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Chocolate pode fazer bem à saúde?


          Nos últimos anos, criou-se um consenso entre a população de que o consumo moderado de chocolate traz benefícios significativos para a saúde. Porém, as pesquisas científicas que implantaram esse consenso, não visavam o chocolate em si, mas a um dos seus ingredientes: o cacau.

          O cacau, assim como diversas outras fontes vegetais, possui uma grande quantidade de flavonoides, moléculas orgânicas que fazem parte do grupo dos polifenóis. Os flavonoides são metabólitos produzidos pelas plantas que cumprem um amplo espectros de funções nesses seres, indo desde a pigmentação até a fixação de nitrogênio pelas leguminosas. A ingestão desses compostos por humanos, segundo indicam diversos estudos, pode trazer muitos benefícios para a saúde, incluindo atividades anticancerígenas, anti-inflamatórias e, principalmente, funções antioxidantes. Portanto, o chocolate, por ser classicamente feito com cacau, deveria conter boas quantidades de flavonoides e, desse modo, trazer possíveis benefícios à saúde. Só que existem três grandes problemas nesse pensamento.

O cacau PURO é muito saudável

             O primeiro problema é que, durante o processamento industrial do chocolate, o aquecimento e outros métodos de refinamento destroem quase todos os flavonoides existentes no cacau, deixando quantidades desprezíveis no produto final. Mesmo no chocolate amargo e em outros com alta porcentagem de cacau, as quantidades de flavonoides não são grandes, principalmente porque eles retiram, propositalmente, uma parte considerável desses compostos por causa do seu gosto extremamente amargo, algo que compromete a qualidade gustativa desses produtos. De qualquer forma, os mais escuros e amargos, com alta porcentagem de cacau e menos açúcares, são os mais recomendados em substituição aos mais claros. Porém, são poucos os que toleram o gosto desse tipo de chocolate, mas isso não impede as empresas gananciosas de venderem a benevolência deles para todos os outros tipos.

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         O segundo problema é que a maior parte dos chocolates é feita com quantidades pequenas de cacau e os chocolates brancos, praticamente, não contêm nada desse fruto, sendo, basicamente, uma mistura de leite, gordura e açúcar. Coloque o fator ´processamento´ em cima disso, e não teremos nada de flavonoides. Já o terceiro problema são as próprias pesquisas que embasam o poder dos flavonoides. Muitos dos efeitos que supostamente são atribuídos a essas substâncias ainda estão em fase de estudo e testes, não podendo ser completamente corroboradas como certas. Além disso, para completar o quadro, existem alguns trabalhos (Ref.11) recentes que não acham associação alguma entre o consumo de chocolate e melhor qualidade de vida.

O cacau presente nos chocolates não vale o consumo desses alimentos
          A indústria do chocolate movimenta, todos os anos, mais de 60 bilhões de dólares. Por isso, a maior parte desses estudos em cima do cacau são financiados, pesadamente, pelas grandes empresas de chocolate. Mesmo elas não fazendo nada de errado, os resultados dessas pesquisas muitas vezes são divulgados como sendo algo intrínseco aos chocolates. Ou seja, tudo que sai de bom do cacau puro é atribuído também ao doce. Ano passado, uma matéria do The New York Times foi campeã de compartilhamentos e visualizações. Com o título de ´To improve a memory, consider chocolate´ (´Para melhorar a memória, considere chocolate´), a matéria dizia que o consumo de chocolate promoveria uma otimização no desempenho da memória das pessoas, mas os estudos por traz dessa afirmação visavam, em específico, o cacau puro! Vários especialistas e organizações de saúde criticaram muito a reportagem por ela estar induzindo a um maior consumo desses doces pela população de forma insensata. E isso é mais do que perigoso, ainda mais considerando a já obesa e gulosa população norte-americana. E quem será que estava por trás dessa reportagem?  Filantropia é que não era. 

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           Chocolates populares, especialmente o branco, são apenas massas calóricas e açucaradas, e vão contribuir para a obesidade, diabetes, e outros problemas relacionados, se o seu consumo não for rigidamente controlado. Não vale o risco consumi-los em excesso apenas para obter quantidades ínfimas de flavonoides. Se você quer ingerir essas potenciais substâncias do bem, considere incluir mais verduras, frutas, sementes e legumes nas suas refeições. Você irá conseguir altas quantidades de flavonoides, além de diversos outros nutrientes essenciais ao bom funcionamento do seu corpo. Mas, infelizmente, isso não vira matéria de capa.

Alimentos com grande quantidade de Flavonoides: Casca vermelha dos amendoins; cacau puro; vinho (cuidado com o excesso!); frutas cítricas, como a laranja e tangerina; chá preto ( mas, claro, não o consuma com muito açúcar comum ou outros adoçantes calóricos); salsa; e arando.

Estrutura orgânica básica de um flavonoide

    
                      Siga o Instagram para entender melhor sobre as tabelas de informação                     nutricional dos alimentos: https://instagram.com/jeanoliveirafit


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0002822302000329
  2. http://ajcn.nutrition.org/content/95/3/740.short
  3.  http://www.chiroaccess.com/Articles/Chocolate-and-Your-Health.aspx?id=0000373
  4.  http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0963996900000697
  5. http://nutritionreviews.oxfordjournals.org/content/64/3/109.abstract 
  6. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0891584904004551
  7. http://online.liebertpub.com/doi/abs/10.1089/ars.2010.3697
  8. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/mnfr.201200595/abstract?userIsAuthenticated=false&deniedAccessCustomisedMessage=
  9. http://ajcn.nutrition.org/content/early/2014/11/26/ajcn.114.092221.short
  10. http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/10408398.2012.657921
  11. http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0123161