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Por que usar o DIU?


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          Um recente estudo norte-americano realizado pelo CDC (Ref.1) mostrou que o número de mulheres usando métodos anticoncepcionais reversíveis de longo prazo, especialmente o DIU, tem aumentado exponencialmente nos últimos anos. De 2,4% em 2002 para 11,6% em 2013, considerando apenas o território dos EUA. Esse é um quadro que deveria se refletir mais pelo resto do mundo, em especial o uso do DIU.
         
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   O QUE É O DIU?

          O DIU (Dispositivo Intra-Uterino) é um método anticoncepcional muito seguro e extremamente eficiente. Constituído geralmente de uma extensão de plástico no formato de T, o dispositivo precisa ser colocado no interior do útero, onde pode permanecer - dependendo do tipo e da marca - até 12 anos ininterruptos.

          Antigamente acreditava-se que o DIU funcionava principalmente ao impedir que o óvulo fertilizado (concepção) se implanta-se no útero (gravidez). Porém, mais tarde, os pesquisadores mostraram que o DIU funciona com base em dois mecanismos. Primeiro, qualquer objeto inserido no útero leva a uma resposta inflamatória, onde glóbulos brancos (leucócitos, células de defesa) são desviados para a área e acabam atacando os espermatozoides que chegam após a ejaculação, tanto de forma direta quanto de forma indireta (resíduos gerados por essas células de defesa são tóxicos para os espermatozoides). O DIU aumenta as quantidades de leucócitos na região uterina em cerca de 1000%, dificultando enormemente a passagem do espermatozoide ao encontro do óvulo. Já o segundo mecanismo irá depender do tipo do DIU. Nesse sentido, o dispositivo pode vir em três formas:

1. Paragard, também conhecido como Cobre T, é feito com o metal cobre enrolado sobre um suporte de plástico em formato de T. A presença do suporte, fixado no útero, induz a formação dos leucócitos e também de prostaglandinas, os quais contribuirão para a formação de um ambiente pouco favorável à presença dos espermatozoides. O cobre também promove uma ação espermicida. Sua efetividade dura 10 anos. É o único dos três que começa a surtir efeito logo depois do implante, onde os outros dois abaixo necessitam de cerca de 1 semana para promover as ações anticoncepcionais;

DIU de cobre

2. Mirena, é um dispositivo que contém o hormônio progestina. Este último irá tornar o muco cervical mais grosso e deixar as paredes do útero mais finas. Isso impede que o esperma atinja o óvulo. Sua efetividade dura 5 anos;

DIU Mirena dentro de um molde de útero, mostrando a posição correta de uso

3.Skyla, é o mais recente em uso nos EUA. Ele funciona como o Mirena, mas libera a progestina em menor quantidade e seu tamanho é reduzido. Sua efetividade é de três anos.


          Todos os três modelos podem ser removidos a qualquer momento, com a capacidade da mulher de engravidar permanecendo a mesma de antes do uso dos implantes. Existem outros tipos de DIU, mas estão em fase de testes. Os efeitos colaterais são mínimos e limitados ao início do uso, onde pode surgir um certo desconforto na região uterina e dor durante o implante. No primeiro ano, o DIU pode, raramente, sair espontaneamente do útero e descer pela vagina, especialmente se a mulher nunca teve filhos. Nesse caso, não se pode tentar, por conta própria, colocá-lo de volta. Um profissional de saúde especialista na área torna-se necessário.

Posicionamento do DIU dentro do útero; a corda é para facilitar a retirada do dispositivo

          O DIU é 17 vezes mais eficaz em prevenir uma gravidez do que mulheres usando as pílulas. A cada 100 mulheres usando o dispositivo, menos do que 1 engravida por ano. De fato, o DIU é o método contraceptivo mais efetivo do planeta, só perdendo, obviamente, para a esterilização ou a abstinência ao sexo. Com o implante do DIU, preocupações com o esquecimento da pílula ou efeitos colaterais dessa última deixam de existir. Além disso, a médio e a longo prazo, a economia financeira é enorme, e a mulher chega até a esquecer que está carregando o dispositivo por não ser necessário manutenções ou trocas por vários anos.

          No Brasil, o Sistema Único de Saude (SUS) disponibiliza para as mulheres o DIU TCu 380 (DIU de cobre), existindo também incentivo do governo para a ampliação do seu uso desde 2017.

