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Depois da relação sexual, quanto tempo até engravidar?



        Existe uma grande confusão relacionada ao tempo de fertilização e efetiva gravidez de uma mulher depois de um ato sexual desprotegido. E o nome ´Pílula do Dia Seguinte´ não ajuda em nada.

         Imagine que a camisinha arrebentou e passe a existir um enorme risco de gravidez. Através de métodos anticoncepcionais de emergência é possível prevenir a fertilização ou implantação do embrião no útero, e evitar uma gravidez não planejada. Porém, muitas pessoas acham que pouco tempo depois da ejaculação atingir o canal vaginal já é implantada uma gravidez inicial, onde o óvulo fertilizado alcançaria o útero em questão de horas ou até mesmo minutos. Como eu mencionei no início, o nome ´Pílula do Dia Seguinte´ contribui para a crença, sugerindo uma urgência extrema no procedimento (- "Tome no dia/manhã seguinte ou já era").

           Além disso, hospitais que são coordenados por instituições cristãs tendem a pedir testes de gravidez antes de executarem métodos anticoncepcionais de emergência (1) para saberem se existe uma gravidez anterior. Mas isso não faz sentido porque os métodos hormonais de emergência não ferem uma gravidez já em curso e não fazem mal ao feto, segundo as atuais evidências científicas, ou, caso contrário, elas não seriam nem liberadas pelas agências de saúde, já que a mulher pode estar grávida de uma relação anterior e nem saber disso quando usar o método para a proteção de outra relação desprotegida. Não é preciso esperar mais tempo para aplicá-los. De qualquer forma, isso fortaleceu ainda mais a crença por induzir as pessoas a pensarem que os testes eram requeridos por já existir a possibilidade de uma gravidez logo em seguida à relação sexual.

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           Pode parecer estranho mas o tempo mínimo que leva para um dos espermatozoides do esperma fertilizar o óvulo - considerando que este está disponível -, e a célula-ovo resultante ser implantada no útero na forma de embrião, é algo em torno de 1 semana. Durante todo esse período nenhuma gravidez de fato ocorre, independentemente se a mulher está no período fértil. E esse tempo necessário para a concretização de uma real gravidez pode variar de 6 a 17 dias, mas sendo bastante raro se ultrapassa os 14 dias. É inútil, portanto, aplicar testes de gravidez nesse intervalo mínimo de tempo. Na verdade, se você ler as instruções de bula das formulações da Pílula do Dia Seguinte, verá que ela pode ser usada com grande eficácia depois de até 72 horas após a relação sexual (3 dias). Mas, na prática, esse prazo pode se estender para 120 horas (5 dias) ou mais. Por outro lado, é preciso também lembrar que, usando métodos hormonais desse tipo, a taxa de efetividade não é de 100%, mas sendo geralmente igual ou superior a 75% em relação ao total de mulheres que iriam engravidar caso não os utilizassem, variando de acordo com as combinações hormonais.


           Portanto, caso você suspeite da possibilidade de uma gravidez e não conseguiu utilizar um método contraceptivo de emergência no dia seguinte, ainda existe um bom intervalo de tempo para a prevenção. Mas é válido lembrar que os métodos hormonais possuem sua ação preventiva diminuída significativamente à medida que o tempo passa após o contato do esperma com o canal vaginal. Por isso é dado o tempo limite de 5 dias, sendo que a maior taxa de sucesso é conseguida dentro de 24 horas. Após 72 horas, já existe uma chance de 2% de que da na sua taxa de eficiência, a qual aumenta ainda mais após esse período. E, obviamente, o método contraceptivo de emergência pode ser tomado a qualquer momento depois da relação sexual, não sendo necessário esperar o dia ou manhã seguinte para fazê-lo, como sugerido pelo nome ´Pílula do Dia Seguinte´. Falando nisso, é bom apontar também quais são os métodos anticoncepcionais de emergência que podem ser utilizados. São dois tipos:

1. Hormonal - Esta via, a qual é a mais comumente utilizada, pode vir em três formas:

a) Pílula do dia seguinte, onde existe uma combinação de duas pílulas que podem ser tomadas de uma só vez ou em intervalos separados por um período de 12 horas. A vantagem dela é que a mesma pode ser comprada na farmácia sem prescrição médica e não é necessário ser maior de idade, evitando constrangimentos desnecessários e demora na busca da prevenção à gravidez não desejada;

b) Acetato de Ulipristal (Ella), o qual é um novo método hormonal que usa apenas uma dose (tablete);

c) Pílulas Anticoncepcionais também podem ser utilizadas, porém possuem menor efeito dos que as duas opções anteriores. Devem ser usadas sob supervisão médica e pode necessitar de 2 a 5 pílulas para funcionar.

