Micênicos e a Origem quase mítica dos Gregos
- Atualizado no dia 17 de julho de 2026 -
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Glorificados pela sociedade Grega pós-Era do Bronze e moderna, e exaltados nos épicos contos de Homero, os Micênicos sempre foram tidos pelos Gregos, desde a Antiguidade, como seus reais ancestrais. Seguidos pelos Deuses, os guerreiros e reis de Micenas teriam protagonizado a famosa Guerra de Troia e seriam os responsáveis por tornar a Grécia uma região sofisticada e temida.
Em 2017, um notável estudo genético publicado na Nature mostrou que os atuais gregos realmente são descendentes diretos dessa poderosa civilização que dominou a Grécia continental e o Mar Egeu entre os anos de 1600 a.C. e 1200 a.C.
ATENÇÃO: A primeira parte do artigo dá um breve resumo sobre a figura de Homero e a civilização Micênica. A parte final foca no estudo mencionado.
CIVILIZAÇÃO ESQUECIDA
Homero foi um poeta épico da Grécia Antiga, a quem tradicionalmente se atribui a autoria dos poemas épicos Ilíada e Odisseia. Existe uma acalorada discussão entre os acadêmicos sobre a natureza desse alegado autor. Seria ele uma real pessoa, um gênio capaz de produzir obras fantásticas? Ou será que Homero pode ter sido somente um símbolo para um processo de criação envolvendo diversos poetas ao longo da história? Aliás, seria Homero o ancestral mítico dos Homeridae (Filhos de Homero), uma corporação rapsódica - formada por cantores profissionais da poesia Homérica - associados à ilha de Quios?
Glorificados pela sociedade Grega pós-Era do Bronze e moderna, e exaltados nos épicos contos de Homero, os Micênicos sempre foram tidos pelos Gregos, desde a Antiguidade, como seus reais ancestrais. Seguidos pelos Deuses, os guerreiros e reis de Micenas teriam protagonizado a famosa Guerra de Troia e seriam os responsáveis por tornar a Grécia uma região sofisticada e temida.
Em 2017, um notável estudo genético publicado na Nature mostrou que os atuais gregos realmente são descendentes diretos dessa poderosa civilização que dominou a Grécia continental e o Mar Egeu entre os anos de 1600 a.C. e 1200 a.C.
ATENÇÃO: A primeira parte do artigo dá um breve resumo sobre a figura de Homero e a civilização Micênica. A parte final foca no estudo mencionado.
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CIVILIZAÇÃO ESQUECIDA
Homero foi um poeta épico da Grécia Antiga, a quem tradicionalmente se atribui a autoria dos poemas épicos Ilíada e Odisseia. Existe uma acalorada discussão entre os acadêmicos sobre a natureza desse alegado autor. Seria ele uma real pessoa, um gênio capaz de produzir obras fantásticas? Ou será que Homero pode ter sido somente um símbolo para um processo de criação envolvendo diversos poetas ao longo da história? Aliás, seria Homero o ancestral mítico dos Homeridae (Filhos de Homero), uma corporação rapsódica - formada por cantores profissionais da poesia Homérica - associados à ilha de Quios?
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> Escritores da Antiguidade tinham diversas ideias sobre a aparência de Homero. A palavra "Homeros" podia significar "refém" em grego, fazendo alguns imaginaram que ele fosse um prisioneiro. Mas "Homeros" também podia significar "cego", e a imagem de um bardo cego se mostrou particularmente atraente. Uma das razões para isso era que a Odisseia apresenta um poeta cego, mas imensamente talentoso, chamado Demódoco, que recita sua obra perante uma corte real. É possível que a cegueira de Homero seja um mito inventado para explicar o fato de que os poemas homéricos evoluíram originalmente de forma oral, antes do desenvolvimento da escrita na Grécia, sendo declamados e transmitidos de bardo para bardo.
