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Civilização Maia, chocolate e o colapso


- Artigo atualizado no dia 8 de agosto de 2018 -

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          Por cerca de 1200 anos, os Maias dominaram a América Central, trazendo grandes inovações científicas, um sofisticado sistema de escrita e uma complexa organização social. No pico populacional dessa grande civilização, entre 800 e 900 d.C., as cidades Maias abrigavam mais de 2 mil pessoas por milha quadrada, algo comparável com outras grandes cidades Europeias da mesma época. Porém, em um relativo curto espaço de tempo, os Maias sucumbiram, marcando um dos maiores desastres demográficos na história humana. Ainda é um mistério o conjunto de fatores que levaram a gloriosa sociedade Maia a desaparecer, mas um deles parece ter sido decisivo: mudanças climáticas. E, recentemente, um novo estudo publicado na Economic Anthropology revelou que o chocolate e as sementes de cacau podem ter contribuído para a tragédia, e mais: eram usados como moeda tão valiosa quanto o ouro pelos Maias!

            OBS.: A parte inicial deste artigo explora a história da civilização Maia (leitura mais do que recomendada). Na segunda parte - 'Maia, Cacau e Chocolate' - o novo estudo é explorado. 

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   MAIAS

          Iniciando seus primeiros passos na Península do Yucatán com a chegada de caçadores e coletores do território Norte-Americano há cerca de 11 mil anos, a antiga civilização Maia ocupou uma vasta área da Mesoamérica entre 2600 a.C. e 1200 d.C., englobando cinco países hoje estabelecidos: México, Guatemala, Belize, Honduras e Él Salvador. Evidências arqueológicas apontam que os Maias primeiro fincaram raízes na região da Guatemala, vivendo inicialmente uma vida baseada em agricultura e vilarejos (período Maia Pré-Clássico Inferior). Foi durante o período Pré-Clássico Médio (1000-700 a.C.) que comunidades sedentárias usando cerâmicas começaram a aparecer. As origens culturais da crescente complexação dessa civilização ainda é tema de intenso debate acadêmico. Hoje existem três principais hipóteses:

1. Os Maias teriam se desenvolvido quase que inteiramente por conta própria nas florestas do que hoje compreende os territórios da Guatemala e do sul do México.

2. Os Maias teriam se desenvolvido como resultado direto das influências da civilização Olmeca - localizada na Costa do Golfo. Os Olmecas eram os habitantes do sul da Veracruz e oeste de Tabasco, e bem antes de 1000 a.C. já estavam construindo um grande centro em San Lorenzo e produzindo elaboradas esculturas de pedra. Apesar de San Lorenzo não ter tido complexas pirâmides (uma das principais características da civilização Maia em seu auge), seu outro centro, La Venta, exibia um arranjo altamente formalizado de plaças e plataformas piramidais.

3. Escavações nos últimos anos em Ceibal, uma antiga cidade Maia em Guatemala, mostraram que essa região pré-data o principal centro Olmeca (La Venta) em cerca de 200 anos. Como os Olmecas possuíam outros centros mais antigos do que La Venta, isso não prova que o sistema cultural Maia surgiu primeiro, mas sugere que Ceibal, La Venta e outros territórios provavelmente participaram de uma substancial e complexa mescla cultural entre 1150 a.C. e 800 a.C., com o processo contribuindo tanto para a evolução sócio-cultural dos Olmecas na Costa do Golfo quanto dos Maias na Costa Pacífica.



          No período quando alcançaram seu pico (200-900 d.C.), os Maias se espalhavam ao longo de um território quase contínuo em torno de 311 mil quilômetros quadrados, englobando três áreas gerais:

- As florestas tropicais das terras baixas, indo do noroeste de Honduras, passando pela região Petén da Guatemala e entrando em Belize e em Chiapas. Essa área se tornou o coração da civilização Maia e incluía cidades como Copán, Yaxchilá, Tikal e Palenque.

- As terras altas na Guatemala e na Costa do Pacífico, onde a influência Asteca no Clássico Inferior gerou certas diferenças no desenvolvimento cultural em relação ao território Maia nas terras baixas.

- O norte da Península do Yucatán, cujas localidades incluem Labná, Chichen Itzá e Uxmal, e sendo caracterizado por vegetação arbustiva densa, solo fino, e pouca água superficial. Depois do colapso das cidades-estados - terminando o período Clássico - houve um aumento de migrações para a região de Yucatán, onde a cultura Maia continuou lutando pela sobrevivência até a chegada militar dos Toltecas.

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   PRÉ-CLÁSSICO

          O período Pré-Clássico Maia é dividido em três fases: Inferior, Médio e Superior. O Pré-Clássico Inferior marca o início da agricultura, com as mais antigas evidências arqueológicas conhecidas datando o cultivo de milho e a prática sistemática de queima bem antes de 2000 a.C., na região de Péten, Guatemala, e, mais tarde, se estendendo principalmente para a região de Cuello, Belize. Cerâmicas e arquitetura de casas começam a surgir entre 2000 a.C. e 1000 a.C. Nessa época a organização social era simples, baseada na subsistência e centrada na vida familiar.

