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Principais argumentos Criacionistas contra a Evolução Biológica esclarecidos


> Este artigo é parte de uma discussão mais ampla sobre Evolução Biológica. Para mais informações sobre a história por trás da Teoria Evolutiva, evidências evolutivas e esclarecimento dos questionamentos mais frequentes sobre o tema, acesse: Evolução Biológica é um FATO CIENTÍFICO

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            É ainda difícil entender como existem tantas pessoas resistentes em aceitar a Evolução Biológica como um fato científico, mesmo com a quantidade esmagadora de evidências científicas - desde paleontológicas até genéticas - dando-lhe sólida base de sustentação e comprovação. Obviamente, a falta de uma boa educação escolar é um dos principais fatores, onde manipuladores religiosos, para reforçar crenças e poder de influência, tentam cegar seus seguidores para a razão científica, aproveitando-se principalmente da deficiente educação básica em várias partes do mundo e da complexidade do tema em vários campos. É um absurdo e um profundo retrocesso. Apesar disso, instituições como a Igreja Católica vêm tentando nas últimas décadas unir a biologia evolucionária com suas crenças, o que pelo menos conta como um passo de avanço e mostra que a fé não precisa criar empecilhos para o necessário enraizamento da ciência na nossa sociedade.

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         Entre os argumentos usados por criacionistas com o objetivo pífio de refutar ou distorcer a Evolução Biológica, e a Teoria da Evolução, grande parte deles acabam sendo baseados na pura fé ou vontade de tornar cientificamente realístico o irreal. Muitos argumentos sequer mostram um mínimo de conhecimento de biologia básica. E o mais importante: o 'criacionismo' não busca explicar nada, apenas busca negar a evolução; o Design Inteligente tenta se disfarçar de ciência, mas não argumenta pela ciência, servindo apenas para propósitos ideológicos. Vamos esclarecer, portanto, os principais questionamentos negacionistas.


       SE OS HUMANOS DESCENDERAM DOS MACACOS, PORQUE ESSES ÚLTIMOS AINDA ESTÃO AÍ?

           O grande erro aqui é achar que os humanos evoluíram diretamente dos chimpanzés ou de qualquer outro primata moderno. O gênero Homo, que abrange os humanos modernos - incluindo a nossa espécie (Homo sapiens) - e outras espécies ancestrais ou relacionadas, apenas evoluiu de um antecessor primata comum entre nós e os chimpanzés-comuns (Pan troglodytes) e bonobos (Pan paniscus). Outros primatas superiores, como os orangotangos, também evoluíram de outro ancestral comum prévio a esse antecessor. Nosso gênero (Homo) descendeu diretamente do gênero Australopithecus. O fato dos chimpanzés - incluindo os bonobos - possuírem um DNA bem parecido com o nosso (cerca de 98,5% de semelhança entre sequências codificantes) (1) é porque as sucessivas evoluções a partir desse ancestral comum não foram muito drásticas, somando-se ao fato deles estarem em um ramo mais próximo do nosso a partir do momento de separação das linhagens evolucionárias.


         E para complementar a resposta, é válido dizer que um estudo recente foi publicado (Ref.30) mostrando que os bonobos parecem ser os mais relacionados com o ancestral comum mais próximo de nós do que os chimpanzés-comuns. Aliás, eles compartilham em torno de 98,6% das sequências codificantes no DNA com os humanos (1).  Os cientistas acreditam que a linhagem humana separou-se da linhagem dos primatas atuais mais parecidos conosco (chimpanzés-comuns e bonobos) há cerca de 2 milhões de anos. Assim, essas duas espécies de primatas superiores desenvolveram diferentes características em relação à nossa espécie, habitando a mesma região na África e tendo apenas como principal divisão geográfica o Rio Congo. Só que sempre existiu uma importante dúvida: qual deles ficou mais próximo de nós na época da separação?

Bonobo (Pan paniscus)
            Bem, além das pistas genéticas mais recentes já indicarem os bonobos como a provável resposta, a análise da estrutura muscular desses primatas parece certificá-la. Seus músculos e funcionalidades mais lembram a nossa anatomia do que os chimpanzés. Isso mostra que, para montar um modelo do misterioso ancestral comum citado, os bonobos parecem ser a melhor escolha.

          Apesar disso, o estudo também mostrou que certas características nossas são compartilhadas com ambas as espécies, ora de forma exclusiva, ora de forma conjunta, algo reforçado por um trabalho recente publicado no Frontiers (2). Mas, no geral, somos mais próximos anatomicamente (ninguém aqui mencionou capacidade intelectual) com os bonobos.

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(1) As notáveis diferenças fenotípicas entre chimpanzés e bonobos em relação aos humanos são determinadas principalmente pelas substanciais diferenças associadas a inserções e deleções na parte genômica não-codificante (em especial elementos regulatórios) (Ref.151). Ou seja, enquanto as sequências de genes codificantes entre humanos e chimpanzés são quase idênticas entre si devido à ancestralidade comum, existem grandes lacunas genômicas em áreas adjacentes aos genes onde retrotransposons foram inseridos ou deletados de forma distinta. Esses elementos transponíveis compreendem cerca de 50% do genoma de cada uma dessas espécies e influenciam na expressão dos genes. Para mais informações sobre os elementos transponíveis, acesse: Como nova informação genética é gerada durante o processo evolutivo?
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         Aliás, as fortes similaridades entre nós e os outros primatas superiores africanos é tão grande que levou Charles Darwin, em 1871, a predizer que a África era o local mais provável de onde a linhagem humana tinha primeiro surgido. E essa previsão se mostrou verdadeira depois de vários estudos genéticos e arqueológicos na área! Algo fantástico já usando os primeiros passos da Teoria da Evolução! Com os achados fósseis encontrados até o momento, a árvore evolutiva humana é disposta como mostrado na figura abaixo, com os represantes mais antigos datando de 6 milhões de anos atrás.


  1. Sahelanthropus tchadensis
  2. Orrorin tugenensis
  3. Ardipithecus kadobba
  4. Ardipithecus ramidus
  5. Australopithecus anamensis
  6. Australopithecus afaerensis
  7. Australopithecus garhi
  8. Australopithecus africanus
  9. Paranthopus aethiopicus
  10. Paranthous robustus
  11. Paranthropus boisei
  12. Homo habilis
  13. Homo rudolfensis
  14. Homo erectus
  15. Homo heidelbergensis
  16. Homo floresiensis
  17. Homo neanderthalensis
  18. Homo sapiens
*Recentemente foram descritas mais duas espécies de Australopithecus: A. sediba
A. prometheus (a)  

**Os Denisovanos (parentes evolutivos do gênero Homo muito próximos dos humanos modernos e dos Neandertais) (b) também não estão apontados no esquema, assim como o Homo luzonensis (c).

Sugestões complementares de leitura sobre a evolução humana:

       SE A EVOLUÇÃO É REAL, POR QUE AINDA TEMOS BACTÉRIAS E OUTROS ORGANISMOS MUITO SIMPLES ATÉ HOJE? ERAM PARA TER EVOLUÍDO TAMBÉM, NÃO?

