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Neandertais também sabiam fazer arte e provavelmente dominavam a linguagem


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        Humanos anatomicamente modernos (Homo sapiens) colonizaram a Europa há cerca de 45-43 mil anos, substituindo os Neandertais (Homo neanderthalensis) após o período em torno de 40 mil anos atrás. Mas além do mistério do porquê os Neandertais foram extintos - existindo hoje diversas hipóteses -, existe outro que divide a comunidade acadêmica há décadas: seriam os Neandertais intelectualmente similares à nossa espécie? Enquanto alguns especialistas não acreditam nisso, evidências nos últimos anos vêm se acumulando de que a capacidade cognitiva dos nossos parentes evolucionários mais próximos possuíam, no mínimo, o mesmo potencial da nossa. E, agora, duas novas impactantes descobertas, englobando dois estudos publicados esta semana na Science, deixam poucas dúvidas de que nossos parentes "brutamontes" não tinham nada de brutos, sabiam inclusive expressar arte como nós e provavelmente eram dotados de linguagem!

        ATENÇÃO: O artigo a seguir traz primeiro um resumo sobre quem eram os Neandertais. Os novos achados acadêmicos serão discutidos a partir do tópico HUMANOS MODERNOS E NEANDERTAIS: SIMBOLISMOS.

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   NEANDERTAIS

       O atual registro fóssil sugere que os Neandertais - espécie Homo neanderthalensis (um dos primatas humanos arcaicos) - divergiram da linhagem primata que levou aos atuais humanos modernos (subespécie Homo sapiens sapiens) há cerca de 400 mil anos na África, evoluindo possivelmente do Homo heidelbergensis. Os Neandertais, então, migraram para o Norte, na Eurásia (região que corresponde à união dos continentes Europa e Ásia), onde se tornaram um grupo geograficamente isolado que evoluiu de forma independente da linhagem que veio a representar os humanos modernos no continente Africano. Chegaram a ocupar a Europa e o Oeste da Ásia, indo tão longe ao Leste quanto o Sul da Sibéria e tão longe ao Sul quanto o Oriente Médio.



          Segundo um estudo publicado recentemente na Proceedings of the Royal Society B (Ref.9), as grandes estruturas nasais no crânio dos Neandertais permitiam que essa espécie transportasse duas vezes mais ar para os pulmões do que os humanos modernos. Isso provavelmente garantiu uma grande vantagem nas caças de grandes animais e ao enfrentar ambientes mais frios na Europa durante a Idade do Gelo - ao fomentar o metabolismo/aquecimento corpo com a inalação de grandes quantidades de oxigênio em um curto intervalo de tempo. Para essa conclusão, os pesquisadores utilizaram avançadas simulações computacionais. Somando-se a isso, os pesquisadores também encontraram que as distintas características morfológicas na região crânio-facial dos Neandertais não refletem adaptações para o estresse mecânico gerado por fortes mordidas e mastigação.



        Apesar de existir um esteriótipo popular de que os Neandertais eram brutamontes das cavernas com pouca inteligência - especialmente fomentadas pela morfologia dos seus crânios -, pesquisas científicas nas últimas décadas mostraram o oposto. Os Neandertais eram uma espécie humana avançada, capaz de processar pensamentos inteligentes e capazes de resistirem e de se adaptarem aos mais desafiantes ambientes.

       Evidências mostram que essa espécie tinham uma complexa cultura, apesar de não terem se comportado da mesma forma que os humanos modernos que viveram na mesma época. Possuíam um espectro de ferramentas razoavelmente avançado, classificado como 'tecnologia Modo 3' que também era usada pelos primeiros membros Homo sapiens. Durante a estadia dos Neandertais na Europa, eles foram desenvolvendo ferramentas cada vez mais sofisticadas, similares às ferramentas laminadas dos humanos modernos. Muitas delas podem ter sido copiadas da nossa espécie ou mesmo barganhadas. Além disso, também conseguiam controlar o fogo para aquecimento, cozimento de alimentos e proteção. Vestiam roupas de peles de animais para as áreas mais frias, porém não existem evidências se as costuravam ou apenas as amarravam juntas.

        Como moradia, os Neandertais utilizavam frequentemente cavernas, mas também construíam abrigos em espaço aberto. Consumiam significativas quantidades de carnes (caça) e vegetais diversos, e existem evidências de que alguns membros da espécie também chegavam a consumir carne humana. Os mortos eram frequentemente enterrados - às vezes junto com objetos, o que pode indicar possível função cultural nessa prática -, apesar de não existir evidência conclusiva se isso era parte de um comportamento ritualístico.

