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O que é uma Bomba de Hidrogênio?



           As armas nucleares foram desenvolvidas no final da Segunda Guerra Mundial, sendo primeiro produzidas e detonadas com sucesso pelos EUA. As duas bombas lançadas pelo exército norte-americano no Japão, Fatman e Little Boy, causaram a morte de dezenas de milhares de pessoas em Nagasaki e Hiroshima, respectivamente. Essas bombas eram baseadas em fissão nuclear, a qual consiste na liberação de uma enorme quantidade de energia devido à quebra de um núcleo de urânio ou plutônio. As bombas de hidrogênio, mais recentes, combinam a fissão nuclear com a fusão nuclear, resultando em um bolo energético de explosão muito maior do que as tradicionais.

Cogumelo de fogo típico das explosões nucleares

             A primeiras bombas atômicas fabricadas foram as ´Bombas-A´, as quais funcionavam a partir da fissão de núcleos pesados, como o plutônio e o urânio. O urânio-235 (um dos isótopos radioativos desse elemento) é um dos átomos mais utilizados para esse fim, por ser bastante instável e facilmente fissionável. Quando ele é atingido por um nêutron, seu núcleo absorve essa partícula subatômica, fica ainda mais instável e acaba se partindo, dando origem a átomos mais leves (estrôncio e xenônio), liberando ainda mais nêutrons e uma grande quantidade de energia. Os nêutrons liberados atingem outros núcleos de urânio-235, dando continuidade às reações e formando um imenso processo energético em cadeia. Dentro da bomba atômica, a massa de urânio deve estar altamente enriquecida com o urânio-235 (1) e a mesma precisa atingir a chamada ´massa supercrítica´ para permitir a explosão (2). Essa massa supercrítica se traduz na quantidade de material fissionável necessária para sustentar uma eficiente reação de fissão em cadeia, a qual permite que os nêutrons sendo liberados atinjam mais facilmente os núcleos de urânio durante a dispersão causada pela explosão, gerando uma gigantesca soma final de energia expulsa e permitindo uma típica detonação atômica. Essa massa crítica geralmente é alcançada lançando, através de uma explosão convencional, uma massa de urânio-235 na forma de uma bala de encontro à outra massa de urânio na forma de um recipiente (para encaixar a massa disparada - "alvo"). A figura abaixo ilustra esse mecanismo, chamado de gun-type.


            A energia liberada vem da perda de massa sofrida pelo núcleo quando este se parte, obedecendo à famosa equação E=mc2, a qual diz que uma pequena quantidade de massa libera uma enorme quantidade de energia (equivalência entre massa e energia). Essa energia liberada está na forma de diferentes tipos de radiação (raio x, gama, infravermelho) e pequenas partículas extremamente energizadas. O raio x, uma radiação altamente energética, é o mais liberado. As radiações altamente energéticas liberadas (raio x e gama) e, em menor extensão, as partículas beta, são as principais causas de envenenamento radioativo sofrido pelos seres ao redor dos processos de fissão nuclear. Mas o perigo continua existindo mesmo depois da explosão, já que átomos mais leves produzidos pela fissão são radioativos, permanecendo no ambiente por um bom tempo.

          Depois de dominada a técnica de fissão nuclear, começou-se a se voltar os olhos para o poderoso processo atômico que ocorre nas estrelas: a fusão nuclear (3). A fusão de núcleos atômicos leves gera uma quantidade de energia muito maior do que a fissão nuclear de núcleos pesados. Na fusão usada em armas nucleares, usam-se núcleos leves de hidrogênio, este o qual possui 3 isótopos: hidrogênio normal (H), deutério (D ou H12) e o trítio (T ou H13). O hidrogênio normal corresponde a mais de 99,985% do total na Terra, o deutério fica com os cerca de 0,015% restantes, e o trítio só é encontrado em traços. Núcleos leves de trítio e deutério são os escolhidos, e se fundem com a ajuda de altas temperaturas e pressões, dando origem a átomos mais pesados (Hélio) e liberando uma enorme quantidade de energia, seguindo o mesmo princípio de perda de massa nuclear. Nas Bombas de Hidrogênio (Bomba H), conhecidas como ´termonucleares´, esse é exatamente o processo que ocorre em seu interior. O combustível de fusão pode ser uma mistura liquefeita de 50/50 de trítio/deutério ou de lítio/deutério (deutereto de lítio).