           Esse tipo de questionamento crítico é frequentemente feito, mas demonstra uma completa falta de compreensão de como ocorre o processo básico de evolução biológica. Como já dito, as mutações e mudanças genéticas responsáveis pelo processo evolucionário são aleatórias e só são selecionadas pelo ambiente e conservadas ao longo de várias gerações caso resultem em vantagens adaptativas. Não existe um objetivo na evolução de se chegar a um ser mais complexo, apenas mudanças geradas por mecanismos evolutivos diversos que podem ou não ser selecionadas. Caso ocorra mutações e outros processos evolutivos levando ao acúmulo de fenótipos que levem um organismo vivo a ficar mais complexo, e bem adaptado ao meio, essa nova forma persistirá. Caso variações genéticas e extra-genéticas mantenham o organismo com uma forma simples, mas adaptado ao meio, essa nova forma também persistirá. Portanto, seres simples e seres complexos podem perfeitamente - e o fazem - conviver juntos na natureza, apenas sendo necessário que estejam bem adaptados ao meio em que estão. O que não ocorre é o surgimento de um ser vivo com uma maior complexidade/organização celular antes de um mais simples.


          Aliás, um dos mecanismos de evolução biológica opera inclusive via acaso, a partir da deriva genética (O que é a deriva genética?).

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       NINGUÉM VIU NENHUMA EVOLUÇÃO OCORRENDO

            É, no mínimo, estranho pensar que um povo de fé use esse argumento para derrubar outro argumento (Risos). Bem, aqui os criacionistas dizem que nunca ninguém viu um ser vivo evoluindo ou que nós não estamos evoluindo. Primeiro de tudo é preciso relembrar mais uma vez que a evolução ocorre por variações genômicas e extra-genômicas aleatórias que geralmente e eventualmente deixam o organismo vivo mais apto a sobreviver em um determinado ambiente. A natureza essencialmente seleciona resultados de probabilidade genética. O processo evolucionário não é algo automático, programado e "consciente". Ele é fruto da pressão ambiental sobre os seres vivos e depende da volubilidade genética e extra-genética.

           De qualquer forma, enquanto que processos de macro-evolução (especiações) são geralmente bem lentos para serem testemunhados em escalas de tempo tão reduzidas (dias, meses, décadas ou séculos), inúmeros exemplos de eventos micro-evolucionários - englobados dentro dos processos macro-evolutivos - podem ser acompanhados frequentemente em tempo real. E três deles, e mais do que preocupantes, são a resistência bacteriana, a resistência de insetos a inseticidas e as mutações virais. Todos esses exemplos representam graves ameaças à saúde pública e são frutos diretos da Evolução Biológica. Bactérias acabam se tornando resistentes aos antibióticos, onde estes últimos selecionam as mais resistentes aos seus efeitos (O que são as superbactérias e a resistência bacteriana?). Vírus, como o da gripe (Influenza), estão sempre sofrendo mutações, levando continuamente a variações genéticas resistentes às vacinas criadas ou ao sistema imune.

          E, no caso de seres mais complexos, como os insetos, muitos deles acabam se tornando mais resistentes aos inseticidas usados nas lavouras, sendo este estresse ambiental responsável por selecionar indivíduos com uma genética que favoreça a sobrevivência em meio ao ambiente mais tóxico. E, no caso de seres mais complexos, como os insetos, muitos deles acabam se tornando mais resistentes aos inseticidas usados nas lavouras, sendo este estresse ambiental responsável por selecionar indivíduos com uma genética que favoreça a sobrevivência em meio ao ambiente mais tóxico. Humanos também estão induzindo preocupantes processos evolutivos nas plantas, onde cada vez mais espécies de ervas-daninhas  na agricultura estão ficando resistentes aos herbicidas utilizados para controlá-las (i). Conhecidas, existem 253 espécies resistentes de ervas-daninhas. Em um estudo publicado no final de 2019 no periódico Nature Sustainability (Ref.164), pesquisadores calcularam que a resistência aos herbicidas na espécie Grama-Negra (Alopecurus myosuroides) já está causando um prejuízo acumulado anual de £400 milhões à economia Britânica e uma perda estimada em 800 mil toneladas de trigo todos os anos, com potenciais implicações para a segurança alimentar do Reino Unido. Se o uso excessivo de de herbicidas continuar e grandes quantidades de resistência atingir todos os campos do bloco econômico, os pesquisadores estimaram que a perda anual poderia ultrapassar £1 bilhão (econômica) e 3,4 milhões de toneladas (trigo). Agora imagine as perdas globais. A evolução não só é observável como também é sentida no bolso e na nossa saúde

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(i) Para mais detalhes sobre esses processos evolutivos, acesse: Essa erva-daninha está evoluindo rápido e se tornando indestrutível  

           Além desses exemplos mais óbvios, podemos citar vários outros sendo constantemente reportados nos periódicos, incluindo especiações.

1. Cigarras mudas: Em um estudo que começou em 2003, e foi publicado na Nature (Ref.31), cientistas evolucionários ficaram admirados com o que viram na ilhas de Kauai e Oahu, no Havaí.

          Dois tipos de cigarras foram identificados nessas ilhas. Uma que 'cantava' com as asas para atrair as fêmeas, e outra que não emitia som algum. Os pesquisadores pensavam que as duas eram espécies distintas que foram colocadas em contato por migração ou deslocamento facilitado. A cigarra silenciosa se dá melhor nas ilhas, porque a fêmea de uma mosca parasitoide (Ormia ochracea) que coloca seus ovos no corpo destes insetos (onde seus filhotes devoram a cigarra quando eclodem dos ovos) é guiada pelo som característico deles, ou seja, o tipo mudo não é atacado, e leva vantagem, mesmo sendo prejudicado na hora do acasalamento. E por causa disso, as cigarras mudas estão progressivamente tomando conta da região.



          Até aí, tudo bem. Mas qual foi a surpresa dos pesquisadores quando eles descobriram que as duas "espécies" eram, na verdade, a mesma (Teleogryllus oceanicus)! Desde 2003, os cientistas estão presenciando um processo evolucionário, via seleção natural, de seres complexos e macroscópicos, em tempo real. A mutação relativa ao processo afeta principalmente as asas das cigarras afortunadas, interferindo no mecanismo de geração sonora.

            E mais: um estudo publicado em 2018 no periódico Biology Letters (Ref.142) mostrou que ambos os machos (mudos e não-mudos) continuam com o mesmo comportamento de produção de som (movimentação rítmica das asas), claramente indicando um vestígio evolucionário nos machos mudos. Não faz mais sentido as cigarras mudas continuarem com um comportamento que gasta tanta energia - apenas 0,05% da energia metabólica direcionada para o canto é transformada em energia acústica - em qualquer outro cenário que não seja um processo evolutivo. Eventualmente, esse padrão motor de movimento das asas irá ganhar uma nova funcionalidade ou será perdido.


2. Mariposas sem vício por lâmpadas: Um estudo recente, feito pelo pesquisador de Biologia Evolutiva Florian Altermatt, em parceria com o pesquisador Dieter Ebert, na Universidade de Basel (Ref.32), mostrou claras evidências de um processo evolucionário afetando mariposas urbanas.