        Além disso, estudos recentemente publicados mostram que quando os humanos modernos deixaram a África, muitos perderam vários genes dos seus ancestrais africanos, especialmente quando começaram a ocupar a região hoje da Europa. Porém, tudo indica que quando nossa espécie começou a se acasalar com os Neandertais - sim, as duas espécies mantinham relações sexuais entre si, gerando descendentes férteis (1) - vários dos genes perdidos voltaram aos nossos descendentes (ligados ao ancestral comum de ambas as espécies).  A troca de genes entre as duas espécie realmente ocorreu com significativa intensidade após a saída da África, e isso inclui a descoberta que a maior parte dos africanos hoje não carregam traços de DNA neandertal., apenas os Europeus e Asiáticos no geral. As pessoas hoje do Leste Asiático possuem maior carga genética dos neandertais (2,3%-2,6%) do que aqueles vivendo no Oeste Asiático e na Europa (1,8%-2,4%).

       O primeiro fóssil de Neandertal foi encontrado em 1829, e, desde o século XIX, milhares de fósseis representando os vestígios de centenas de Neandertais foram recuperados de vários sítios arqueológicos na Europa e no Oriente Médio, incluindo bebês, crianças e adultos. Hoje essa é a espécie humana além do Homo sapiens mais estudada e conhecida no meio acadêmico.

        Os Neandertais persistiram por centenas de milhares de anos em condições extremamente difíceis. Compartilharam a Europa por cerca de 10 mil anos com o Homo sapiens, mas há aproximadamente 30-28 mil anos, os Neandertais desapareceram. Isso os tornam os parentes primatas mais próximos de nós há serem extintos, onde os humanos modernos e os Neandertais compartilham um ancestral comum datado cerca de 800 mil anos atrás. Em comparação, os chimpanzés divergiram da mesma linhagem primata há cerca de 5-7 milhões de anos.



       Existem várias especulações sobre como eles foram extintos, mas nada ainda conclusivo. A principal teoria - e hoje provavelmente a única, apresentando sólidas e vastas bases científicas de evidência - basicamente defende que os Neandertais foram substituídos pelo Homo sapiens. Várias são as razões propostas para essa substituição, englobando motivos biológicos, sociais e/ou climáticos. Apesar de terem um nível de comportamento e de cognição comparável aos humanos modernos, esses últimos possuíam algo a mais ou estavam fazendo algo diferente para conseguirem dominar por completo a Europa.

      Entre os fatores que podemos citar, temos:

   Biológicos

- O sucesso reprodutivo e taxa de sobrevivência dos Neandertais parecem baixo quando comparado com o Homo sapiens

- A taxa metabólica dos Neandertais parecia ser maior do que a da nossa espécie. Isso em condições de grande oferta de alimento faz pouca diferença, mas em invernos rigorosos ou condições climáticas instáveis, uma maior necessidade calórica pode trazer grandes desvantagens

- Evidências anatômicas sugerem que os Neandertais não corriam tão bem quanto o Homo sapiens (ossos do calcanhar mais longos, indicando tendões de aquiles mais longos - tendões mais curtos armazenam mais energia e tornam-se mais eficientes na corrida). Como caçavam usando emboscadas, isso não fazia muita diferença. Mas cerca de 50 mil anos atrás, mudanças climáticas fizeram com que grande parte do Norte Europeu fosse de florestas para tundras, o que talvez atrapalhou as estratégias de caça dos Neandertais, forçando-os a se isolarem nas áreas florestais restantes. Enquanto isso, os humanos modernos se adaptaram bem ao novo ambiente.

- Vários estudos mostram que cerca de 40% dos vestígios ósseos de Neandertais encontrados indicavam uma condição conhecida como hipoplasia, esta a qual é causada pela falta de nutrientes na infância. A dependência de carne na dieta dos Neandertais pode tido grande impacto quando eles tentaram adaptar uma dieta mais vegetariana - a exemplo do Homo sapiens - durante um período de maior escassez de caça. Isso pode ter tido um grande impacto negativo a nível populacional.

   Sociais e comportamentais:

- A cultura neandertal pode não ter progredido muito, ao contrário da complexidade cultura do Homo sapiens, tornando-os menos fortes como grupos. Aliás, evidências sugerem que eles de fato tendiam a se isolar em pequenos grupos.

- Neandertais podem ter tido uma limitada capacidade de fala e linguagem comparado com o Homo sapiens (algo que controversas evidências anatômicas podem reforçar, como a posição da língua na boca e a laringe diferenciadas).

- Possíveis interações violentas com os humanos modernos (conflitos que não terminaram nada bem para os Neandertais)

   Ambientais ou climáticos:

- Evidências científicas mostram que o período glacial entre cerca de 65 mil anos e 25 mil anos atrás (conhecido como OIS-3) parece ter sido de bruscas e rápidas mudanças climáticas, como profundos impactos ambientais. Humanos modernos parecem ter tido um maior alcance de adaptabilidade ambiental, o que pode ter feito toda a diferença nesse período.