          Para conseguir elevadas temperaturas e pressões altíssimas em um curto espaço de tempo para ativar a fusão, o gatilho de toda arma termonuclear é uma bomba de fissão nuclear, a qual é o primeiro estágio desses dispositivos...

1... Assim, uma enorme quantidade de energia e nêutrons são liberados, os quais envolvem uma cápsula contendo o combustível de fusão. Manter o trítio/deutério líquido é mais trabalhoso, por isso usa-se o lítio/deutério, onde o lítio se transforma em trítio ao se partir ao meio com a ajuda dos nêutrons livres da fissão.

2. Com altas temperaturas e pressões produzidas pela primeira explosão atômica, auxiliadas pela cápsula bem grossa de urânio ou chumbo que mantém o combustível ainda mais pressionado, a fusão entre os núcleos leves de deutério e lítio acontece, liberando uma quantidade imensa de energia e nêutrons rápidos. Esse é o segundo estágio.

3. Se a cápsula é feita de urânio (urânio-238, estável) os nêutrons ultra rápidos liberados pelo processo de fusão* desestabilizam seus núcleos estáveis (4), tornando-os fissionáveis e, portanto, liberando ainda mais energia com fissões extras. Além disso, um cilindro oco de urânio-235 ou plutônio ficam no interior da cápsula, o qual, quando comprimido pela enorme explosão total, entra em processo de fissão também (alcança a massa supercrítica). Esse processo todo quase dobra o poder da bomba de hidrogênio. *E fica fácil de perceber o porque da preferência pelo uso de deutério/trítio, já que ambos liberam um nêutron após se fundirem, como mostrado na figura acima.

Montagem simplificada de uma bomba termonuclear


           Ou seja, dependendo da construção da bomba H, quatro processos atômicos em conjunto liberam uma quantidade inacreditável de energia, diversas vezes maior do que uma simples bomba de fissão. A bomba de hidrogênio, sem dúvida, é a arma mais poderosa já desenvolvida pela humanidade e a primeira a ser criada e testada foi a Ivy Mike, a qual era gigantesca e serviu apenas para comprovar que a fusão nuclear era possível de ser obtida na fabricação de uma bomba nuclear. A Mike liberou pouco mais de 10 megatons (1 quiloton = 1000 toneladas de TNT; 1 megaton = 1000000 de toneladas de TNT). Para se ter uma ideia, a Litte Boy gerou apenas 15 quilotons. Sua detonação ocorreu em 1° de novembro de 1952, na ilha Elugelab, no Pacífico. O enorme porte da bomba se deu, principalmente, pelo fato do combustível nuclear (isótopos de hidrogênio) serem constituídos de deutério e trítio liquefeitos, já que seus estados à pressão e temperatura ambientes são gasosos, o que não permite uma densidade adequada para a fusão. Por isso, todo um gigante sistema de refrigeração foi necessário para levar os gases para a fase líquida. Esse problema foi resolvido mais tarde, com a criação do deutereto de lítio (DLi) (5).

A Ivy Mike mais era uma "fábrica" do que uma bomba. No cilindro (no canto esquerdo), temos a bomba de fato e, acoplado a ela, tubos de refrigeração e instrumentos de medição

A explosão criou uma cratera de 1,9 km de diâmetro e 50 metros de profundidade, obliterando a ilha. Porém, grande parte da energia liberada (77%) veio da fissão de urânio-238 que recobria a bomba pelos nêutrons ultra rápidos gerados na fusão, algo que gerou uma intensa quantidade de radioatividade na área

            Depois da Ivy Mike, as bombas de hidrogênio foram se aperfeiçoando mais e mais com o passar do tempo. Para uso prático do exército norte-americano, em 1983 a B83 foi criada, e é o dispositivo termonuclear que, atualmente, figura como a arma única mais poderosa dos EUA. Ela possui um poder de explosão que pode chegar a 1,2 Megatons de energia, algo em torno de 75 vezes o poder da Little Boy. 650 delas estão em estoque com o governo norte-americano. Tirando a praticidade de lado, durante a Guerra Fria os americanos desenvolveram armas termonucleares muito mais poderosas, como a B41, hoje desativada, mas que possui poder teórico de 25 Megatons, e uma que foi realmente testada, a Castle Bravo, a qual liberou 15 Megatons de energia, ou quase 13 vezes mais destrutiva do que a B83!

