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Cor da pele e a vitamina D

                       



          A vitamina D é essencial, especialmente na gestação e infância, para  evitar o retardamento no crescimento e a osteoporose, prevenir fraturas ósseas e deformidades no esqueleto, e diminuir a fraqueza muscular. Ou seja, ela é um nutriente vital para a estabilização da nossa estrutura corporal. Além disso, durante a gravidez, boas quantidades dessa vitamina são essenciais para o desenvolvimento de um bebê saudável. Mas como ela pode ter alguma relação com a evolução das cores das pessoas no planeta?

          Os humanos conseguem vitamina D através da dieta, de suplementos alimentares e da exposição aos raios solares. Porém, pouquíssimos alimentos são fontes naturais de vitamina D, onde podemos citar alguns peixes gordos, como o salmão. A radiação solar ultravioleta B ( com comprimentos de onda entre 290 e 315 nanômetros) é a principal forma natural de suprir nossas necessidades diárias desse nutriente ao interagir com a nossa pele. Quando esta radiação penetra na nossa pele, ela converte uma substância chamada 7-dehydrocolesterol em pré-vitamina D­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­3 , a qual é rapidamente convertida em  vitamina D3 ( essa denominação ´D3´ é usada porque existem dois tipos de vitamina D: a D3 e a D2,  ambas possuindo, praticamente, a mesma função bioquímica; normalmente, os suplementos vitamínicos utilizam a forma D2). Outra coisa válida a ser mencionada é a crença de que tomar muito Sol resulta em uma intoxicação por vitamina D. Isso seria algo plausível de acontecer se o excesso de vitamina D3 não fosse destruído pela própria radiação ultravioleta. O nosso corpo pensa em tudo. Mas, mesmo assim, evite o excesso de radiação solar, principalmente entre o horário de 10 da manhã e 2 da tarde.

O Sol é o nosso maior aliado na obtenção de Vitamina D
           Como foi falado, a incidência de radiação solar é fundamental para a produção de vitamina D pelo próprio organismo, e, de acordo com uma das hipóteses mais aceitas, este fato está diretamente ligado, por exemplo, à evolução da cor da pele na Europa e África. No continente africano, como os raios solares são abundantes, e potencialmente danosos, os indivíduos com pele escura prevaleceram, pois eram protegidos dos efeitos danosos do Sol, e ainda conseguiam suas taxas de vitamina D diárias, mesmo com a proteção extra da melanina, já que a exposição era grande. Já na Europa, como não existe muita incidência solar (  tomando uma média de toda a região), as pessoas com pele clara, nascidas por mutações dos migrantes negros da África, acabavam se sobressaindo por produzirem uma maior quantidade de vitamina D do que os indivíduos de pele mais escura, esta a qual barrava grande parte do poder dos já escassos raios solares. Além disso, o intenso frio dessas regiões mais afastadas do equador obrigava os humanos ( Homo sapiens) a procurarem roupas para se agasalharem, o que impedia ainda mais a chegada de radiação solar à pele. E em uma época onde uma dieta equilibrada era uma mordomia e sorte para poucos ( ter peixes gordos na mesa, como o salmão, então, era um milagre), além da ausência completa de suplementos alimentares, conseguir um extra de vitamina D do Sol era questão de vida ou morte. Isto explica a prevalência de pessoas negras na África, e de brancas na Europa. Esta também é uma das causa dos nossos índios serem morenos. Aqui, a incidência solar é grande, mas não tanto como na África por causa das densas florestas ( e há centenas de anos atrás elas eram bem mais abundantes no nosso país, claro). Por isso, uma pele nem tão escura e nem tão clara era ideal para os nossos nativos*.

                  Porém, é importante mencionar que essa é apenas uma hipótese. Outros fatores podem ter sido tão ou mais importantes para a diferenciação da cor da pele nos diferentes grupos humanos. Porém, como visto na figura abaixo, é inegável que a cor da pele é diretamente relacionada com a taxa de incidência solar no globo. Uma outra hipótese para o surgimento da cor negra nos primeiros humanos, durante a perda de pelos, baseia-se no fato de que uma pele mais escura possui uma epiderme mais resistente e que permite uma menor perda de água através do suor, aliado à maior proteção conferida contra os danosos raios UV. Isso dificultaria infecções e desidratação nos climas áridos e quentes das savanas africanas. No início da perda de pelos, uma maior barreira de proteção na pele poderia ter sido um fator muito mais relevante para a prevalência da cor negra do que a simples proteção contra a forte incidência solar.

