Qual é a relação entre porcos domésticos e javalis?
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| Figura 1. Ilustração de um javali selvagem. |
Porco ou suíno é um termo popular usado para fazer referência a vários mamíferos ungulados artiodátilos da subordem Suoidea (Suina ou Suiformes). Dentro dessa subordem existem duas famílias: Suidae (Fig.2) e Tayassuidae (Fig.3). Mais comumente, porcos fazem referência aos suídeos (Suidae). E um dos suídeos mais conhecidos do mundo é o javali (Sus scrofa). O javali emergiu no Sudeste Asiático há ~3-5 milhões de anos (Ref.2) e é a única espécie de porco que foi domesticada por humanos (Fig.4). Sim, os porcos domésticos são javalis domesticados, e são considerados uma espécie à parte (Sus domesticus) ou uma subespécie do javali (Sus scrofa domesticus). A domesticação do javali parece ter ocorrido de forma independente em duas regiões: há ~8 mil anos no sul da China (Ref.3) e há ~10 mil na Anatólia (região do Oriente Próximo) (Ref.4).
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Os javalis são animais grandes e agressivos que vivem de forma independente, muitos deles na floresta, buscando alimento na vegetação rasteira. Eles têm cabeças, bocas e dentes maiores do que os porcos domésticos. Possuem de 1,5 até 2,4 m de comprimento e massa corporal que varia de 66 até ~300 kg, com machos tipicamente exibindo maior porte corporal (Ref.11). Os caninos superiores geralmente medem de 5 a 10 cm e normalmente são visíveis mesmo com a boca fechada. Onívoros, se alimentam predominantemente de plantas e derivados (sementes, frutos, raízes, etc.), mas podem também consumir ovos de aves, pequenos roedores, insetos, vermes e carcaças. Filhotes de javalis possuem listras no dorso que atuam na camuflagem entre a vegetação rasteira e nos ninhos. Fêmeas são sociáveis e vivem em grupos familiares matrilíneos, enquanto machos são solitários.
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| Figura 5. Javali-Indiano (Sus scrofa cristatus). Difere mais notavelmente do javali-europeu (Sus scrofa scrofa) pela grande crina de pelos no dorso. Mede entre 1,5 e 2 m e pesa até 200 kg. |
Embora a maioria dos javalis seja naturalmente agressiva, alguns são mais amigáveis e menos receosos com a nossa espécie, ou seja, são capazes de viver próximos de humanos. Esses javalis mais tolerantes podem ter sido inicialmente atraídos aos assentamentos humanos visando acesso fácil a alimentos e restos alimentares. A convivência com humanos e a maior disponibilidade de alimentos teriam reduzido a pressão seletiva para javalis com físicos mais robustos e mais agressivos. Eventualmente humanos começaram a criar esses animais, com seleção artificial se somando na evolução dos javalis para porcos domésticos.
Esse processo de domesticação ocorreu em taxas dramaticamente distintas na Eurásia Ocidental e no Leste Asiático, com os porcos sendo mantidos em confinamentos dentro de assentamentos humanos desde os estágios iniciais de convivência na China, enquanto que porcos domesticados na Anatólia e levados para a Europa há ~8,5 mil anos (Ref.12), até o final da Idade Média, eram deixados livres em florestas - prática que só foi amplamente abandonada no século XVII. Isso resultou em duas populações de porcos domésticos na Eurásia geneticamente bem distintas.
Durante esse período, múltiplos fenótipos se desenvolveram sob a influência da seleção artificial e de adaptação local (ex.: clima, altitude e latitude), incluindo porte corporal, qualidade da carne, cor da pelagem e resistência a doenças. Atualmente, existem aproximadamente mais de 730 linhagens de porcos domésticos, das quais dois terços estão distribuídas na Europa e na Ásia (Ref.13). Além disso, intenso fluxo genético entre porcos selvagens e domésticos - criando híbridos (Fig.6) - também acabaram marcando a evolução e diversificação desses suínos. Aliás, hibridização de porcos domesticados na Anatólia com javalis na Europa levou quase ao desaparecimento de ancestralidade anatoliana no genoma nuclear dos porcos domésticos europeus (Ref.14).