          O Pré-Clássico Médio, entre 1000 a.C. e 300 a.C., já é caracterizado por um grande crescimento populacional e extensivo assentamento humano por todo o território Maia, deixando substanciais registros arqueológicos. Essa época marca o deslocamento dos Maias da costa até os vales populados por diversos rios, finalmente penetrando as áreas interiores (terras baixas). Casas estavam bastante disseminadas, mas as comunidades ainda eram pequenas e pouco esforço mostrava-se ainda encaminhado no sentido do desenvolvimento de arquitetura pública. Ideias sobre questões de hierarquia social começavam a brotar.

          No Pré-Clássico Superior, entre 300 a.C. e 200-250 a.C., a população nas terras baixas continuou a se expandir e a crescer, resultando em uma maior competição por território. Isso levou ao aumento na densidade dos assentamentos, maiores comunidades e ao desenvolvimento de melhores estratégias de ocupação. A civilização Maia começou a evoluir mecanismos mais elaborados e complexos para a coordenação, organização e alimentação da crescente população, com isso refletindo claramente nos novos métodos de agricultura e de arquitetura. A ocupação ao redor da região de Tikal tinha se iniciado e os Maias começaram a se aventurarem em projetos voltados para a construção de monumentos, entre plataformas e pirâmides. Aqui teve início o estabelecimento de um sistema de reinados - emergência de um alto rei (ahau) - ao longo do território Maia.

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   CLÁSSICO

          Com o estabelecimento dos reinos Maias, aqui testemunhamos o esplendor da civilização Maia, com grandes conquistas que incluíam distintos sistemas de escrita e de calendário; cerâmicas policrômicas; arquiteturas com arcos de consolo; sofisticadas astronomia e matemática; e grandes obras públicas, como pirâmides e palácios.

          O período Clássico é dividido geralmente em duas fases: Inferior e Superior. O que separa essas duas fases é um misterioso hiato onde houve uma desaceleração no processo de desenvolvimento das cidades - incluindo construção de monumentos e outras obras - na região central Maia, especialmente em Tikal. Especula-se que os Maias, durante esse hiato, estavam envolvidos em guerras, onde o foco teria se voltado para as ofensivas e fortalecimento militares.

   POLÍTICA

          Os Maias nunca foram unidos como um único império, vivendo em estados políticos individuais que estavam ligados juntos através do comércio, alianças políticas e obrigações tributárias. Alguns desses estados eram independentes, enquanto outros eram parte de hierarquias políticas maiores.

          Durante o Pré-Clássico Superior, os Maias ficaram organizados na maior parte do tempo em simples lideranças. Mas já no início do período Clássico, os governos Maias tomaram a forma de poderosos líderes centralizados, os quais legitimavam suas autoridades através das suas conexões políticas e alegadas linhagens divinas. Indivíduos que desobedeciam seus governantes encaravam punições severas, onde o povo acreditava que a obediência ao líder era crítica para a manutenção da harmonia do universo Maia. Sacrifícios humanos também se iniciaram no período Clássico, e era usado como uma ferramenta de controle religioso e social para reforçar o poder do governante e dos Deuses. No entanto, a escala de sacrifícios Maias foi longe de ser comparável àquela vista entre os Astecas (2).
         Ao longo do período Clássico e pós-Clássico, a Península de Yucátan foi divididos em 18 estados Maias, com várias cidades e vilas menores sob a jurisdição de uma cidade-capital. Nove desses estados eram governados por um único líder chamado de halach uinic (ou ahaw), enquanto os outros estavam sendo liderados por conselhos de elite de linhagens nobres ou estavam aliados com maiores estados. O poder do halach uinic era limitado pelo seu conselho (holpop) e conselheiros militares e estrangeiros especiais, mas continuava representando a mais alta autoridade no seu estado, sendo necessário uma linhagem nobre para detê-la. O ahaw, junto com o holpop, formulava as leis em cada estado Maia. Os governantes eram sucedidos, geralmente, pelos seus filhos, irmãos ou um candidato selecionado pelos sacerdotes e pelo conselho no caso da inexistência de parentes. As unidades governamentais no geral eram pequenas e um tanto instáveis, formando redes volúveis de alianças que podiam rapidamente mudar de uma geração para outra. As mais poderosas representavam Calakmul e Tikal.



         Cada estado Maia possuía um comandante militar supremo chamado de nacom. O nacom servia por um mandato de três anos e era responsável por formular estratégias militares e chamar as tropas para a batalha. Além disso, existia em cada estado um alto sacerdote, o qual liderava uma hierarquia de sacerdotes, determinava as datas para festivais e cerimônias, e predizia eventos futuros para o governante.



