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Depois da relação sexual, quanto tempo até engravidar?


- Artigo atualizado no dia 07 de Janeiro de 2018 -

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         A maioria dos métodos anticonceptivos atua de forma a prevenir a gravidez antes ou durante a relação sexual. A Anticoncepção de Emergência é um método anticonceptivo que pode evitar a gravidez após a relação sexual. O método, também conhecido por “pílula do dia seguinte”, utiliza compostos hormonais concentrados e por curto período de tempo para evitar uma gravidez indesejada. Mas existe uma grande confusão relacionada ao tempo de fertilização e efetiva gravidez de uma mulher depois de um ato sexual desprotegido. E o nome 'Pílula do Dia Seguinte' não ajuda em nada.

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         Imagine que a camisinha arrebentou e passe a existir um enorme risco de gravidez. Através de métodos anticoncepcionais de emergência é possível prevenir a fertilização ou implantação do embrião no útero, e evitar uma gravidez não planejada. Porém, muitas pessoas acham que pouco tempo depois do esperma da ejaculação atingir o canal vaginal já é implantada uma gravidez inicial, onde o óvulo fertilizado alcançaria o útero em questão de horas ou até mesmo minutos. Também acontece das pessoas associarem o nome  'Pílula do Dia Seguinte' como sugestão de que uma gravidez pode ocorrer em pouco mais de um dia seguinte à relação sexual, já que existiria uma urgência extrema no procedimento ("Tome no dia/manhã seguinte ou já era").

           Além disso, hospitais que são coordenados por instituições cristãs tendem a pedir testes de gravidez antes de executarem métodos anticoncepcionais de emergência (1) para saberem se existe uma gravidez anterior. Mas isso não faz sentido porque os métodos hormonais de emergência não ferem uma gravidez já em curso e não fazem mal ao feto, segundo as atuais evidências científicas, ou, caso contrário, elas não seriam nem liberadas pelas agências de saúde, já que a mulher pode estar grávida de uma relação anterior e nem saber disso quando usar o método para a proteção de outra relação desprotegida. Não é preciso esperar mais tempo para aplicá-los. De qualquer forma, isso contribui ainda mais para a crença de que poucas horas depois da relação sexual já existe a possibilidade de uma gravidez ter sido efetivada.

           Pode parecer estranho mas o tempo mínimo que leva para um dos espermatozoides do esperma fertilizar o óvulo - considerando que este está disponível -, e a célula-ovo resultante ser implantada no útero na forma de um embrião, é algo em torno de 1 semana. Durante todo esse período nenhuma gravidez de fato ocorre, independentemente se a mulher está no período fértil. E esse tempo necessário para a concretização de uma real gravidez pode variar de 6 a 17 dias, mas sendo bastante raro se ultrapassa os 14 dias. É inútil, portanto, aplicar testes de gravidez nesse intervalo mínimo de tempo.



    MÉTODOS CONTRACEPTIVOS DE EMERGÊNCIA

        Se você ler as instruções de bula das formulações da Pílula do Dia Seguinte, verá que ela pode ser usada com grande eficácia depois de até 72 horas após a relação sexual (3 dias). Mas, na prática, esse prazo pode se estender para 120 horas (5 dias) ou mais. Por outro lado, é preciso também lembrar que, usando métodos hormonais desse tipo, a taxa de efetividade não é de 100%, mas sendo geralmente igual ou superior a 75% em relação ao total de mulheres que iriam engravidar caso não os utilizassem, variando de acordo com as combinações hormonais. Dependendo das circunstâncias, essa taxa de efetividade pode variar significativamente.

          De qualquer forma, caso você suspeite da possibilidade de uma gravidez indesejada e não conseguiu utilizar um método contraceptivo de emergência no dia seguinte, ainda existe um bom intervalo de tempo para a prevenção. Mas é válido lembrar que os métodos hormonais possuem sua ação preventiva diminuída significativamente à medida que o tempo passa após o contato do esperma com o canal vaginal. Por isso é dado o tempo limite de 5 dias, sendo que a maior taxa de sucesso é conseguida dentro de 12-24 horas. Após 72 horas, já existe uma chance de 2% de queda na sua taxa de eficiência, a qual aumenta ainda mais após esse período (no decorrer dos cinco dias, de 75% pode-se chegar a 50%) .