Registro fotográfico da explosão da Castle Bravo

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À esquerda, um B83 desmontado, mostrando todas as suas peças de composição; à direita, um B83 pronto para uso

           Mas a mais poderosa já feita, e testada, foi a temida Tzar Bomba, elaborada pela antiga União Soviética (hoje Rússia). Ela foi detonada em 1961 e liberou cerca de 57 Megatons de energia! Isso equivale a 5 mil Little Boys explodindo de uma vez! Ou melhor, isso equivale a todo o poder explosivo liberado durante todo o período da Segunda Guerra Mundial, incluindo as duas bombas atômicas lançadas no Japão, multiplicado por 10! Especula-se que ela tenha usado um 3° estágio, o qual consistia em mais uma série de fusões e fissões acionada pelos 2 estágios tradicionais. Ela não foi mais produzida, pelo menos não que se tenha conhecimento. Seu projeto foi mais um markenting de Guerra Fria, já que o seu enorme tamanho ( 8 metros de comprimento e 27 toneladas) impossibilitava um uso militar prático. A explosão teste ocorreu na ilha inabitada da Nova Zêmbia, no Círculo Polar Ártico. A bola de fogo gerada podia ser vista a 1000 km de distância e o calor gerado poderia ter causado queimaduras de 3° grau em pessoas que estivessem a 100 km de distância! Tivemos a experiêcia de ter na superfície do nosso planeta quase 1% da energia liberada pela superfície do Sol em um intervalo de 39 nanosegundos!

A nuvem de cogumelo da explosão da Tsar fotografada por um dos pilotos do avião que a lançou
Local ( marcado com um ponto vermelho no mapa) onde a Tsar Bomba foi detonada
Comparação do tamanho das nuvens de cogumelo entre algumas bombas nucleares detonadas na história; a Tsar Bomba é, realmente, incomparável

Uma réplica da Tsar Bomba no museu de Sarov, na Rússia

           Segundo dados de 2012 existem 17 mil ogivas nucleares no planeta, com 4300 delas sendo consideradas operacionais. Elas estão distribuídas entre EUA, Rússia, França, China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte (esta última possui fracos artefatos atômicos e, mesmo assim, muitos duvidam). Israel nega, mas é bem provável que tenham, segundo a inteligência internacional. O Irã é suspeito de produzi-las secretamente e, mesmo tendo se comprometido a deixar em aberto suas explorações nucleares com um recente acordo com os EUA, alguns especulam que, secretamente, eles estejam desenvolvendo uma. Durante o período da Guerra Fria, os EUA chegaram a construir 70 mil artefatos nucleares e a Rússia, 55 mil! Com os acordos de não proliferação de armas nucleares, eles diminuíram os números do arsenal para cerca de 4200 e 8000, onde a maior parte está desativada e continuando a ser desativada ao longo dos anos. Mas nada impede que sejam ativadas novamente, o que gera grande tensão ao redor do mundo.

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           A Coreia do Norte, e o seu regime ´comunista´ louco, fica naquele falatório sobre possuir arsenal nuclear altamente destrutivo, para tentar intimidar e fazer chantagem internacional em cima de vantagens comerciais. Claro, isso não funciona e jamais funcionará. Há uns dias atrás, o ditador do país, Kim Jong-un, fez um discurso que dava a entender que eles possuíam uma bomba H. Isso é pouco provável, mas especialistas na Coreia do Sul disseram que mesmo não existindo uma agora, é bem possível que o governo esteja tentando produzir uma. Fica difícil obter qualquer informação certeira da Coreia do Norte por causa do forte fechamento do país. Temam...ou não.

                                                               #####

(1) Para entender mais sobre o enriquecimento de urânio, acesse o artigo Qual é a função das centrífugas nos programas nucleares?