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No século II d.C., um escritor satírico chamado Luciano imaginou encontrar o poeta e interrogá-lo sobre sua verdadeira identidade. 'Homero' revelou-lhe que muitos acreditavam que ele vinha da ilha de Quios, no Mar Egeu, ou de Esmirna ou Cólofon, na costa oeste do que hoje é a Turquia. Embora suas palavras não devessem ser levadas a sério, estudiosos hoje consideram altamente provável que os poemas homéricos tenham de fato se originado nessas regiões. O grego utilizado, embora nunca tenha sido falado, é, em geral, mais típico dos antigos dialetos da costa oeste da Turquia e das ilhas próximas do que do grego da Grécia continental.
Independentemente da origem de Homero, os gregos pós-século XIII a.C. também não cansavam de contar histórias sobre os micênicos, e, em seus olhos, essa civilização era maior do que a vida. Heróis, imponentes reis, afeição dos Deuses e exuberantes cidades reforçavam os contos.
Porém, assim como os Minoicos - cuja civilização floresceu a partir do ano de 3000 a.C. na Ilha de Creta - os micênicos representavam uma civilização perdida para o mundo moderno. Por muito tempo, nenhuma evidência de Micenas ou da cidade de Troia havia sido encontrada, até que na década de 1860 um arqueólogo amador alemão, Heinrich Schliemann, ficou convencido de que os Troianos e os Micênicos de fato existiram. Fascinado pela Ilíada, com sua cópia literária em mão e em companhia da esposa, Schliemann foi em busca da antiga cidade de Troia em 1868, orientado pelo conteúdo das obras épicas.
Com base nas descrições poéticas, o explorador alemão - auxiliado pelo fato de ser muito rico - encontrou uma colina na moderna Turquia se se encaixava perfeitamente com as narrações de Homero. Imediatamente ele iniciou os trabalhos de escavação, revelando os vestígios da antiga Troia. Empolgado, Shliemann então foi para a Grécia e conseguiu encontrar também a cidade perdida de Micenas, nas montanhas.
Troia e a civilização Micênica eram reais, o que reforçou a importância das obras de Homero e motivou novos estudos arqueológicos nessa área ao longo dos séculos XX e XXI.
Porém, assim como os Minoicos - cuja civilização floresceu a partir do ano de 3000 a.C. na Ilha de Creta - os micênicos representavam uma civilização perdida para o mundo moderno. Por muito tempo, nenhuma evidência de Micenas ou da cidade de Troia havia sido encontrada, até que na década de 1860 um arqueólogo amador alemão, Heinrich Schliemann, ficou convencido de que os Troianos e os Micênicos de fato existiram. Fascinado pela Ilíada, com sua cópia literária em mão e em companhia da esposa, Schliemann foi em busca da antiga cidade de Troia em 1868, orientado pelo conteúdo das obras épicas.
Com base nas descrições poéticas, o explorador alemão - auxiliado pelo fato de ser muito rico - encontrou uma colina na moderna Turquia se se encaixava perfeitamente com as narrações de Homero. Imediatamente ele iniciou os trabalhos de escavação, revelando os vestígios da antiga Troia. Empolgado, Shliemann então foi para a Grécia e conseguiu encontrar também a cidade perdida de Micenas, nas montanhas.
Troia e a civilização Micênica eram reais, o que reforçou a importância das obras de Homero e motivou novos estudos arqueológicos nessa área ao longo dos séculos XX e XXI.
Muitos acadêmicos hoje acreditam que, se algo como a Guerra de Troia realmente aconteceu, o contexto histórico mais plausível para a era heroica das epopeias é o final da Idade do Bronze, cerca de 400 anos antes da Ilíada e da Odisseia serem escritas pela primeira vez - convencionalmente datadas do final do século VIII a.C. ou início do século VII a.C., uma época onde o uso da escrita estava se tornando mais disseminado na Grécia.. Ainda hoje, a arquitetura monumental da cidade de Troia demonstra a civilização altamente desenvolvida que floresceu nesse período na Anatólia. Ela encontra paralelo nos grandiosos palácios que os gregos micênicos construíram no Peloponeso entre 1600 e 1200 a.C. Os motivos exatos pelos quais essa civilização entrou em colapso no século XII a.C. ainda são objeto de debate acadêmico.