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          É válido também mencionar que os métodos contraceptivos de emergência podem ser utilizados  a qualquer momento depois da relação sexual, não sendo necessário esperar o dia ou manhã seguinte para fazê-lo, como sugerido pelo nome 'Pílula do Dia Seguinte'. Aliás, quanto mais rápido o uso, melhor. Falando nisso, é bom apontar também quais são os métodos anticoncepcionais de emergência que podem ser utilizados. São dois tipos:

1. Hormonal - Esta via, a qual é a mais comumente utilizada, pode vir em quatro formas:

a) Pílula do dia seguinte, a qual engloba dois métodos: Yuzipe e Levonorgestrel. O Yuzipe, utiliza anticonceptivos hormonais orais combinados (AHOC) de uso rotineiro em planejamento familiar e conhecidos como “pílulas anticoncepcionais”. Esse método consiste na administração combinada de um estrogênio e um progestágeno sintético, administrados até cinco dias após a relação sexual desprotegida. A associação mais estudada, recomendada pela Organização Mundial de Saúde, é a que contém etinil-estradiol e levonorgestrel.  Já o Levonorgestrel é com o uso de progestágeno isolado, o levonorgestrel, na dose total de 1,5mg, dividida em 2 comprimidos iguais de 0,75mg, a cada 12 horas, ou 2 comprimidos de 0,75mg juntos, em dose única. Havendo opção, o levonorgestrel deve ser o preferido, por possuir maior eficácia e chances ínfimas de quaisquer efeitos colaterais.

b) Acetato de Ulipristal (Ella/UPA), o qual é um recente método hormonal que usa apenas uma dose (tablete). Mostra-se mais eficiente que a pílula do dia seguinte, demonstrando ter um efeito de ação contraceptivo mais amplo;

c)  Mifepristona, assim como o UPA, é um modulador de receptores de progesterona, e foi primeiro estudado em 1992. Segundo evidências científicas acumuladas até o momento, possui também maior  eficiência que a pílula do dia seguinte. Infelizmente, ainda está disponível apenas em alguns países.

d) Pílulas Anticoncepcionais também podem ser utilizadas, porém possuem menor efeito dos que as duas opções anteriores. Devem ser usadas sob supervisão médica e pode necessitar de 2 a 5 pílulas para funcionar.

2. DIU - Sim, através da inserção do dispositivo intra-uterino por um profissional de saúde, o óvulo fecundado é impedido de ser implantado no útero ou os espermatozoides são detidos durante seu caminho para o óvulo (2). Também é recomendado usá-lo dentro do período de 5 dias para prevenção máxima. E se a mulher desejar ficar com o dispositivo no útero para prevenir outra gravidez futura, já são dois coelhos pegos com uma armadilha só (Risos).  A taxa de sucesso de prevenção à gravidez é muito alta nesse caso, sendo que para cada mil mulheres que utilizam o DIU como método de emergência, apenas uma, no máximo, acaba grávida.

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   PÍLULAS DO DIA SEGUINTE SÃO ABORTIVAS?

          Esse é um dos maiores entraves para o uso desses métodos contraceptivos de emergência, ou seja, a questão dos seus mecanismos de ação, onde desinformações continuam espalhando o mito de que eles são métodos abortivos. Para começar, nenhum desses métodos está agindo durante uma gravidez, nem mesmo o DIU, porque até 5 dias depois, como já dito, não existe gravidez. Em segundo lugar, os métodos hormonais, como a pílula do dia seguinte, agem ANTES da fecundação.  Para entendermos melhor essa questão, primeiro precisamos entender a diferença entre 'fecundação' e 'concepção', e os mecanismos de ação dos métodos hormonais.