          Os halach uinic apontavam administradores para as vilas e cidades, chamados de batabs, estes os quais geralmente seguravam autoridade administrativa, judicial e militar sobre as suas cidades, assegurando também que tributos fossem pagos para o halach uinic e que suprimentos para as tropas estivessem prontamente disponíveis nos tempos de guerra. Os batabs não recebiam um 'salário', mas eram suportados pelas pessoas que viviam nas cidades ou nas vilas. Cada batab presidia em um conselho local composto por oficiais da cidade conhecido como ah cuh cabob. Esses conselhos encabeçavam diferentes subdivisões (nalil) dentro das cidades. Os Batabs também tinham assistentes (al kuleloob) que os ajudavam a carregar suas obrigações.



          Cada cidade tinha polícias (tupiles) que eram supervisionadas pelo batab e ficavam a cargo de manter a paz. Crimes muito graves, como estupro, incesto, assassinato, traição ao estado e ofensas aos Deuses eram punidos com a morte, exceto se fossem crimes acidentais (nesse caso, o ofensor era obrigado a pagar quantias de ressarcimento pelo ato criminoso). Outros crimes eram punidos com escravidão vitalícia ou temporária. Adultério era também considerado uma ofensa criminal, onde a mulher casada que cometesse uma traição era envergonhada em público e o amante - ou amantes - apedrejados até a morte. No caso de um marido trair a mulher, este era sentenciado à morte exceto se a traição ocorresse com uma mulher solteira. Em geral, os criminosos também possuíam direito ao perdão caso fosse de interesse dos ofendidos.


   SOCIEDADE

          A sociedade Maia era rigidamente dividida entre nobres, comuns, servos e escravos. A classe nobre era complexa e especializada. Servindo como governantes, oficiais de governo, coletores de tributo, líderes militares, altos sacerdotes, administradores locais, gerentes nas plantações de cacau e líderes de comércio de expedição, os nobres tinham suas ocupações e status definidos via linhagem familiar. Ricos e alfabetizados, os nobres tipicamente viviam nas áreas centrais de cidades Maias.

         Os comuns trabalhavam como fazendeiros, operários e serventes, atuando desde na agricultura até na construção de tempos. Eles eram proibidos de vestirem as roupas e símbolos da nobreza, e de comprarem ou usarem itens exóticos ou luxuosos. Os comuns geralmente viviam fora das áreas centrais das cidades e trabalhavam individualmente ou coletivamente em pedaços de terra liberados pela nobreza em troca do pagamento de tributos. Apesar das classes bem definidas, acredita-se que alguns comuns se tornavam bem ricos através do trabalho como artesãos e mercadores, e que a ascensão entre classes era possível através do serviço militar.



          Os servos geralmente trabalhavam em terras que pertenciam ao governante ou líder local, e possuíam bem menos direitos do que os comuns, não sendo permitido a eles, por exemplo, possuírem escravos. Existia um comércio ativo de escravos na região Maia, os quais eram negociados ou comprados por comuns ou pela nobreza. Indivíduos eram escravizados como uma forma de punição para certos crimes e por falharem em pagar suas dívidas. Prisioneiros de guerra que não eram sacrificados se tornavam escravos, e até mesmo indivíduos muito pobres vendiam a si mesmos ou membros da família para a escravidão. Filhos de escravos não recebiam automaticamente o status de escravo, mas órfãos abandonados se tornavam escravos e eram, às vezes, sacrificados durante rituais religiosos. Era comum os escravos serem sacrificados quando seus donos morriam, para que pudessem continuar a servi-los após a morte. Se uma mulher se casava com um homem escravo, ela se tornava também escrava do seu dono, e vice-versa.





          Com uma expectativa de vida em torno de 30 anos, os Maias geralmente se casavam ao redor dos 20 anos no caso dos homens e aos 16-17 anos no caso das mulheres. Os casamentos eram frequentemente arranjados, precisando ser aprovados pelo pai do noivo. Já a cerimônia era realizada por um sacerdote na casa do pai da noiva. Os noivos, então, ficavam 6-7 anos na casa onde se casaram - onde o noivo pagava tributos e serviços pela estadia e recebimento da noiva - para depois se mudarem para uma casa própria próximo da antiga casa. Os casais eram geralmente monogâmicos, mas homens ricos da nobreza podiam manter relações poligâmicas. Divórcios eram permitidos e realizados simplesmente quando uma das partes abandonava a relação, muitas vezes por problemas de infertilidade ou descumprimento com as obrigações familiares.


          Os filhos eram muito queridos e recebiam educação moral dos pais, sendo incerto se existiam escolas mas com evidências de que as crianças eram selecionadas desde cedo para se especializarem em certas profissões, como sacerdotes, escribas, artistas e construtores. Heranças de posses eram passadas de pais para filhos, existindo evidências também que certas profissões, títulos e cargos governamentais também o eram.