          Todas as noites, inúmeros desses insetos morrem de forme e desgaste por serem atraídos e ficarem interagindo com as luzes artificiais das cidades (lâmpadas, neons, etc.). Para ver se existiam mariposas resistentes a esse comportamento na cidade, ambos os cientistas pegaram 728 larvas de mariposas urbanas e 320 larvas de mariposas rurais, cuidaram delas até se transformarem em mariposas adultas e, então, liberaram elas em um quarto escuro com a presença de uma lâmpada fluorescente. Das mariposas rurais, quase todas voaram para a lâmpada, mas apenas cerca de dois terços das mariposas urbanas voaram até a luz artificial, sendo que o resto permaneceu bem afastada dela.

           Ainda é um estudo preliminar, mas é certo que muitas mariposas resistentes à luz foram selecionadas pelo ambiente urbano, dando origem a novas variações de espécie. Pode ser que, futuramente, com cada vez mais iluminação urbana, não testemunhemos mais mariposas, e outros insetos noturnos, batendo a cara em lâmpadas. Porém, essa mudança evolucionária pode eventualmente trazer prejuízos a nível populacional para esses insetos e para várias espécies de plantas. Evitando as áreas muito iluminadas, essas mariposas acabam visitando menos flores noturnas (prejudicando a reprodução dessas) e sofrem em termos de taxa de acasalamento, devido à reduzida probabilidade de encontro entre machos e fêmeas. E esse cenário é agravado com a expansão urbana cada vez crescente.
 
3. Nova espécie em Galápagos. Esse é um exemplo mais do que notável por envolver uma macro-evolução. Nesse caso, pesquisadores acompanharam o processo evolutivo que levou ao surgimento de uma nova espécie de ave em Galápagos via especiação por hibridização. Para saber mais, acesse: Nova espécie de ave surge em Galápagos, e os cientistas acompanharam o processo evolutivo

4. Peixe 'Virgem Maria'. Em fevereiro de 2019, em um estudo publicado na Scientific Reports (Ref.160), pesquisadores descreveram um peixe ovíparo da espécie Gasterosteus aculeatus, que acabou tendo seus óvulos fecundados internamente e dando luz (auxiliada por pesquisadores) a embriões saudáveis. Mecanismos como hermafrodismo e partenogênese foram descartados. A fêmea, de fato, foi fertilizada pelo esperma de um macho (talvez ao interagir com uma ninhada de óvulos de outra fêmea já cobertos por esperma). Segundo os pesquisadores esse pode ter sido um raro flagra do passo inicial para uma grande transição evolucionária (desenvolvimento externo do embrião para desenvolvimento interno, como ovovivíparos e placentários), via, por exemplo, uma mutação favorável.



Leituras complementares trazendo mais exemplos de evoluções observáveis:
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            Somando-se a esses exemplos, diversos estudos recentes também mostram claras evidências de processos evolutivos ocorrendo em várias populações de seres vivos devido às mudanças climáticas, estas as quais são um dos maiores estresses ambientais atualmente (Ref.33). E, claro, sob condições laboratoriais, diversos experimentos já conseguiram induzir marcantes processos evolutivos em seres com curto período de vida e alta taxa de reprodução, como a mosca-da-fruta (mudanças nas frequências de alelos) (Ref.34). Para finalizar, podemos inclusive citar a "evolução biológica artificial", onde a nossa espécie seleciona artificialmente, através de cruzamentos ou engenharia genética, variações de plantas e animais de acordo com interesses econômicos específicos. Aqui podemos citar, por exemplo, a domesticação de vários animais (a) e plantas. Os cães, por exemplo, e suas diversas raças associadas, emergiram via intervenção humana a partir dos lobos. Cães não existiam antes dos humanos. Aliás, de tão próximo-relacionados, é bastante comum o cruzamento e geração de híbridos entre lobos e cães em várias partes do mundo.            
   
(a) Leituras recomendadas:

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       A TERRA NÃO POSSUI TANTO TEMPO DE EXISTÊNCIA PARA PERMITIR A EVOLUÇÃO

            Esse é outro argumento também bastante usado. Muitos criacionistas contestam a ideia de que a Terra possui seus 4,6 bilhões de anos e se recusam a acreditar nas dadas obtidas nos estudos da paleontologia. Isso mostra apenas desconhecimento científico das técnicas de datação geológica, incluindo as análises de camadas de rochas e, principalmente, a medição do decaimento radioativo de elementos como o urânio. Sobre a datação radioativa, peça chave para determinarmos as idades geológicas, fiz um artigo separado: Como calcular a idade da Terra?


         MUITAS ESTRUTURAS VIVAS SÃO COMPLEXAS DEMAIS PARA TEREM SURGIDO SEM A PRESENÇA DE UM SER SUPERIOR

           Isso é típico da sociedade humana como um todo. Tudo o que é complexo demais e sem aparente explicação precisa ter tido uma origem sobrenatural ou ser fruto dos projetos de um Deus Todo Poderoso. A única coisa que essa tendência demonstra é a preguiça em aprender os mecanismos e passos por trás de algo, supostamente, complexo demais para ser explicado pelas vias naturais e científicas. Mostra também que tendemos a subestimar demais o que milhões ou bilhões de anos significam.

          Para deixar a evolução biológica mais palpável nesse aspecto, é só olharmos para a nossa tecnologia. E não precisamos ir muito longe. Se pegarmos um indivíduo da idade média, há apenas algumas centenas de anos, e conseguíssemos jogá-lo aqui, na nossa atual realidade, ele não acreditaria que o homem foi capaz de fazer tudo o que temos hoje sem magia. Imagina apresentar a ele um Smartphone ou uma televisão. Magia, claro, e das bravas! Mas nada aconteceu do dia para noite. Foi necessário um pequeno passo de cada vez e acumulação de conhecimento por todo o globo. Até para nós é difícil conceber a existência de um 'Iphone' ou de um avançado notebook, mas sabemos que esses aparelhos são fruto da própria inventividade humana. Agora, se algo assim foi feito em algumas centenas de anos, imagine o que pode ocorrer na natureza em bilhões de anos!

         O olho pode parecer algo fantástico demais para ser fruto da evolução biológica, mas se refazemos todo o caminho evolucionário, analisando cada estrutura que compõe esse órgão e tentando entender os passos necessários para criá-lo via mutações aleatórias e outros mecanismos evolucionários guiados pela seleção natural e adaptações homólogas associadas, veremos que ele é mais do que plausível sob os 'olhos' da ciência. Além disso, nosso corpo, por mais complexo que seja, ainda é um enorme conjunto de células eucarióticas de mesma natureza daquelas formando organismos unicelulares eucarióticos, como os protozoários, ou seja, não existe nada de especial a nível celular em comparação com outros seres vivos mais simples. E mesmo complexos mecanismos e estruturas celulares possuem um espelho mais simples em células menos complexas (eucariotas e procariotas, por exemplo). Aliás, quando alguém duvida que temos um ancestral comum com um ser unicelular, esse mesmo indivíduo esquece que os humanos, assim como todos os outros seres vivos no planeta, crescem a partir de uma única célula (no nosso caso, a partir de um zigoto - união entre óvulo e espermatozoide) (1).


