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O Ponto G existe?


          Nada é tão controverso na esfera científica quanto a interminável dúvida relativa à existência, ou não, do glorificado Ponto G. Será que realmente existe um local na vagina que proporciona uma suprema onda de prazer à mulher, ou será que isso tudo não passa de uma lenda? Debates apaixonados e fervorosos permeiam estudos ao longo das décadas sobre o assunto, mas ainda não temos uma resposta definitiva. O que seria o Ponto G? Quais as evidências? Por que ele é procurado?

          O ponto G, teoricamente, seria um uma área altamente erógena localizada na parte anterior da parede vaginal humana. Assim como o clitóris, essa área, quando estimulada, garantiria orgasmos à mulher, só que de maneira muito mais intensa do que o órgão erétil localizado na parte superior da vulva. O conceito e criação do termo remonta do ano de 1982, em um livro sobre sexualidade bastante popular da época, escrito por Ernst Grafenberg (o ´G´ do ´Ponto G´ vem de ´Grafenberg´). Apesar de ser algo hoje aceito como verdade pelo público geral, não se tem certeza alguma se essa área erógena realmente existe. De qualquer forma, existem, sim, evidências anatômicas e bioquímicas da possível presença de algo que possa ser o tal Ponto G, mas estão longe de serem suficientes para dar uma palavra final. Na verdade, até essas evidências são questionadas.

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          No lado dos que defendem a existência do Ponto G, está o relato de várias mulheres que dizem sentir uma maior estimulação na área suspeita de acomodar a tão questionada entidade erógena. Alguns cientistas e ginecologistas nesse lado do debate até mesmo definem a localização do ponto, o qual estaria debaixo da ´próstata feminina´ (Glândulas de Skene). Já outros afirmam que a localização é variável, mudando de mulher para mulher.

           E no outro lado do debate, cientistas e ginecologistas dizem não haver provas científicas suficientes para atestar a existência do Ponto G. Trabalhos sistemáticos de revisão não encontram evidências suficientes e estudos clínicos individuais são acusados de conterem diversas falhas de metodologia. Além disso, o fato de relativamente poucas mulheres relatarem possuir tal zona super erógena, enquanto outras não sentem nada é um indício que existe algo de errado na história. Esse lado do debate mais ´pessimista´ realça o fato de que o prazer na mulher é algo mais complexo do que os processos que ocorrem no lado masculino. Estado emocional e todo um trabalho corporal na hora do ato sexual, ou seja, o ambiente fora da área vaginal, são os reais fatores que se somam ao clitóris. Assim, certas mulheres relatam sentir um estímulo e orgasmo fora do normal porque todo esse ´ambiente do prazer´ foi atingido, e não uma pequena área anatômica específica no órgão sexual feminino.

           No balanço das afirmações científicas, o lado vencedor, até o momento, são os do que defendem a não existência de tal estrutura erógena. Quase todos os trabalhos de revisão não encontram evidências suficientes e os que encontram admitem que os dados clínicos não são da melhor qualidade. Mas o debate continua. O grande problema disso tudo é que muitas mulheres e homens realmente acreditam na plena existência do Ponto G e que sua ativação se daria, principalmente, com o pênis. Isso, aliado com outras crenças, é o que explica a incidência de tantas mulheres que não conseguem chegar ao orgasmo e tantas mais que chegam apenas algumas vezes durante sua inteira vivência sexual. E o pior é que a busca pelo Ponto G se baseia na premissa de ajudar as mulheres a atingirem melhor os tão complexos orgasmos femininos.

            Virtualmente, todos os especialistas concordam que o prazer sexual para a maior parte das mulheres não vem do resultado de uma penetração ou duração da relação sexual, como pensa muitos homens, mas, sim, de um estado emocional favorável, estímulos certos em todo o corpo e interação com o clitóris da mulher (região em que o pênis geralmente não alcança durante a penetração, nem mesmo as partes mais internas desse órgão erétil). E este último órgão é o que mais merece uma atenção especial, algo esquecido na maioria das relações sexuais, onde o homem costuma sempre pensar apenas no seu próprio prazer. Na verdade, não é preciso ser especialista para inferir algo que toda mulheres conhece muito bem...:)

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IMPORTANTE: O suposto Ponto G não fica no canal vaginal, e, sim, na parte anterior da parede vaginal. Não existem terminações nervosas na vagina que provocam prazer na mulher. Aliás, essa é outra crença infundada entre a população, sendo uma das responsáveis por glorificar pênis maiores.

OBS.: Não, amiguinhos, os cientistas e ginecologistas envolvidos nos debates não são todos homens... Ou será que ainda existem aqueles que acham que todos os cientistas e ginecologistas são homens? De qualquer forma, os debates sobre o tema são baseados em testes clínicos práticos e não apenas em teorias anatômicas... Apenas fiz essa observação já prevendo certos comentários...:)

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://link.springer.com/article/10.1007/s00192-012-1831-y
  2.  http://onlinelibrary.wiley.com/enhanced/doi/10.1111/j.1743-6109.2011.02623.x
  3.  http://onlinelibrary.wiley.com/enhanced/doi/10.1002/ca.22471/
  4.  http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25727497
  5.  http://onlinelibrary.wiley.com/enhanced/doi/10.1002/ca.22524
  6.  http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25740385
  7.  http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22240236
  8.  http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1471-0528.13310/full
  9. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1471-0528.12707/full 
  10. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20092462
  11. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11518892
  12. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17352286
  13. http://onlinelibrary.wiley.com/enhanced/doi/10.1002/smrj.61
  14. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20092462