MICÊNICOS
Durante a Era do Bronze, duas proeminentes culturas arqueológicas emergiram no Egeu. A cultura da Ilha de Creta (cretense), frequentemente referida como 'Minoica', foi a primeira civilização letrada da Europa e geralmente é descrita como a "primeira grande experiência europeia com uma civilização." No entanto, a ideografia silábica e os manuscritos hieroglíficos cretenses usados por essa cultura permanecem indecifrados, obscurecendo suas origens. Igualmente importante foi a civilização da cultura Micênica na Grécia continental, cuja linguagem (um grego arcaico) e utilização do manuscrito Linear B foram um berço para a cultura grega que se seguiu a partir desse período.
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MICÊNICOS
Durante a Era do Bronze, duas proeminentes culturas arqueológicas emergiram no Egeu. A cultura da Ilha de Creta (cretense), frequentemente referida como 'Minoica', foi a primeira civilização letrada da Europa e geralmente é descrita como a "primeira grande experiência europeia com uma civilização." No entanto, a ideografia silábica e os manuscritos hieroglíficos cretenses usados por essa cultura permanecem indecifrados, obscurecendo suas origens. Igualmente importante foi a civilização da cultura Micênica na Grécia continental, cuja linguagem (um grego arcaico) e utilização do manuscrito Linear B foram um berço para a cultura grega que se seguiu a partir desse período.
A civilização Micênica recebeu esse nome em homenagem à cidade-estado de Micenas, uma cidade palácio e um dos mais poderosos estabelecimentos da região. Localizados em sua maior parte em Peloponeso, no sul da península Grega, os Micênicos são, basicamente, os primeiros gregos, ou seja, eles foram os primeiros a falar a linguagem Grega. Persistiram na Grécia continental entre os anos de 1600 a.C. e 1200 a.C.
As escavações de Schliemann na década de 1870 trouxeram à luz objetos cuja opulência e antiguidade parecem corresponder, de fato, às descrições de Homero do Palácio do famoso Rei Agamenon, aquele que teria liderado os gregos na Guerra de Troia. A extraordinária riqueza de material depositada nos túmulos de Micenas (em torno de 1550 a.C.) atestam uma poderosa sociedade de elite que floresceu nos quatro séculos subsequentes. Durante o período Micênico, a Grécia continental experienciou uma era de prosperidade centrada em poderosas bases de cidadelas como Micenas, Tirintos, Tebas e Atenas. Oficinas locais produziam objetos de utilidade a partir de cerâmica e bronze, assim como itens de luxo, como gemas entalhadas, joias, vasos de metais preciosos e ornamentos de vidro.
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As escavações de Schliemann na década de 1870 trouxeram à luz objetos cuja opulência e antiguidade parecem corresponder, de fato, às descrições de Homero do Palácio do famoso Rei Agamenon, aquele que teria liderado os gregos na Guerra de Troia. A extraordinária riqueza de material depositada nos túmulos de Micenas (em torno de 1550 a.C.) atestam uma poderosa sociedade de elite que floresceu nos quatro séculos subsequentes. Durante o período Micênico, a Grécia continental experienciou uma era de prosperidade centrada em poderosas bases de cidadelas como Micenas, Tirintos, Tebas e Atenas. Oficinas locais produziam objetos de utilidade a partir de cerâmica e bronze, assim como itens de luxo, como gemas entalhadas, joias, vasos de metais preciosos e ornamentos de vidro.
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> Os heróis, reis e outros elementos dos poemas de Homero, Ilíada e Odisseia, faziam provável referência - em importante extensão - à civilização micênica que dominou a Grécia continental e o Mar Egeu de ~1600 a.C. a 1200 a.C., na Idade do Bronze Tardia. No geral, as obras exibem uma mistura de elementos micênicos e pós-micênicos (Idade do Ferro), transformados por séculos de transmissão oral e novas realidades sociais e culturais. Por exemplo, em termos metalúrgicos, os poemas trazem ferramentas e armas trabalhados com metais de épocas distintas (ex.: facas de ferro e, ao mesmo tempo, lanças e espadas de bronze).
