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O que são as pápulas perláceas penianas?


            Em um caso reportado no periódico The New England Journal of Medicine (Ref.1), um adolescente saudável de 15 anos, do sexo masculino, apresentou-se no hospital com um histórico de 3 meses de pápulas brancas assintomáticas sobre a glande do pênis, como mostrado na imagem acima. O médico responsável rapidamente concluiu se tratar de pápulas perláceas penianas, uma variante anatômica benigna que aparece durante a adolescência ou no início da fase adulta. Lesões associadas podem ser mal diagnosticadas como infecções sexualmente transmissíveis e causar desnecessário estresse psicológico nos afetados.

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   PÁPULAS PERLÁCEAS PENIANAS

          As pápulas perláceas penianas (PPPs), também conhecidas como pápulas perláceas róseas, caracterizam-se por lesões assintomáticas, branco-peroladas, em forma de cúpula, medindo 1 a 4 mm, intimamente agregadas, localizadas na glande do pênis. A apresentação mais comum são inúmeras pápulas com coloração branca-a-cor de pele com menos de 1 mm de dimensão, circunferencialmente distribuídas em duas ou três fileiras ao redor da corona ou no sulco associado. Inicialmente essas pápulas foram postuladas como produtoras de sebo ou um órgão do sistema nervoso. Mais tarde, foi demonstrado ser um tipo (acral) de angiofibroma, um tipo de proliferação fibroblástica benigna. 

> Imagem médica de um típico órgão genital masculino atingido pela condição: Pênis com Pápulas Perláceas Penianas

            Os achados histológicos associados às PPPs são uniformes, mostrando um epitélio afinado sobre áreas de fibrose e proliferação vascular na derme superior. Um discreto infiltrado inflamatório linfocítico está frequentemente presente. Às vezes, mesmo profissionais de saúde podem confundir as PPPs com verrugas em casos atípicos (ex.: lesões isoladas e anormalmente grandes) (Ref.11).

           A etiologia das PPPs é ainda desconhecida, e a condição foi primeiro descrita na literatura médica em 1680-1700. É sugerido que as PPPs podem representar o vestígio evolutivo de estruturas queratinizadas pontiagudas ("espinhas penianas") presentes no pênis de primatas não-humanos e de vários outros mamíferos, e cujas funções sexuais provavelmente perderam a utilidade na linhagem evolutiva humana (Ref.3). As pápulas não são associadas com o papilomavírus humano - ou qualquer outra infecção bacteriana, viral ou fúngica - e tendem a ser mais proeminentes no dorso da região coronal e desaparecem no freio. Incidem em 14-48% dos homens na idade pós-puberal, mais comumente entre os 20 e 30 anos, e são mais prevalentes em indivíduos não circuncidados (!) e com ascendência Africana. Adolescentes com PPPs ficam especialmente preocupados com a possibilidade de terem adquirido uma infecção sexualmente transmissível ou medo de que as pápulas foram uma consequência física da masturbação. 


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(!) A prevalência da PPP também é menor em homens com mais de 50 anos de idade. Tanto em pênis circuncidados quanto em idades avançadas, existe uma maior exposição ao longo do tempo de forças abrasivas e de fricção que atuam removendo as pápulas. Leitura recomendadaÉ recomendado realizar a circuncisão?

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> Leitura recomendada: Por que perdemos o osso do pênis?

          Como as lesões associadas às PPPs são benignas e diminuem com a idade, não é necessário tratamento para removê-las, apesar de serem frequentemente mal diagnosticadas e tratadas como verrugas. Entretanto, muitos pacientes expressam preocupação ou sentimento de vergonha em relação a esta condição (ex.: medo da parceira ou do parceiro sexual julgar as pápulas como alguma doença transmissível), o que os estimula a procurar tratamento estético. Algumas modalidades têm sido testadas nesse sentido, como crioterapia, eletrodessecção, excisão por shaving, podofilina, curetagem e ablação por laser de CO2. Tratamento com laser de CO2 fracionado é particularmente efetivo e seguro para a remoção completa das pápulas (Ref.6).