        Gostamos sempre de simplificar as coisas, porque é mais fácil aceitar o mundo dessa forma. E esse é um dos grandes problemas da nossa sociedade: não queremos buscar entender, apenas assumir situações mais cômodas. E o que eu disse acima não é apenas voltado para a briga entre Anti-Evolucionistas e Teoria da Evolução. Isso engloba desde o preconceito até as realizações pessoais. As ações constroem o mundo, não apenas conveniências. Muitas vezes as pessoas que desacreditam a Evolução Biológica nem mesmo possuem um conhecimento mínimo de bioquímica, genética e paleontologia, e acabam apenas repetindo falácias disseminadas por grupos que querem manter sua influência.

          Aliás, já que citamos o olho e o argumento falho dos anti-evolucionistas de que a estrutura ocular nos vertebrados é muito complexa para ter surgido a partir da evolução biológica, é válido lembrar que os olhos dos vertebrados, incluindo o nosso, é muito mal "arquitetado" se os compararmos com os olhos do cefalópodes (classe de moluscos marinhos que englobam os polvos, lulas, náutilos e os chocos), estes os quais surgiram por evolução convergente nesses moluscos (quando estruturas/formatos/comportamentos semelhantes surgem em organismos não relacionados ou distantes na árvore evolutiva em resposta a problemas similares no ambiente).

             Nos vertebrados, fibras nervosas e vasos sanguíneos passam em frente da retina, lançando sombras nessa última e criando um ponto cego (indicado pela seta preta abaixo). Já no olho dos cefalópodes não existe um ponto cego ou perda de eficiência visual pelas sombras, porque os nervos ficam por trás da retina, ou seja, a luz atinge primeiro os receptores visuais ao invés de passar através de uma camada de nervos. Ora, parece que o nosso "Criador" falhou com a gente e deu uma melhor arquitetura geral para uma classe de moluscos. A explicação para essa grosseira falha é dada pela evolução, onde limitações impostas pelo processo evolutivo ou balanço entre custo e benefício durante o desenvolvimento ocular nos vertebrados resultou nessa menor qualidade estrutural.

           Diversos invertebrados terrestres (insetos, aracnídeos, etc.) possuem estruturas de visão - muitas vezes bem complexas - que são bastante diferentes dos olhos dos vertebrados, mas que não deixam de serem olhos. Olhos, em diferentes níveis de complexidade, surgiram várias vezes durante o processo evolucionário, seja de forma convergente ou não, e acabam sendo bons retratos de como ocorreram os passos evolutivos para o desenvolvimento de órgãos visuais tão complexos como o dos mamíferos e dos cefalópodes. Por fim, precisamos lembrar que muitas estruturas fotossensíveis podem ser consideradas um passo inicial para estruturas oculares, e que estão presentes inclusive entre plantas e algas. Os girassóis, por exemplo, quando na fase de broto (Leitura recomendada: O segredo na movimentação dos girassóis), conseguem se movimentar guiados pela luz solar.

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> Aliás, existem dois grupos de animais que conseguem 'ver' sem possuírem estruturas oculares. Ouriços-do-mar (classe Echinoidea) e estrelas-frágeis (classe Ophiuroidea) carregam milhares de células fotorreceptoras espalhadas ao longo do corpo: dentro dos poros esqueléticos, espinhas, nervos radiais e tubos dos pés. Essas estruturas facilitam foto-comportamentos e possibilitam visão extraocular: a habilidade de resolver cenas sem olhos discretos. Para mais informações, acesse: Estudo confirma que esse estranho parente das estrelas-do-mar pode ver sem olhos
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  • Leitura complementar: 
  1. Cientistas mostram que a linguagem é aprendida em circuitos no cérebro anteriores ao surgimento evolutivo do ser humano
  2. A transição de unicelulares para multicelulares é mais fácil do que você pensa

          Aliás, a evolução convergente é outra óbvia evidência de evolução biológica. Como os seres vivos compartilham diversas sequências genéticas devido à ancestralidade comum, pressões ambientais semelhantes acabam levando o organismo a reagir de forma semelhante, mesmo que as espécies com estruturas morfológicas similares tenham se separado e divergido no percurso evolutivo há centenas de milhões de anos.

          Um exemplo notável desse fenômeno evolutivo ocorre com o tunicado-das-estrelas-douradas (Botryllus schlosseri), um invertebrado marinho cordado pertencente ao grupo ainda vivo mais próximo relacionado dos vertebrados (peixes, répteis, anfíbios, aves e mamíferos). Mesmo parecendo uma flor, tendo divergido dos vertebrados há cerca de 500 milhões de anos, e não possuindo a mínima semelhança conosco, esses animais possuem um sistema imune incrivelmente semelhante ao nosso, sendo que os cientistas já estão o usando como modelos clínicos para o estudo de cânceres e transplante de órgãos em humanos. Formando colônias em substratos duros, quando uma outra colônia desses invertebrados vem para ocupar o mesmo substrato mas são geneticamente incompatíveis (uma invasão), as células das duas colônias entram em guerra, assim como o sistema imune vertebrado reage quando um corpo estranho invade. Indivíduos que possuem mesma compatibilidade genética se auto-reconhecem e as reações citotóxicas alo-específicas são inibidas.



           Essa fascinante relação foi revelada por um estudo publicado em 2018 na Nature (Ref.136), o qual isolou 34 tipos de células da B. schlosseri e mostrou que algumas delas ativavam os mesmos genes que estão ativos nas nossas células-tronco hematopoiéticas (células que se diferenciam nos vários tipos de células sanguíneas, como os leucócitos). E como as células-tronco hematopoiéticas dos vertebrados, as versões desses invertebrados podem se dividir e se especializar em diferentes tipos celulares. Além disso, os pesquisadores descobriram três tipos de células que são quase idênticas em função em relação aos macrófagos - células de defesa essenciais aos vertebrados -, compartilhando um padrão de atividade genética similar, e células especializadas em matar outras células, similares às nossas células natural killers.

          Não existe outra possibilidade plausível, científica, para um sistema imune tão similar ao nosso em invertebrados - e estes coincidindo em pertencer ao grupo mais próximo relacionados com os vertebrados - a não ser ancestralidade comum.

          Ainda mais recente, um estudo publicado no periódico Zoological Journal of the Linnean Society (Ref.155) trouxe evidências irrefutáveis de que um gênero da família de aves Rallidae colonizou o Atol de Aldabra, Seychelles, no Oceano Índico, em duas ocasiões independentes e evoluiu uma não-capacidade de voo durante sua adaptação na região nessas duas ocasiões (uma mesma espécie emergiu duas vezes). Os pesquisadores identificaram primeiro fósseis da espécie extinta Dryolimnas cuvieri nesse atol datados do Pleistoceno Médio até o Pleistoceno Superior. Há cerca de 340 mil anos, a plataforma do atol sofreu ao menos um evento de total inundação (e possivelmente dois outros em 240 mil e 200 mil anos atrás). Isso marcou a extinção da ave, a qual tinha descendido de uma espécie voadora proveniente provavelmente de Madagascar. Então, os pesquisadores encontraram fósseis da mesma espécie de ave não-voadora (D. c. abbotti) na mesma região datados em torno de 100 mil anos atrás, e que foi extinta entre 1907 e 1937. Após análises morfológicas, o D. c. abbotti mostrou também ter evoluído não-capacidade de voo de forma independente a partir do mesmo ancestral voador (espécie) proveniente de Madagascar.