   CIDADES

          As cidades Maias compreendiam um vasto número de estruturas geralmente muito bem adornadas e habilmente construídas, especialmente palácios e pirâmides. Essas cidades eram desenvolvidas de forma não-planejada no geral, com vários templos e complexos de palácios sendo destruídos e reconstruídos muitas vezes ao longo dos séculos. Muros eram raros nas cidades, com a exceção de algumas delas datadas do período de colapso da civilização Maia, para a proteção contra inimigos que estavam atacando por todos os lados aproveitando o declínio civilizatório.



          Os templos-pirâmides são os mais marcantes elementos desenvolvidos pelos Maias, e eram construídos a partir de blocos de calcário cortados a mão e erguidos ao redor de estruturas diversas. Porém, os palácios eram os mais abundantes empreendimentos, sendo menos imponentes do que as pirâmides e diferindo dessas últimas por abrigar áreas de pátio. É provável que ambas construções serviam para propósitos exclusivamente ritualísticos, mas talvez os palácios podem ter servido também como moradia para governantes ou sacerdotes.



   ESCRITA

          O sistema de escrita Maia é considerado pelos arqueólogos como o mais sofisticados sistema do tipo a ser desenvolvido na Mesoamérica. Os Maias escreviam usando 800 signos individuais ou hieróglifos, organizados em colunas que eram lidas da esquerda para a direita e de cima para baixo. Esses hieróglifos representavam palavras ou sílabas que poderiam ser combinadas para formar qualquer palavra ou conceitos na linguagem Maia, incluindo números, períodos temporais, nomes reais, títulos, eventos dinásticos, e o nome de deuses, escribas, escultores, objetos, lugares, alimentos, etc. Os hieróglifos eram tanto gravados em pedras e madeira sobre monumentos Maias e arquiteturas, ou pintados sobre papel, paredes de gesso e cerâmica.


          O sistema de escrita Maia não possuía alfabeto e é difícil de ser interpretado por vários motivos. Primeiro, os hieróglifos não representavam apenas sons ou ideias, mas também podiam representar ambos. Além disso, muitos hieróglifos podem ter mais de um significado, e muitos conceitos Maias podem ser escritos em mais de uma forma. Números, por exemplo, podem ser escritos como símbolos numéricos ou com a imagem de um deus associada com aquele número, ou uma combinação dos dois. Alguns hieróglifos representavam mais de um som fonético, enquanto também representando uma ideia. Isso significa que uma única ideia pode ser escrita de várias formas diferentes. Somando-se a isso, existiam cerca de 31 linguagens diferentes dentro da civilização Maia.



          O propósito principal da escrita entre os Maias era a propaganda, e não o registro histórico da sociedade. Governantes e nobres competindo por poder, usavam a escrita para reforçar suas linhagens especiais e a aprovação dos deuses em relação ao status. Hieróglifo gravados em monumentos públicos visavam pintar a mais favorável imagem do governante supremo, desde conquistas militares até a administração política.

          Os Maias também pintavam hieróglifos em códices feitos de pele de veado ou papel feito da árvore de figo (alvejado), os quais eram então cobertos com uma fina camada de gesso e dobrados em um estilo padronizado. As inscrições feitas nos códices eram pintadas por escribas altamente treinados, e registravam rituais, cronologias e importantes eventos.

          Infelizmente, os conquistadores Espanhóis, no século XVI, acabaram queimando muitos desses códices na tentativa de converter os Maias para o Cristianismo. De qualquer forma, os poucos que sobraram acabaram sendo de grande valor para o entendimento da cultura Maia, incluindo o Códex de Dresden (78 páginas), Códex de Madri (112 páginas), Códex de Paris (22 páginas) e o Códex de Grolier (20 páginas).



           Outro fato que ajudou bastante no entendimento da cultura Maia é que, após o contato com a cultura Europeia, os Maias aprenderam e começaram a utilizar a escrita Romana para registrarem suas próprias linguagens ou estabelecerem contato com os Espanhóis. Além disso, após a conquista Espanhola, os Maias que restaram da civilização passaram a escrever vários livros, como o Popul Vuh e os Livros de Chilam Balam. No restante, os pesquisadores se baseiam nos textos hieroglíficos gravados em cerâmicas, monumentos e outros vestígios arqueológicos para decifrarem os mistérios Maias.


   ARTE E CIÊNCIA

          Avanços na arte Maia podem ser vistos em esculturas, vestígios de pinturas, e na beleza das suas porcelanas, pedras e jade preservados em altares e monumentos históricos. Grande parte da arte Maia é distinta da Europeia e é facilmente reconhecível.

          Cientificamente, os Maias foram mais progressivos do que qualquer outra civilização nessa época, avançando nessa área muito além do que necessitavam. Começando, o grande detalhamento no planejamento das cidades, como Tikal, e a arquitetura das pirâmides deixam claro a habilidade de engenharia dessa civilização. Ao invés de construírem simplesmente colocando uma pedra em cima da outra como muitos grupos indígenas dessa época, os Maias levavam em conta fatores como estresse e tensão.