Essa escala de cores de pele do planeta permite, com clareza, observamos que as áreas longe do equador, indo para o Norte, são as que possuem a coloração da pele mais claras, ou seja, as áreas com menor incidência solar. É interessante observar que, no Brasil, as cores são um meio termo entre o branco e o negro porque somos, exclusivamente, uma mistura de povos, e esse mapa foi feito em 1975, muito depois da nossa colonização
               Quando os movimentos migratórios se intensificaram pelo mundo, impulsionados pelas crescentes inovações tecnológicas ,  as raças se misturaram, com negros indo para regiões menos iluminadas e brancos indo para as mais ensolaradas. Esta é a razão para um maior cuidado na dieta de negros em países mais ´mal iluminados´, pois eles podem ficar com menor oferta solar para a síntese natural de vitamina D, e é a razão também de casos crescentes de câncer de pele na população mundial, já que pessoas brancas ficam mais expostas ao Sol, sem melanina suficiente para protegê-los. E como a evolução é algo que demora milhares de anos para acontecer e odeia a intervenção humana na ajuda aos indivíduos mais fracos, estes problemas sempre existirão. Portanto, fica aí a dica de saúde.
                  Nada está aí por acaso.

*CURIOSIDADES
  •  É muito provável  que a cor predominante dos nossos índios seja a morena mais escura, e não negra, porque os raios solares que atingem o Brasil, mesmo sendo tão fortes quanto os da África, são freados pela nossa densa vegetação ( principalmente no início de habitação do nosso território, sem o atual processo de desmatamento). Isso pode ter selecionado cores mais claras do que a completa cor negra, já que, por grande parte do dia, os índios ficavam afastados dos raios solares debaixo da proteção das árvores. Já nas savanas africanas, com a ausência de grandes florestas na maior parte do território, a incidência solar era máxima nos humanos que ali viviam.
  • A seleção da cor negra surgiu nos humanos da África junto com a perda de pelos corporais. Nossos parentes próximos, os chimpanzés, por exemplo, não possuem pele escura porque estão protegidos da forte radiação solar e desidratação devido à sua densa camada de pelos. A mesma proteção é dada a outros animais, como os cães e gatos.
  • Em regiões onde a taxa de incidência solar varia bruscamente com o período do ano ( verão, muito Sol e inverno, quase nenhum), ou seja, nas latitudes entre 23° e 46° do globo terrestre, o desenvolvimento da pigmentação facultativa ( bronzeamento) também pode ter sido uma importante adaptação evolucionária. Com isso, o corpo passa a produzir mais melanina quando exposto ao forte Sol, protegendo nossa pele durante esse período e volta a ficar mais claro na ausência da forte incidência solar, não comprometendo a síntese de vitamina D durante o inverno, por exemplo. 
  • Na média populacional, cerca de 90% da vitamina D circulando no nosso corpo provém da ação dos raios ultravioletas sobre a pele, sendo que apenas 10% são fornecidos pela alimentação ( óleo de peixe, leite fortificado e gema de ovo são as principais fontes). Por isso é importante buscar uma exposição solar mínima  durante a semana, para garantir o abastecimento recomendado dessa vitamina para o corpo. Segundo os especialistas, cerca de 15 minutos de exposição solar na palma da mão já são suficientes para te abastecer bem com essa vitamina. Quando o banho de Sol atinge uma superfície cutânea maior, o tempo requerido diminui ainda mais. Para evitar problemas com o excesso de radiação ultravioleta, prefira os horários da manhã para se expor ao Sol.

A prevalência da cor morena nos nossos nativos é uma consequência da incidência solar moderada.
                                 
Texto relacionado: Existem raças humanas?

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1.  http://link.springer.com/chapter/10.1007/978-1-61779-888-7_2
  2. http://wiredspace.wits.ac.za/bitstream/handle/10539/17297/Pal-Vol-47.pdf?sequence=1#page=63
  3. http://www.nature.com/bonekeyreports/2014/140108/bonekey2013214/full/bonekey2013214.html?message-global=remove
  4. http://www.biomedcentral.com/1471-2148/13/144
  5. http://europepmc.org/abstract/med/26628439
  6. http://www.karger.com/Article/FullText/354750 
  7. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3024016/ 
  8. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3071612/ 
  9. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0047248400904032
  10. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15386260
  11. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0306987709005544 
  12. http://www.nature.com/jid/journal/v132/n3-2/full/jid2011358a.html?WT.ec_id=JID-201203