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Sem sombra de dúvidas, os micênicos foram influenciados pelos Minoicos na Ilha de Creta - nomeados em homenagem ao mítico Rei Minos -, uma civilização ainda mais antiga (2600 a.C. até 1400 a.C.). O contato com o povo de Creta marcou um papel decisivo em moldar e desenvolver a cultura Micênica, especialmente nas artes, podendo ser vista nos palácios, roupas, frescos e no sistema de escrita. E com base em evidências arqueológicas (especialmente vasos), as mercadorias da civilização Micênica circulavam por todo o Mediterrâneo, da Espanha até o Levante (países do leste do Mediterrâneo oriental), incluindo óleos, vinhos e outros produtos de consumo como prováveis artigos de principal comércio.
Além de ávidos comerciantes, os micênicos foram poderosos guerreiros e grandes engenheiros, projetando e construindo impressionantes pontes, muralhas de fortificação e túmulos em forma de colmeia (tholos) - tudo utilizando avançadas técnicas que empregavam grandes blocos de pedra irregulares (monumentos ciclópicos) -, além de elaborados sistemas de drenagem e irrigação. Devido aos blocos de pedra usados, de tão grandes dimensões, muitos na Antiguidade julgaram - posteriormente aos micênicos - que elas só poderiam ter sido manejadas pelos míticos gigantes de um só olho, conhecidos como Ciclopes (daí o estilo de construção se chamar 'ciclópico').
Os micênicos eram pessoas muito ligadas às atividades marítimas e todas as cidades-estados eram localizadas próximas do mar, mas a uma distância segura que evitasse ataques surpresas. Como a Grécia é montanhosa, a melhor forma de transporte era pelo mar e também era ali a rota de guerra preferida. Eles eram uma civilização ávida pelas batalhas, atacando outros povos e lutando entre si. Apesar de falarem a mesma língua e adorarem aos mesmos Deuses, os micênicos foram separados em cidades-estados independentes, cada uma das quais com o seu próprio rei. Os micênicos faziam armas e armaduras de bronze, dando inclusive o nome moderno para a era desse período: Idade do Bronze. Enquanto os Minoicos eram uma civilização mais pacífica, os Micênicos adoravam as artes da guerra, e promoveram várias campanhas de conquista, incluindo a região de Creta - com subsequente absorção da cultura cretense.
A armadura de Dendra é um dos exemplos mais antigos de armadura completa de corpo inteiro da era micênica - assim como um dos mais antigos da Idade do Bronze na Europa. Datada de 3500 anos atrás, a panóplia de bronze foi descoberta em um túmulo na vila grega de Dendra, a poucos quilômetros da antiga Micenas, no sul da Grécia. O achado foi feito por arqueólogos gregos e suecos na década de 1960. Evidência experimental recente (Ref.14) aponta que essa armadura era apta para uso em batalha, ou seja, não parece ter sido usada para fins puramente cerimoniais.
Além de ávidos comerciantes, os micênicos foram poderosos guerreiros e grandes engenheiros, projetando e construindo impressionantes pontes, muralhas de fortificação e túmulos em forma de colmeia (tholos) - tudo utilizando avançadas técnicas que empregavam grandes blocos de pedra irregulares (monumentos ciclópicos) -, além de elaborados sistemas de drenagem e irrigação. Devido aos blocos de pedra usados, de tão grandes dimensões, muitos na Antiguidade julgaram - posteriormente aos micênicos - que elas só poderiam ter sido manejadas pelos míticos gigantes de um só olho, conhecidos como Ciclopes (daí o estilo de construção se chamar 'ciclópico').
