulas anticoncepcionais”. Esse método consiste na administração combinada de um estrogênio e um progestágeno sintético, administrados até cinco dias após a relação sexual desprotegida. A associação mais estudada, recomendada pela Organização Mundial de Saúde, é a que contém etinil-estradiol e levonorgestrel.  Já o Levonorgestrel é com o uso de progestágeno isolado, o levonorgestrel, na dose total de 1,5mg, dividida em 2 comprimidos iguais de 0,75mg, a cada 12 horas, ou 2 comprimidos de 0,75mg juntos, em dose única. Havendo opção, o levonorgestrel deve ser o preferido, por possuir maior eficácia e chances ínfimas de quaisquer efeitos colaterais.

b) Acetato de Ulipristal (Ella/UPA), o qual é um recente método hormonal que usa apenas uma dose (tablete). Mostra-se mais eficiente que a pílula do dia seguinte, demonstrando ter um efeito de ação contraceptivo mais amplo;

c)  Mifepristona, assim como o UPA, é um modulador de receptores de progesterona, e foi primeiro estudado em 1992. Segundo evidências científicas acumuladas até o momento, possui também maior  eficiência que a pílula do dia seguinte. Infelizmente, ainda está disponível apenas em alguns países.

d) Pílulas Anticoncepcionais também podem ser utilizadas, porém possuem menor efeito dos que as duas opções anteriores. Devem ser usadas sob supervisão médica e pode necessitar de 2 a 5 pílulas para funcionar.

2. DIU - Sim, através da inserção do dispositivo intra-uterino por um profissional de saúde, o óvulo fecundado é impedido de ser implantado no útero ou os espermatozoides são detidos durante seu caminho para o óvulo. Também é recomendado usá-lo dentro do período de 5 dias para prevenção máxima. E se a mulher desejar, pode ficar com o dispositivo no útero para prevenir uma possível gravidez futura. A taxa de sucesso de prevenção à gravidez é muito alta nesse caso, sendo que para cada mil mulheres que utilizam o DIU como método de emergência, apenas uma, no máximo, acaba grávida.

> Leitura recomendada: Por que usar o DIU?

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   PÍLULAS DO DIA SEGUINTE SÃO ABORTIVAS?

          Esse é um dos maiores entraves para o uso desses métodos contraceptivos de emergência, ou seja, a questão dos seus mecanismos de ação, onde desinformações continuam espalhando o mito de que eles são métodos abortivos. Para começar, nenhum desses métodos está agindo durante uma gravidez, nem mesmo o DIU, porque até 5 dias depois, como já dito, não existe gravidez. Em segundo lugar, os métodos hormonais, como a pílula do dia seguinte, agem primariamente ANTES da fecundação.  Para entendermos melhor essa questão, primeiro precisamos entender a diferença entre 'fecundação' e 'concepção', e os mecanismos de ação dos métodos hormonais.


   FECUNDAÇÃO E CONCEPÇÃO
     
        A fecundação, também chamada de fertilização, refere-se, exclusivamente, ao processo de união dos gametas masculino e feminino, óvulo e espermatozoide. A fecundação tem tempo definido e limitado para ocorrer. Se a relação sexual se der no dia da ovulação, a fusão dos núcleos do óvulo e do espermatozoide demorará entre 12 e 24 horas. Se a relação sexual ocorrer antes da ovulação, os espermatozoides permanecem no trato genital feminino por até cinco dias aguardando a ovulação, migrando gradativamente em direção às trompas. É importante que se esclareça que a fecundação não ocorre imediatamente após a relação sexual. Os poucos espermatozoides que em alguns minutos chegam até a trompa não possuem capacidade de fecundar. 

          De qualquer forma, uma eventual fecundação irá ocorrer na trompa e o transporte do óvulo fecundado ou fertilizado, agora chamado zigoto, requer entre cinco e sete dias para chegar até a cavidade uterina. O zigoto, constituído por oito ou dez células, passa por intensa multiplicação celular durante o transporte na trompa. Ao chegar na cavidade uterina, o zigoto tem cerca de 200 células e passa a ser chamado de blastocisto. O blastocisto, então, organiza suas células em dois pólos. O primeiro, com cerca de 20 células, dá origem ao embrião (pólo embrionário). O segundo, chamado trofoblasto, tem por finalidade a fusão do blastocisto com o tecido endometrial. Este processo de fusão entre o blastocisto e o endométrio é chamado implantação ou nidação.