- Um outro modo de ver os efeitos do OIS-3 é em um cenário onde todas as espécies humanas na Europa acabaram perecendo com as drásticas mudanças climáticas há cerca de 30-28 mil anos atrás. Como não existiam outros Neandertais fora da Europa, o continente se tornou o túmulo final dessa espécie. Porém, como ainda existiam muitos Homo sapiens na África, novas levas de migração dessa espécie teriam re-colonizado a Europa mais tarde. Aliás, a recente descoberta que os Britânicos há 10 mil anos possuíam pele escura pode ser até mesmo um indicativo desse cenário (Para saber mais, acesse: Cheddar Man: Os Britânicos há 10 mil anos tinham pele escura e olhos claros)


(1) Leituras recomendadas para mais informações sobre o tema:

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   HUMANOS MODERNOS E NEANDERTAIS: SIMBOLISMOS

         Nós somos uma jovem espécie, onde as mais recentes evidências genéticas e fósseis sugerem que o Homo sapiens emergiu no Leste da África há cerca de 300 mil anos, apenas uma fração dos estimados 6 milhões de anos desde que a linhagem dos hominídeos e dos chimpanzés/bonobos divergiram. Nesse relativo curto período de tempo, os humanos modernos se espalharam pelo globo, ultrapassando em gigantesca escala as outras espécies de primatas - incluindo humanos arcaicos -, em termos geográficos, populacionais e tecnológicos. Nosso sucesso é, em parte, devido a um conjunto de complexas características biológicas, incluindo uma otimizada estrutural cerebral, bipedalismo e modificações na morfologia craniofacial e dos membros, as quais começaram a surgir gradualmente antes mesmo da ascensão dos humanos modernos. Tais características deram sustento a grandes avanços sociais e culturais, especialmente no campo da linguagem.

         Nesse sentido, talvez a principal linha divisória na evolução do Homo sapiens como uma espécie distinta dos outros humanos arcaicos foi a emergência de uma cultura artística e material simbólica. Artefatos e pinturas com um valor funcional no campo informacional representam os contornos básicos de uma linguagem e, portanto, dos aspectos fundamentais da cognição humana como a conhecemos hoje. Isso faz com que a origem do simbolismo humano seja de uma preocupação central da Paleoantropologia moderna.

         Por mais de um século, as evidências científicas sugeriam que os artefatos e artes simbólicas surgiram relativamente tarde no Pleistoceno e no contexto da assim chamada revolução do Paleolítico Superior - o aparente surgimento súbito na Europa, em torno de 40 mil anos atrás, de pinturas em cavernas e pedras, figuras esculpidas, ferramentas decorativas de ossos e joias feitas de ossos, dentes, marfim, conchas ou pedras. Ou seja, algo ligado apenas aos humanos modernos, já que os Neandertais estavam já extintos nesse período, o que implica que esses últimos não eram devotados de simbolismos e possivelmente não possuíam uma linguagem.

         Porém, nas últimas duas décadas, evidências vêm se acumulando discordando desse cenário. Tanto no Sul quanto no Norte da África, por exemplo, conchas marinhas perfuradas e pigmentadas (com ocre, um pigmento inorgânico de misturas de minerais amarelo-alaranjado) foram recuperadas de vários locais correspondentes à Idade da Pedra Média e datadas em mais de 70 mil anos atrás, sugerido que esses simbolismos culturais surgiram bem antes do que o pensado. Além disso, em anos recentes, esse tipo de concha 'enfeitada' foi descoberto também na caverna Cueva de los Aviones da região de Murcia, Cartagena, na Espanha, com datações por radiocarbono indicando que as conchas encontradas (marcadas com pigmentos vermelhos e amarelos) eram de 50-45 mil anos atrás. No Marroco, na Gruta dos Pombos, exemplares foram encontrados datando em torno de 82 mil anos atrás. E na Caverna de Quafzeh, em Israel, esses objetos simbólicos foram encontrados em locais correspondendo ao Paleolítico Médio e datando em cerca de 92 mil anos atrás.



         De qualquer forma, em todos os exemplos citados, as datações e localizações geográficas indicam que existe a provável chance desses trabalhos serem de humanos modernos, especialmente na África. Será, então, que os Neandertais realmente não possuíam uma expressão cultural de simbolismo? Nossa espécie era única nesse quesito e, cognitivamente, muito superior aos outros humanos arcaicos?

         Agora, a resposta para essas duas perguntas ganhou um sólido 'não' com a publicação de dois estudos ontem na Science.

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   PINTURAS NAS CAVERNAS E CONCHAS PERFURADAS

        Como já dito, a extensão de uma natureza de simbolismos entre os Neandertais é obscura e, até o momento, todas as pinturas em cavernas e conchas ornamentadas têm suas autorias ligadas ao Homo sapiens. Aliás, essas expressões de arte sempre foram consideradas a maior lacuna separatória entre humanos modernos e Neandertais.

        Porém, dois estudos publicados ontem - um na Science (Ref.1) e outro na Science Advances (Ref.2) - mostraram que a autoria de duas séries de trabalhos de arte descobertas na Europa foram dadas erroneamente para os humanos modernos. A primeira série é justamente as conchas perfuradas encontradas na Cueva de los Aviones. Utilizando métodos mais modernos e acurados de datação, os pesquisadores envolvidos em um dos estudos mostraram que as conchas datavam de algo em torno de 115-120 mil anos atrás, cerca de 20-40 mil anos mais antigo do que as evidências mais antigas de trabalhos artísticos simbólicos dos humanos modernos! Ou seja, até onde sabemos, os Neandertais parecem ter sido os primeiros a expressarem tais simbolismos!

        Já o segundo estudo, analisando três locais na Espanha que apresentam pinturas pré-históricas em cavernas, mostrou que expressões artísticas simbólicas na Ibéria datavam em mais de 64,8 mil anos atrás, no mínimo 20 mil anos antes da chegada dos humanos modernos na Europa! Usando uma técnica de datação de Urânio-Tório (datação radioativa) (2) em crostas de carbonato sobrepondo as pinturas na parede, foi possível obter idades mínimas para desenhos vermelhos na caverna de La Pasiega (Cantabria), uma gravação de mão em Maltravieso (Extremadura), e uma pintura vermelha em Ardales (Andalucía). Devido à natureza da análise via isótopos radioativos que ficaram incrustados posteriormente nas pinturas, a data dessas últimas pode ser ainda mais antiga.


         Ambos os estudos são de altíssima qualidade, e cientistas ao redor do mundo não associados com esses trabalhos também estão concordando com os resultados (Ref.7). Existe pouca dúvida que refute os achados.

        Tanto as sólidas evidências da Cueva de los Aviones quanto as evidências das pinturas na Espanha confirmam que os Neandertais compartilhavam um pensamento simbólico com os humanos modernos e que, considerando a cultura material de ambos, os Neandertais e primeiros humanos modernos eram cognitivamente indistinguíveis, segundo concluíram os pesquisadores responsáveis pelos novos estudos.

        Nesse sentido, a linguagem - simbólica por definição - provavelmente teve as bases da sua origem a partir de um ancestral comum aos Neandertais e aos humanos modernos, talvez há cerca de 500 mil anos. Evidências de estruturas ósseas do sistema auditório de espécimes do gênero Homo dessa época também reforçam essa hipótese, já que mostravam capacidade de captar sons linguísticos de humanos modernos. Em outras palavras, o simbolismo e a linguagem não parecem possuir exclusividade com a nossa espécie. Isso inclusive é reforçado por um recente estudo que trouxe evidências de que a linguagem, na verdade, é aprendida em um sistema cerebral usado também para vários outros propósitos e que já existia mesmo antes dos seres humanos surgirem no planeta (ratos parecem ter o mesmo sistema neural) (2).

         (1) Para saber mais sobre o assunto, acesse o artigo: Como calcular a idade da Terra?
       
         (2) O estudo é melhor detalhado em: Cientistas mostram que a linguagem é aprendida em circuitos no cérebro anteriores ao surgimento evolutivo do ser humano

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  CONCLUSÃO

        Antes vistos como brutamontes dotados de pouca inteligência, décadas de pesquisas paleoarqueológicas mostraram que os Neandertais eram uma espécie com tecnologia e comportamento bastante sofisticados. E, agora, soma-se o fato que essa espécie também era capaz de fazer arte, criando simbolismos como os humanos modernos e provavelmente dotados de linguagem e mesmo potencial cognitivo. Tudo isso deixa uma coisa clara: não somos a única espécie especial que surgiu no planeta Terra. Aliás, se a nossa espécie chegou a ter relacionamentos sexuais com os Neandertais em significativa extensão, isso é mais uma prova que eles não eram um primata qualquer.


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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://science.sciencemag.org/content/359/6378/912 
  2. http://advances.sciencemag.org/content/4/2/eaar5255 
  3. https://www.eva.mpg.de/neandertal/press/presskit-neandertal/pdf/PR_NIH.pdf 
  4. https://australianmuseum.net.au/homo-neanderthalensis
  5. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2860157/
  6. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4031459/
  7. http://www.sciencemag.org/news/2018/02/europes-first-cave-artists-were-neandertals-newly-dated-paintings-show 
  8. https://www.nature.com/articles/s41598-017-07065-3 
  9. http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/285/1876/20180085