2. DIU - Sim, através da inserção do dispositivo intra-uterino por um profissional de saúde, o óvulo fecundado é impedido de ser implantado no útero ou os espermatozoides são detidos durante seu caminho para o óvulo (2). Também é recomendado usá-lo dentro do período de 5 dias para prevenção máxima. E se a mulher desejar ficar com o dispositivo no útero para prevenir outra gravidez futura, já são dois coelhos pegos com uma armadilha só (Risos).  A taxa de sucesso de prevenção à gravidez é muito alta nesse caso, sendo que para cada mil mulheres que utilizam o DIU como método de emergência, apenas uma, no máximo, acaba grávida.

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         Portanto, no caso de se esquecer de tomar as pílulas anticoncepcionais, ou de camisinha furada, ou qualquer outro motivo que leve à suspeita de uma possível gravidez futura, sinta-se livre para fazer algo até 5 dias depois (ou mais, porém sem muita garantia). É válido dizer que essas medidas de emergência são menos eficientes do que a prevenção antecipada (exceto, talvez, no caso do DIU). Por isso, invista na prevenção. Emergência é apenas para momentos de emergência. E caso sua menstruação não apareça por mais de 3 semanas, suspeite que a ação emergencial não funcionou. Aí, começa a polêmica do aborto...

IMPORTANTE: Sempre busque orientação médica antes de usar qualquer medicamento ou se informar melhor sobre os assuntos relacionados com a sua saúde. Este artigo só serve como um esclarecimento geral.   



(1) Isso era mais comum na época em que era proibida a venda de pílulas do dia seguinte sem receita médica, o que obrigava as mulheres a procurarem um centro de saúde.

OBS.: ´Concepção´ é diferente de ´Gravidez´, onde esta última só irá ocorrer quando o óvulo fertilizado for implantado no útero. Já a concepção é quando o espermatozoide fertiliza o óvulo, normalmente nas tubas uterinas. O óvulo fertilizado, e sob processo de divisão celular, habitualmente demora entre 6 e 10 dias para viajar até o útero e ser implantado, dando origem à gravidez. O tempo irá depender do local onde ocorreu a fertilização e características gerais da mulher.

No caso da concepção, o tempo pode variar bastante também. Se houver um óvulo disponível na tuba uterina (liberado durante a ovulação no ovário), o encontro com o espermatozoide, após a ejaculação na vagina, pode demorar apenas algumas horas. Caso não exista um óvulo disponível, ainda existe a chance de uma concepção tardia, já que os espermatozoides podem sobreviver por períodos superiores a 5 dias dentro da tuba uterina, meio que hibernando.



Artigo Relacionado: O aborto precisa ser descriminalizado?

(2) Artigo Complementar: Por que usar o DIU?

Curiosidade: A Tabela Chinesa de Gravidez é eficiente para prever o sexo do bebê?

ATUALIZADO (02/06/17) 

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1.  http://ec.princeton.edu/info/combecp.html
  2. https://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/007014.htm
  3. http://womenshealth.gov/publications/our-publications/fact-sheet/emergency-contraception.html
  4. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2792671/
  5. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3634557/
  6. https://www.womenshealth.gov/a-z-topics/emergency-contraception
  7. https://medlineplus.gov/ency/article/007014.htm
  8. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno3_saude_mulher.pdf 
  9. http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/dezembro2011/biologia_simuladores/9embriohumana.swf
  10. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2851378/
  11. https://www.hhs.gov/opa/pregnancy-prevention/hormonal-methods/emergency-contraception/index.html
  12. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2921734/