          Talvez o mais famoso invento Maia seja seu sofisticado sistema de calendário, o qual permitia que eles plotassem o tempo para os próximos 400 milhões de anos e previssem fenômenos como o movimento dos planetas e os eclipses do Sol e da Lua com uma precisão próxima de segundos. Os Maias calcularam o total de dias no ano como sendo 365,2420 dias, sendo que o atual valor aceito é 365,2422.

          O sistema numérico dos Maias permitia que eles somassem números na casa dos milhões e compreendessem o conceito matemático do valor zero à frente de quase todas as outras culturas, com exceção dos antigos Indianos (Império Gupta). Mesmo os Romanos e os Gregos não utilizavam o zero, por não entenderem o seu conceito na matemática (1). O zero só se espalhou na Europa, a partir da Índia, no século XII d.C.! Leonardo de Pisa trouxe o zero para os Europeus junto com o resto dos numerais Árabes na sua viagem de volta do Norte da África.
          O sistema de agricultura Maia teve bastante sucesso, através da contínua otimização da prática de queima e corte de florestas e revezamento entre as áreas de plantio para permitir a recuperação das regiões desmatadas.  Além disso, foram os primeiros a manufaturarem a borracha e a cultivarem cacau, mamão e o aguacate.

          Apesar de todos esses avanços, os Maias nunca passaram a Idade da Pedra, limitando-se ao uso de ferramentas de pedra e ao fogo. Além disso, não chegaram a inventar a roda.


   MATEMÁTICA

          A matemática Maia se destaca na Antiguidade e a nível mundial. O sistema de contagem Maia precisava de apenas três símbolos: um ponto representando um valor de 1, uma barra representando 5 e uma concha representando o zero. Esses três símbolos eram usados em várias combinações, tanto para a construção dos calendários e observações astronômicas como para solucionar problemas do dia-a-dia, especialmente entre comerciantes. Como era um sistema bem simples e intuitivo, mesmo pessoas pouco 'escolarizadas' conseguiam utilizá-lo com facilidade para problemas de aritmética pouco complexos.


          Os Maias usavam o vigésimo sistema para seus cálculos, ou seja, um sistema baseado em 20 ao invés de 10. Isso significa que ao invés de 1, 10, 100, 1000... do nosso sistema matemático, os Maias usavam 1, 20, 400, 8000..., e os números eram escritos de cima para baixo, ao invés de horizontalmente. Para exemplificar como funcionava a numeração Maia, o número 12 era escrito com duas barras uma em cima da outra (5 + 5 = 10) e com dois pontos no topo (10 + 1 + 1 = 12). Já para representar números maiores do que 19, temos a representação de um ponto por cima do número para indicar o acréscimo de um grupo de 20. Por exemplo, o número 20 consiste de um ponto sobre o símbolo de zero (20 + 0 = 20) e o número 32 é representado como o símbolo para 12 - anteriormente descrito - com um ponto em cima (20 + 12 = 32).

          Os cálculos de soma e subtração nesse sistema eram bem simples, necessitando apenas colocar um número-símbolo lado a lado e, literalmente fundi-los ou retirar quantitativamente símbolos iguais. Para exemplificar, duas barras e um único ponto representando 11 poderiam ser adicionados a um barra representando 5 para a construção de três barras e um ponto, ou seja, 16.

          Os Maias consideravam alguns números sagrados, como o 20, o qual representava a soma de todos os dedos dos pés e das mãos. Nesse sentido, outro número especial era o 5, o qual representava o número de dedos em uma mão ou em um pé. Já o 13 também era sagrado, por representar o número de deuses originais dessa civilização, com o 400 mais tarde também considerado sagrado por representar o número de deuses da noite. Mais um válido de ser citado é o 52, o qual era uma espécie de 'século' para eles (para nós, seria 100).

          Além dos pontos, barras e conchas, os Maias também costumavam representar muitos números com hieróglifos.


   CALENDÁRIO

          O calendário Maia é extremamente acurado e bastante complexo, e sua forma final provavelmente data em torno do século I a.C., e pode ter tido inspirações na civilização Olmeca. Os cálculos dos sacerdotes Maias eram tão precisos que a correção do calendário deles é 1/10000 de um dia mais exato do que o calendário padrão que o mundo usa atualmente.

          Os Maias usavam um mês de 20 dias e tinham dois calendários anuais: o de 260 dias (tzolkin) e o de 365 dias (haab). Esses dois calendários coincidiam a cada 52 anos, intervalo este chamado de bundle e equivalente ao nosso século em termos de simbolismo.

          O tzolkin é composto de dois ciclos menores: os números 1 até 13, agrupados com 20 diferentes nomes de dias (Imix, Ik, Akbal, Kan, Chicchan, Cimi, Manik, Lamat, Muluc, Oc, Chuen, Eb, Ben, Ix, Men, Cib, Caban, Eiznab, Cauac, e Ahau). Cada um desses nomes é representado por um deus que carrega o tempo através do céu, portanto marcando a passagem do dia para a noite. Nesse calendário de 260 dias, o tempo não passa ao longo de uma linha, mas se move em um círculo repetitivo similar a uma espiral. Os dois ciclos de 13 e 20 se entrelaçam e são repetidos sem interrupção. Nesse sentido, o calendário começaria com 1 Imix, 2 lk, 3 Akbal, e assim por diante até 13 Ben, após o qual o ciclo continua com 1 lx, 2 Men, etc.