           A implantação completa-se entre o 11° e o 12° dia após a fecundação, resultando na concepção. O conceito de concepção se aplica ao processo de nidação. A fecundação ocorre muito antes da implantação ou nidação. Ambos não são sinônimos e não devem ser confundidos. Somente a partir do momento da concepção é que ocorrerá o desenvolvimento do pólo embrionário do blastocisto, que resultará no embrião. Até atingir esse ponto do processo reprodutivo, as taxas de sucesso são baixas. Apenas 50% das relações sexuais em período fértil terminam em fecundação e metade dos zigotos perde-se naturalmente, sem que ocorra a implantação. Essa é uma característica da reprodução da espécie humana, que restringe a possibilidade de gravidez a cerca de 25% em cada mês de tentativa.

          Nesse sentido, a gravidez só ocorre no momento da implantação. Fecundação não é gravidez. O trofoblasto, na medida em que produz a nidação, secreta o hormônio gonadotrofina coriônica humana (HCG), que mantém o organismo materno produzindo progesterona para a continuidade do processo reprodutivo. A possibilidade de detecção do HCG, no sangue ou urina da mulher, constitui a primeira evidência de gravidez. Assim, sob a perspectiva médica e legal, entende-se que a gravidez se inicia após a implantação, como sinônimo de concepção.

> Leitura recomendada: Indução do parto na 39° semana de gestação é seguro e diminui a incidência de cesáreas


     MECANISMOS DE AÇÃO

          Como já dito, existem dois tipos principais de pílulas de emergência: a via que usa somente progestina (levonorgestrel 0,75 mg em dois tabletes) e a via combinada (etinil-estradiol e uma progestina). O levonorgestrel funciona primariamente inibindo a ovulação, com alguns efeitos na mobilidade dos espermatozoides e um engrossamento do muco cervical. Estudos até o momento indicam que a via que usa somente a progestina age apenas antes da fecundação, sem possuir mecanismos pós-fertilização. Como esse método possui uma melhor eficácia do que a via combinada, essa última é improvável de ter uma maior variabilidade de mecanismos de ação. E nenhuma das duas vias leva prejuízos para o período de posterior implantação. No geral, a real eficácia de ambos se dá antes do período ovulatório da mulher, sendo de pouca utilidade na pós-ovulação, segundo fortemente sugerem as evidências científicas acumuladas até o momento.

            Diversos estudos demonstram que esses medicamentos atuam principalmente sobre o corpo lúteo, levando a uma situação de deficiência funcional. No entanto, não há evidências de que a disfunção luteolítica interfira no processo de implantação. O conceito cientificamente incorreto reside em acreditar que a fecundação, uma vez não impedida, sofrerá ação luteolítica. Assim, o processo de implantação do blastocisto seria impedido, resultando no “efeito abortivo precoce”. Isso não faz sentido, e podemos inclusive citar que os progestágenos sintéticos contidos nessas pílulas de emergência são semelhantes à progesterona natural, atuando no organismo do mesmo modo que ela. A progesterona ('pró-gestação'), produzida pelo ovário a partir da ovulação ou administrada depois da fecundação, favorece o desenvolvimento e a manutenção da gravidez. 

          De fato, é cientificamente bem estabelecido de que a progesterona não apresenta efeito abortivo, mesmo se administrada em altas doses. Pelo contrário, ela é essencial para a gravidez. Tanto que, em casos de ameaça de abortamento espontâneo, em gestações desejadas, é freqüente que se indique progesterona natural para evitar o abortamento.

         Por isso é importante utilizar os métodos hormonais o mais rápido possível, já que, como os seus mecanismos de ação atuam antes da fecundação, existe uma grande chance dela ocorrer dentro de 12-24 horas, caso um óvulo já esteja disponível. Além disso, esses conhecimentos sobre o processo reprodutivo são fundamentais para diferenciar, tecnicamente, conceitos científicos sobre fecundação, concepção, embrião e gravidez, corroborando para afastar a hipótese de efeito abortivo das pílulas de emergência. Mesmo na remota hipótese de existir algum efeito mínimo das pílulas orais pós-fecundação, esse hipotético efeito termina no momento da gravidez (implantação), eliminando quaisquer riscos médicos de aborto.

