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O que se sabe até o momento sobre o novo coronavírus?

- Artigo atualizado no dia 9 de abril de 2020 -

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          De acordo com o último balanço publicado pelo Ministério da Saúde, existem 18176 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus em 26 estados e no Distrito Federal (Ref.52). E enquanto tivemos a confirmação de pacientes já curados/recuperados da doença associada (COVID-19), também já temos 957 mortes confirmadas.


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(!) Segundo um estudo conduzido por cientistas do Observatório COVID-19 BR, que analisa os números da pandemia no país e do qual fazem parte por sete universidades - USP, Unicamp, Unesp, UnB, UFABC, Berkley (EUA) e Oldenburg (Alemanha) -, a tendência de aumento no número de casos está similar àquela  vista nos EUA e na Itália, países hoje com mais de 100 mil casos confirmados.

> São Paulo continua com o maior número de casos confirmados e de mortes. Foram registrados 7480 casos e 496 fatalidades. O Rio de Janeiro tem 2216 casos e 122 mortes. O Ceará conta 1.445 infectados e 57 mortes. O número de casos confirmados em Minas Gerais subiu para 655; há 15 mortes no estado. No Amazonas, são 899 casos e 40 mortes. A taxa de letalidade é de 5,2% em relação aos casos confirmados. Cerca de 89% dos óbitos são de indivíduos acima dos 60 anos de idade. Entre aqueles com comorbidades, os maiores números de óbitos ocorreram entre os portadores de cardiopatia, seguido de diabetes e pneumopatia. Com menos de 60 anos, a diabetes é a mais prevalente. Do total, 15% dos óbitos eram de indivíduos sem fatores de risco.

> De acordo com o Ministério da Saúde, já há transmissão comunitária em todo o território nacional. A transmissão comunitária ou sustentada é aquela quando não é possível rastrear qual a origem da infecção, indicando que o vírus circula entre pessoas que não viajaram ou tiveram contato com quem esteve no exterior.

> A associação dos médicos que trabalham em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) afirma que o Brasil precisa aumentar em 20,2% o total de leitos para adultos de UTI do Sistema Único de Saúde (SUS) para garantir o tratamento de pacientes com COVID-19. (Ref.69).
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> No dia 11 de março, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o surto de coronavírus (SARS-CoV-2) - e sua doença associada (COVID-19) - é oficialmente uma pandemia. A declaração vem após um aumento de 13x no número de casos fora da China, já afetando mais de 100 países. A OMS também denunciou uma falta de ação por parte de muitos governos ao redor do mundo no sentido de frear a disseminação do vírus. Várias nações têm fechado escolas e universidades, e países como Itália adotou uma quarentena a nível nacional.
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           O novo coronavírus - batizado oficialmente de SARS-CoV-2 -, causa infecção principalmente no trato respiratório - incluindo pneumonia - e no sistema digestivo, e parece ter emergido na cidade Chinesa de Wuham, em dezembro do ano passado. A OMS nomeou oficialmente a doença pulmonar causada pelo SARS-CoV-2 como COVID-19. Até o momento, mais de 1,6 milhão de pessoas foram infectadas (casos oficialmente confirmados), com 95716 mortes. Mais de 356 mil pacientes já se recuperaram e mais de 49127 mil (~4% dos casos ativos) estão em estado crítico. As autoridades Chinesas confirmaram no dia 29 de janeiro que todas as regiões da China continental tinham sido alcançadas pelo vírus, incluindo o Tibet. Do total, foram quase 82 mil casos registrados na China - e 3336 mortes -, a maioria na região de Hubei, epicentro da crise. No entanto, as medidas agressivas de contenção do vírus pelo governo Chinês - incluindo vários isolamentos de cidades e quarentenas - permitiram uma robusta redução de novos casos, a ponto dos casos importados estarem hoje superando o número de casos internos.

          Atualmente (abril) a China está gradualmente voltando à normalidade, com o epicentro da pandemia se concentrando agora na Europa continental e nos EUA. No entanto, como apenas uma porção ínfima da população Chinesa adquiriu imunidade contra o SARS-CoV-2, teme-se que uma segunda onda epidêmica possa emergir no país nos próximos meses ou mesmo nas próximas semanas.

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Leituras recomendadas:

          Fora da China, já são mais de 1,5 milhão de casos confirmados em 178 países, como Japão, Coreia do Sul, Tailândia, EUA, França, Alemanha, Reino Unido, Suíça, Espanha, Brasil e Austrália. Os países na Ásia com o maior número de infectados fora da China são Coreia do Sul -  10423 casos confirmados (mas atualmente com lenta taxa de aumento) -, Israel (9968), Irã (66220) e Turquia (42282). Fora da Ásia, os países com o maior número de casos confirmados são os EUA - com 468566 casos confirmados -, Itália (143626), Alemanha (118235) e Espanha (153222). O primeiro caso na África foi confirmado no dia 17/02, no Egito, e agora o vírus já está se espalhando em pelo menos 21 países Africanos, algo que preocupa seriamente a OMS.



          Na Alemanha, no Vietnã e na Tailândia, foram onde os cientistas confirmaram as primeiras transmissões entre humanos fora do território Chinês. Os maiores números de mortes reportados fora da China estão na Itália (18279), na Espanha (15447), nos EUA (16691), na França (12210) e no Irã (4110). Aliás, a Itália está em completa quarentena, com seus ~60 milhões de habitantes isolados visando proteger os mais vulneráveis ao COVID-19; novos casos e mortes estão subindo rápido no país e o governo decretou recentemente que irá estender o lockdown até o dia 2 de maio (O). No Irã, fontes dentro do sistema de saúde do país alegam um número de mortes e de casos muito maior, os quais estariam sendo abafados pelo governo (Ref.54).

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(O) Na parte norte da Itália a mortalidade alcançou até 12%, enquanto no restante do país esse valor ficou em torno de 4,5%. Para explicar parte desse fenômeno, um estudo publicado no periódico Environmental Pollution (Ref.86) sugeriu que a maior poluição do ar nessa região pode ter contribuído para uma maior gravidade no curso da COVID-19 em um maior número de pacientes. Por respiraram um ar bem mais poluído a longo prazo, a população no norte pode ter desenvolvido um sistema imune mais debilitado, e danos mais acentuados no tecido pulmonar. Tal fator pode explicar outras variações de letalidade da doença ao redor do mundo.
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          Especialistas suspeitam, no entanto, que, globalmente, muito mais pessoas estão infectadas, mas os números reais são difíceis de confirmar devido a um número de fatores como o fato de muitos estarem ainda assintomáticos. Segundo estimou o professor Neil Ferguson, um especialista em saúde pública do Imperial College, Londres, quando o número de infectados oficialmente reportado estava ainda abaixo de 2 mil, o número real estaria próximo da casa dos 100 mil (Ref.10). Já Li Ka Shing, da Faculdade de Medicina da Universidade de Hong Kong, sugeriu na mesma época que o número estaria próximo dos 43 mil (Ref.11). Essa última estimativa é corroborada por um estudo mais recente publicado no periódico PLOS ONE (Ref.80). Com base em dados coletados do surto que ocorreu em Hubei entre 11 de janeiro e 10 fevereiro, pesquisadores criaram um modelo matemático prevendo um número 20 vezes maior de casos de infecção do que os casos oficialmente registrados (67 mil até 29 de fevereiro), englobando assintomáticos e indivíduos que desenvolveram um curso sintomático leve de COVID-19.         