          Somando com as outras espécies ainda existentes do gênero Dryolimnas (D. c. cuvieri e D. c. aldabranus) definitivamente não-voadoras, isso prova que uma mesma espécie de ave emergiu em duas ocasiões geológicas diferentes na mesma região. As condições no atol, especialmente a ausência de predadores terrestres e mamíferos competidores, permitiu a evolução independente em pelo menos duas ocasiões da não-capacidade de voo característica do gênero Dryolimnas, e, literalmente, fez uma espécie renascer via evolução convergente.

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        OK, MICROEVOLUÇÃO EXISTE, MAS MACROEVOLUÇÃO É IMPOSSÍVEL.

            Esse é mais um argumento extremamente falho e sem muito sentido. Microevolução e Macroevolução apenas especificam processos evolutivos que ocorrem em diferentes escalas de tempo e graus de mudança.

            Microevolução é um termo frequentemente aplicado para o processo onde uma espécie (ou uma população) sofre mudanças significativas com o tempo e suficientes para que ocorram variações como 'sub-espécie', 'raça' ou 'variedade' da espécie original. Processos onde existe uma mudança na frequência de alelos dentro de uma população de uma geração para a próxima são tipicamente encaixados na microevolução. Já a Macroevolução se refere, geralmente, à formação de grupos principais de organismos de outros grupos que são bastante diferentes entre si, como, por exemplo, a evolução de mamíferos de tetrápodes ancestrais não-mamíferos e a evolução das baleias a partir dos mamíferos terrestres.

              Mas o mecanismo por trás de ambos é o mesmo, englobando mutações, migrações, deriva genética e seleção natural. Em muitos casos, podemos entender a macroevolução como microevoluções se acumulando ao longo de milhões de anos, resultando em uma crescente diversidade de seres vivos. O processo evolutivo em ambos é, virtualmente, o mesmo, mudando apenas o intervalo de tempo considerado e o grau evolutivo.

            Entre eles, podem existir diferenças teóricas de como as mudanças podem ter ocorrido em certos períodos. Pode ser que a evolução biológica na macroevolução ocorra sempre de maneira gradual (microevoluções sucessivas) mas pode ser que certas mudanças significativas nesse processo macro possam ocorrer de forma mais rápida - entre 5 e 50 mil anos, por exemplo - devido à fatores diversos, como raras catástrofes ambientais (intensas atividades vulcânicas, impacto de grandes asteroides, bruscas mudanças climáticas, extinções em massa, etc.) e os contínuos ciclos glaciais-interglaciais, para explicar certos processos evolutivos mais bruscos ('Equilíbrio Pontuado'). Em diferentes níveis de escala temporal, obviamente poderão existir certas diferenças na intensidade dos mecanismos evolucionários, mas eles não deixam de ser processos evolutivos.

            Como a "microevolução" ocorre em períodos mais curtos de tempo, é extremamente fácil a presenciarmos no nosso cotidiano, sendo que já foram citados alguns exemplos neste artigo. Bem, e com as evidências se tornando bastante óbvias e abundantes - aliás, estamos atualmente até vivendo uma crise de saúde pública devido à resistência bacteriana, um clássico exemplo de microevolução -, pessoas e grupos de oposição à Evolução Biológica - em grande parte por motivos religiosos - começaram a disseminar a ideia que a microevolução é completamente diferente da macroevolução, onde a primeira de fato existe mas a segunda, supostamente, não pode ser explicada.

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            ENCONTRAM REGISTROS DE PEGADAS FÓSSEIS DE TETRÁPODES MAIS ANTIGOS DO QUE O TIKAALIK DESCOBERTO, ALGO QUE DESCREDITA A EVOLUÇÃO

          Os registros de pegadas fósseis de tetrápodes (como já citado, animais com quatro membros) mais antigos que se tem conhecimento datam do Devoniano Médio, há cerca de 397 milhões de anos e os registros de restos fósseis dessa superclasse de animais data do Devoniano Superior, entre 375 e 385 milhões de anos atrás. Consensualmente, no meio científico, é considerado que os tetrápodes colonizaram o ambiente terrestre durante o Carbonífero, possivelmente há 359 milhões de anos. E, quanto ao processo de evolução, ou seja, de animais aquáticos passando a ser animais terrestres, estudos mais recentes (Ref.46) indicam que esse ocorreu entre 397 e 416 milhões de anos.

          Analisando o tamanho dos seres invertebrados marinhos e outras características do período, acredita-se que os níveis de oxigênio estavam bem altos no início do Devoniano. Ainda sendo debatido de qual ambiente aquático os primeiros tetrápodes surgiram, evidências apontam para regiões marinhas de águas rasas, onde andar - tanto na água quanto no solo marinho - trazia vantagens energéticas e inexistência de grandes quantidades de predadores. Outra possibilidade são as regiões litorâneas entre marés, onde o nível da água está constantemente mudando e deixando animais vulneráveis (encalhados) ao ataque dos primeiros pseudo-tetrápodes e tetrápodes  Com a alta disponibilidade de oxigênio na atmosfera e no ambiente marinho, os primeiros tetrápodes certamente não eram pressionados pelo ambiente a respirar diretamente o ar atmosférico, sendo que estruturas de respiração aérea sofisticadas devem ter começado a surgir no final do Devoniano, quando observa-se que os níveis de oxigênio tiveram uma grande redução.

           Bem, e entrando no ponto visado da discussão, as evidências fósseis apontam que um grupo de peixes conhecido como Sarcopterygii foram os responsáveis por darem origem aos primeiros tetrápodes. Em 2004 paleontólogos descobriram os fósseis mais antigos de uma espécie de Tiktaalik, pertencente ao tetrapodomorfa, estes os quais são englobados pelos Sarcopterygii. Essa espécie, assim como outros Tiktaalik, era metade peixe metade tetrápode, sugerindo um dos POSSÍVEIS elos evolutivos entre os peixes e os tetrápodes terrestres. Mas pegadas fósseis encontradas em 2010, no sudeste da Polônia (Ref.48), quase 18 milhões de anos mais antigas do que o achado de 2004, apontaram que provavelmente os Tiktaalik não eram a transição direta para as formas tetrápodes terrestres. Isso foi suficiente para fomentar diversos criacionistas a disseminarem diversas desinformações, sendo a principal delas de que a Evolução Biológica tinha sido corrompida, já que uma espécie em transição (Tiktaalik) tinha surgido depois de uma forma tetrápode completa e deixando também inexplicável a origem dos tetrápodes.

Pegadas encontradas (segunda imagem) em rochas do sudeste da Polônia  da criatura pré-histórica (impressão artística de como ela seria na primeira imagem), esta qual possuía um comprimento em torno de 2,4 metros

            Em 2014, pegadas fósseis ainda mais antigas foram descobertas em Zachelmie, também na Polônia, datadas em torno de 390 milhões de anos atrás (Ref.49). Em 2016, mais pegadas fósseis de tetrápodes foram encontradas na Ilha de Valentia, na Irlanda, sendo menos antigas do que a de 2014 e mais antigas do que a de 2010. Mas o que realmente isso quer dizer? Ora, que os Tiktaalik eram apenas um dos possíveis elos diretos de transição. Outros representantes mais antigos dos Sarcopterygii podem ter dado origem aos tetrápodes. E temos três explicações óbvias para a existência ainda dos Tiktaalik em meio aos tetrápodes completos:

1. Ambos, Tiktaalik e os tetrápodes, possuem um ancestral comum, assim como ocorre entre nós e os outros primatas superiores. Enquanto uma linhagem continuou evoluindo até dar origem aos tetrápodes, os tiktaalik permaneceram como uma relíquia viva, se adaptando bem ao ambiente e não sendo pressionados por esse último a evoluir. Lembre-se novamente: a evolução biológica não é algo programado, sendo apenas resultado da seleção natural. Muita gente confunde "Pokémon" com evolução biológica, e isso é lamentável.

