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O consumo de ayahuasca é prejudicial?


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          Recentemente, o fito-preparado conhecido como ayahuasca voltou a ganhar destaque na mídia. Um projeto proposto pela deputada estadual Damaris Moura (PSDB) visando criar uma lei estadual de liberdade religiosa determina em seu conteúdo a proibição do consumo de ayahuasca por menores de 18 anos, instituindo também o ensino religioso não confessional nas escolas públicas e determinando que o abate de animais em cultos respeite o princípio da dignidade, entre outros pontos nesse sentido (Ref.1). O texto foi aprovado em novembro de 2019 na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Alesp, com parecer favorável da relatora, a deputada Janaina Paschoal (PSL).

          Um dos pontos mais polêmicos do texto é justamente a ayahuasca, chá feito a base de duas plantas da Amazônia e consumido em rituais do Santo Daime e em outros trabalhos espirituais. Referido no texto como 'substância entorpecente', qual a real natureza da ayahuasca? Ela é prejudicial à saúde? Existe potencial terapêutico?

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   AYAHUASCA

          Ayahuasca - também conhecida como yagé, Daime, natema, hoasca e Vegetal e vários outros nomes locais no Brasil, Equador, Bolívia e Peru - é o termo usado para fazer referência à espécie de planta Amazônica Banisteriopsis caapi (Malpihiaceae), e a um amplo espectro de infusões de água e decoctos (essência obtida após evaporação) preparados a partir da planta isolada ou em combinação com outras plantas. O termo tem origem Quechua; 'aya' significa 'espírito' e 'waska' significa 'cipó', ou seja, 'cipó dos espíritos'. O uso do chá psicotrópico de ayahuasca vem crescendo de forma sem precedentes nos últimos anos, chamando também a atenção de pesquisas biomédicas sobre os efeitos dos seus compostos bioativos.



          A preparação desse chá faz parte de uma longa história de uso de plantas psicotrópicas pelos nativos nas Américas, as quais são ricas em plantas psicotrópicas capazes de induzir estados visionários de consciência. Essas plantas foram centrais para moldar a cultura desses povos, sendo usadas na medicina, cerimônias religiosas e rituais de passagem. Tais práticas foram gradualmente desaparecendo, no entanto, com a expansão da colonização Europeia e do Cristianismo. No início e em meados do século XX, o uso dessas plantas por nativos se tornou bastante limitado, com os chás de ayahuasca sendo consumidas apenas em regiões isoladas na Amazônia durante cerimônias.

          Porém, nas últimas duas décadas, o uso do chá voltou a crescer de forma robusta na América do Sul, fomentando a disseminação de medicinas alternativas fitoterápicas e movimentos religiosos. Aqui no Brasil, o uso de ayahuasca passou por uma radical transformação cultural, se misturando com as crenças religiosas Cristãs e Afro-Brasileiras, e dando origem ao Santo Daime, a União do Vegetal, a Barquinha e outros movimentos espirituais. