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Esses são os únicos exemplares conhecidos de luvas de boxe da Roma Antiga


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         Em Violanda, próximo da Muralha de Adriano - fortificação construída principalmente em pedra e madeira, no norte da Inglaterra, aproximadamente na atual fronteira com a Escócia -, arqueólogos desenterraram recentemente uma raríssima luva de boxe do Império Romano. Especialistas da Vindolanda Trust acreditam que elas são, provavelmente, os únicos exemplares que sobreviveram ao longo dos últimos dois milênios e que também representam os únicos exemplares conhecidos da Roma Antiga.


   VINDOLANDA

         Vindolanda, localizada perto de Hexham, Northumberland, foi um forte Romano para forças auxiliares, que guardava a Stanegate, uma importante estrada Romana, que ia do rio Tyne até Solway Firth, estuário que fica na fronteira entre Inglaterra e Escócia. O lugar já era utilizado antes da Muralha de Adriano (Handrian´s Wall), possuindo um grande papel em sua construção.

          Entre meados dos anos 70 d.C. e 85 d.C., soldados Romanos e suas comunidades afiliadas vieram para Vindolanda construir a primeira do que se tornaria um conjunto de várias bases Romanas na região. Até a época em que eles abandonaram a área cerca de 300 anos mais tarde, os Romanos transformaram completamente paisagem em Violanda com não menos do que nove fortes Romanos construídos, deixando para trás um rico legado cultural. Mas mesmo após o fim da ocupação Romana, a região continuou ocupada pelos próximos 400 anos por comunidades Britânicas.


         Vindolanda é hoje um local arqueológico muito importante, revelando inúmeros objetos e registros do tempo de estadia Romana na região Britânica. E a última fantástica descoberta foram duas luvas Romanas de boxe, os únicos exemplares conhecidos da Roma Antiga.

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   LUVAS DE BOXE 

         Durante o verão de 2017, arqueólogos em Vindolanda fizeram muitas e importantes descobertas em sítios de escavação pré-Adriânicos. Entre os achados, estavam espadas completas, ligas de cobre para acessórios de cavalaria, preciosos registros escritos, sapatos de couro, tamancos de banho, pentes, dados e, por fim, dois estranhos e distintos pedaços de couro. Esses dois últimos estranhos objetos carregavam atributos em termos de estilo e função muito similares - apesar de não serem um par combinante -, e não estavam ligados a quaisquer outros dos milhares de itens de couro previamente descobertos em Vindolanda.

         Depois de análises por especialistas, foi confirmado que os dois objetos, na verdade, eram pares de luvas de boxe do Antigo Império Romano e que, provavelmente, são os únicos sobreviventes desse período até hoje descobertos.


         Ao contrário das luvas de boxe modernas, esses antigos exemplares tinham a aparência de uma guarda protetiva, projetadas para se encaixarem com conforto sobre os punhos para protegê-los de impactos. Ainda hoje ambas as luvas conseguem confortavelmente se encaixar em uma mão e foram habilmente confeccionadas.

         A maior das duas luvas descobertas foi cortada de um único pedaço de couro e dobrada em uma configuração de bolso, e as sobras de couro em ambos os lados foram entalhadas dentro uma da outra formando um formato completamente oval e criando um buraco no interior no qual uma mão podia facilmente ser inserida. Essa luva foi preenchida com materiais naturais agindo como absorvedores de choque. Estava também bastante gasta nas quinas de contato e possuía reparos na forma de remendos arredondados ali costurados. Já a luva menor - descoberta em condições quase perfeitas de conservação - possuía a mesma elaborada construção, mas era preenchida com um apertado rolo de couro duramente retorcido.

        Ambas as luvas provavelmente eram usadas apenas em treinos, sendo uma representação das luvas mais letais utilizadas nas antigas competições profissionais de boxe Romanas que possuíam pedaços de metal ou vidro incrustados. Especialistas acreditam que a luva maior pode ter perdido seu propósito de uso devido aos pesados sintomas de desgaste, mas talvez tenham sobrevivido junto ao outro modelo mais novo por causa de um apego especial do seu dono (a primeira companheira de treino, por exemplo).