          Vários países estão fechando suas fronteiras e negando a entrada de visitantes estrangeiros, especialmente no novo epicentro da epidemia (EUA). No entanto, agências de saúde, incluindo a OMS, aconselharam contra tais medidas, porque indivíduos podem entrar no país de forma não-oficial para escapar das barreiras impostas, aumentando o potencial de disseminação descontrolada do vírus. A OMS recomenda que sejam implementados sistemas mais robustos de triagem nas entradas das fronteiras e nos aeroportos.
     

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IMPORTANTE: O vírus pode causar severa infecção aguda em boa parte dos casos, mas uma pneumonia moderada na maior parte dos casos mais sérios. Do total de mortos confirmados, a maioria são idosos (>80%) e indivíduos com problemas respiratórios prévios ou com alguma outra condição crônica de saúde como diabetes, problemas respiratórios e doenças cardiovasculares. A taxa de mortalidade até o momento observada é de 3-4%, apesar desse valor se basear apenas nos casos confirmados via testes laboratoriais. Considerando um número real de casos de infecção muito maior do que o oficial, essa taxa de mortalidade podem cair para até 0,15% (Ref.80).
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   NATUREZA E ORIGEM

         O vírus responsável pelo surto foi identificado pelo pesquisadores -  via sequenciamento do genoma RNA viral - como um novo coronavírus e primeiro chamado de '2019-nCoV' pela OMS.  Posteriormente, no dia 11 de fevereiro de 2020, o vírus recebeu o nome definitivo de SARS-CoV-2 pelo Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus, devido à sua semelhança genética com o coronavírus responsável pela síndrome respiratória severa aguda (SARS), chamado SARS-CoV. (Ref.63)

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> Leitura recomendada: Em apenas 2 dias, cientistas Brasileiros sequenciam o genoma do novo coronavírus

         A família Coronavirinae consiste de quatro gêneros baseados em suas propriedades genéticas, incluindo o gênero Alphacoronavirus, Betacoronavius, Gammacoronavirus, e o Deltacoronarirus. O genoma de RNA do coronavírus (variando de 26 a 32 kb de comprimento) é o maior entre os vírus de RNA. Os coronavírus podem infectar mamíferos, aves e répteis, incluindo humanos, porcos, gado, cavalos, camelos, gatos, cães, roedores, pássaros, coelhos, furões, martas, cobras, e várias espécies selvagens, com capacidade de rápida mutação e recombinação. Esses vírus são conhecidos de causarem infecções respiratórias ou intestinais em humanos e em outros animais. Muitas infecções por coronavírus são subclínicas, causando, por exemplo, os tão comuns resfriados (I). Raramente, coronavírus infectando animais não-humanos evoluem e passam a ser capazes de infectar humanos. A severa síndrome respiratória aguda por coronavírus (SARS-CoV) e a síndrome respiratória por coronavírus do Oriente Médio (MERS-CoV) são dois exemplos bem conhecidos desse tipo de evolução, pertencendo a espécies do gênero Betacoronavirus e representando patógenos que podem causar severas doenças respiratórias em humanos. Os hospedeiros intermediários do MERS-CoV, por exemplo, foram dromedários, como camelos.

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(I) Leitura recomendada: Qual a relação entre gripe, resfriado e frio?

          No caso do novo coronavírus, o surto da pneumonia viral em Wuhan está associado com a exposição a um mercado de frutos marinhos na região de Huanan, sugerindo uma possível zoonose. Isso porque o mercado também vende de forma ilegal animais vivos não-marinhos para consumo humano, como cobras, marmotas, morcegos, pássaros, sapos, ouriços e coelhos.

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         Nesse sentido, um dos primeiros estudos investigando a origem do vírus, e publicado no periódico Journal of Medical Virology (Ref.3), trouxe evidências sugerindo que cobras poderiam representar o reservatório do vírus SARS-CoV-2 que diretamente infectou os humanos. A conclusão veio após a análise filogenética de 276 coronavírus obtidos de várias localizações geográficas, incluindo 5 novos genomas identificados do SARS-CoV-2.


         Os resultados dessa análise evolucionária encontraram que o vírus parece ter sido formado a partir da combinação de um coronavírus encontrado em morcegos e outro coronavírus de uma origem desconhecida. O vírus resultante desenvolveu um mistura ou "recombinação" de uma proteína viral que reconhece e se liga a receptores nas células hospedeiras. Tal reconhecimento é crucial para permitir que o vírus entre nas células, podendo levar a infecções e doenças. Em específico, uma recombinação homóloga foi identificada e associada a uma glicoproteína do SARS-CoV-2 Já assinaturas genéticas específicas, relações cladísticas e mecanismos aparentes de infecção indicaram que o surto foi iniciado a partir de uma transmissão cobra-humano.

        Dois tipos de cobras são comuns do Sudeste Asiático, incluindo da cidade de Wuhan (Bungarus multicinctus e Naja Atra). E nos mercados onde vários dos infectados pelo novo vírus trabalhavam, as cobras são produtos vivos comuns.

         Na China, houve um total de 217 casos confirmados de pneumonia até 20 de janeiro de 2020, com novos paciente também reportados em Hong Kong, Tailândia, Singapura, Coreia do Sul e Japão. Porém, ao contrário do SARS-CoV, o SARS-CoV-2 parece causar uma forma menos grave de pneumonia viral. Isso pode ser devido ao fato do evento de recombinação ter ocorrido dentro do receptor-lingante glicoproteico, ou justamente devido à possível origem ofídica, ou ambos.

          Cobras são répteis de sangue frio com temperatura corporal média bem menor do que aquela encontrada nos humanos. Esse fato corroboraria a atenuada infecção pelo SARS-CoV-2 sendo mais frequentemente observada. No entanto, existe ainda uma preocupação sobre sua adaptação evolutiva em humanos à medida que for se disseminando, com o potencial de fornecer ao vírus a capacidade de se replicar de forma mais eficiente e se espalhar mais rapidamente via contato próximo humano-humano. E mais recentemente autoridades Chinesas confirmaram que mesmo indivíduos infectados mas no período de incubação do vírus (antes dos sintomas emergirem) - o qual pode durar de 1 a 14 dias - já são capazes de transmitir o patógeno, algo não visto em outros coronavírus, como a SARS, mas visto no caso da gripe (vírus influenza) (Ref.9). Indivíduos infectados, portanto, podem estar transmitindo a doença sem nem desconfiarem que estão infectados.

