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Baleia-Azul




A Baleia-Azul (Balaenoptera musculus) é o mais massivo animal hoje no nosso planeta e também considerado o segundo maior em comprimento. Na verdade, esse cetáceo é talvez o mais massivo que já existiu na história da Terra! Suas colossais medidas chegam a ultrapassar os 30 metros de comprimento e as 180 toneladas de peso!! Para se ter uma ideia, um dos maiores dinossauros que se tem registro, o saurópode Argentinosaurus, não passava das 90 toneladas.

As fêmeas adultas costumam ser maiores do que os machos, com um comprimento médio de 27 metros. O maior - em comprimento - espécime já registrado possuía 33,5 metros e o mais pesado  alcançou a massa corporal de 190 toneladas! Quando nascem, os filhotes já possuem entre 7 e 8 metros de comprimento e chegam a ganhar cerca de 90 kg por dia durante a amamentação! Na figura abaixo, é possível ver a comparação de tamanho entre nós e a baleia-azul (Créditos: BBC).




A Baleia-Azul é tão grande que apenas seu coração chega a ultrapassar os 180 kg e a sua artéria aorta é grande o suficiente para um humano adulto inserir facilmente sua cabeça. Para suprir as necessidades do seu imenso corpo, essas baleias consomem, todos os dias, mais de 4 toneladas de alimento, em sua grande maioria composta por Krills, pequenos crustáceos base de alimentação desses mamíferos. Elas ainda batem outro recorde: emitem os sons mais ruidosos que se tem registro entre os animais, os quais podem ultrapassar os 200 decibéis (mais fortes do que um avião a jato decolando!) e podem ser ouvidos a uma distância de mais de 800 km devido às baixas frequências (14 Hz)! .

De hábitos migratórios (mas nem todos os indivíduos migram), a baleia-azul pode alcançar uma expectativa de vida entre 80 e 90 anos. Como já foi dito, alimenta-se principalmente de krills (Euphausia superba e E. crystallorophias), mas chegam a se alimentar também de pequenos peixes e lulas. Geralmente nadam a velocidades de 20 km/h, mas podem alcançar os 48 km/h quando alarmadas (uma das maiores velocidades de nado entre as espécies marinhas). Podem ficar submersas de 10 a 20 minutos e, quando sobem à superfície para respirarem, o jato de água que liberam do orifício respiratório pode alcançar os 10 metros de altura! Para a comunicação, dependem muito dos seus poderosos sons emitidos e possuem uma excelente audição.

Baleia-Azul se alimentando de krills

Devido às suas dimensões, não possuem predadores naturais. Porém, os filhotes podem ser alvos de grandes tubarões ou de grupos de orcas.

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FUNÇÕES CARDÍACAS EXTREMAS

Usando marcadores de registro eletrocardiográfico (ECG), pesquisadores em um estudo recente (nov. 2019) publicado no periódico PNAS (Ref.8) analisaram de forma inédita as funções cardíacas de quatro espécimes de baleia-azul enquanto esses animais mergulhavam até profundidades de até 184 metros e por até 16,5 minutos na busca por alimentos. As taxas de batimentos cardíacos foram tipicamente de 4 a 8 batimentos por minuto (bpm) nos mergulhos (bradicardia), mas chegavam a ser tão baixas quanto 2 bpm. Já no pós-mergulho, na superfície oceânica, as taxas subiam para 25 a 37 bpm (taquicardia), próximo do máximo estimado (40 bpm). Essa extrema diferença na taxa de batimento cardíaco responde às diferentes disponibilidades de oxigênio durante o mergulho (baixa) e na superfície (alta), de forma a melhor atender as necessidade energéticas e proteger o coração e outros órgãos da alta demanda metabólica imposta pelo enorme corpo desses mamíferos (poupando inclusive oxigênio para o próprio músculo cardíaco nos mergulhos). Durante a fase de alimentação ("estocada") para engolir grandes volumes de água e posteriormente filtrá-la (retendo o alimento), essa taxa cardíaca aumenta um máximo de 2,5 vezes a taxa na descida.


O aumento da taxa cardíaca na fase de alimentação mostrou-se bem menor do que o esperado, considerando os altos custos energéticos dessa fase, onde existe uma aceleração para altas velocidades e um volume engolido de água maior do que o próprio corpo da baleia-azul. De qualquer forma, os extremos fisiológicos observados nas funções cardíacas provavelmente representam limites que impediram esses animais de evoluírem para maiores dimensões. Essa dinâmica nas taxas de batimentos cardíacos também explicam as características hemodinâmicas únicas nas baleias rorquais, especialmente o arco aórtico de grande diâmetro, elástico e altamente complacente que permite a artéria aorta acomodar sangue ejetado pelo coração e manter o fluxo sanguíneo durante as longas e variáveis pausas entre os batimentos cardíacos.
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Esses mamíferos titânicos possuem quatro subespécies, com todas podendo habitar todos os oceanos do planeta - de áreas polares às tropicais. A Baleia-Azul da Antártica (B. m. intermedia) é a maior delas. Até o início do século 20, as baleias-azuis eram abundantes em todos os oceanos. Devido à caça excessiva por causa do seu valioso óleo, é estimado que, durante o século 20, 350 mil desses animais foram mortos. Atualmente, existem entre 10 e 25 mil delas no mundo segundo pesquisas mais recentes e parece existir um aumento populacional constante. Mas as ameaças ainda persistem, como a caça ilegal, mudanças climáticas, poluição sonora nos oceanos e acidentes com embarcações (colisões). Por causa disso e devido à baixa densidade populacional em termos globais, elas ainda correm grande risco de extinção e é incerto o futuro da espécie. 

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REFERÊNCIAS:
1. http://www.iucnredlist.org/details/2477/0
2. http://animaldiversity.org/accounts/Balaenoptera_musculus/
3. https://naturalhistory.si.edu/mna/image_info.cfm?species_id=18
4. http://www.environment.gov.au/cgi-bin/sprat/public/publicspecies.pl?taxon_id=36
5. http://www.fisheries.noaa.gov/pr/species/mammals/whales/blue-whale.html
6. https://www.st.nmfs.noaa.gov/feature-news/big-hearted-blue-whale

7. http://www.mass.gov/eea/docs/dfg/nhesp/species-and-conservation/nhfacts/balaenoptera-musculus.pdf
8. https://www.pnas.org/content/early/2019/11/19/1914273116


*´Peso´, neste artigo, está se referindo ao uso popular da palavra, ou seja, para indicar a ´massa´ do corpos aqui na Terra (já que a variação da força-peso na superfície do nosso planeta é bem pequena)