          Em relação ao uso específico da progestina Levonorgestrel, existe um certo debate promovido por parte de acadêmicos ligados à Igreja Católica sobre supostas evidências científicas acumuladas nos últimos anos sugerindo que esse método anticoncepcional pode frequentemente atuar pós-fertilização (Ref.22). Uma revisão sistemática publicada em 2016 no periódico da Associação Médica Católica chegou inclusive a sugerir - com provável e gritante conflito de interesses - que os efeitos pré-fecundação do Levonorgestrel seriam de pouca importância (Ref.23). É preciso reforçar que não existe evidência convincente de que o Levonorgestrel possa realmente atuar pós-fertilização. Aliás, o Levonorgestrel não parece funcionar 48 horas antes da ovulação nem causar efeitos no endométrio. Estudos experimentais em animais não-humanos, incluindo primatas, têm inclusive demonstrando consistentemente a ausência de efeitos pós-fertilização desse método contraceptivo, apesar de ser razoavelmente incerto se esses resultados podem ser extrapolados para humanos (Ref.24). O consenso hoje na comunidade médica defende que o Levonorgestrel, assim como o acetato de ulipristal, atuam primariamente atrasando ou inibindo a ovulação, com a eficácia variando de acordo com o estágio do ciclo ovulatório no momento de uso, e que efeitos pós-fecundação ou são pouco significativos ou são inexistentes (Ref.25)

           Em relação específica ao acetato de ulipristal, uma revisão sistemática de 2016 (Ref.27) e uma revisão de 2019 (Ref.28) não encontraram evidência suportando efeitos pós-fecundação. É válido mencionar que experimentos em ratos feitos por Matías et al. (Ref.29-30), com resultados publicados em 2019, trouxeram possível evidência de efeitos pós-fecundação do acetato de ulipristal nesses animais, mas algo ainda não reproduzido por outros grupos de pesquisa. De qualquer forma, o público precisa estar ciente de que o acúmulo de evidências até o momento não suporta efeito pós-fertilização ou efetividade pós-ovulação tanto do acetato de ulipristal quanto do levonorgestrel nas doses recomendadas de uso (Ref.31-32). 

          O DIU é o único método que certamente poderá ter efeitos significativos pré- e pós-fecundação ao ser utilizado até 5 dias depois do ato sexual. Mesmo não existindo uma gravidez nesse período, existem vias religiosas - mas não respaldadas pelas agências de saúde internacionais - que veem a fecundação como o início da vida e que impedir o óvulo fertilizado de ser implantado seria considerado uma ação abortiva. Portanto, o DIU é o único que pode, de fato e plausivelmente, trazer consequências nesse sentido. De qualquer forma, é o método, de longe, menos utilizado como contraceptivo de emergência.

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   OUTROS MITOS

          É comum a crença de que a promoção dos métodos contraceptivos de emergência aumenta o comportamento sexual de risco, ou seja, fomentam a diminuição no uso de camisinhas, estas as quais protegem não só de gravidezes indesejadas mas também de doenças sexualmente transmissíveis. No entanto, diversos estudos já foram feitos nas últimas décadas sobre a questão e não conseguiram encontrar evidências de tal associação, ou do aumento de doenças sexualmente transmissíveis. O maior ou menor uso da camisinha está associado com o nível de educação sexual da população.

         Existe também um boato correndo pela internet de que não se pode utilizar a pílula do dia seguinte duas vezes no mês - ou mais -, por não ser seguro ou por gerar ineficiência. Isso não é verdade e não existem contra-indicações do tipo. Porém, não se deve ficar usando esses métodos de emergência em detrimento de outros mais efetivos, como a camisinha ou o uso regular de pílulas anticoncepcionais. A pílula do dia seguinte é apenas para emergência, e sua eficácia não é tão alta quanto muitos pensam .

> Leitura recomendada: A Tabela Chinesa de Gravidez é eficiente para prever o sexo do bebê?