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> IMPORTANTE: As pápulas perláceas penianas são comumente e erroneamente chamadas de Glândulas de Tyson. Esse nome é errôneo primeiro porque as pápulas perláceas penianas não são glândulas, não possuem componentes glandulares e muito menos possuem funcionalidade humana conhecida. Em segundo lugar, as glândulas de Tyson representam uma estrutura anatômica distinta: glândulas sebáceas modificadas com uma distribuição parafrenular, associadas com o prepúcio e os lábios menores (Ref.7-8). Além disso, é preciso diferenciar a condição de verrugas genitais e de líquen escleroso (ou escleroatrófico). Comparado com verrugas genitais, as PPPs são mais uniformes, localizadas estritamente na glande do pênis ou no sulco coronário, e não possuem uma superfície similar a uma couve-flor. Já o líquen escleroso possui uma coloração de pele, um topo achatado, e tendem a ocorrer no tronco do pênis (Ref.9). Outras condições dermatológicas que podem ser confundidas com as PPPs incluem molusco contagioso, grânulos de Fordyce, granuloma epitelioide, linfangiomas circunscritos, siringomas múltiplos e Papulose bowenóide.

> O nome "glândulas de Tyson" é dado em homenagem ao médico Edward Tyson, o qual foi o primeiro a descrever as pápulas perláceas penianas no século XVII, mas interpretando as pápulas sobre a corona do pênis como glândulas funcionais fonte do esmegma (apesar desse fluído sob o prepúcio ou nas dobras da genitália feminina não ser uma secreção específica do corpo, e, sim, uma combinação de células epiteliais esfoliadas com óleos e gordura, associada com a renovação celular). Porém, historicamente, patologistas continuaram descrevendo glândulas sebáceas ectópicas nas glandes e/ou no prepúcio como glândulas de Tyson, apesar dessas entidades não representarem o que Tyson observou em 1680 (Ref.10).

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  1. https://www.nejm.org/image-challenge 
  2. Aldahan et al. (2016). Diagnosis and Management of Pearly Penile Papules. American Journal of Men’s Health, 12(3), 624–627. https://doi.org/10.1177/1557988316654138 
  3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK442028/ 
  4. https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-573329
  5. Saardi et al. (2021). Images - Atypical presentation of pearly penile papules. Canadian Urological Association journal = Journal de l'Association des urologues du Canada, 15(5), E301–E303. https://doi.org/10.5489/cuaj.6787
  6. Pérez Rivera, F. (2020). Fractionated CO2 laser treatment for pearly penile papules: evaluation of clinical results and sexual health quality of life improvements. European Journal of Plastic Surgery, 44(1), 123–128. https://doi.org/10.1007/s00238-020-01711-2
  7. Aldahan et al. (2016). Diagnosis and Management of Pearly Penile Papules. American Journal of Men's Health.  https://doi.org/10.1177%2F1557988316654138
  8. Shamloul & Khachemoune (2020). An Updated Review of the Sebaceous Gland and its Role in Health and Diseases Part 1: Embryology, Evolution, Structure, and Function of Sebaceous Glands. Dermatologic Therapy. https://doi.org/10.1111/dth.14695
  9. Körber & Dissemond (2009). Pearly penile papules. CMAJ, 181 (6-7) 397. https://doi.org/10.1503/cmaj.081861
  10. Paolino, Giovanni (2016). Linear ectopic sebaceous hyperplasia of the penis: the last memory of Tyson's glands. Giornale Italiano Di Dermatologia e Venerelogia. Link do PDF
  11. Saardi et al. (2021). Images - Atypical presentation of pearly penile papules. Canadian Urological Association journal = Journal de l'Association des urologues du Canada, 15(5), E301–E303. https://doi.org/10.5489/cuaj.6787