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| Figura 6. Adulto e filhotes híbridos de Sus scrofa no sul da Itália, resultantes de fluxo genético entre javalis e porcos ferais. Ref.15 |
Também relevante, porcos domésticos que retornam ao ambiente selvagem podem evoluir sob um processo de feralização, dando origem a porcos ferais com traços adaptativos pré-domesticação e sem dependência humana para alimentação - embora o processo não seja uma simples reversão do estado domesticado (Ref.16). Quanto mais gerações sob pressão do ambiente selvagem, maior a transformação fenotípica e do microbioma intestinal dos porcos domésticos evoluindo para a forma feral. Um exemplo aqui no Brasil de feralização é o porco-monteiro no Pantanal (Fig.7).
Assentamentos Portugueses e Espanhóis estabelecidos entre os séculos XV e XVI no Brasil foram os responsáveis por introduzir o porco doméstico na América do Sul. Os exploradores portugueses costumavam promover a soltura de porcos e cabras em novas terras invadidas para beneficiar as ondas subsequentes de colonizadores com recursos de caça. Portanto, não é improvável que os primeiros processos de feralização de porcos domésticos no Brasil Central, especialmente no Pantanal, tenham começado no final do século XVIII. Além disso, esses primeiros colonizadores promoveram a caça sistemática de grandes felinos (ex.: Panthera onca e Puma concolor) no centro do Brasil para reduzir a pressão de predação sobre o gado e, consequentemente, sobre os porcos domésticos criados soltos.
A Guerra do Paraguai, na segunda metade do século XIX, pode ter contribuído para a dispersão de populações aferentes ao longo da bacia do rio Paraguai e influenciado a origem do ecótipo de porco-monteiro do Pantanal. Desde então, esses porcos ferais se disseminaram pelo Pantanal brasileiro e passaram a representar uma parcela significativa da biomassa de grandes mamíferos na região.
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> Nos últimos ~4 mil anos, humanos também mediaram a dispersão de múltiplas espécies de porcos do gênero Sus ao longo de várias ilhas no Sudeste Asiático e na Oceania, incluindo porcos domésticos e espécies endêmicas de Java (S. verrucosus) e de Sulawesi (S. celebensis). Muitos dos porcos domésticos que escaparam se tornaram ferais e, em alguns casos, hibridizaram com a espécie S. celebensis. Na ilha de Komodo, esses porcos híbridos são atualmente uma das principais fontes alimentares dos dragões-de-Komodo na região. Ref.18
> Com exceção dos javalis, porcos ferais e porcos domésticos (Sus scrofa) que habitam a Eurásia, todas as outras espécies de porcos do gênero Sus são restritas às ilhas do Sudeste Asiático e evoluíram sob isolamento insular. Ref.19
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Islã, Judaísmo e Porco
A produção de carne suína é relativamente barata em comparação com a produção de carne bovina, carne de carneiro e outros alimentos de origem animal ricos em proteínas, porque os porcos podem consumir produtos em decomposição e lixo, ao contrário desses outros animais. Os porcos podem ser criados para a produção de carne suína, bacon, presunto e fiambre. Além desses produtos, os porcos são a fonte de intestinos usados para a produção de linguiças naturais e outros produtos. E importante, os porcos domésticos possuem uma alta taxa reprodutiva, alcançam a maturidade sexual (puberdade) aos 5-6 meses de idade em ambos os sexos, entram no cio a cada 18-24 dias e possuem uma gestação de apenas 112-120 dias.
Esses fatores tornam a criação de porcos e o consumo de carne suína muito populares e desejáveis ao redor do mundo.
Porém, duas grandes religiões abraâmicas não permitem o consumo de carne suína: Judaísmo e Islamismo. Tanto o livro sagrado do Islã (Alcorão) quanto a Bíblia Hebraica (Tanakh) proíbem veementemente seus seguidores de consumir carniça, "alimentos impuros" - incluindo porcos - e sangue de qualquer origem.