(2) Para uma explosão atômica ser gerada através da fissão nuclear, uma grande reação em cadeia precisa se auto sustentar, onde os nêutrons sendo liberados precisam acertar com grande eficiência e rapidez os núcleos radioativos alvos. Aqui entra o conceito de massa crítica, a qual é a quantidade mínima de massa do material do combustível nuclear (urânio ou plutônio) necessária para sustentar uma reação em cadeia. Quanto mais massa, mais átomos e maior a probabilidade de um nêutron acertar um núcleo em seu caminho. Essa massa crítica irá variar de acordo com parâmetros que aumentem a proximidade dos átomos próximos uns dos outros ou que gere mais átomos cobrindo as brechas no caminho dos nêutrons (temperatura, densidade, pureza do combustível nuclear, etc.). Quanto maior a densidade, por exemplo, menor é a massa necessária para se passar do ponto crítico, pelo fato dos átomos estarem mais juntos, aumentando as chances dos nêutrons os atingirem. E quanto maior a quantidade de urânio-235 em meio ao 238, por exemplo, menor será a massa para a mesma ser crítica, por existir maior quantidade de átomos facilmente fissionáveis no caminho dos nêutrons.  Você também pode usar ferramentas que aumentem a reflexão dos nêutrons para dentro da massa de átomos sendo fissionados, impedindo-os de escaparem e, com isso, facilitando o alcance do ponto crítico. Um revestimento de berílio por fora da massa do combustível nuclear faz esse serviço.

Durante a reação em cadeia, os nêutrons sendo liberados pelos núcleos fissionados fissionam outros núcleos de urânio-235, mas quando atingem um urânio-238, ou quando escapam sem atingir nada (2), o processo é interrompido, diminuindo a liberação de energia. Aumentar a concentração de urânio-235 e fechar os buracos são duas formas de otimizar a massa crítica e aumentar o poder da arma nuclear

          A massa crítica é de extrema importância na arquitetura das armas nucleares, onde é necessário alcançar uma massa supercrítica para gerar uma explosão atômica. Quando ocorre a explosão, a massa do combustível nuclear fragmenta-se e tende a se dispersar rapidamente devido à expansão energética. Se a massa está subcrítica, os nêutrons não conseguirão chegar aos núcleos no tempo necessário para sustentar uma grande reação em cadeia, falhando a explosão. No caso do urânio, como já mostrado, duas massas subcríticas são disparadas ao encontro uma da outra muito rapidamente, formando uma massa supercrítica. Mas é preciso que o processo seja muito rápido, ou uma pré-explosão pode ocorrer, diminuindo a potência da arma. No caso do plutônio, mais difícil de ser colocado em uma reação em cadeia, isso seria possível caso ele estivesse 100% puro com plutônio-239. Mas como sempre existe uma pequena quantidade de plutônio-240, outra estratégia precisa ser utilizada. Nesse caso, uma explosão convencional em torno de uma massa enriquecida com plutônio-239 aumenta a densidade da mesma, levando-a a um estado supercrítico. Quanto mais otimizado é o processo de formação da massa supercrítica, maior é o poderio da arma nuclear.

          Para ilustrar, a bomba atômica lançada pelos EUA em Hiroshima tinha 50 quilos de urânio-235, quantidade que, teoricamente, renderia a liberação de 500 kilotons de energia caso todos os átomos desse elemento tivessem sido fissionados. Porém, seu poder, na prática, foi apenas em torno de 3% desse valor, ou seja, 15 kilotons. Isso ocorre devido a rápida dispersão da massa total, ficando difícil para a reação em cadeia ser bem prolongada. Mas como a Little Boy foi um dos primeiros passos no desenvolvimento das armas nucleares, a formação da massa supercrítica em seu interior ainda era rudimentar, fomentando ainda mais a perda energética. Com o tempo, os métodos de construção das armas atômicas melhoram muito, e hoje elas são inúmeras vezes mais destrutivas.

Little Boy, lançada em Hiroshima

(3) Entenda mais sobre o assunto no artigo Como são formados os elementos químicos?

(4) Para armas nucleares de fissão, o urânio-238 não serve para nada, apenas o seu isótopo 235, e por isso é necessário enriquecer a massa de urânio com pelo menos 85% de urânio-235 para usá-la para esse fim. Isso porque os nêutrons rápidos liberados na fissão não são energéticos o suficiente para fissioná-los. Já quando os nêutrons vêm de uma fusão nuclear, eles são muito rápidos e energéticos, causando fissão até mesmo no urânio-238. E isso cai como uma luva nas bombas termonucleares, porque esse isótopo do urânio é o mais abundante, de longe, e muito barato. Você pode colocá-lo cobrindo sua bomba de hidrogênio sem muitos custos adicionais para ganhar uma gigantesca energia extra durante a explosão.