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   POSSO FICAR GRÁVIDA LOGO APÓS A MENSTRUAÇÃO TERMINAR?

          Sim, apesar de não ser muito provável. Se você fizer sexo sem usar contracepção, você pode ficar grávida a qualquer momento durante seu ciclo menstrual, mesmo durante ou logo após a última menstruação descer. Você também pode ficar grávida sem nunca ter menstruado antes, durante seu primeiro período menstrual, ou após a primeira vez que você fez sexo (perda de virgindade) envolvendo coito.

          Não existe período "seguro" no mês para se fazer sexo sem contraceptivo e sem risco de ficar grávida. 

          Mas existem momentos no seu período menstrual quando você está mais fértil, e, portanto, mais provável de engravidar. O período menstrual de uma mulher começa no primeiro dia da menstruação e continua até o primeiro dia da próxima menstruação. O corpo da mulher se torna mais fértil no período de ovulação (quando um óvulo é liberado dos seus ovários), o qual geralmente ocorre 12 até 14 dias antes do começo da próxima menstruação. O ciclo reprodutivo geralmente possui 28 dias corridos, e destes apenas sete são considerados férteis. A menstruação dura cerca de 5 dias, e ocorre uma vez a cada 4-5 semanas.

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> Leitura complementar: Os Copos Menstruais valem a pena?
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          É improvável você ficar grávida logo após a menstruação, apesar disso ser possível, já que os espermatozoides podem sobreviver no corpo (na trompa, aguardando a ovulação) até 7 dias após a relação sexual. Um óvulo também pode sobreviver dias até que um espermatozoide o encontre. Uma fertilização efetiva nesse caso ocorre caso você ovule mais cedo, especialmente se você possui um ciclo menstrual naturalmente curto.

          É necessário sempre usar contraceptivo durante o sexo para evitar uma gravidez.
 

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   TEMPO DE GESTAÇÃO

          Para o cuidado apropriado de qualquer gravidez, profissionais de saúde precisam estabelecer a idade gestacional. Todas as gravidezes deveriam ser avaliadas por um exame de ultrassom abdominal ou transvaginal para confirmar ou estabelecer uma idade gestacional antes da 22° semana de gravidez (Ref.35).

          O ultrassom é um método seguro e o mais confiável método para se estabelecer o tempo de gestação (tempo decorrido desde a concepção até a data do exame), particularmente durante o primeiro semestre. O ultrassom transvaginal utiliza uma sonda emitindo ondas sonoras com frequências variando de 6 MHz até 10 MHz, enquanto o ultrassom transabdominal emite frequências de 3 MHz até 6 MHz. A sonda é acompanhada de um gel acústico auxiliar. Com o ultrassom, é possível analisar anatomicamente o feto e estruturas uterinas associadas, possibilitando estimar a idade do feto com alguma margem de erro, entre outros dados relevantes sobre o status da gestação.

          Um método de estimar a data aproximada do parto baseia-se no uso do último ciclo menstrual da paciente/grávida. A grávida precisa ter certeza do primeiro dia do seu último período menstrual para usar esse método. Adicionar sete dias e então nove meses (ou 280 dias) ao período da última menstruação irá fornecer uma estimada da data do parto. Essa técnica assume que a paciente possui um ciclo menstrual normal de 28 dias e ovula no dia 14 desse ciclo.

          O ultrassom no primeiro trimestre (ultrassom antes de 13 semanas e 6 dias) é o mais acurado método para estabelecer ou confirmar a idade gestacional em uma gravidez. A acuracidade nessa fase da gravidez é de  +/- 5 a 7 dias. O último ciclo menstrual, se conhecido, deve ser usado para estimar a idade gestacional antes de um ultrassom, e dependendo das diferenças de datação de cada método, um ou outro deve ser escolhido como determinante. Por exemplo, se o ultrassom é realizado antes da 9° semana de gestação e a data da gravidez estimada difere por menos de 5 dias, o último período menstrual deve ser usado para a determinação da idade gestacional. Se diferir por mais de 5 dias, o ultrassom é que deve ser usado para a determinação.