2. O Tiktaalik podem representar um caso de evolução paralela, evoluindo de um ancestral comum com os tetrápodes, mas chegando até certo estágio (em algo parecido com a hipótese anterior).

3. Os tetrápodes podem ter evoluído mais de uma vez a partir de diferentes ancestrais, ou seja, mais de uma linhagem derivada dos Sarcopterygii pode ter dado origem a diferentes formas independentes de tetrápodes, sendo os Tiktaalik uma posterior.

            E não é nada estranho vermos um tipo de animal vivendo lado a lado com seus sucessores evolucionários. Várias espécies de dinossauros terópodes com penas, por exemplo, continuaram existindo lado a lado com as aves por milhões de anos. E isso é mais do que natural, já que estamos fazendo referência a um processo de transição evolutiva. O que não pode ocorrer são aves surgindo antes dos dinossauros. Isso sim viola a Evolução Biológica.

          Outro exemplo é o famoso grupo ainda vivo dos Dipnoicos, o qual engloba várias espécies de peixes que possuem tanto pulmões primitivos - mas complexos - quanto guelras, e que vivem em pântanos e lagos de água-doce da Austrália, África e América do Sul. Em épocas de secas, eles recorrem à respiração pulmonar para retirarem oxigênio direto da atmosfera e compensarem a escassez de água ao seu redor (ficam geralmente enterrados na lama, esperando novas chuvas encherem os lados). A maioria das espécies desses assim chamados "peixes-pulmonares" possuem dois pulmões e também fazem parte dos Sarcopterygii. Estudos genéticos recentes mostram fortes evidências de que eles são os parentes vivos mais próximo dos tetrápodes, ou seja, possuindo um ancestral em comum bem próximo. Em outras palavras, nós, tetrápodes, estamos convivendo com uma forma menos complexa associada diretamente com os nossos ancestrais, mas que se adaptou bem ao ambiente sem precisar seguir caminhos evolucionários levando a uma forma tetrápode.

-> Para quem estiver interessado, um curto vídeo da BBC capturando cenas de um peixe-pulmonar: The Lungfish.

Peixe-Pulmonar (Dipnoi)


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   O FLAGELO BACTERIANO É IMPOSSÍVEL VIA EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

          Esse argumento mais do que recorrente entra na mesma categoria do já discutido olho humano, ou seja, a incapacidade das pessoas em aceitar que estruturas complexas possam ser fruto de mecanismos evolucionários. Além disso, supostamente, partes complexas cujos componentes não se mostram úteis isoladamente, não poderiam ter surgido sem a existência de um Design Inteligente para uni-las, a famosa 'complexidade irredutível'. Porém, quando analisamos os olhos dos vertebrados e fazemos uma observação da natureza, encontramos diversas estruturas mais simples que servem com propósitos de visão ou similares (fotossensíveis), em vários estágios de complexidade. O mesmo pode ser aplicado ao flagelo, especialmente quando analisamos os genes responsáveis por essa estrutura.

         O flagelo bacteriano compreende organelas complexas e bem volúveis que fornecem mobilidade de nado e até mesmo movimentação em meio sólido para muitas bactérias, e que também possuem um importante papel na adesão, formação de biofilme e invasão de hospedeiros. Seu motor ancorado na parede celular usa energia eletroquímica para rotacionar microfilamentos que propelem a bactéria para longe de toxinas e para perto de nutrientes. Enquanto algumas espécies de bactérias possuem apenas um flagelo, outras podem ter vários ao longo do corpo celular. Nas últimas décadas, um extenso conhecimento se acumulou sobre a estrutura, genética, formação e regulação dos flagelos em várias linhagens bem diversificadas de bactérias. A Escherichia coli e a Salmonella enterica são duas das espécies melhores estudadas em relação ao flagelo, onde acima de 50 genes estão envolvidos com a formação proteica dessa estrutura.




           Como acontece com diversos outros tópicos científicos envolvendo a evolução biológica, anti-evolucionistas continuam presos em argumentos do passado e fecham os olhos para os grandes avanços alcançados nas últimas décadas, especialmente na genética. Durante esse período, já conseguimos sequenciar os genes completos de diversos procariontes, incluindo aqueles específicos associados aos flagelos. Analisando essas informações genéticas, já em 2007 (Ref.97) temos um importante e impactante estudo onde pesquisadores mostraram que as estruturas comuns dos flagelos se originaram muito cedo na história evolutiva do planeta, antes da diversificação de filos contemporâneos das bactérias, e evoluíram de forma gradual através de uma série de eventos de duplicações, perdas e transferência de genes.

           Analisando a estrutura proteica básica dos flagelos, eles conseguiram isolar 24 genes ancestrais e com homólogos compartilhados por todas as bactérias, e os quais conseguem suportar um flagelo funcional. Quando cada um desses genes são comparados na E. coli, fica bastante evidente a semelhança entre eles. As proteínas na parte externa da membrana citoplasmática do flagelo (bastonete, anzol, filamento...), por exemplo, são parálogas e, segundo demonstrado no estudo, derivadas umas da outras através de duplicações genéticas. Em outras palavras, isso indica que o conjunto básico de genes do flagelo se originou de um único ou de alguns poucos genes. Nessa linha, analisando a similaridade dos genes associados, foi até possível detalhar, sugestivamente e logicamente, a ordem de surgimento evolutivo das proteínas. As proteínas do bastonete proximal precedem (tanto evolucionalmente quanto fisicamente) as proteínas do anzol, estas as quais precedem a junção anzol-filamente e as proteínas do filamento, por exemplo.

           Além disso, as características estruturais do flagelo, junto com fortes evidências de homologia entre os genes Flil e subunidades da ATP sintase e entre os genes MotA/B e aqueles associados às proteínas de secreção TolQ-ToIR - quando se compara os genes flagelares e os não-flagelares no genoma com mais de 4 mil genes da E. coli -, sugerem que essa estrutura bacteriana se originou como um primitivo sistema de excreção, primeiro envolvendo ATPase e, então, adicionando o bastonete, anzol e componentes do filamento via duplicação e diversificação genética.