(5) Com a introdução do sal hidreto de lítio (DLi ou H12Li), dois problemas foram resolvidos com maestria. Primeiro, não é mais necessário utilizar o raríssimo e problemático trítio para a feitura do combustível, porque o lítio do sal, ao receber o bombardeio de nêutrons vindo da detonação inicial por fissão é quebrado em trítio e um nêutron. O trítio formado, então, funde-se com o deutério do sal! Antes desse avanço, o trítio tinha que ser custosamente criado em laboratório, devido à sua gigantesca raridade, e não podia ser armazenado por mais de 12 anos (tempo da sua meia-vida) (6). Passa-se a ter um sal muito barato e fonte de deutério e lítio ao mesmo tempo!

E em segundo lugar, como o deutereto de lítio é um sólido à temperatura e pressão ambientes (imagem ao lado), fica fácil de se lidar com ele e não é necessário criar um gigantesco aparato para liquefazer os gases deutério e lítio para obter-se uma densidade mínima. Na verdade, no estado sólido, a densidade acaba sendo mais do que ideal!


(6) Para entender mais sobre o assunto: Como calcular a idade da Terra?

NUVENS DE COGUMELO: As nuvens, ou bola de fogo, comuns das explosões nucleares não são exclusividade delas. Qualquer evento onde é gerada uma grande quantidade de energia em um curto espaço de tempo poderá resultar na formação de um cogumelo, incluindo erupções vulcânicas de alto impacto. Essas nuvens de cogumelo se formam porque o ar em torno da explosão é aquecido muito rapidamente, tornando-se bem menos denso do que o ar em volta. Isso faz com que esse ar superaquecido suba rapidamente, carregando diversos detritos, fumaça e vapor de água condensado. Essa bola compacta sobe até um certo ponto onde as densidades do ar tornam-se equivalentes novamente (por resfriamento e perda de densidade natural do ar atmosférico com o aumento da altitude - ar fica mais rarefeito). Assim, uma grande bola fica suspensa no ar, com uma coluna de outros gases ascendentes por baixo, formando o aspecto de cogumelo. O formato dessa estrutura irá depender do clima momentâneo da região e da força da explosão. Somente a nuvem da bomba jogada em Hiroshima, por exemplo, chegou a 15 km de altitude, segundo dados da época! Imagina a Tsar...

Nuvem de cogumelo gerada pela erupção do vulcão Redoubt, em 21 de abril de 1990

ISÓTOPOS: São elementos químicos com o mesmo número de prótons, mas com diferentes números de nêutrons. Assim, a reatividade química deles é mantida a mesma, porque o número de elétrons (os quais participam das reações químicas) se mantêm o mesmo (a quantidade de prótons no núcleo é a mesma de elétrons na eletrosfera, por causa das cargas terem que ser anuladas, já que as duas partículas possuem mesmo valor oposto de carga). Mas as interações nucleares são profundamente alteradas. Como os prótons se repelem dentro do núcleo, por terem cargas positivas, os nêutrons agem para diminuir essa repulsão e deixar o núcleo coeso, já que não possuem carga. Por isso o trítio (2 nêutrons, 1 próton) se funde melhor do que o hidrogênio puro (0 nêutrons, e 1 próton), já que a repulsão entre os prótons é dramaticamente diminuída.

Os três isótopos de hidrogênio; perceba que o número de prótons ( P) permanece o mesmo ( apenas 1), mas o de nêutrons ( N)  difere; além disso, podemos ver que o número de elétrons ( ´e´, também 1) é igual ao número de prótons, independente da quantidade de nêutrons

PARTÍCULAS ALFA, BETA E GAMA: Todo núcleo radioativo emite radiação altamente energética (raio X e gama)  e partículas subatômicas energizadas, como os elétrons (partículas beta). As partículas alfa são compostas por um núcleo energizado formado de dois prótons e dois nêutrons, sendo uma emissão comum de elementos radioativos pesados (grande quantidade de prótons e nêutrons), como o plutônio e urânio-235. Todas as três emissões são danosas ao corpo dos seres vivos, porém existe uma ordem de periculosidade. As partículas alfa são facilmente barradas por poucas camadas de ar atmosférico, chegando muito pouco ao nosso corpo se mantida uma certa distância. Porém, se a fonte delas for ingerida, ou estiver em contato direto com a sua pele, os danos chegam a ser 20 vezes maiores do que os gerados pelas outras duas emissões, por serem muito pesadas e estarem altamente energizadas (em grande velocidade). As partículas beta são bem mais penetrantes, podendo vencer a barreira do ar (mas não sólida) com facilidade, chegando em nosso corpo a boas distância da sua fonte, causando danos extensos na pele e até um pouco além. A radiação gama, por se tratar de um fóton altamente energizado, vence quase todas as barreiras colocadas em sua frente, possuindo um incrível poder de penetração em nosso corpo. Seus danos são, de longe, os mais pesados caso o material radioativo estejam fora do corpo. Em relação às partículas alfa, elas é que são as responsáveis pelo decaimento nuclear, transformando um elemento em outro mais leve, já que prótons são retirados do núcleo atômico.