Os micênicos eram pessoas muito ligadas às atividades marítimas e todas as cidades-estados eram localizadas próximas do mar, mas a uma distância segura que evitasse ataques surpresas. Como a Grécia é montanhosa, a melhor forma de transporte era pelo mar e também era ali a rota de guerra preferida. Eles eram uma civilização ávida pelas batalhas, atacando outros povos e lutando entre si. Apesar de falarem a mesma língua e adorarem aos mesmos Deuses, os micênicos foram separados em cidades-estados independentes, cada uma das quais com o seu próprio rei. Os micênicos faziam armas e armaduras de bronze, dando inclusive o nome moderno para a era desse período: Idade do Bronze. Enquanto os Minoicos eram uma civilização mais pacífica, os Micênicos adoravam as artes da guerra, e promoveram várias campanhas de conquista, incluindo a região de Creta - com subsequente absorção da cultura cretense.A armadura de Dendra é um dos exemplos mais antigos de armadura completa de corpo inteiro da era micênica - assim como um dos mais antigos da Idade do Bronze na Europa. Datada de 3500 anos atrás, a panóplia de bronze foi descoberta em um túmulo na vila grega de Dendra, a poucos quilômetros da antiga Micenas, no sul da Grécia. O achado foi feito por arqueólogos gregos e suecos na década de 1960. Evidência experimental recente (Ref.14) aponta que essa armadura era apta para uso em batalha, ou seja, não parece ter sido usada para fins puramente cerimoniais.
GUERRA DE TROIA
A Ilíada nos conta sobre o ataque da cidadela de Troia, na Ásia Menor, pelos Gregos (provavelmente os micênicos de acordo com a narração de Homero). A história tem como um dos focos Helena, rainha da cidade-estado Micênico de Esparta, a qual é sequestrada e trazida para Troia pelo príncipe troiano Paris. As cidades-estados Gregas responderam enviando uma grande frota para atacar Troia em uma tentativa de trazer Helena de volta para casa. Sendo uma cidadela, Troia era muito difícil de atacar, e a guerra durou por dez anos.
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> No Monte Olimpo, onde viviam os deuses, a deusa da discórdia Éris ofereceu uma maçã de ouro à mais bela entre as deusas olimpianas. Ao ver que Atenas, Afrodite e Hera se prontificaram a recebê-lo, Zeus deixou a difícil decisão nas mãos de um mortal: o belo e forte Páris, irmão de Hector e filho dos governantes troianos Príamo e Hécuba. Ao príncipe, foram oferecidos prêmios valiosos que buscavam o julgamento favorável: as maiores riquezas do mundo, por Hera, toda a sabedoria passível a um homem, por Atenas e o amor da mulher mais bela de todas, por Afrodite. Dentre as três, ele decidiu pela deusa do amor, Afrodite, que lhe prometeu a afeição da mais encantadora entre as mortais: Helena. O problema era que Helena já havia sido desposada por Menelau, o rei de Esparta.
> Em resposta, o irmão de Menelau e rei de Micenas, Agamemnon, juntou uma numerosa tropa de reis e seus exércitos e, juntos, partiram com força brutal rumo ao resgate da bela Helena. Assim, mais de mil navios atravessaram o Mar Egeu para sitiar Tróia.
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Finalmente, Odisseu, um Grego e Rei de Ítaca, bolou um truque para enganar os Troianos e quebrar a poderosa fortificação das paredes de Troia. Para isso deixou uma grande cavalo de madeira para trás, enquanto os Micênicos, fingindo estarem derrotados e em fuga, se esconderam. Os Troianos, acreditando que o cavalo era um presente deixado pelos Gregos derrotados, moveram o gigantesco objeto para dentro da cidade. Depois de uma celebração, Odisseu e outros Gregos, escondidos dentro do cavalo, abriram os portões para os outros Micênicos entrarem, dando início à devastação de Troia e recuperação de Helena.
Alguns dos Deuses, defendendo um ou outro lado no intenso conflito, sentiram que Odisseu tinha trapaceado na vitória. Nisso, quando o rei rumou pelo mar para Ítaca, uma viagem que deveria ter durado apenas algumas semanas acabou levando dez anos, devido aos obstáculos criados pelos Deuses ao longo do caminho. Enquanto isso, sua fiel esposa, Penélope, esperava pacientemente pelo seu retorno. Essa parte da história é chamada Odisseia, termo que acabou se transformando em uma palavra que exprime longas e difíceis jornadas.