No Alcorão temos a passagem: "Ele apenas vos proibiu a carne de animais mortos, o sangue, a carne de porco e tudo aquilo sobre o qual qualquer outro nome tenha sido invocado além do de Deus. Pois Deus é Indulgente, Misericordioso" (Surata Al-Baqarah 2: 173). Já no Livro de Levítico do Tanakh, temos uma passagem alertando que o porco "é impuro para você; da sua carne, você não deve comer, e sua carcaça você não deve tocar".
O mais notável sobre esse "tabu" é que não temos uma resposta conclusiva do porquê o consumo de porco foi proibido nessas religiões.
No Oriente Próximo - região geográfica e histórica que abrange o Levante (Síria, Líbano, Israel, Palestina, Jordânia), Mesopotâmia (Iraque), Anatólia (Turquia) e o Egito - o consumo de porcos teve uma ascensão e eventual queda. Os habitantes das primeiras cidades da Idade do Bronze (3500-1200 a.C.) eram entusiásticos consumidores de porcos, e até mesmo na Idade do Ferro (1200-586 a.C.) habitantes de Jerusalém apreciavam ocasionais festas com consumo de suínos (Ref.21).
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| Figura 9. Uma estatueta de terracota em forma de porco feita no Egito por volta de 3000 a.C., durante o período dinástico inicial. |
Mas evidências arqueológicas apontam que no início da Idade do Ferro, há mais de 3 mil anos, a criação de porcos na Anatólia virtualmente cessou e por motivos incertos. A criação de caprinos e bovinos tomou conta, junto com a ascensão do comércio de lã e laticínios. E, nesse processo, talvez os porcos acabaram desvalorizados e vulneráveis a crenças ou julgamentos negativos.
A Bíblia Hebraica parece ter sido escrita entre ~600 e 300 a.C. Muitos historiadores assumem que essa proibição reflete uma antiga tradição que remonta aos israelitas, que, por volta de 1200 a.C., viviam nas terras altas do sul do Levante com rebanhos de ovelhas e cabras e bovinos. Suínos não são tipicamente associados ao modo de vida nômade e pastoralista, especialmente no Oriente Próximo. De fato, o texto bíblico traz junto à proibição do consumo de porco que esse animal "possui cascos e não rumina" - ou seja, distinto dos animais criados por pastores.
Mas por que a proibição do consumo de porcos é tão marcante na tradição judaica?
Embora a Torá proíba o consumo de carne de porco, ela não é mencionada com mais ênfase do que outras proibições alimentares. Cavalos, coelhos, esquilos e até mesmo abutres, embora também não sejam kosher (comestíveis), não inspiram o mesmo nível de repulsa nos judeus do que o porco. O porco tornou-se um símbolo icônico para as pessoas sinalizarem sua identidade judaica, sua condição não-judaica ou sua rebeldia contra o judaísmo. Aliás, Israel chegou inclusive a promulgar duas leis relacionadas no século XX: a Lei da Carne Suína, de 1962, que proíbe a criação e o abate de porcos em todo o país, e a Lei da Carne, de 1994, que proíbe todas as importações de carnes não kosher para Israel (Ref.22). Não há nada na Bíblia que sugira que os judeus devam adotar esse nível de fobia de porcos (Ref.23).
Em sentido contrário à Anatólia, ao redor de 1000 a.C. houve um aumento no consumo de porcos no Oriente Próximo. Esse período testemunha também a conquista de Jerusalém pelos israelitas após a derrota da tribo canaanita local, dando emergência à Judeia. Junto com os costumes israelitas, algumas hipóteses sugerem que a proibição de suínos foi especialmente reforçada por motivos que incluem:
- desencorajar a criação de animais inadequados para o terreno acidentado e o clima seco das terras altas do Levante;
- uma medida sanitária para prevenir a disseminação da triquinose, uma doença parasitária que pode estar presente em carne mal cozida e causar diarreia, vômitos e febre;
- favorecer a criação de galinhas domesticadas com origem do Irã.