          Portanto, assim como outras estruturas biológicas complexas, o flagelo claramente teve um início simples, sendo grandes as chances de ter surgido de um único gene no início da evolução das primeiras bactérias. Estudos posteriores também encontraram outras homologias genéticas e bases de evolução do flagelo (Ref.102-104) - especialmente em relação ao compartilhamento de várias proteínas do flagelo com o sistema de excreção bacteriano tipo III -, descartando a ideia de complexidade irredutível. Aliás, esse último argumento usado pelos anti-evolucionistas chega até a ser risível e ingênuo. Obviamente, se você pegar uma estrutura biológica complexa na natureza hoje e "desmontá-la", as partes finais não terão, de fato, propósito, porque, OBVIAMENTE, foram modificadas durante a evolução biológica a partir de partes/estruturas primitivas que antes tinham possíveis funções. Durante essas modificações, tais partes ganham cada vez mais especialização na nova estrutura. Isso sem contar que partes não-funcionais e sem benefícios podem ser mantidas durante o curso evolucionário caso não tragam efeitos negativos e estejam paralelamente acompanhadas de mudanças positivas. Até mesmo mudanças levemente negativas podem ser passadas para frente durante a evolução caso estejam acompanhadas de mudanças positivas.

         É válido também lembrar que nem o estudo de 2007 nem os outros estudos subsequentes são conclusivos, sendo impossível apontar passo por passo a evolução do flagelo que ocorreu há bilhões de anos e entre organismos que não deixaram fósseis bem definidos. Existem, ainda, debates quanto ao papel (grande importância ou pequena importância) de outros mecanismos genéticos além das duplicações, como a transferência lateral de genes, na formação dessa estrutura (Ref.99). Contudo, apenas o fato de ser possível mostrar que o flagelo facilmente pode ser originado de componentes simples e via evolucionária já derruba o argumento falacioso dos anti-evolucionistas.

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         COMO AS MUTAÇÕES PODEM SER BASE DA EVOLUÇÃO SE ELAS SÃO MALÉFICAS?

         Como estamos sempre consumindo produtos de ficção científica e outras obras fantásticas da cultura humana, acabamos associando 'mutações' com 'aberrações', 'monstros', 'morte', etc. Além disso, várias doenças se originam via mutação genética, como o câncer. Porém, nem todas as mutações são ruins, longe disso. A partir delas, diversas novidades benéficas - novas informações genéticas - também surgem e podem ser selecionadas pelo ambiente, como já explicado neste artigo.


         As mutações são um dos principais mecanismos que sustentam a evolução biológica, e isso fica claro quando acompanhamos a rápida evolução de bactérias e vírus. Para se ter uma ideia, um estudo publicado na Science (Filmando as mutações no DNA!) - onde biofísicos conseguiram documentar visualmente mutações individuais ocorrendo em células bacterianas - mostrou que as mudanças mutagênicas na E. coli ocorrem na mesma taxa ao longo do tempo e somente cerca de 1% delas eram letais, bem menos do que antes suposto. Além disso, todas as bactérias em uma dada cepa pareciam ter quase a mesma taxa de mutação - cerca de 1 mutação a cada 600 horas em bactérias normais. Em outras palavras, são inúmeras as mutações em uma dada população bacteriana - considerando os números absurdos de bactérias em qualquer amostra ambiental -, e pouquíssimas delas são capazes de matar a bactéria.

         Aliás, mutações prejudiciais para uns pode ser benéfica para outros. Para exemplificar, podemos citar o peixe-cego (Astyanax mexicanus), o qual possui um rosto assimétrico que o ajuda a navegar nas águas escuras de cavernas. Nesses peixes, o crânio é mais curvado para a esquerda, deixando o lado direito mais exposto, como pode ser visto na imagem abaixo. Isso torna as sensações diferentes entre os lados da cabeça, tornando mais fácil a detecção de obstáculos (Ref.126). Essa assimetria no crânio é devido a variações no gene Mn1, ligadas a deformações ósseas prejudiciais em mamíferos, mas que nesse peixe estão associadas a uma vantagem adaptativa.
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          Outro exemplo de mutação que é deletéria no geral mas benéfica em casos específicos, é a seleção natural dos heterozigotos carregando alelos do gene HBB associados à anemia falciforme na nossa espécie (Homo sapiens), de forma a aumentar a prevalência da doença falciforme na população da África Central para a proteção contra o parasita da malária (Plasmodium), transmitido por mosquitos do gênero Anopheles que se proliferaram com a desmatamento de florestas tropicais nessa área geográfica. Na doença falciforme, a estrutura da molécula de hemoglobina (responsável pelo transporte de oxigênio no sangue) é afetada, podendo levar a deformações nas hemácias (geralmente determinando um formato de foice). Nesse sentido, o protozoário mais letal da malária (Plasmodium falciparum) mostra uma preferência em infectar as células deformadas e acaba sendo retirado mais facilmente da circulação sanguínea - os macrófago estão constantemente limpando o sangue das células deformadas -, o que dificulta o estabelecimento da doença. No balanço de prejuízos e benefícios, é mais vantajoso contrair a doença falciforme do que a malária, pelo menos na forma heterozigótica, onde o número de hemácias afetadas é bastante reduzido (na forma homozigótica, é tipicamente manifestada a anemia falciforme, muito mais perigosa, especialmente quando o indivíduo é afetado pela malária).



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         A SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA IMPOSSIBILITA A EVOLUÇÃO BIOLÓGICA, PORQUE OS SISTEMAS SE TORNAM MAIS DESORDENADOS (MAIOR ENTROPIA) AO LONGO DO TEMPO

         Esse é um argumento que muitos Criacionistas utilizam para dar uma maior 'credibilidade' e 'inteligência' às suas afirmações, aproveitando do pouco entendimento de Física por parte da população em geral. Para começar, a 2° Lei da Termodinâmica afirma apenas que em sistemas isolados a entropia total não pode diminuir, apenas aumentar (ou seja, na ausência de trocas de energia/matéria com o ambiente externo). Porém, dentro do sistema isolado pontos locais podem ter sua entropia diminuída em favor do aumento de entropia em outros locais. E olha que isso porque até agora estamos considerando a Terra como um sistema isolado, porque aqui vem outra coisa ainda mais grave: a Terra não é um sistema isolado, oras. Nosso planeta interage continuamente com o resto do Universo (este, sim, um sistema idealmente isolado na teoria), especialmente com o Sol, o qual manda uma quantidade gigantesca de energia para o nosso planeta.

         Para ver como o argumento da 2° Lei da Termodinâmica para impossibilitar a Evolução Biológica é um total fracasso e sem base científica alguma, se ele fosse levado a sério não existiria possibilidade de estruturas inorgânicas complexas ocorrerem na Terra, algo longe da verdade. Cristais diversos, altamente organizados e diversificados ocorrem a todo momento, desde cristais de gelo até cristais de minerais. Aliás, os planetas, estrelas e galáxias seriam impossíveis, já que são aglomerados. E por que são possíveis? Ora, porque estão presentes dentro do Universo, este o qual possui sua entropia sempre crescente, mas possuindo incontáveis pontos onde ela pode aumentar e outros incontáveis pontos onde ela pode diminuir com o tempo. Teoricamente, é previsto que só daqui a muito, muito tempo o Universo encontrará sua morte térmica (1) devido à crescente entropia. Mas, até lá, aumentos e diminuições de entropia em seu interior são facilmente obtidas, contando que a soma final resulte sempre em uma crescente entropia.

         Organismos vivos podem se tornar mais complexos simplesmente via mecanismos evolucionários abastecido com o consumo de outras formas de vida e de materiais não vivos - incluindo energia solar - sem que isso, de forma alguma, desrespeite a 2° Lei da Termodinâmica.