          Ninguém sabe ao certo a base de existência desse exótico calendário, podendo ter relação com eventos astronômicos ou mesmo com o intervalo entre a concepção e o nascimento de um bebê humano (260 dias fica muito próximo de 9 meses). De qualquer forma, esse calendário era muito importante para os Maias, porque organizava diversas atividades humanas e ligadas aos deuses, incluindo casamentos, datas de batalha, predições de futuro, etc.

          Já o haab de 365 dias é similar ao nosso calendário moderno, consistindo de 18 meses de 20 dias cada, com um período de 5 dias no final que era associado com o azar. Esse era baseado no ciclo solar e visava as estações do ano e a agricultura. Cada um dos 18 meses possuía um nome: Pop, Uo, Zip, Zotz, Tzec, Xuc, Yaxkin, Mol, Chen, Yax, Zac, Ceh, Mac, Kankin, Maun, Pax, Kayab e Cumku. O período de azar com 5 dias também levava um nome: uayeb. Especula-se que o ano novo Maia era iniciado no período que hoje associamos com julho, ou seja, o mês Pop.



          A ligação entre o tzolkin e o haab resultava em um ciclo mais longo de 18980 dias, ou aproximadamente 52 anos solares. O fim desse ciclo de 52 anos era bastante temido entre os Maias, porque eles acreditavam que era quando o mundo podia chegar ao fim e o céu cair, caso os deuses não estivessem satisfeitos com o modo que a humanidade estava agindo.

          No entanto, o ciclo de 52 anos era inadequado para medir a contínua passagem do tempo através das eras. Outro calendário foi portanto desenvolvido pelos Maias para essa função, o 'Conta Longa'. Esse calendário era baseado nas seguintes unidades de tempo: um kin (1 dia), um uinal (1 mês de 20 kins), um tun (1 ano de 360 kins ou 18 uinals), um katun (20 tuns), e um baktun (20 katuns ou 400 anos). Unidades maiores incluíam o pictun, o calabtun, o kinchiltun e o analtun - este último, o qual, equivalia a 64 milhões de anos (os Maias, por exemplo, muitas vezes vaziam predições em monumentos públicos que datavam 90 milhões de anos no futuro). O Conta Longa começava no início do ciclo de criação, assim como usamos o nascimento de Cristo para localizar os séculos e anos. Estima-se que esse início Maia marcava o ano de 3114 a.C. ou 3113 a.C. em relação ao nosso calendário.


   ASTRONOMIA, ASTROLOGIA E MITOLOGIA

          As intensas e precisas observações Maias do céu possibilitaram a criação do calendário de 365 dias e previsões astronômicas com margens de erros dentro da escala de minutos apenas. Nas cidades Maias, as construções cerimoniais, como as pirâmides, eram precisamente alinhadas com direções de compasso a diversos eventos astronômicos. Alinhamentos estavam relacionados ao exterior e/ou ao interior dos templos e palácios.



          Essas obsessões com os cálculos e alinhamentos objetivavam principalmente venerar os deuses. De fato, os calendários, mitologia e astrologia Maias eram integrados em um único sistema de crença. Muitas das cidades Maias possuíam, inclusive, grandes construções com a função exclusiva de observatórios astronômicos. Transferências de poder real, por exemplo, provavelmente eram alinhadas com o solstício em certos centros Maias, e o alinhamento do Sol, da Lua, Marte, Júpiter e Saturno era um evento associado ao nascimento primordial dos três deuses ancestrais da dinastia Palenque com a Primeira Mãe (a Lua). E, como já mencionado, a cada 52 anos os Maias temiam que os deuses poderiam acabar com o mundo. Generalizando, a mecânica de movimentação dos corpos celestes era vista pelos Maias como atividades diversas dos deuses desde o tempo da Criação e, por isso, deveriam ser observadas, descritas e registradas de forma minuciosa e dedicada.



          Os Maias acreditavam que os deuses guiavam o Sol e a Lua ao longo do céu e, mesmo na escuridão da noite, acreditavam que o Sol e a Lua continuavam a jornada pelo Submundo, ameaçados por todo o caminho pelos deuses malignos que queriam impedir o processo. Para ajudar os deuses na crucial jornada cíclica, os Maias realizavam diversos rituais sagrados envolvendo auto-mutilação, tortura e sacrifícios humanos. Morte de tais rituais eram considerado um privilégio.

          O planeta Vênus possuía grande importância para os Maias, e representava o poderoso deus Quetzalcoatl. No Códice Dresden, existem várias tabulações das aparições de Vênus, sendo usadas para a predição do futuro. Aliás, os Maias eram guiados para a guerra justamente por Vênus, este o qual está associado arqueologicamente com eventos de ataques e capturas de cidades e vilas, particularmente como uma "estrela" noturna. No geral, períodos de guerra estavam relacionados com a movimentação de Vênus por toda a Mesoamérica, não sendo algo limitado aos Maias.