          No segundo semestre de gestação (entre 14 semanas e 27 semanas e 6 dias), a acuracidade do ultrassom pode variar bastante. Quanto mais cedo realizado nessa fase gestacional, mais confiável. No terceiro semestre de gravidez (além de 28 semanas), o ultrassom se torna um péssimo método de datação em termos acuracidade (+/- 21 a 30 dias).
 
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   CONCLUSÃO

           Gravidez é sinônimo de concepção e não de fecundação. Os medicamentos hormonais para a contracepção de emergência são seguros para serem usados por todas as mulheres, praticamente não existindo contra indicações. Não existe risco de aborto e possuem ótima eficácia (do ponto de vista estatístico) se usados o mais rapidamente possível, especialmente dentro de 12 horas após o ato sexual, apesar de mostrar boa eficiência até 5 dias depois. Efeitos colaterais, como náuseas e dores de cabeça, são reportados com maior frequência apenas no método Yuzipe, sendo muito raro nos outros, incluindo o mais indicado e mais efetivo Levonorgestrel. Aliás, o Levonorgestrel pode ser utilizado com segurança pela mulher mesmo no período de amamentação.
   
            Portanto, no caso de se esquecer de tomar as pílulas anticoncepcionais, ou de camisinha furada, ou qualquer outro motivo que leve à suspeita de uma possível gravidez futura indesejada, sinta-se livre para fazer algo até 5 dias depois. É válido reforçar que essas medidas de emergência são menos eficientes do que a prevenção antecipada. Por isso, invista na prevenção. Emergência é apenas para momentos de emergência. E caso sua menstruação não apareça por mais de 3 semanas, suspeite que a ação emergencial não funcionou. Aí, começa a polêmica do aborto... (!)

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IMPORTANTE: Sempre busque orientação médica antes de usar qualquer medicamento ou se informar melhor sobre os assuntos relacionados com a sua saúde. Este artigo só serve como um esclarecimento geral e não substitui uma consulta médica personalizada.    

ALERTA: Aplicativos de planejamento de gravidez, acompanhamento do ciclo menstrual, e de fertilidade - conhecidos como mHealth Apps - estão se tornando cada vez mais populares. Porém, um estudo de revisão publicado no periódico BMJ Sexual & Reproductive Health (Ref.33) alertou que as evidências científicas de eficácia desses aplicativos é escassa e existe um debate sobre a necessidade de regulação desses programas. Os pesquisadores também encontraram que populares aplicativos desenvolvidos para o planejamento de gravidez trazem informações que não são sempre acuradas. E enquanto evidência sugeriu que alguns aplicativos são úteis para mulheres que pretendem prevenir uma gravidez, nem todos os aplicativos analisados conseguiram predizer de forma acurada a janela de fertilidade. E sem uma orientação responsável, muitas mulheres podem usar aplicativos para prevenir uma gravidez mesmo tais aplicativos não sendo feitos para esse fim, arriscando uma gravidez não desejada.







(!) Artigo Relacionado: O aborto precisa ser descriminalizado?


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
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  2. https://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/007014.htm
  3. http://womenshealth.gov/publications/our-publications/fact-sheet/emergency-contraception.html
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  6. https://www.womenshealth.gov/a-z-topics/emergency-contraception
  7. https://medlineplus.gov/ency/article/007014.htm
  8. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno3_saude_mulher.pdf 
  9. http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/dezembro2011/biologia_simuladores/9embriohumana.swf
  10. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2851378/
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  14. https://www.hhs.gov/opa/pregnancy-prevention/hormonal-methods/emergency-contraception/index.html
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  20. https://medlineplus.gov/ency/article/003432.htm
  21. https://www.fda.gov/medical-devices/home-use-tests/pregnancy
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  23. https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1179/2050854915Y.0000000011
  24. https://ec.princeton.edu/questions/ec-review.pdf
  25. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4447791/
  26. https://intranet.bixbycenter.ucsf.edu/publications/files/DoesECCauseAbortion_2008.pdf
  27. https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fphar.2015.00315/full
  28. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0010782419303683
  29. https://rep.bioscientifica.com/view/journals/rep/159/3/REP-19-0355.xml
  30. https://academic.oup.com/molehr/article-abstract/25/5/257/5368326
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  32. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S002561961600149X
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