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   DÚVIDAS FREQUENTES

          Perguntas respondidas em março de 2017 pela professora e especialista Juliana Silva Barra, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade de Federal de Minas Gerais, durante uma entrevista para o Blog da Saúde, pertencente ao Ministério da Saúde (Ref.9):

- O DIU é seguro?
Sim, a eficácia do DIU é de 99,3% ·.

- Quem pode usar o DIU?
O DIU pode ser utilizado desde a adolescência até a menopausa. Hoje já se sabe que uma mulher que nunca passou por uma gestação, mesmo adolescente, e aquela que passou por uma cirurgia cesariana, podem ser candidatas ao uso do DIU. Além disso, pode ser usado por mulheres que estão amamentando e não interfere na produção, quantidade e qualidade do leite materno

- Quem não pode usar o DIU?
O DIU é contraindicado para mulheres que estejam apresentando no momento Doença Inflamatória Pélvica, Infecções sexualmente transmissíveis, miomas que distorçam a cavidade uterina, sangramento vaginal sem diagnóstico, malformações uterinas e estreitamento do canal do colo uterino, câncer do colo de útero e do endométrio.

- O DIU é abortivo?
Não, o DIU não é abortivo. É um método contraceptivo que, por sua presença física e efeitos no útero, impede o encontro do óvulo com o espermatozóide. Ou seja, o DIU age antes do processo de fecundação do óvulo, não havendo razões para a associação.

- O DIU pode deixar a mulher infértil?
Não. O DIU não provoca infertilidade. Se a mulher quiser engravidar, o DIU pode ser retirado a qualquer momento.

- O DIU influencia na menstruação?
O DIU de cobre pode intensificar o fluxo menstrual e até causar mais cólicas nos primeiro três meses apos à inserção sendo esse sintoma de caráter transitório,  na maioria das mulheres.

- Quando se deve colocar o DIU?
Para mulheres que estejam menstruando regularmente, o DIU pode ser inserido a qualquer momento durante o ciclo menstrual, desde que haja certeza de que a mulher não esteja grávida, que não tenha malformação uterina e não existam sinais de infecção. Pode ser inserido, preferencialmente, durante a menstruação, pois tem algumas vantagens: se o sangramento é menstrual, a possibilidade de gravidez fica descartada; a inserção é mais fácil pela dilatação do canal cervical; qualquer sangramento causado pela inserção não incomodará tanto a mulher; a inserção pode causar menos dor.

Após o parto, o DIU pode ser inserido durante a permanência no hospital, se a mulher já havia tomado essa decisão antecipadamente. O momento mais indicado é logo após a expulsão da placenta. Porém pode ser inserido a qualquer momento dentro de 48 horas após o parto. Passado esse período, deve-se aguardar, pelo menos, quatro semanas.

Após aborto espontâneo ou induzido, o DIU deve ser colocado imediatamente, se não houver infecção e caso a mulher deseje utilizar o método.

- Dói para colocar o DIU?
Esta é uma questão que depende da sensibilidade de cada mulher a dor. Em pessoas que já tiveram parto normal, por exemplo, a dor não é um relato comum. De qualquer forma, o procedimento, em geral, é simples e indolor,  podendo trazer apenas um leve incômodo para a implantação. A retirada do DIU também é um procedimento simples e em geral indolor.

- O dispositivo pode incomodar ou doer no útero após a implantação?
No primeiro mês, sim, pois o dispositivo pode ficar mal posicionado e vai se acomodando com o tempo. Depois desse período, incômodos ou dores na região do útero devem ser investigados.

- O DIU pode sair do lugar?
Sim. Porém, são raras as situações, tanto do DIU sair do lugar como também o útero expulsar o dispositivo.

- Na relação sexual, o homem pode sentir o DIU?
Não. O que pode ser sentido pelo parceiro na relação sexual é o fio de nylon que acompanha o dispositivo, se ele for cortado muito curto depois da colocação. Nestes casos, deve-se trocar o DIU.

- Uso do DIU necessita de outro método adicional?
É sempre recomendada que seja realizada a dupla proteção, ou seja  , que seja utilizado também o preservativo feminino ou masculino em todas as relações sexuais (oral, anal ou vaginal), pois são os únicos métodos que protegem de infecções sexualmente transmissíveis, inclusive HIV/Aids, sífilis e hepatites virais.

- Mulheres com doenças crônicas podem utilizar o DIU?
Sim. Mulheres com doença cardíaca valvar, diabetes e câncer de mama, entre outras situações,  podem utilizar o DIU de cobre. O dispositivo não aumenta o risco de infecções pélvicas.

- O uso do DIU pode causar câncer?
Não há evidências de que o DIU aumenta o risco de neoplasia intra-epitelial cervical ou câncer de colo uterino.