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   COLAPSO MAIA

         Alcançando o máximo de desenvolvimento ao redor do 900 d.C., as cidades Maias entraram em um misterioso e profundo processo de declínio. Essa fase é conhecida como Período Clássico Terminal (~800-1000 d.C.), e marca o rápido e progressivo processo de implosão da civilização Maia. Existem diversas hipóteses que tentam explicar o que ocorreu, mas nenhuma ainda completa o quadro, juntas ou isoladas.

          O que sabemos é que de uma hora para outra, os espetaculares templos, pirâmides e palácios que tiveram grande ascensão durante o período Clássico foram quase que completamente abandonados, com o processo tendo início na parte sul do território Maia. Obviamente, os habitantes Maias não desapareceram como um evento "Leftover", mas simplesmente abandonaram suas infraestruturas, sistema político e estilo de vida - resistindo um pouco mais entre os Maias que migraram para a região de Yucatán, mas apenas até a chegada belicosa dos Toltecas. Algumas atividades ainda continuaram, como o manejamento das florestas, pelo menos até o tempo de conquista dos Espanhóis em ~1530 d.C., onde após a colonização, a antiga civilização Maia acabou de vez (fim do período Pós-Clássico, 900-1521 d.C.). No entanto, a prática de agricultura desenvolvida pelos Maias perdurou até os dias de hoje entre povos nativos tradicionais descendentes dessa civilização, entre outros traços culturais.

          As principais hipóteses para explicar esse profundo declínio têm relação com as mudanças climáticas, onde os cientistas apontam que períodos de grandes secas coincidiram com os eventos do colapso. E muitos pesquisadores também colocam uma pesada culpa dessas anormais secas com o sistema de devastação das florestas carregado pelos Maias. Mesmo essa civilização tentando estabelecer um equilíbrio entre a destruição florestal - para a construção de cidades e para a agricultura - e fases de recuperação - períodos de revezamento onde os Maias exploravam outras áreas e deixam a anterior em paz por cerca de 10 anos -, o crescimento populacional acelerado forçou uma maior devastação ambiental durante o período Clássico. Estudos mostram que uma massiva perda de cobertura vegetal nessa época tinha o potencial de aumentar a temperatura média de forma significativa e diminuir substancialmente o regime de chuvas na região.


         Um estudo recente publicado na Science (Ref.16), analisando isótopos de deutério e de oxigênio (17 e 18) conservados em gesso sedimentar no Lago Chichancanab, México, mostrou que nesse período houve um declínio de precipitação entre 41% e 54% (com intervalos de até 70% de redução das chuvas durante os picos de condições secas) e que a umidade relativa do ar diminuiu de 2% a 7% quando comparado com as condições atmosféricas de hoje.  

         A civilização Maia era fortemente dependente do milho e das chuvas, estas as quais eram muitas vezes escassas em várias regiões Mesoamericanas. Nesse sentido, uma crise de fortes secas era a última coisa desejada. Por outro lado, as ocorrências de grandes secas provavelmente não são o único fator capaz de explicar a queda de uma civilização milenar inteira em um espaço de tempo tão curto. Guerras, epidemias e crises econômicas podem também ter contribuído para o colapso.

          Hoje os Maias (descendentes da antiga civilização) totalizam cerca de 6 milhões de pessoas, tornando-os inclusive o maior bloco único de indígenas no norte do Peru. Alguns dos maiores grupos Maias são encontrados no México, com os mais importantes sendo os Yucatecas (~300 mil indivíduos), os Tzotizilas (~120 mil) e os Tzeltalas (~80 mil). Cada um dos 31 grupos Maias distribuídos ao longo da América Central hoje utilizam uma diferente linguagem, mas com todas pertencendo à família linguística Maia. Apesar de um ou outro grupo Maia moderno estar ameaçado de extinção - como os Lacandónas na floresta de Chiapas -, a maior parte continua em grande crescimento populacional, conseguindo preservar bem suas identidades culturais mesmo sendo afetados por influências culturais e tecnológicas estrangeiras. Um dos grandes desafios hoje para os Maias modernos é a crescente devastação das florestas por setores agropecuários e industriais.


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   MAIAS, CACAU E O CHOCOLATE

          De acordo com um estudo publicado recentemente na Economic Anthropology (Ref.1), o chocolate pode ter valido tanto quanto o ouro vale para nós entre os Maias, se tornando uma forma de dinheiro e que a grande perda de produção desse produto pode ter contribuído para o declínio da civilização.