   FECUNDAÇÃO E CONCEPÇÃO
     
        A fecundação, também chamada de fertilização, refere-se, exclusivamente, ao processo de união dos gametas masculino e feminino, óvulo e espermatozoide. A fecundação tem tempo definido e limitado para ocorrer. Se a relação sexual se der no dia da ovulação, a fusão dos núcleos do óvulo e do espermatozoide demorará entre 12 e 24 horas. Se a relação sexual ocorrer antes da ovulação, os espermatozoides permanecem no trato genital feminino por até cinco dias aguardando a ovulação, migrando gradativamente em direção às trompas. É importante que se esclareça que a fecundação não ocorre imediatamente após a relação sexual. Os poucos espermatozoides que em alguns minutos chegam até a trompa não possuem capacidade de fecundar. A fecundação ocorre na trompa e o transporte do óvulo fecundado ou fertilizado, agora chamado zigoto, requer entre cinco e sete dias para chegar até a cavidade uterina. O zigoto, constituído por oito ou dez células, passa por intensa multiplicação celular durante o transporte na trompa. Ao chegar na cavidade uterina, o zigoto tem cerca de 200 células e passa a ser chamado de blastocisto. O blastocisto, então, organiza suas células em dois pólos. O primeiro, com cerca de 20 células, dá origem ao embrião (pólo embrionário). O segundo, chamado trofoblasto, tem por finalidade a fusão do blastocisto com o tecido endometrial. Este processo de fusão entre o blastocisto e o endométrio é chamado implantação ou nidação.

           A implantação completa-se entre o 11° e o 12° dia após a fecundação, resultando na concepção. O conceito de concepção se aplica ao processo de nidação. A fecundação ocorre muito antes da implantação ou nidação. Ambos não são sinônimos e não devem ser confundidos. Somente a partir do momento da concepção é que ocorrerá o desenvolvimento do pólo embrionário do blastocisto, que resultará no embrião. Até atingir esse ponto do processo reprodutivo, as taxas de sucesso são baixas. Apenas 50% das relações sexuais em período fértil terminam em fecundação e metade dos zigotos perde-se naturalmente, sem que ocorra a implantação. Essa é uma característica da reprodução da espécie humana, que restringe a possibilidade de gravidez a cerca de 25% em cada mês de tentativa.

          Nesse sentido, a gravidez só ocorre no momento da implantação. Fecundação não é gravidez. O trofoblasto, na medida em que produz a nidação, secreta o hormônio gonadotrofina coriônica humana (HCG), que mantém o organismo materno produzindo progesterona para a continuidade do processo reprodutivo. A possibilidade de detecção do HCG, no sangue ou urina da mulher, constitui a primeira evidência de gravidez. Assim, sob a perspectiva médica e legal, entende-se que a gravidez se inicia após a implantação, como sinônimo de concepção.



     MECANISMOS DE AÇÃO

          Como já dito, existem dois tipos principais de pílulas de emergência: a via que usa somente progestina (levonorgestrel 0,75 mg em dois tabletes) e a via combinada (etinil-estradiol e uma progestina). O levonorgestrel funciona primariamente inibindo a ovulação, com alguns efeitos na mobilidade dos espermatozoides e um engrossamento do muco cervical. Estudos até o momento indicam que a via que usa somente a progestina age apenas antes da fecundação, sem possuir mecanismos pós-fertilização. Como esse método possui uma melhor eficácia do que a via combinada, essa última é improvável de ter uma maior variabilidade de mecanismos de ação. E nenhuma das duas vias leva prejuízos para o período de posterior implantação. No geral, a real eficácia de ambos se dá antes do período ovulatório da mulher, sendo de pouca utilidade na pós-ovulação, segundo sugere as evidências científicas até o momento.

            Diversos estudos demonstram que esses medicamentos atuam principalmente sobre o corpo lúteo, levando a uma situação de deficiência funcional. No entanto, não há evidências de que a disfunção luteolítica interfira no processo de implantação. O conceito cientificamente incorreto reside em acreditar que a fecundação, uma vez não impedida, sofrerá ação luteolítica. Assim, o processo de implantação do blastocisto seria impedido, resultando no “efeito abortivo precoce”. Isso não faz sentido, e podemos inclusive citar que os progestágenos sintéticos contidos nessas pílulas de emergência são semelhantes à progesterona natural, atuando no organismo do mesmo modo que ela. A progesterona ('pró-gestação'), produzida pelo ovário a partir da ovulação ou administrada depois da fecundação, favorece o desenvolvimento e a manutenção da gravidez. É um fato científico bem estabelecido de que a progesterona não apresenta efeito abortivo, mesmo se administrada em altas doses. Pelo contrário, ela é essencial para a gravidez. Tanto que, em casos de ameaça de abortamento espontâneo, em gestações desejadas, é freqüente que se indique progesterona natural para evitar o abortamento.

