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Tirpitz: As árvores de Kåfjord ainda guardam as marcas da Besta Nazista


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         A vila de Kåfjord, durante a Segunda Guerra Mundial, serviu de porto para o maior e mais imponente navio de batalha Nazista, o Tirpitz. Localizada na Noruega, Kåfjord inclusive possui hoje um museu dedicado ao monstro Germânico, o Tripitz Museum. Representando um dos maiores temores dos Aliados, o super navio de guerra não apenas espalhava medo aos inimigos como também deixou suas marcas em um raio de quilômetros nas árvores de Kåfjord, segundo revelou um estudo apresentado recentemente na Assembléia Geral da European Geosciences Union (EGU), em Viena, Áustria.


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   TIRPITZ

         O Tirpitz foi o maior navio de batalha da Kriegsmarine - Marinha de Guerra Alemã antes e durante a Segunda Guerra Mundial -, possuindo um comprimento de 250 metros, cerca de 42,4 toneladas (após sucessivas modificações ao longo da guerra) e capacidade para uma tripulação em torno de 2500 homens. Aliás, tais dimensões fazem do Tirpitz o maior navio de batalha já construído por uma Marinha Europeia, sendo 2000 toneladas mais massivo do que o Bismarck (1939-1941) - também Germânico.


        O Tirpitz foi o segundo de dois navios de batalha da classe Bismarck e nomeado em homenagem ao Grande Almirante Alfred von Tirpitz, o arquiteto da Marinha Kaiserliche (Marinha Imperial). Assim como seu navio 'irmão', o famoso e poderoso Bismarck, o Tripitz era armado com uma bateria principal de 8 armas de artilharia de 38 centímetros posicionadas em quatro torres gêmeas de rotação. Assim como o Bismarck, era bem veloz para o seu tamanho (30 nós/56 km/h de velocidade máxima) e possuía uma poderosa estrutura de armadura, sendo praticamente imune às bombas Britânicas tradicionalmente usadas no início da guerra.

        O super-navio brevemente serviu como uma peça central da Frota Báltica, a qual tinha como objetivo prevenir uma possível tentativa de brecha pela Frota Báltica Soviética. No início de 1942, o navio navegou até a Noruega para atuar como uma barreira contra a invasão dos Aliados, comandado pelo Capitão Karl Topp. Assombrando a região de Altafjord, sua posição e imponência tinham também o potencial para barrar navios mercantes indo em direção à cidade Soviética de Murmansk pelo Mar de Barents com suprimentos para a Frente Oriental. Nesse sentido, outra das suas tarefas era a tentativa de interceptação dessas embarcações, com duas missões do tipo sendo deflagradas em 1942. Sua presença na área levou indiretamente à destruição do comboio PQ-17, durante a Operação Rösselsprung, em uma das mais decisivas derrotas dos Aliados.


         Agindo como uma verdadeira frota de um navio só, o Tirpitz forçou a British Royal Navy (Marinha Real Britânica) a reter uma parte significativa da sua força naval na área para conter o monstro. Em agosto de 1943, o navio de batalha Norte-Americano USS Iowa BB-6 estreou em serviço justamente para observar o Tirpitz, como parte da Operação Tirpitz Watch. Pouco tempo depois, em Setembro de 1943, o navio Nazista bombardeou posições Aliadas no território de Svalbard, Noruega, na única vez em que o navio usou seu principal poder de fogo em total fúria - apesar do ataque, em si, ter apenas o objetivo primordial de demonstrar força e testar o armamento do Tirpitz, com poucas implicações estratégicas.