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         ONDE ESTÃO OS FÓSSEIS DE CADA PASSO DAS TRANSIÇÕES DE TODOS OS SERES VIVOS?

         Segundo esse "argumento", já era para os cientistas terem encontrado todos os fósseis de transição, incluindo aqueles marcando o passo a passo das transições evolutivas. Mais uma vez, temos os anti-evolucionistas argumentando com base no achismo e sem a mínima base científica de lógica.

        Os fósseis são definidos como uma evidência naturalmente preservada de seres vivos do passado, geralmente anteriores ao Período Holoceno (>10 mil anos atrás). Existem fósseis de partes de um organismo (ossos, por exemplo) e fósseis relativos à existência desse organismo (pegadas, por exemplo).

        No geral, para um ser vivo se transformar em um fóssil, é preciso muita sorte e condições bastante específicas. Quando um animal, por exemplo, morre, seus restos geralmente são decompostos por completo até não sobrar nada, nem mesmo os ossos, após milhares, milhões, bilhões ou mais de anos. Porém, em algumas raras ocasiões, o animal acaba sendo enterrado de forma rápida e de modo a ter seu esqueleto parcialmente ou totalmente protegido. E existem vários caminhos para a formação de um fóssil.


         Em outras palavras, são poucos os espécimes que serão realmente fossilizados e menos ainda aqueles que estarão facilmente acessíveis aos cientistas. Isso sem contar os organismos vivos que dificilmente deixam rastros fósseis, como micróbios e animais de corpo mole. Montar um filme com um "passo a passo" das etapas evolutivas com frames de evidências fossilizadas é algo impossível.

          Outra provável forma de fossilização de seres vivos ocorreu com aqueles do período Ediacarano (630-541 milhões de anos atrás) que representam os mais antigos organismos complexos de grandes dimensões. Fósseis desse período (como o mostrado na imagem abaixo) parecem não mostrar o exterior desses animais (forma externa), e, sim, as estruturas internas do corpo. Um estudo publicado na Nature Ecology & Evolution (Ref.135) demonstrou na prática (simulação) que um processo de radiologia sedimentar - envolvendo preenchimento com argila ou arenito - conservou o "esqueleto" orgânico desses animais de corpo mole, não a forma externa. Esse mecanismo reológico de sedimentação explica como a biota Ediacarana foi preservada por tanto tempo mesmo sem esqueleto e o porquê os seus integrantes à primeira vista serem similares a "alienígenas", muito diferentes de outros animais.



           Importante também mencionar que o registro de vida no início da sua emergência na Terra também pode ser fossilizado, mesmo sem nem mesmo a existência de células. Em rochas altamente metamorfoseadas com mais de 3,7 bilhões de anos, material orgânico proveniente de sistemas bióticos frequentemente se transformam no material grafite (estrutura constituída por lâminas de carbono). Em um estudo publicado no periódico Earth and Planetary Science Letters (Ref.139), os pesquisadores analisaram diferentes rochas quase tão antigas quanto 2 bilhões de anos e argumentaram que o carbono preservado na forma de cristais de grafite ('carbono grafítico') localizados junto a minerais como apatita e carbonato em silicatos na Faixa de Formação do Ferro (BIF) metamorfoseados a temperaturas acima de 550°C são bioassinaturas das formas de vida mais antigas do nosso planeta. Especificamente, as coberturas e inclusões de grafite em grãos de apatita indicariam remobilização fluída durante o metamorfismo (recristalização) de biomassa percursora.

          Segundo o estudo, a estrutura de carbono que baseia toda a vida que conhecemos é decomposta em diferentes substâncias, como carbonato, apatita e óleos (em maior parte hidrocarbonetos como os alcanos). Esses compostos acabam ficando presos em camadas de rochas sedimentares e eventualmente o óleo (como o petróleo) se transforma em grafite durante um subsequente metamorfismo na crosta.

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           AINDA NÃO SE SABE AO CERTO COMO A VIDA SURGIU NA TERRA, PORTANTO A EVOLUÇÃO BIOLÓGICA É ALGO TAMBÉM MAIS DO QUE INCERTO

          Esse é um argumento se tornando bem comum (desespero argumentativo), mas que não faz sentido em termos de contra-atacar a evolução biológica. Não importa se a vida inicial na Terra surgiu pelas mãos de uma civilização alienígena, por vestígios de vida em um cometa ou se aqui mesmo no nosso planeta através de reações químicas favoráveis. Não importa nem mesmo a origem da matéria prima abundante para fazê-la, se de cometas ou da própria superfície terrestre. O que importa é que ela surgiu e, a partir daí, a evolução biológica acompanhou sua diversificação. A evolução biológica é um processo natural que surgiu com a vida, e independe do seu começo.

          E é válido também mencionar que os elementos químicos base para a vida (carbono, hidrogênio, oxigênio, fósforo, enxofre e nitrogênio) e a necessidade de água não são apenas fruto do acaso. Todos eles possuem propriedades físico-químicas essenciais para a sua manutenção. O carbono, esqueleto fundamental para a vida, por exemplo, é capaz de formar quatro ligações químicas com facilidade, fomentando a síntese de moléculas muito complexas, e, além disso, é formado em relativa grande abundância pelas estrelas (Como são criados os elementos químicos?). Estruturas grandes, complexas e fundamentais são possíveis graças ao carbono. Os outros elementos da sua família (silício, por exemplo) também possuem propriedades químicas parecidas, mas as pequenas diferenças (ligações químicas mais difíceis de serem quebradas, por exemplo) e menor abundância no Universo (quanto mais pesado o elemento químico, mais difícil de ser produzido nas estrelas), o tornam candidatos bem menos eficiente para a vida. Já a água (H2O) é uma substância única, apresentando diversas propriedades extremamente importantes para a formação da vida (solvente universal; estado líquido a temperaturas entre 0 e 100°C e pressão normal; ligações de hidrogênio, entre outros).

          Em outras palavras, caso esses elementos estejam presentes em condições de pressão e temperatura favoráveis, teremos um ambiente propício à vida, não sendo realmente necessário existir a presença de algo fantástico para a mesma ser criada. Também fica óbvio perceber também o porquê da vida ser algo difícil de ser encontrado no Universo, já que vários parâmetros precisam ser primeiro atendidos. Não é uma questão necessariamente ligada à "vontade de um Criador Divino em ter escolhido a Terra como um lugar para a vida". Se o parâmetros mínimos forem atendidos, diversos planetas e satélites naturais também podem abrigar vida (Leitura recomendada: Satélite natural de Saturno capaz de sustentar vida!). Além disso, podemos também pensar na trajetória de um meio abiótico para um meio biótico como etapas evolucionárias de uma crescente complexação da matéria. Nesse sentido, um princípio evolucionário provavelmente acompanhou a vida desde os seus primórdios pré-bióticos. E, se formos mais, fundo, o Universo pode também ser explicado pela via evolucionária, no sentido em que partículas fundamentais se agrupam para formar complexos sistemas (átomos, moléculas, estrelas, sistemas estelares, galáxias, etc.).

            > Para melhor aprofundamento no assunto, acesse o artigo A origem da vida: Mais um grande avanço conquistado!


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Referências Científicas: Para consultar as referências científicas indicadas ao longo do texto, acesse o artigo completo: Evolução Biológica é um FATO CIENTÍFICO