          Porém, vários outros cientistas, comentando sobre o estudo (Ref.6), não acreditam que o coronavírus por trás do novo surto possa infectar espécies que não sejam aves e mamíferos, e alguns afirmam enfaticamente que o reservatório original é um mamífero, com base nas evidências até o momento acumuladas. Como será explorado mais à frente, a maior suspeita no momento recai sobre um grupo de mamíferos conhecidos como pangolins.


   MORCEGOS E A ORIGEM PRIMORDIAL

         Em um estudo publicado no periódico The Lancet (Ref.18), pesquisadores analisaram 10 sequências genômicas virais a partir de 9 pacientes infectados e concluíram que o 2019-nCoV precisa ser considerado um novo tipo de coronavírus devido ao fato de ser substancialmente distinto do SARS.

          Comparando a sequência genômica do SARS-CoV-2 com uma biblioteca de vírus, os autores do estudo encontraram que os vírus mais próximo-relacionados eram dois coronavírus similares ao SARS e de origem de morcegos - bat-SL-CoVZC45 e bat-SL-CoVZXC21 - os quais mostraram compartilhar 88% da sequência genética com o novo coronavírus. Porém, o SARS-CoV-2 mostrou ser geneticamente mais distante do vírus SARS (compartilhando ~79% da sequência genética) e do MERS (compartilhando ~50% da sequência genética). Além disso, os resultados indicaram que o SARS-CoV-2 não parece ter surgido a partir de uma mutação aleatória, ou seja, já vinha evoluindo há um bom tempo.

          Analisando em seguida a proteína usada pelo vírus para entrar nas células humanas, os pesquisadores encontraram que o SARS-CoV-2 e o vírus SARS possuem estruturas similares nesse sentido, apesar de algumas pequenas diferenças. Isso sugere que o SARS-CoV-2 pode usar a mesma porta molecular de entrada usada pelo SARS-CoV para entrar nas nossas células (um receptor chamado ACE2).

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ATENÇÃO! Uma hipótese recente está relacionando duas classes de medicamentos (ARBs e ACEIs) amplamente utilizados para o controle da hipertensão com parte dos casos mais graves de infecção pelo SARS-CoV-2, devido ao fato desses fármacos potencialmente ampliarem o número de receptores ACE2 nas células. Porém, os especialistas NÃO recomendam que os pacientes renais e cardíacos abandonem seus medicamentos, porque as evidências de suporte ainda são inconsistentes e mesmo se a hipótese estiver correta, em muitos casos os riscos não podem não compensar minimamente os benefícios. Esse alerta foi reforçado por um estudo publicado no periódico Hypertension (Ref.73). A descontinuidade desses medicamentos dramaticamente aumentaria os riscos de saúde para centenas de milhões de pacientes com hipertensão, falhas cardíacas e doenças renais crônicas.

(1) Para mais informações, acesse: Nova hipótese pode explicar parte dos casos mais graves de COVID-19
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         Com base nas evidências produzidas no estudo, os pesquisadores acreditam que apesar da provável origem de morcegos, o novo coronavírus parece ter, de fato, infectado humanos a partir de um hospedeiro intermediário. Em outras palavras, mesmo os dados sendo consistentes com os morcegos sendo o reservatório geral e original dos coronavírus, o SARS-CoV-2 em específico provavelmente infectou os humanos através de outro animal selvagem. Primeiro, quando o surto foi primeiro reportado no final de dezembro, a maioria das espécies de morcego em Wuham estavam hibernando. Segundo, nenhum morcego foi vendido ou encontrado no mercado de Huanan, onde vários outros animais não-marinhos estavam. Nesse sentido, a possibilidade das cobras representarem o reservatório original ainda se sustenta minimamente, apesar de um mamífero ser a maior aposta.

          Dois estudos mais recentes também reforçaram que os morcegos realmente parecem ser o reservatório original do SARS-CoV-2. O primeiro, publicado na Nature (Ref.27), trouxe sólidas evidências - análise de sete proteínas não-estruturais conservadas - de que o novo coronavírus pertence a uma espécie de vírus relacionados ao SARS (SARSr-CoV). O estudo analisou sequências genômicas virais obtidas de 5 pacientes, encontrando um compartilhamento de 79,5% de sequências do DNA com o SARS-CoV e um genoma 96% idêntico a outros coronavírus de morcegos. Também confirmou que o SARS-CoV-2 usa o receptor ACE2 para entrar nas células.

          Já o segundo estudo, publicado como preprint na bioRvix (Ref.) os pesquisadores identificaram que o coronavírus RaTG13 em morcegos do gênero Rhinolophus é o mais próximo relacionado coronavírus nesses mamíferos em relação ao SARS-CoV-2, com duas linhagens irmãs infectando pangolins Malaios. O estudo também revelou que o RaTG13 e o SARS-CoV-2 divergiram há cerca de 40-70 anos, com base na análise de regiões genômicas não-recombinantes e taxas de mutação. Além disso, os pesquisadores também identificaram outros vírus na mesma linhagem do RaTG13 que estão prontos para infectarem humanos diretamente a partir de morcegos, apesar do SARS-CoV-2, em específico, parecer ter pulado primeiro para um hospedeiro intermediário - provavelmente pangolins - antes de infectar humanos. Considerando a alta diversidade e prevalência de vírus nos morcegos e a emergência de três coronavírus epidêmicos entre humanos nos últimos 17 anos, os autores sugeriam que esses vírus provavelmente cruzaram as fronteiras inter-espécies novamente.



   POR QUE OS VÍRUS DE MORCEGOS SÃO TÃO PERIGOSOS?

          Não é apenas uma coincidência que alguns dos piores surtos de doenças virais nos anos recentes - como SARS, MERS, Ebola, Marburg e provavelmente o novo coronavírus (SARS-CoV-2) - tenham origem de morcegos. O organismo desses mamíferos é único não só por causa do fato de voarem mas também devido ao sistema imune deles. Ao contrário de outros mamíferos que enfrentam infecções transientes com vírus altamente patogênicos e virulentos - ou morrendo em curto período ou conseguindo limpar o corpo das populações virais deletérias - os morcegos conseguem suportar a longo prazo o corpo altamente infectado, carregando altas cargas virais e muito patogênicas pelo resto da vida sem expressarem sintomas.

          O principal mecanismo que parece explicar essa notável habilidade envolve um importante caminho imunológico viral conhecido como STING-interferon. Nos morcegos, esse caminho se encontra otimizado, permitindo deter o ataque da infecção viral às células mas ao mesmo tempo não ativando de forma vigorosa o sistema imune, o que previne um caos no corpo e o aparecimento de sintomas comuns de uma infecção viral (IV). Além disso, proteínas interferon tipo I - responsáveis por tornar as células resistentes a vírus - são continuamente produzidas em um número de espécies, mesmo na ausência de infecções e sem causar processos inflamatórios generalizados - provavelmente um mecanismo de defesa que evoluiu para sustentar o altamente energético voo (Ref.40).