- Métodos de imagem como Ressonância Magnética podem ser realizados em usuárias de DIU?
Sim. Mulheres que utilizam DIU de cobre podem realizar ressonância magnética da pelve com segurança. Não há alteração significativa da temperatura intrauterina nesses casos.  Ainda assim, é importante lembrar ao radiologista que vai fazer o exame que a mulher utiliza o DIU.

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   POR QUE O DIU AINDA NÃO É POPULAR NO OCIDENTE?

          Na Ásia, o uso do DIU é bastante disseminado, especialmente na China, onde foi o principal método anticoncepcional que garantiu a eficácia do programa de planejamento familiar do país (1). Entre as mulheres Asiáticas, cerca de 27% delas usam o DIU. Nesse contexto, o DIU de cobre hoje é o método anticoncepcional reversível mais usado no mundo: cerca de 170 milhões de usuárias, ultrapassando de longe a pílula anticoncepcional que tem cerca de 110 milhões de usuárias, segundo informações da OMS. Porém, em países Ocidentais, o uso é bem menos disseminado. Nos EUA, apenas 6,1% das mulheres usam o dispositivo, e menos de 2% na Austrália e na Nova Zelândia.

         A primeira explicação para essa baixa popularidade do DIU é a falta de interesse da indústria farmacêutica em promover esse produto, já que os lucros são muito maiores com a venda das pílulas. No caso da China, por exemplo, houve um grande esforço - autoritário - do governo para promover o DIU entre as mulheres.

         Outro motivo é a imagem negativa que muitos associam ao DIU, desde esterilidade até prejuízos no ato sexual. Essas alegações negativas contra o DIU emergiram no final do século XIX, quando versões mais rudimentares desses dispositivos - feitas até mesmo com ossos de gato - começaram a ser criadas a esmo para serem introduzidas no útero das mulheres na esperança de melhor prevenir as gravidezes. Até próximo do final do século XX, DIUs seguros e eficientes não surgiriam no mercado, com vários casos anteriores de sérios efeitos adversos tendo sido registrados. Porém, hoje, esses dispositivos são extremamente seguros.

          Por último, as mulheres mais jovens podem ter dificuldade de acesso ao DIU por causa dos custos e não praticidade do implante inicial (é necessário um profissional da saúde para o implante e um custo significativo). Quem cobre isso, normalmente, são as seguradoras de saúde (não em todos os casos), e as adolescentes não têm acesso a isso. Fica mais fácil confiar na camisinha e pílulas para a prevenção nesse caso.       

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   CONCLUSÃO

            O DIU é um método anticoncepcional seguro, confiável, muito cômodo e de longa duração, sendo uma alternativa mais do que recomendada à pílula. Mas é bom sempre lembrar: O DIU NÃO PREVINE DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS! PARA ISSO, É NECESSÁRIO A CAMISINHA! Aliás, usando o DIU em conjunto com a camisinha, o sexo se torna realmente seguro, em todos os sentidos.


(1) ATUALIZAÇÃO: Em Janeiro deste ano (2015), a política chinesa de Um-Filho passou para Dois-Filhos, devido à pressão internacional e à crescente reclamação interna contra a imposição governamental do limite de apenas 1 filho que uma família poderia ter, algo implementado desde 1978 para controlar o gigantesco crescimento populacional Chinês.

ATUALIZAÇÃO (07/12/17): Um estudo na Dinamarca encontrou um aumentou pequeno nos riscos de desenvolvimento de câncer de mama com o uso de DIUs hormonais. Para saber mais, acesse: Métodos hormonais contraceptivos, incluindo pílulas e DIU, aumentam um pouco o risco de câncer de mama


Artigo relacionado: Posso prevenir a Aids depois de uma relação desprotegida?


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.cdc.gov/nchs/products/nhsr.htm
  2. http://www.cdc.gov/reproductivehealth/unintendedpregnancy/contraception.htm
  3.  http://link.springer.com/article/10.1007/s13669-016-0138-2
  4.  https://www.plannedparenthood.org/learn/birth-control/iud
  5. http://www.jmsjournal.net/article.asp?issn=1735-1995;year=2016;volume=21;issue=1;spage=17;epage=17;aulast=Zhang 
  6. https://www.betterhealth.vic.gov.au/health/healthyliving/contraception-intrauterine-devices-iud
  7. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2702765/
  8. https://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/patientinstructions/000774.htm 
  9. http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/52406-esclarecendo-mitos-sobre-o-diu-de-cobre