Mas essas hipóteses possuem importantes limitações. Primeiro, a criação de porcos existia há milhares de anos na região, mesmo em tempos de seca. Segundo, muitos tipos de carne podem abrigar as larvas de nematoides Trichinella que causam a triquinose - principalmente carnívoros e onívoros, incluindo mamíferos, aves e répteis. Esses parasitas têm sido confirmados em mais de 150 espécies de mamíferos (hospedeiros) de 12 ordens distintas (Ref.24). Por fim, as galinhas só se tornaram comuns nos quintais do Oriente Próximo séculos depois da escrita da Bíblia Hebraica.
A hipótese da triquinose é talvez a mais plausível entre as três. Carnívoros e onívoros não são animais comumente criados para consumo humano. Os suínos selvagens e domesticados são onívoros e podem ser infectados ao consumir carne ou carcaça de outros animais infectados (larvas infecciosas nas fibras musculares). E, historicamente, a principal fonte humana de infecção com triquinose na Eurásia é o consumo de carne mal cozida de porcos domésticos e javalis (Ref.25-26).
Mas o status especial de tabu dos porcos pode ter sido realmente determinado como uma identidade política, religiosa e de resistência unindo os judeus contra inimigos avançando de forma avassaladora a partir da Europa.
Primeiro, temos a invasão do Levante por forças do governante macedônio Alexandre o Grande, em 332 a.C. Essas forças invasoras trouxeram o grande apreço europeu por carne de porco, culminando no grande aumento de consumo de porcos no Levante. Tensões também foram acirradas entre os judeus e os governantes helenísticos que emergiram após a morte de Alexandre, incluindo os reis ptolomaicos do Egito e os líderes do Império Selêucida, sediado no atual Iraque. Existem inclusive narrativas históricas de tentativas de oficiais helenísticos forçando judeus a consumirem porco, com os oprimidos escolhendo o martírio em vez de sucumbir.
Após o colapso dos reinos helenísticos no século I a.C., os Romanos - que adoravam os porcos ainda mais do que os Gregos - anexaram a Judeia em 63 a.C., com os soldados trazendo grandes rebanhos de porcos de fácil crescimento, aumentando novamente o consumo de porcos no Oriente Próximo. Os soldados Romanos não apenas exploravam os porcos como fonte nutricional importante mas também como um símbolo de masculinidade e força (Ref.28). O choque cultural e militar entre Romanos e Judeus pode ter resultado na incorporação de elementos únicos e de contraste das práticas do judaísmo (ex.: proibição suína e circuncisão) como símbolos de resistência.
Entre a classe emergente de professores judeus conhecidos como rabinos, os porcos tornaram-se um símbolo de corrupção, ganância, opressão e violência, características que eles associavam a Roma (Ref.21). Mais uma vez, proliferaram histórias sobre judeus mortos pelos romanos por se recusarem a comer carne de porco.
Os porcos permaneceram um alimento básico no Levante durante os primeiros séculos do período bizantino. Isso começou a mudar com a chegada do Islã à região na década de 630 d.C. Os muçulmanos adotaram uma posição intermediária, rejeitando a maioria das restrições alimentares judaicas, mas aceitando a proibição da carne de porco. O Alcorão afirma que o porco é impuro e, portanto, proibido, assim como o sangue, animais mortos e animais não dedicados a Alá. Assim como no caso dos Judeus, essa proibição provavelmente é baseada em parte na tradição pastoralista da Península Arábica.
> Um estudo de 2022 encontrou uma cova rasa com vestígios ósseos de pelo menos sete porcos - datados entre os séculos IX e X d.C. - na atual região de Tel Yavne, em Israel, durante um período de dominação Islâmica e de proibição do consumo de suínos. A maioria dos porcos eram domesticados e alguns eram ferais ou selvagens. Foram enterrados em um evento único e ritualístico, sem evidência de cozimento para alimentação. O achado sugere que a exploração de porcos na região para fins diversos era mais tolerada nessa época do que tradicionalmente pensado. Ref.29
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