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(IVLeitura recomendada: Descoberto como os morcegos lidam com tantos vírus letais no corpo

          Nesse sentido, boa parte das células saudáveis de muitos morcegos ficam protegidas contra infecções virais diversas mesmo antes do processo de infecção ser iniciado, possibilitando que esses animais carreguem grandes cargas virais sem maiores prejuízos e independentemente da patogenicidade e virulência dos vírus. Isso por sua vez permite que os morcegos se tornem ricas fontes virais, fomentando também a evolução de vírus com altas capacidade de replicação e taxas de transmissão intra-hospedeiro. Essas características tornam outros potenciais hospedeiros mamíferos sem o sistema imune único dos morcegos - como os humanos - altamente vulneráveis a perigosos patógenos 'cultivados' nesses animais.


   PANGOLINS: HOSPEDEIRO INTERMEDIÁRIO?

          Reportado inicialmente (07/02) na Nature (mas não publicado como artigo científico na época) (Ref.35), pesquisadores Chineses fortemente sugeriram que os pangolins (gênero Manis) - amplamente considerado o mamífero mais traficado do mundo - são os hospedeiros intermediários que transmitiram o novo coronavírus de morcegos para humanos. Sequenciando o DNA de coronavírus desses animais, pesquisadores encontraram uma similaridade genética de 99% com o coronavírus infectando agora humanos (SARS-CoV-2). Apesar de não serem oficialmente vendidos no mercado de Wuhan, muito provavelmente esses animais eram comercializados lá de forma ilegal, já que são muito visados em todo território Chinês e considerando que o governo do país pode punir com prisão de 10 anos ou mais quem vende pangolins, cujas 8 espécies associadas estão em grave risco de extinção (II).

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(II) As escamas do pangolim são usadas em medicinas tradicionais Chinesas sem valor científico, e, junto com a carne, em pratos luxosos variados. Para quem quiser saber mais sobre esses animais e a situação em que se encontram, acesse: Qual é o mamífero mais traficado do mundo?
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          Outros estudos publicados subsequentemente (III), no entanto, encontraram uma similaridade genética entre coronavírus encontrados nos pangolins e o encontrado nos humanos variando de 85,5% até 92,4% (Ref.55). Esses valores ainda são muito baixos para confirmar o pangolim como hospedeiro intermediário. Para citar um exemplo, o vírus do SARS compartilhava 99,8% do seu genoma com o coronavírus encontrado em civetas (família Viverridae), o hospedeiro intermediário do surto de 2002.

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(III) O estudo mais recente, publicado em 22 de março no periódico Journal of Proteome Research (Ref.79), trouxe dados proteômicos refutando a hipótese defendendo as cobras como intermediário e uma sugerida similaridade única da proteína spike do SARS-CoV-2 com o vírus HIV-1. Usando métodos bioinformáticos mais acurados e bancos de dados genômicos mais robustos do que os utilizados para os estudos prévios, os pesquisadores encontraram que quatro regiões de sequenciamento da proteína spike do SARS-CoV-2 supostamente compartilhada de forma única com o HIV-1 são também encontradas em outros vírus, incluindo coronavírus de morcegos. E após revelarem um erro analítico nos estudos sugerindo um intermediário ofídico, os pesquisadores investigaram sequências de DNA e de proteínas isoladas de tecidos de pangolins (espécie M. javanica) que poderiam compartilhar similaridades com o SARS-CoV-2. As análises identificaram sequências proteicas em espécimes doentes desses mamíferos que eram 91% idênticas às proteínas do vírus humano, implicando uma íntima associação evolucionária. Além disso, o domínio receptor de ligação da proteína spike do coronavírus infectando os pangolins tinham apenas 5 aminoácidos de diferença em comparação com o SARS-CoV-2, comparado com 19 diferenças entre as proteínas virais em humanos e em morcegos. Essa evidência fortemente sugere o pangolim como o mais provável intermediário.

Mas é importante realçar que os autores nem de longe excluem a possibilidade de outro animal como intermediário, por duas razões. A primeira é que os coronavírus são conhecidos de possuírem múltiplos hospedeiros. Por exemplo, o SARS-CoV, o qual teve a civeta-de-palma (Paguma larvata) como o mais conhecido hospedeiro intermediário, é também reportado de usar o cão-guaxinim (Nyctereutes procyonoides) e um ferrão-texugo (Melogale moschata) como hospedeiros intermediários. Em segundo lugar, 91% de identidade genômica entre o coronavírus do M. javanica e o SARS-CoV-2 é alto o suficiente para a confirmação de relação evolucionária próxima entre os dois vírus, mas não alto o suficiente para considerá-los como pertencentes à mesma espécie viral. Para exemplificar, e já mencionado, a sequência viral dos hospedeiros intermediários do SARS-CoV e do MERS-CoV são 99,8% e 99,9% idênticas às versões virais em humanos.
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          É crítico identificar a espécie intermediária para parar a atual disseminação e prevenir epidemias futuras de coronavírus humanos SARS-relacionados.


   O QUÃO RÁPIDO O VÍRUS SE ESPALHA?

          À medida que o número de novos casos confirmados já pula para milhares, cientistas começam a estimar o quão infeccioso e virulento é o novo coronavírus, tentando confirmar também se aqueles sem sintomas de fato estão ajudando na disseminação do patógeno. Em específico, os epidemiologistas quem saber quantas pessoas uma pessoa com o vírus tende a infectar - valor conhecido como R0 ou R-naught. Um R0 maior do que 1 significa que contra-medidas, como quarentena, será necessário para conter a disseminação do vírus.

           O valor R0 primeiramente publicado pela OMS foi um estimado de 1,4 a 2,5. Esse intervalo de estimativa é similar ao R0 do SARS nos estágios iniciais do surto de 2002-2003 e do vírus influenza H1N1 que causou uma pandemia em 2009. No entanto, um estudo subsequente publicado no periódico Journal of Travel Medicine (Ref.44) e realizado por pesquisadores da Universidade de Umeå, na Suécia, encontrou um valor muito mais alto do que o estimado pela OMS. Revisando 12 estudos de transmissibilidade do SARS-CoV-2, os pesquisadores encontraram um valor de R0 médio de 3,28, bem acima da média e limite inferior de 1,4-2,5. Mesmo uma estimativa inferior fornecida por um recente modelo matemático baseado no padrão de disseminação viral em Hubei forneceu um R0 médio de 2,6 (Ref.80). Já um estudo publicado no periódico Emerging Infectious Diseases (Ref.80), pesquisadores estimaram um R0 médio de 5,7 com base na dinâmica de disseminação observada em Wuhan, China. Em outras palavras, o novo coronavírus estaria se espalhando substancialmente mais rápido do que o SARS.