         Por isso é importante utilizar os métodos hormonais o mais rápido possível, já que, como os seus mecanismos de ação atuam antes da fecundação, existe uma grande chance dela ocorrer dentro de 12-24 horas, caso um óvulo já esteja disponível. Além disso, esses conhecimentos sobre o processo reprodutivo são fundamentais para diferenciar, tecnicamente, conceitos científicos sobre fecundação, concepção, embrião e gravidez, corroborando para afastar a hipótese de efeito abortivo das pílulas de emergência. Mesmo na difícil hipótese de existir algum efeito mínimo das pílulas orais pós-fecundação, esse hipotético efeito termina no momento da gravidez (implantação), eliminando quaisquer riscos médicos de aborto.

          O DIU é o único método que poderá ter efeitos significativos pré e pós-fecundação ao ser utilizado até 5 dias depois do ato sexual. Mesmo não existindo uma gravidez nesse período, existem vias religiosas - mas não médicas - que veem a fecundação como o início da vida. Portanto, o DIU é o único que pode trazer consequências nesse sentido. De qualquer forma, é o método, de longe, menos utilizado como contraceptivo de emergência.

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   OUTROS MITOS

          É comum a crença de que a promoção dos métodos contraceptivos de emergência aumentam o comportamento sexual de risco, ou seja, fomentam a diminuição no uso de camisinhas, estas as quais protegem não só de gravidezes indesejadas mas também de doenças sexualmente transmissíveis. No entanto, diversos estudos já foram feitos nas últimas décadas sobre a questão e não conseguiram encontrar evidências de tal associação, ou do aumento de doenças sexualmente transmissíveis. O maior ou menor uso da camisinha está associado com o nível de educação sexual da população.

         Existe também um boato correndo pela internet de que não se pode utilizar a pílula do dia seguinte duas vezes no mês - ou mais -, por não ser seguro ou por gerar ineficiência. Isso não é verdade e não existem contra-indicações do tipo. Porém, não se deve ficar usando esses métodos de emergência em detrimento de outros mais efetivos, como a camisinha ou o uso regular de pílulas anticoncepcionais. A pílula do dia seguinte é apenas para emergência, e sua eficácia não é tão alta quanto muitos pensam .

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   CONCLUSÃO

           Gravidez é sinônimo de concepção e não de fecundação. Os medicamentos hormonais para a contracepção de emergência são seguros para serem usados por todas as mulheres, praticamente não existindo contra indicações. Não existe risco de aborto e possuem ótima eficácia (do ponto de vista estatístico) se usados o mais rapidamente possível, especialmente dentro de 12 horas após o ato sexual, apesar de mostrar boa eficiência até 5 dias depois. Efeitos colaterais, como náuseas e dores de cabeça, são reportados com maior frequência apenas no método Yuzipe, sendo muito raro nos outros, incluindo o mais indicado e mais efetivo Levonorgestrel. Aliás, o Levonorgestrel pode ser utilizado com segurança pela mulher mesmo no período de amamentação.
   
            Portanto, no caso de se esquecer de tomar as pílulas anticoncepcionais, ou de camisinha furada, ou qualquer outro motivo que leve à suspeita de uma possível gravidez futura indesejada, sinta-se livre para fazer algo até 5 dias depois. É válido dizer que essas medidas de emergência são menos eficientes do que a prevenção antecipada. Por isso, invista na prevenção. Emergência é apenas para momentos de emergência. E caso sua menstruação não apareça por mais de 3 semanas, suspeite que a ação emergencial não funcionou. Aí, começa a polêmica do aborto...

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IMPORTANTE: Sempre busque orientação médica antes de usar qualquer medicamento ou se informar melhor sobre os assuntos relacionados com a sua saúde. Este artigo só serve como um esclarecimento geral.   



(1) Isso era mais comum na época em que era proibida a venda de pílulas do dia seguinte sem receita médica, o que obrigava as mulheres a procurarem um centro de saúde.




Artigo Relacionado: O aborto precisa ser descriminalizado?

(2) Artigo Complementar: Por que usar o DIU?

Curiosidade: A Tabela Chinesa de Gravidez é eficiente para prever o sexo do bebê?

ATUALIZADO (07/01/18) 

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1.  http://ec.princeton.edu/info/combecp.html
  2. https://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/007014.htm
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  4. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2792671/
  5. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3634557/
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  8. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno3_saude_mulher.pdf 
  9. http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/dezembro2011/biologia_simuladores/9embriohumana.swf
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  11. https://www.hhs.gov/opa/pregnancy-prevention/hormonal-methods/emergency-contraception/index.html
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