Sob o ponto de vista arqueológico, a cidade de Troia parece ter sido realmente destruída por uma força inimiga em torno do ano de 1200 a.C. Pode ser que esse evento tenha representado os eventos narrados por Homero, no sentido que foi um ataque por razões diversas efetuado pelos gregos micênicos. No entanto, como a única fonte de detalhes é a obra Ilíada, fica difícil dizer o que realmente aconteceu naquele período, onde distorções, amálgamas temporais e exageros podem estar fortemente presentes nos poemas de Homero, especialmente considerando uma tradição oral - ao longo de quatro séculos - servindo de base para a feitura das obras. Em relação às amálgamas, muito dos detalhes de contextualização nos poemas claramente representam o contexto histórico de um período inicial da Idade do Ferro Inferior, entre os séculos IX e VIII a.C, e não da Idade do Bronze.
De qualquer forma, é razoável aceitar que os poemas preservam algumas memórias genuínas do período de domínio Micênico: a ausência de trabalhos com ferro (Era do Bronze), uso de carruagens nas batalhas (apesar da forma de uso não ser acurada), e certos tipos de armaduras e armas. Além disso, muitos dos nomes de heróis mencionados nas obras eram plausíveis de terem existido no período descrito, e alguns daqueles no lado Troiano, incluindo Paris e Príamo, eram genuinamente asiáticos.
Alguns dos Deuses, defendendo um ou outro lado no intenso conflito, sentiram que Odisseu tinha trapaceado na vitória. Nisso, quando o rei rumou pelo mar para Ítaca, uma viagem que deveria ter durado apenas algumas semanas acabou levando dez anos, devido aos obstáculos criados pelos Deuses ao longo do caminho. Enquanto isso, sua fiel esposa, Penélope, esperava pacientemente pelo seu retorno. Essa parte da história é chamada Odisseia, termo que acabou se transformando em uma palavra que exprime longas e difíceis jornadas.Sob o ponto de vista arqueológico, a cidade de Troia parece ter sido realmente destruída por uma força inimiga em torno do ano de 1200 a.C. Pode ser que esse evento tenha representado os eventos narrados por Homero, no sentido que foi um ataque por razões diversas efetuado pelos gregos micênicos. No entanto, como a única fonte de detalhes é a obra Ilíada, fica difícil dizer o que realmente aconteceu naquele período, onde distorções, amálgamas temporais e exageros podem estar fortemente presentes nos poemas de Homero, especialmente considerando uma tradição oral - ao longo de quatro séculos - servindo de base para a feitura das obras. Em relação às amálgamas, muito dos detalhes de contextualização nos poemas claramente representam o contexto histórico de um período inicial da Idade do Ferro Inferior, entre os séculos IX e VIII a.C, e não da Idade do Bronze.
De qualquer forma, é razoável aceitar que os poemas preservam algumas memórias genuínas do período de domínio Micênico: a ausência de trabalhos com ferro (Era do Bronze), uso de carruagens nas batalhas (apesar da forma de uso não ser acurada), e certos tipos de armaduras e armas. Além disso, muitos dos nomes de heróis mencionados nas obras eram plausíveis de terem existido no período descrito, e alguns daqueles no lado Troiano, incluindo Paris e Príamo, eram genuinamente asiáticos.
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“Eu que viajei muito e cheguei a conhecer muitos heróis, nunca meus olhos viram alguém como Odisseu. Que perseverança, e que coragem ele mostrou dentro do cavalo de madeira, onde estavam todos os mais bravos dos argivos esperando para levar a morte e a destruição aos troianos.” (Odisseia, Canto IV, Tradução de Samuel Butler).
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QUEDA DE MICENAS
Ao redor de 1200 a.C., registros arqueológicos mostram que os Micênicos começaram a aumentar o tamanho das muralhas ao redor das cidades. Algo estava ameaçando a civilização. Talvez foi uma escalada de conflitos entre as cidades-estados, ou mesmo uma invasão estrangeira a partir do Norte da Grécia. É também plausível que uma real e custosa Guerra de Troia tenha trazido danos extensos aos Gregos. Seja qual for a razão, a civilização Micênica colapsou ao redor do ano de 1100 a.C., existindo evidência de que as grandes cidades foram queimadas por aqueles que substituíram os Micênicos.