          Esse último estudo é corroborado por um estudo também publicado no periódico Emerging Infectious Diseases (Ref.28), um time internacional de cientistas foi capaz de calcular o intervalo serial do vírus, ou seja, o tempo que leva para os sintomas aparecerem em duas pessoas com o vírus: a pessoa que infecta outra, e a segunda pessoa infectada. O valor médio encontrado na China foi de aproximadamente 4 dias, similar ao vírus da gripe (Influenza), o que explica porque novos casos estão aumentando de forma dramática ao redor do globo. O vírus do ebola, por exemplo, possui um intervalo serial de várias semanas, sendo bem mais fácil contê-lo.

          No geral, as evidências, de fato, sugerem que o novo vírus se espalha muito mais prontamente do que aquele que causa a SARS. Duas notáveis e distintas características do genoma do SARS-CoV-2 podem explicar essa alta virulência: (i) baseado em análises estruturais e experimentos bioquímicos, o SARS-CoV-2 parece ser otimizado para se ligar ao receptor humano ACE2 (uma porta de entrada celular); (ii) a altamente variável proteína spike (S) do SARS-CoV-2 possui um local de clivagem polibásico (furina) nas fronteiras S1 e S2 via a inserção de doze nucleotídeos. A afinidade de ligação da proteína S do SARS-CoV-2 ao ACE2 mostrou ser 10-20 vezes maior do que aquela da proteína S do SARS-CoV (Ref.28).


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> O receptor ACE2 está localizada nas células endoteliais de artérias e veias, músculo liso arterial, epitélio do trato respiratório, epitélio do intestino delgado, epitélio do trato respiratório, e em células imunes. Em um pulmão adulto normal, o ACE2 é expresso primariamente nas células alveolares epiteliais do tipo II, as quais podem servir como um reservatório viral. Essas células produzem surfactantes que reduzem a tensão superficial, portanto prevenindo os alvéolos de colapsarem, e portanto são críticos para as trocas gasosas no tecido pulmonar. Danos a essas células podem explicar as lesões severas observadas em pacientes com COVID-19. Sérias lesões também podem ser causadas pelo vírus nos outros órgãos que também expressam o ACE2.
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          Outra provável explicação para a rápida disseminação do SARS-CoV-2 é possibilidade deste vírus estar sendo transmitido de forma robusta pelo ar via aerossóis, assim como ocorre com o vírus da gripe. Cada vez mais evidências e especialistas concordam com esse cenário (Ref.83-84).

           Essa alta virulência também enfraquece substancialmente a já amplamente desacreditada hipótese do reservatório ofídico do vírus, ou pode ainda sustentar essa hipótese caso o vírus tenha começado a infectar as pessoas bem mais cedo do que os casos oficialmente reportados, dando tempo para o vírus evoluir uma mais forte virulência entre humanos (!). De qualquer forma, e reforçando, a hipótese mais aceita é a de que o reservatório do vírus imediatamente antes dos humanos tenha sido um mamífero, em específico o pangolim.


   ACHATAMENTO DA CURVA DE CONTÁGIO

         Considerando o elevado R0 e o curto tempo de duplicação da epidemia (1,7-2,93 dias) quando comparado a Influenza, a epidemia de COVID-19 tende a apresentar uma concentração expressiva de casos um um curto espaço de tempo. Em países como Itália, China e Espanha, em poucas semanas o crescimento do número de casos foi suficiente para colapsar os sistemas de saúde local.

         Na China, houve um acentuado declínio do número de novos casos. Esse declínio é decorrente das medidas de intervenção estabelecidas, que, estima-se, tenham evitado em torno de 94,5% dos casos que poderiam ter ocorrido. Entre as intervenções adotadas em Wuhan destaca-se: o estabelecimento de um cordão sanitário na cidade de Wuhan, suspensão dos transportes públicos e táxi por aplicativos, restrição do tráfego nas áreas urbanas, proibição de viagens na região interna da cidade, fechamento de espaços públicos, cancelamento de eventos, proibição de aglomerações públicas, uso obrigatório de máscaras cirúrgicas em público, e quarentena domiciliar para toda população.

        Essa efetividade é corroborada por um mais recente publicado na Science (Ref.81). Investigando as medidas de controle de transmissão do novo coronavírus (SARS-CoV-2) nos primeiros 50 dias de epidemia na China, os autores do estudo encontraram que tais medidas estão associadas com drásticas reduções na incidência de casos de infecção. Em específico, os pesquisadores encontraram que o lock down da cidade epicentro da epidemia (Wuhan) atrasou a chegada do COVID-19 em outras cidades em cerca de 2,91 dias, e isso junto com medidas de isolamento social ao longo do território Chinês e de declaração de emergência nacional pode ter resultado na prevenção de até 888 mil casos confirmados de infecção pelo SARS-CoV-2. A China, até o momento, só registrou pouco mais de 81,5 mil casos confirmados.

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> Em um estudo realizado por pesquisadores do Imperial College London, pesquisadores estimaram que se nenhuma medida de isolamento social tivesse sido aplicada ao redor do mundo para conter a disseminação do vírus, cerca de 40 milhões de mortes teriam ocorrido, 1,15 milhão delas aqui no Brasil. Para mais informações, acesse aqui.

> Aliás, medidas de isolamento se mostraram efetivas até mesmo durante a pandemia de Gripe Espanhola em 1918-1919, a qual infectou 20-33% da população mundial e causou ~50 milhões de mortes, de acordo com um estudo publicado no periódico Journal of the American Society of Cytopathology (Ref.77). Os autores do estudo mostraram que as cidades nos EUA que adotaram na época medidas mais rápidas de amplo isolamento social e prevenção - fechamento de escolas e igrejas, banimento de aglomerações, uso obrigatório de máscaras, isolamento de casos e medidas de higiene/desinfecção - tiveram taxas de mortalidade e de doenças bem menores. Essas cidades incluíram San Francisco, St. Louis, Milwaukee e Kansas City, as quais coletivamente tiveram taxas de mortalidade e de doenças 30-50% menores do que cidades que implementaram menos restrições ou as implementaram tardiamente. Além disso, os pesquisadores encontraram que a recuperação econômica foi mais rápida nas cidades onde medidas mais efetivas de contenção da epidemia foram implementadas. No total, foram 675 mil mortes nos EUA e havia bastante ceticismo entre os Norte-Americanos na época de que as medidas de isolamento social estavam realmente funcionando.