Emissões das partículas Alfa (A), Beta (B) e Gama (Y) do núcleo de um elemento radioativo pesado

Força de penetração das emissões radioativas; veja que as emissões alfa podem ser barradas com uma simples folha de papel, enquanto as emissões gama passam em significativa quantidade até mesmo por uma grossa camada de chumbo

BOMBAS DE NÊUTRON: São bombas de baixo poder destrutivo (às vezes não passando de 1 Quiloton) que possuem a finalidade de espalhar uma grande quantidade de nêutrons altamente energéticos no seu raio de ação, matando todos os seres vivos ao redor, mas deixando as estruturas civis (prédios, hospitais, casas, etc.) e veículos intactos. Seria uma forma ´inteligente´ de dominar um território sem destruí-lo completamente, com o foco de aniquilação somente nos soldados. Elas funcionam da mesma maneira da bomba de fusão nuclear, só que em vez da cápsula de chumbo ou plutônio, é colocado um material metálico mais leve, como o cromo. Assim, os nêutrons escapam com facilidade dos processos nucleares ocorrendo no momento de explosão. Os nêutrons em alta velocidade atingem o tecido vivo, causando graves mutações. A morte ocorre poucos dias depois. Até 48 horas após a explosão, veículos e construções ficam radioativos por causa da absorção de nêutrons, sendo necessário esperar esse período de tempo até a ocupação do local pelas forças militares opostas. É bom lembrar também que mesmo tendo ´baixo´ poder destrutivo comparado com outras ogivas nucleares, elas causam significativo dano na área.

Artigo relacionado: Como são formados os elementos químicos?

Artigo recomendado: Dragon Ball Z e Física Quântica

ATUALIZAÇÃO (10/01/2016): A Coréia do Norte anunciou no último dia 6 de Janeiro deste ano que tinha testado sua primeira bomba termonuclear. Mas especialistas analisando o poder da explosão (cerca de 10 quilotons) não acham que foi uma real bomba de hidrogênio. Alguns especulam que os norte-coreanos podem ter colocado um pequeníssimo núcleo de trítio e deutério, aumentando o poder de explosão com uma mini-fusão. Já outros não possuem nem certeza se a Coreia do Norte possui infraestrutura para produzir e trabalhar com deutereto de lítio. É mais provável que essa seja mais uma afirmação enfeitada do ditador Kim jong-un. (Ref.14 e 15)

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. Introduction to Quantum Mechanics (2° Edição); David J. Griffiths
  2. http://faculty.washington.edu/bulgac/560_2014/[Samuel_S._M._Wong]_Introductory_Nuclear_Physics.pdf
  3. http://www.nytimes.com/2015/03/24/science/hydrogen-bomb-physicists-book-runs-afoul-of-energy-department.html?_r=2
  4.  http://www.nuclearnonproliferation.org/LAMS1225.pdf
  5. http://fas.org/issues/nuclear-weapons/status-world-nuclear-forces/
  6.  http://www.nnsa.energy.gov/ 
  7. Effects of Nuclear Earth-Penetrator and Other Weapons
  8. Introductory Nuclear Physics, (3° Edição); Kenneth S. Krane
  9.  http://www.ldeo.columbia.edu/~richards/my_papers/khalturin_NZ_1-42%20.pdf
  10. http://journals.cambridge.org/action/displayAbstract?fromPage=online&aid=9992209&fileId=S0883769415002420
  11. http://www.cnduk.org/campaigns/global-abolition/effects-of-nuclear-weapons/item/444-how-do-nuclear-weapons-work?
  12. https://www.osti.gov/opennet/manhattan-project-history/Events/1945/hiroshima.htm
  13. http://www2.lbl.gov/abc/Basic.html 
  14. http://ee.stanford.edu/~hellman/sts152_02/handout02.pdf
  15. https://app.secure.griffith.edu.au/news/2016/01/07/h-bomb-analysis-must-focus-on-heu-question/
  16. https://www.utoronto.ca/news/whats-behind-north-koreas-hydrogen-bomb-claim