Depois da queda Micênica, a Grécia entrou em uma Idade das Trevas (período onde não existem registros históricos escritos e também um tempo de medo, incertezas e violência). Aqueles que tradicionalmente substituíram os Micênicos foram chamados de Dórios, Gregos do Norte que, segundo a mitologia, eram filhos de Hércules, os quais foram expulsos pelos Micênicos e juraram um dia retornar. Os Dórios usavam armas de ferro, enquanto os Micênicos o bronze, cuja natureza proporcionava uma maior beleza e valor artístico, mas não eram equivalente em poder ao poderoso ferro Dórico. Nesse sentido, o ferro acabou substituindo o bronze durante a Idade das Trevas.
Com o controle completo da Grécia, os Dórios teriam levado à destruição do que tinha sobrado da civilização Micênica, obrigando muitos micênicos a fugirem dos novos conquistadores pelo Mar Egeu para a Ásia Menor. Interessante também mencionar que Atenas acabou sendo poupada da invasão destrutiva dos Dórios, com os seus costumes e cultura sendo mantidos mesmo após o colapso da civilização original associada.
Estabilidade e crescimento na Grécia tiveram início a partir da Idade do Ferro, entre os séculos IX e VIII a.C. Aqui a estabilidade política dos reis emergiu do desenvolvimento de um sistema feudal, onde em troca de defesa dos seus territórios, os senhores feudais concediam terras para os habitantes.
Ao redor de 1200 a.C., registros arqueológicos mostram que os Micênicos começaram a aumentar o tamanho das muralhas ao redor das cidades. Algo estava ameaçando a civilização. Talvez foi uma escalada de conflitos entre as cidades-estados, ou mesmo uma invasão estrangeira a partir do Norte da Grécia. É também plausível que uma real e custosa Guerra de Troia tenha trazido danos extensos aos Gregos. Seja qual for a razão, a civilização Micênica colapsou ao redor do ano de 1100 a.C., existindo evidência de que as grandes cidades foram queimadas por aqueles que substituíram os Micênicos.
Depois da queda Micênica, a Grécia entrou em uma Idade das Trevas (período onde não existem registros históricos escritos e também um tempo de medo, incertezas e violência). Aqueles que tradicionalmente substituíram os Micênicos foram chamados de Dórios, Gregos do Norte que, segundo a mitologia, eram filhos de Hércules, os quais foram expulsos pelos Micênicos e juraram um dia retornar. Os Dórios usavam armas de ferro, enquanto os Micênicos o bronze, cuja natureza proporcionava uma maior beleza e valor artístico, mas não eram equivalente em poder ao poderoso ferro Dórico. Nesse sentido, o ferro acabou substituindo o bronze durante a Idade das Trevas.
Com o controle completo da Grécia, os Dórios teriam levado à destruição do que tinha sobrado da civilização Micênica, obrigando muitos micênicos a fugirem dos novos conquistadores pelo Mar Egeu para a Ásia Menor. Interessante também mencionar que Atenas acabou sendo poupada da invasão destrutiva dos Dórios, com os seus costumes e cultura sendo mantidos mesmo após o colapso da civilização original associada.
Estabilidade e crescimento na Grécia tiveram início a partir da Idade do Ferro, entre os séculos IX e VIII a.C. Aqui a estabilidade política dos reis emergiu do desenvolvimento de um sistema feudal, onde em troca de defesa dos seus territórios, os senhores feudais concediam terras para os habitantes.
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ANÁLISE DE DNA (Estudo de 2018)
Quando os Micênicos entraram em colapso e foram substituídos, existia a possibilidade de que a linhagem dessa civilização teria se perdido para sempre. Isso acabou sendo resolvido com um estudo publicado na Nature (Ref.10), o qual analisou amostras de DNA antigo e apontou que os atuais gregos são, de fato, descendentes dos Micênicos, carregando apenas uma pequena proporção de DNA de migrações posteriores para a Grécia. Além disso, o estudo mostrou que os Micênicos não eram muito próximos dos Minoicos apenas culturalmente, mas também geneticamente.