          Os antigos Maias nunca usaram moedas - ou seja, objetos com o propósito exclusivamente de troca comercial ou pagamento de tributos - como dinheiro, mas assim como várias antigas civilizações, eles trocavam itens como tabaco, milho, roupas e sementes por outros produtos. Registros mostram que os Europeus no século XVI chegaram a utilizar extensivamente as sementes de cacau - a base do chocolate - para pagar trabalhadores nas colônias Mesoamericanas, mas ainda era uma dúvida o quão importante eram as sementes de cacau e seus subprodutos nos mercados Maias, e se tais itens chegaram de fato a se transformarem na mais importante forma de dinheiro dessa civilização.

          Para descobrir, Joanne Baron, uma arqueóloga da Bard Early College Network, em Newark, New Jersey, analisou diversas obras de arte Maias, focando em imagens do período Clássico que compreendiam as terras baixas no sul do que é hoje o México e na América Central. Apesar do chocolate não ter aparecido muito nas artes mais antigas, esse produto se tornou muito prevalente a partir do século VIII d.C. E esse período coincide com a época em que os Maias estavam usando o chocolate e, principalmente, as sementes de cacau (parcialmente preparadas/fermentadas) como forma de pagamento tanto para produtos quanto para serviços em geral.



          Murais do século VII descobertos em Calakmul já tinham revelado que tanto os tecidos quanto o cacau estavam sendo usados como meio de troca no mercado, apesar de não serem exclusivos nesse papel. Esses murais apareciam em uma pequena pirâmide radial no centro do que pode ter sido um complexo comercial, e incluem a imagem de uma mulher oferecendo uma tigela do que é provavelmente chocolate espumado em troca de uma massa de pamonha. Isso sugere que, nessa época, apesar do chocolate já ser considerado um produto de bastante valor no mercado, ainda não era utilizado como uma forma de moeda.


Fonte: Joanne Baron

          Porém, evidências mais tarde mostram que o chocolate se tornou semelhante a moedas na forma de sementes secas e fermentadas de cacau. Baron, no novo estudo, documentou quase 180 diferentes cenas de murais e cerâmicas entre os anos 691 d.C e 900 d.C., as quais mostram mercadorias sendo entregues aos líderes Maias como um tributo ou um tipo de taxa. Itens como tabaco e grãos de milho eram às vezes entregues como tributos, mas os mais frequentes nessas artes eram pedaços de tecidos e bolsas marcadas com a quantidade de sementes de cacau que elas guardavam. O fato de Reis Maias estarem coletando extensivamente cacau e tecidos como taxas mostra que ambos se tornaram uma moeda monetária já no início do século VIII. As quantidades coletadas eram absurdamente maiores do que os palácios de fato consumiam, com o excesso sendo usado provavelmente para pagar trabalhadores ou comprar coisas variadas nos mercados.



         O novo estudo também mostrou que tecidos diversos de algodão também ganharam um status de dinheiro nessa época, mas provavelmente com um valor bem menor do que o cacau, este o qual era fácil de ser monopolizado pelos governantes - por crescer apenas em algumas áreas e condições específicas -, enquanto tecidos podiam ser fabricados em qualquer território Maia. Além disso, as sementes de cacau eram muito convenientes como dinheiro, porque quando havia necessidade de diminuir a inflação no mercado, boa parte delas eram retiradas para a produção de chocolate - de forma compulsória muitas vezes já que o cacau é um produto perecível. Por outro lado, falsificações eram um problema comum, onde indivíduos inescrupulosos removiam a polpa das sementes de cacau e as substituíam com cascas de abacate ou terra.

          Nesse sentido, com a importância do cacau e do chocolate para o sistema econômico Maia no período Clássico, Baron sugere no novo estudo que as fortes secas que atingiram os territórios Maias provavelmente afetaram de forma trágica o cultivo das árvores de cacau. Essa desastrosa perda pode ter contribuído para o colapso Maia em uma importante extensão.



REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://anthrosource.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/sea2.12118
  2. http://science.sciencemag.org/content/340/6131/467
  3. http://www.marc.ucsb.edu/
  4. https://www.nytimes.com/2018/02/03/world/americas/mayan-city-discovery-laser.html
  5. https://www.historymuseum.ca/cmc/exhibitions/civil/maya/mmc09eng.shtml
  6. https://www.historymuseum.ca/cmc/exhibitions/civil/maya/mmc05eng.shtml
  7. http://tarlton.law.utexas.edu/c.php?g=424847&p=3593021
  8. https://www.historymuseum.ca/cmc/exhibitions/civil/maya/mmc06eng.shtml
  9. https://web.stanford.edu/class/e297c/trade_environment/photo/hmayan.html
  10. https://science.nasa.gov/science-news/science-at-nasa/2009/06oct_maya
  11. http://www.latinamericanstudies.org/calakmul-2.htm
  12. https://www.metmuseum.org/toah/keywords/maya-art/
  13. http://www.instituteofmexicodc.org/magaloni.php
  14. https://www.historymuseum.ca/cmc/exhibitions/civil/maya/mmp08eng.shtml
  15. http://www.britishmuseum.org/
  16. http://science.sciencemag.org/content/361/6401/498