Segundo os autores, medidas preventivas que restringem a interação social realmente deprimem a atividade econômica. Mas eles ressaltam que a expansão da epidemia quando essas medidas não são adotadas também impacta negativamente a economia, já que as famílias reduzem por conta própria seu consumo e trabalho para diminuir a chance de contrair a doença.
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            Essas medidas não-farmacológicas visam reduzir a transmissibilidade do vírus na comunidade e portanto retardar a progressão da epidemia. Ações como essa, além de reduzirem o número de casos, tem o potencial de reduzir o impacto para os serviços de saúde, por reduzir o pico epidêmico. Em estudos de modelagem matemática estima-se que uma redução de cerca de 50% dos contatos entre as pessoas teriam impacto significativo no número total de casos, uma vez que reduziram o R0 do COVID-19 para próximo de 1 (um). Além disso, as medidas não-farmacológicas atrasam o pico da epidemia e reduzem a altura do pico, permitindo, dessa forma, uma melhor distribuição dos casos ao longo do tempo e o esgotamento dos serviços de saúde.



          Não só isso, frear a epidemia ao máximo diminui a exposição de pacientes em hospitais ao vírus. Em um estudo publicado no periódico The New England Journal of Medicine (Ref.76), os pesquisadores mostraram que após o caso confirmado de COVID-19 em uma habilidosa enfermeira em um hospital em King County, Washington, um total de 167 casos foram confirmados até o dia 18 de março no local, afetando 101 residentes, 50 profissionais de saúde e 16 visitantes - todos epidemiologicamente ligados ao hospital. Do total, 35 mortes foram registradas, englobando 33,7% dos residentes (pacientes no hospital, a maioria com condições crônicas de saúde como doenças cardíacas e renais) e 6,2% dos visitantes.




   QUAIS OS SINTOMAS?

          Apesar do SARS-CoV-2 primariamente atacar o sistema respiratório inferior, causando pneumonia viral, esse vírus pode também afetar o sistema gastrointestinal, coração, rins, fígado e mesmo o sistema nervoso central.  Para exemplificar, um estudo publicado no The American Journal of Gastroenterology (Ref.72), analisando 204 pacientes com COVID-19 - e média de idade de 54,9 anos -, encontrou que 99 (48,5%) se apresentaram ao hospital com sintomas digestivos representando a principal reclamação. Entre os sintomas reportados, os mais comuns foram diarreia, anorexia, vômitos e dor abdominal. Esses pacientes terminavam demorando a receber atendimento médico e tinham prognóstico pior do que aqueles sem sintomas digestivos. Nesse sentido, os autores do estudo recomendaram que os profissionais de saúde suspeitem de pacientes com sintomas gastrointestinais e não esperem até que sintomas respiratórios emerjam.

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> Dois estudos publicados no periódico JAMA Cardiology revelaram que o COVID-19 pode causar danos cardíacos mesmo em pacientes que não possuem problemas cardiovasculares prévios, apesar dos riscos para esses danos serem maiores naqueles que possuem doenças cardíacas. Para mais informações, acesse: Além de danos respiratórios, o novo coronavírus pode causar danos cardíacos
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          Por outro lado, um estudo publicado recentemente no periódico The Lancet (Ref.12), examinando 41 pacientes infectados com o SARS-CoV-2 (maioria homens e idade média de 49 anos), e englobando pacientes encaminhados para tratamento até 2 de janeiro, encontraram uma menor frequência de sintomas gastrointestinais - talvez por causa da faixa de idade e grupo menor de pacientes. Sintomas comuns identificados foram febre (98%), tosse (76%), e mialgia [dor muscular] ou fatiga (44%). Sintomas menos comuns observados foram produção excessiva de saliva (28%), dor de cabeça (8%), hemoptise (5%) e diarreia (3%). Dificuldade respiratória (dispneia) se desenvolveu em 22 de 40 pacientes, e 26 de 41 pacientes desenvolveram linfopenia (diminuição no número de linfócitos).

          Todos os 41 pacientes desenvolveram pneumonia com características anormais. Complicações incluíram síndrome de estresse agudo respiratório (29%), RNAaemia (15%), lesão cardíaca aguda (12%) e infecção secundária (10%). Do total, 13 tiveram que ser encaminhados para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 6 morreram.

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          (!) Curiosamente, os pesquisadores também concluíram que 13 dos pacientes analisados não possuíam ligação com o mercado de frutos marinhos de Wuhan. Com base nesse fato, padrão de reportes de casos confirmados, e período de incubação, os pesquisadores sugeriram que as primeiras infecções humanas com o novo vírus ocorrem em novembro de 2019 - e talvez mais cedo ainda. Assim, o novo coronavírus poderia estar já se disseminando silenciosamente antes do surto explícito ligado ao mercado de Wuhan a partir de dezembro, ou seja, teria entrado no mercado antes de ter saído. Algumas análises independentes também corroboram esse cenário, indicando que o mercado, no mínimo, não parece ser a única fonte de disseminação do vírus (Ref.13).

               Em um estudo publicado no periódico Annals of Internal Medicine (Ref.66) encontrou que o COVID-19 causa dano alveolar difuso, com base na análise histopatológica de um paciente de 72 anos com um histórico de diabetes e hipertensão.

          Outro estudo publicado no The Lancet (Ref.19) analisou 99 pacientes com pneumonia causada pelo 2019-nCoV, e com média de idade de 55,5 anos, incluindo 67 homens e 32 mulheres. Do total, 49 (49%) tinha um histórico de exposição ao mercado de Huanan. Entre os sintomas detectados, 83% manifestaram febre, tosse em 82%, respiração curta em 31%, dor muscular em 11%, confusão em 9%, dor de cabeça em 8%, dor de garganta em 5%, rinorreia (catarro no nariz) em 4%, dor no peito em 2%, diarreia em 2%, e náusea e vômito em 1%. Exames de imagem mostraram que 75% dos pacientes exibiam pneumonia bilateral. Do total, 17 dos pacientes desenvolveram síndrome de estresse respiratório agudo e, entre eles, 11 pacientes pioraram o quadro em um curto período de tempo e morreram de falhas múltiplas nos órgãos.     

          Dois sintomas ignorados - perda de paladar e de olfato - parecem ser bem comuns entre os pacientes com COVID-19, segundo um estudo preprint publicado na medRxiv (Ref.87).

   TRANSMISSÃO MATERNA DIRETA?

           Em um estudo publicado no The Lancet (Ref.41), pesquisadores Chineses, analisando 9 mulheres grávidas infectadas com o vírus (e que desenvolveram COVID-19), não encontraram evidências de infecção nos bebês que nasceram, implicando que infecção intrauterina ou outra forma de transmissão direta pode não ser uma possibilidade. Por outro lado, um estudo publicado no JAMA Network (Ref.75) analisando 33 recém-nascidos de grávidas infectadas com o COVID-19, no Hospital Infantil de Wuhan, China, identificou 3 deles contaminados com o SARS-CoV-2, e apresentando sintomas como falta de ar. Segundo os autores, a provável fonte do vírus foi materna, implicando que a transmissão direta entre mãe e bebê durante o parto é possível.