As amostras analisadas tiveram origem dos dentes de 19 indivíduos, incluindo 10 Minoicos da Ilha de Creta datando de 2900 a.C. até 1700 a.C., 4 micênicos de um sítio arqueológico de Micenas e outros cemitérios da Grécia continental datando de 1700 a.C. até 1200 a.C., e 5 pessoas de períodos ainda mais antigos (5400 a.C. até 1340 a.C.) das culturas Grega e Turca Antigas. Ao comparar 1,2 milhão de letras do código genético de genomas dessas amostras com outras 334 amostras de indivíduos aleatórios do mundo antigo e 30 gregos modernos, os pesquisadores foram capazes de mostrar quais indivíduos estavam relacionados uns aos outros.
Os resultados mostraram que os antigos micênicos e minoicos eram os mais relacionados entre si, e ambos possuíam três quartos do DNA de agricultores que viveram na Grécia e no sudoeste da Anatólia, esta a qual é parte hoje da Turquia. Ambas as civilizações também herdaram DNA de pessoas do leste do Cáucaso, próximo do atual território do Irã, sugerindo uma migração anterior de pessoas do Oriente antes dos micênicos se separarem dos minoicos.
Isso, aliás, corrobora os registros arqueológicos. Tanto os minoicos quanto os micênicos eram parecidos entre si, com ambos carregando genes de cabelo e olhos castanhos, sendo que em ambas as culturas as pessoas eram pintadas em frescos e cerâmicas com cabelos e olhos escuros, apesar de falarem e escreverem diferentes linguagens. Devido ao fato dos minoicos terem utilizado hieroglíficos, alguns arqueólogos acreditavam que eles eram parte egípcios, o que se mostra agora algo falso.
No entanto, os micênicos exibiram uma importante diferença nas análises: parte do DNA desse povo - de 4% a 16% - vem de ancestrais do norte, do leste europeu ou da Sibéria. Isso sugere que uma segunda onda de pessoas da estepe Eurasiana veio à Grécia continental através do leste europeu ou da Armênia, mas sem alcançar a Ilha de Creta.
Finalmente, quando os pesquisadores compararam o DNA dos gregos modernos com aquele dos antigos Micênicos, eles encontraram várias sobreposições. Os gregos de hoje compartilham proporções similares de DNA das mesmas fontes que os micênicos, apesar dos primeiros terem herdado um pouco menos de DNA dos agricultores anatolianos e um pouco mais de traços genéticos de migrações estrangeiras para a Grécia.
Segundo especialistas em entrevista à Science (Ref.11), essa continuidade entre os micênicos e os atuais gregos é realmente surpreendente, considerando a reciclagem de civilizações na região do Egeu por milhares de anos, incluindo o total colapso da civilização Micênica.
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- Herança Soviética: A ilha mais temida do mundo
REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
- https://www.metmuseum.org/toah/hd/myce/hd_myce.htm
- http://www.penfield.edu/webpages/jgiotto/onlinetextbook.cfm?subpage=1626039
- http://cerhas.uc.edu/troy/q402.html
- http://cerhas.uc.edu/troy/legends.html
- http://cerhas.uc.edu/troy/q415.html
- https://www.college.columbia.edu/core/content/homer
- https://www.brown.edu/Departments/Joukowsky_Institute/courses/greekpast/4870.html
- https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/blog-espaco/historia-ou-ficcao-homero-e-a-guerra-de-troia/
- https://www.britishmuseum.org/blog/who-was-homer
- Lazaridis, I., Mittnik, A., Patterson, N. et al. Genetic origins of the Minoans and Mycenaeans. Nature 548, 214–218 (2017). https://doi.org/10.1038/nature23310
- http://www.sciencemag.org/news/2017/08/greeks-really-do-have-near-mythical-origins-ancient-dna-reveals
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