         Movendo-se de um fiorde - estreito canal de águas marinhas entre encostas, algo bastante comum na Noruega (fjord) - para outro, o Tirptiz foi atacado em várias ocasiões por mini-submarinos Britânicos e subsequentemente foi alvo de uma série de ataques aéreos de larga escala. As defesas anti-aéreas e manobras do Tirpitz conseguiram mantê-lo protegido por um bom tempo, derrubando inclusive vários aviões da ofensiva Britânica. No ano de 1944, foi pesadamente atacado várias vezes por bombardeiros da Royal Air Craft nas insistentes tentativas Britânicas de afundá-lo. Em 12 de novembro de 1944, durante a Operação Catequismo, os bombardeiros Britânicos Lancasters conseguiram finalmente afundar o Tirpitz, com dois impactos diretos e um quase-erro de bombas Tallboy (cada uma com 5,1-5,4 toneladas).


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   LEGADO DO MONSTRO NAZISTA

          Para ajudar a proteger o Tirpitz, a Alemanha Nazista empregou várias táticas de camuflagem, como o emprego de galhos de árvores ao longo da sua estrutura. Nesse sentido, um estudo recente (Ref.1) realizado na região de Altafjord, mostrou que um dos métodos de camuflagem empregados durante a contínua investida Britânica parece ter gerado grandes danos nos pinheiros em um raio de vários quilômetros a partir de um porto onde o super-navio estava ancorado, em Kåfjord.





          Os danos aos pinheiros foram primeiro notados pela pesquisadora Claudia Hartl, da Universidade de Gutenberg, em Mainz, Alemanha, e autora principal do novo estudo. Hartl - uma dendrocronologista - estava examinando os pinheiros na região de Kåfjord, próximo de Alta, coletando o núcleo do tronco dessas árvores para construir uma imagem do clima passado na área. Mas o que ela notou foi que havia praticamente uma ausência de anéis em muitos dos troncos datados do ano de 1945, indicando um estranho não crescimento dessas árvores nesse período.

       
         Foi então que um colega de Hartl sugeriu que o Tirpitz poderia ter alguma coisa a ver com o misterioso achado, já que estava posicionado na região no ano anterior. Nisso, Hartl e colaboradores de pesquisa resolveram investigar a possível relação.

         Um dos métodos de camuflagem utilizados para esconder o Tirpitz consistia em usar uma neblina artificial formada a partir da emissão de ácido clorossulfúrico, de acordo com arquivos históricos recuperados pelos pesquisadores. Essa substância danifica as agulhas - folhas das árvores coníferas -, impedindo a fotossíntese. Sem esse processo de biossíntese, a árvore não consegue acumular biomassa e, portanto, tem seu crescimento barrado. E como os pinheiros possuem agulhas sempre-verdes - durando na árvore de 3 a 7 anos -, se essas últimas são perdidas, pode levar bastante tempo para uma total recuperação.


          Em uma das árvores analisadas, nenhum crescimento foi visto por 9 anos a partir de 1945, se recuperando totalmente somente 30 anos depois. Em alguns pinheiros, os anéis de crescimento nesse período estão presentes, mas muito finos, indicando graves danos no crescimento normal. Nesse sentido, os pesquisadores notaram também que os danos diminuíam com a distância do porto onde o Tirpitz estava localizado, mas com os efeitos adversos só cessando 4 km distante.


         Segundo Hartl, é possível que impactos ambientais similares sejam vistos em outros locais, caso o uso dessas camuflagens químicas tiverem sido minimamente comuns durante a Segunda Guerra Mundial.


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REFERÊNCIAS
  1. https://media.egu.eu/media/documents/2018/79/pc4_hartl_egu2018-12769.pdf
  2. http://www.bbc.com/news/science-environment-43727547
  3. https://humanities.exeter.ac.uk/media/universityofexeter/collegeofhumanities/history/exhistoria/volume4/Review_essay-Goodchild.pdf
  4. https://www.tirpitz-museum.no/
  5. http://store.anmm.gov.au/maritime/models/battleship-tirpitz-norway-1943-1-700th-scale/
  6. https://iowaculture.gov/history/blog/iowas-battleship-legacy
  7. https://muse.jhu.edu/article/548339/summary
  8. https://digitalcommons.apus.edu/saberandscroll/vol5/iss4/3/
  9. https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00253359.2015.993896?journalCode=rmir20
  10. http://ltrr.arizona.edu/about/treerings