    O NOVO CORONAVÍRUS PODE CAUSAR SINTOMAS OCULARES E/OU PODE SER TRANSMITIDO ATRAVÉS DOS OLHOS?

         Um estudo publicado no JAMA Ophthalmology (Ref.82) sugere que sim. Analisando 38 pacientes com COVID-19, pesquisadores encontraram que 2 deles deram positivo para o genoma do SARS-CoV-2 na conjuntiva - membrana mucosa que reveste a parte posterior da pálpebra e a esclera (parte branca do olho) -, e um total de 12 deles expressaram manifestações oculares consistentes com conjuntivite, incluindo hiperemia conjuntival, quimose, epífora e aumento de secreções. Entre esses últimos pacientes, houve 4 casos julgados - em relação ao quadro respiratório - como moderados, 2 casos julgados como severos, e 6 casos julgados como críticos. Um dos pacientes relatou epífora - lacrimejamento involuntário e contínuo devido à obstrução nas vias lacrimais - como o primeiro sintoma da COVID-19.

           Devido ao fato dos resultados do estudo serem preliminares e envolverem um pequeno grupo de pacientes, nenhuma conclusão pode ainda ser tirada. Porém, como olhos desprotegidos estavam associados com um aumento de risco de transmissão do SARS-CoV - coronavírus responsável pelo SARS -, o estudo reforça a ideia de que o SARS-CoV-2 possa ser transmitido também através dos olhos (fluídos).


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> Segundo o maior estudo publicado sobre o vírus até o momento (Ref.46), conduzido pelo Centro Chinês para o Controle e Prevenção de Doenças (CCDC) e analisando mais de 44672 casos de infecção confirmados, a taxa de mortalidade do COVID-19 é em torno de 2,9% no epicentro da doença (província de Wuhan) e de 2,3% na China em geral (1023 mortes registradas no total). A taxa de mortalidade para os homens (2,8%) é quase duas vezes maior do que aquela vista entre as mulheres (1,7%). A maioria dos infectados (86,6%) tinham idades de 30 a 79 anos, e 80,9% das infecções foram classificadas como brandas, 13,8% como severas e apenas 4,7% como críticas. Em termos relativos, o número de mortes continua baixo, mas a taxa associada aumenta substancialmente entre aqueles com 80 anos de idade ou mais (14,8%). Pacientes não relatando problemas crônicos reportaram uma taxa de mortalidade de 0,9%, enquanto pacientes com condições de comorbidade reportaram taxas muito mais altas: 10,5% para aqueles com doenças cardiovasculares, 7,3% para diabetes, 6,3% para doenças respiratórias, 6,0% para hipertensão, e 5,6% para câncer.

> Um estudo publicado no periódico medRxiv (Ref.58) analisou 391 casos na China de 14 de janeiro até 12 de fevereiro, encontrando que os indivíduos infectados tinham uma média de idade maior do que a população em geral (45 anos) e que os casos eram bem balanceados entre homens (187) e mulheres (204). Do total, 91% tiveram leve ou moderada severidade clínica em uma análise preliminar. Três morreram, 225 se recuperaram até o término do estudo (uma duração média de recuperação de 32 dias). Os pesquisadores também encontraram que as crianças parecem ser tão suscetíveis à infecção quanto os adultos.

> Dois cientistas Chineses publicaram um artigo no ReserarchGate agora deletado sugerindo que o novo coronavírus pode ter sido originado de um acidente no CCDC, devido a falhas de segurança e operações de alto risco (Ref.47). Tal sugestão não possui evidência científica corroborativa, e tudo aponta para uma origem natural, especialmente os padrões de mutações no genoma do novo coronavírus, os quais fortemente indicam seleção natural (Ref.61). Outras histórias similares também estão se espalhando nas redes sociais, mas são apenas boatos.

> Segundo análise preliminar do CDC, nos EUA, os sintomas começam a aparecer de 2 a 14 dias após a exposição (Ref.53). Crianças menores do que 5 anos e idosos podem não apresentar febre. Evidências sugerem que os sintomas começam a aparecer de 2 a 14 dias após a exposição. Essas estimativas foram corroboradas por um estudo mais compreensivo publicado no periódico Annals of Internal Medicine (Ref.68), o qual encontrou um período médio de 5,1 dias para a incubação e emergência dos sintomas; ainda segundo o estudo, cerca de 97,5% das pessoas desenvolvem sintomas dentro de 11,5 dias e que a cada 10 mil indivíduos em quarentena por 14 dias, apenas cerca de 10 irão desenvolver sintomas após serem liberados.

> Cientistas Chineses analisando 12 casos de internação por COVID-19 em Wuhan encontraram que pacientes com necessidade de ventilação mecânica possuem maiores chances de recuperação caso sejam colocados deitados de barriga para baixo (Ref.78). Hospitais ao redor do mundo já estão começando a adotar essa estratégia para o tratamento de pacientes.
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   CRIANÇAS SÃO MENOS AFETADAS PELO SARS-CoV-2?

          Em um estudo publicado no periódico The Pediatric Infectious Disease Journal (Ref.67), pesquisadores corroboraram o acúmulo de evidências sugerindo que as crianças infectadas expressam um menor número de sintomas e uma doença menos severa - ou um risco bem menor de desenvolverem uma infecção mais severa. Com base na epidemia vista na China, a maioria das crianças infectadas se recuperam em uma ou duas semanas após a emergência dos sintomas, e nenhuma morte foi reportada até fevereiro deste ano. Apesar disso, evidências sugerem também que as crianças são tão suscetíveis à infecção quanto adultos, mas é ainda incerto a importância delas na transmissão do vírus. Crianças também parecem ter sintomas gastrointestinais com mais frequência.

          Reforçando, um estudo publicado no periódico The New England Journal of Medicine (Ref.15), avaliando 1391 crianças e adolescentes com idades abaixo de 16 anos atendidas no Hospital Infantil de Wuhan que tiveram contato com pessoas infectadas encontrou que 171 (12,3%) tiveram resultado positivo para o novo coronavírus. A idade média das crianças contaminadas era de 6,7 anos e 41,5% delas desenvolveu febre. Outros sintomas comuns incluíram tosse e eritema faríngea. Um total de 27 pacientes (15,8%) não apresentaram sintomas, mas 12 apresentaram características radiológicas de pneumonia, mas sem qualquer sintoma de infecção. Apenas três pacientes requereram cuidados médicos intensivos e ventilação mecânica invasiva, mas todos os três apresentavam condições crônicas de risco (leucemia e intussuscepção). Uma morte foi registrada. Esse estudo corrobora que a maioria das crianças infectadas desenvolvem sintomas leves da doença, apesar delas serem também substancialmente suscetíveis à infecção.