        "Eu já tinha visto representações de luvas de boxe Romanas retratadas em estátuas de bronze, pinturas e esculturas, mas ter o privilégio de encontrar dois reais exemplares de couro é excepcionalmente especial", disse o Dr. Andrew Birley, CEO e diretor de Escavações do The Vindolanda Trust, em entrevista (Ref.1)

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   BOXE NA ROMA ANTIGA

         Boxe é um esporte bastante antigo bem documentado nos registros históricos, e precedia a Era Greco-Romana, sendo já praticado na Idade do Bronze (3300-1200 a.C.) - e talvez ainda mais antigo, já que o ato de golpear com as mãos é um instinto ofensivo ou defensivo básico nosso de sobrevivência. A civilização Minoica (2600-1100 a.C.) (1) parece ter sido a primeira a empregar o uso de luvas de boxe. Na antiguidade, o propósito das luvas nas disputas profissionais era o de amplificar os danos por impacto, não para proteger o oponente.



         Os registros mais vastos e antigos que temos do boxe vêm da Grécia Antiga, via inúmeros documentos escritos e artes diversas. No livro Homérico de Ilíada, relata-se que as competições de boxe eram realizadas durante os jogos de funeral de Patrokles, no século VIII a.C. O Boxe foi introduzido nos Jogos Olímpicos em 688 a.C., se tornando uma competição integral em todos os principais santuários pan-helênicos onde os eventos atléticos eram sediados em conexão com as festividades religiosas. Muito popular entre a nobreza da Grécia Antiga, era também bastante valorizado como uma forma de treino militar. Aliás, ter as orelhas inchadas devido à prática do esporte era considerado uma marca de honra entre os Gregos Antigos.

        Na Grécia Antiga, as regras para o boxe eram bem diferentes das de hoje. Um boxeador tinha que encarar um oponente após o outro, tipicamente sem significativas pausas, e os golpes eram desferidos exclusivamente na cabeça e no rosto. Originalmente as luvas usadas para cobrir e proteger as mãos era simples tiras de couro que geralmente se estendiam pelo antebraço. A partir do século IV a.C., luvas mais complexas e destrutivas surgiram, onde passou a existir um rígido anel de pele de boi ao redor dos dedos, sendo adornados com pelos para que o atleta pudesse se limpar durante as lutas.  Essas luvas eram conhecidas como 'luvas afiadas', as quais causavam sérios danos no oponente.







         Mas se você acha que as lutas de boxe na Grécia Antiga eram brutais, o boxe Romano conseguia fazê-las parecerem brincadeira de criança.  Após incorporarem as 'luvas afiadas' dos Gregos, os Romanos queriam ainda mais sangue. No período Imperial Romano, as luvas de boxe utilizadas pelos gladiadores eram desenvolvidas para serem armas mortais, com pontas de afiados metais ou pedaços de vidro incrustados em sua superfície. Essas armas assassinas, conhecidas como caestus, tornavam o boxe mais uma luta de facas afiadas do que uma disputa de socos. Isso levava a plateia de torcedores ao deleite com toda aquela carnificina.


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        No contexto do Exército Romano, o boxe também era muito presente e estimado, sendo utilizado para aumentar a habilidade e condicionamento dos praticantes do esporte, tornando-os mais aptos também para as atividades militares. Nesse sentido, as competições de boxe certamente também eram uma atividade esportiva que os militares de guarnição nos fortes de Violanda valorizavam bastante em termos de apostas.


(1) Para saber mais sobre Minoicos, acesse: Análises de DNA revelam que os Gregos hoje, de fato, possuem uma origem quase mítica


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REFERÊNCIAS
  1. http://www.vindolanda.com/_blog/press-releases/post/rare-ancient-roman-boxing-gloves-uncovered-at-vindolanda/ 
  2. http://www.vindolanda.com/educate/history
  3. https://www.metmuseum.org/exhibitions/listings/2013/the-boxer
  4. http://ejmas.com/jcs/2010jcs/jcsart_murray_1007.html
  5. http://www.namuseum.gr/collections/prehistorical/thera/thera02-en.html