   FORMAS DE PREVENÇÃO

          As evidências acumuladas até o momento sugerem que o coronavírus se espalha através de contato próximo e através de gotículas/aerossóis de muco e de saliva espalhados no ambiente via tosse e espirros, especialmente via gotículas depositadas. Até o momento, não existe uma vacina e nem medicamentos capazes de combater ou prevenir a infecção pelo vírus, mas existem formas básicas - aplicáveis a epidemias virais em geral - e simples de prevenção que podem ser seguidas, especialmente a higienização das mãos com água e sabão ou álcool e gel.

> Lavar as mãos: Um estudo publicado no periódico Risk Analysis (Ref.38) reforçou que a limpeza das mão é o fator de prevenção mais importante em epidemias como a do novo coronavírus. A partir de modelos epidemiológicos e simulações baseadas em dados científicos acumulados, os pesquisadores estimaram que, em média, apenas cerca de 20% das pessoas em aeroportos possuem mãos limpas, ou seja, significando que eram foram lavadas com água e sabão por pelo menos 15-20 segundos dentro de ~1 hora. Do total de pessoas que vão ao banheiro, 30% não lavam as mãos e 50% não as lavam de forma correta. Em outras palavras, 80% das pessoas em aeroportos estão potencialmente contaminando tudo o que tocam com uma alta carga de microrganismos diversos, patogênicos ou não, e também carregando a contaminação de outras pessoas por um período mais longo de tempo, aumentando o risco de contato com mucosas do corpo.

Segundo a conclusão das análises, se três vezes mais pessoas (60%) lavassem as mãos corretamente em todos os aeroportos do mundo, isso seria suficiente para frear a disseminação de várias doenças epidêmicas em até ~70%, incluindo o novo coronavírus. E mesmo aplicando esse nível de higienização em apenas 10 dos mais importantes aeroportos do mundo, o esforço poderia diminuir a força de disseminação do patógeno em até 37%.

> Mantenha pelo menos 1 metro de distância entre você e uma pessoa que esteja tossindo ou espirrando. Quando alguém tosse ou espirra, pequenas gotículas líquidas são expelidas do nariz ou da boca, podendo carregar uma boa quantidade de vírus. Se você está muito perto, pode inspirar essas gotículas e se tornar infectado.

> Evite tocar os olhos, nariz e a boca. Suas mãos podem tocar várias superfícies contaminadas e transferir patógenos diversos - incluindo o novo corona vírus - para seus olhos, nariz e boca. Nessas regiões, o vírus pode entrar no seu corpo e infectá-lo. No entanto, é válido lembrar que apesar da mucosa dos olhos ser uma porta de entrada para o vírus, lágrimas ou outras secreções oculares não parecem ser capazes de transmitir o vírus (Ref.73).

>  Evite transmitir o vírus. Ao tossir e espirrar, cubra a boca e o nariz com as costas da mão, com o braço ou com um pano, para evitar contaminar superfícies diversas. E caso esteja se sentindo mal, fique em casa, sob repouso; no caso de sintomas como febre, tosse e dificuldade para respirar, procure atenção médica o mais rápido possível. Essas orientações precisam ser seguidas com maior ênfase caso tenha visitado um local onde esteja ocorrendo surtos da doença.

> Máscaras médicas devem ser usadas em situações específicas. Se você está saudável, sem sintomas, máscaras não devem ser usadas exceto se você estiver cuidando ou compartilhando o mesmo quarto de uma pessoa infectada. Para outras situações, não existem evidências de que as máscaras previnam a contaminação pelo vírus. Outra situação para se usar a máscara é caso você esteja tossindo ou espirrando, para prevenir que outras pessoas sejam infectadas.

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> ATENÇÃO: Um número cada vez crescente de especialistas e estudos estão recomendando o uso universal de máscaras, sintomáticos ou assintomáticos. Para mais informações, acesse: Afinal, todo mundo deveria estar usando máscaras contra o novo coronavírus?
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As máscaras são efetivas - para ajudar a frear a disseminação do vírus - apenas quando usadas em combinação com uma boa e frequente lavagem das mãos com água e sabão ou com produtos baseados em álcool. Não toque a parte da frente da sua máscara, incluindo durante sua remoção. Assim que a máscara ficar úmida, troque-a. Sempre lave as mãos ao manuseá-la.

O descarte da máscara deve ser feito em um recipiente/lixeira fechado. Não re-utilize máscaras. Caso usada ou descartada de forma inapropriada, a máscara pode se tornar uma perigosa fonte de infecção, devido ao acúmulo de possíveis patógenos na sua superfície.

> Em um estudo publicado no periódico Cell (Ref.60), pesquisadores identificaram uma proteína celular - a protease TMPRSS2 - que é importante para a entrada do SARS-CoV-2 dentro das células pulmonares, representando um potencial alvo terapêutico. O medicamento mesilato camostat é conhecido de inibir essa protease e testes in vitro mostraram que esse inibidor consegue, de fato, impedir a entrada do vírus em células do pulmão. Testes clínicos em humanos são necessários agora para testar in vivo essa estratégia de prevenção.

> Vários outros medicamentos com potencial terapêutico contra o COVID-19 também estão sendo testados, incluindo Barcitinib (propriedades anti-inflamatórias e possível habilidade de reduzir a entrada viral), componentes do coquetel anti-HIV, e a cloroquina, um medicamento anti-malárico, o qual já se mostrou efetivo no tratamento de coronavírus na China. Anticorpos anti-virais, terapias de RNA e moléculas diversas (como citocinas) com potencial terapêutico também estão sendo testados (Ref.65).


   TRANSMISSÃO VIA ASSINTOMÁTICOS?
       
          Cientistas Chineses na área de infectologia vêm há um bom tempo sugerindo que indivíduos assintomáticos são capazes de transmitir o vírus. Essa suspeita foi corroborado por um estudo publicado no Emerging Infectious Diseases (Ref.28), o qual estimou que mais de 10% dos pacientes com COVID-19 são infectados por alguém que possui o SARS-CoV-2 mas que não possui ainda sintomas. A transmissão por assintomáticos torna medidas de prevenção menos efetivas, e é outro fator que pode explicar a grande virulência do novo coronavírus.

          Por outro lado, segundo a OMS, mesmo se a transmissão via assintomáticos seja real, os casos de transmissão a partir de infectados assintomáticos provavelmente serão a minoria, já que tosse ou espirros são mecanismos de extrema importância na disseminação dos vírus que causam infecções respiratórias em geral.
   

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
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  7. https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/01/25/china-suspende-viagens-turisticas-para-o-exterior-por-surto-de-coronavirus.ghtml
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  11. https://www.bbc.com/news/world-asia-china-51259649
  12. https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)30183-5/fulltext
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  17. https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2020/01/29/secretaria-de-saude-do-parana-descarta-caso-suspeito-de-coronavirus-no-estado.ghtml
  18. https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)30251-8/fulltext
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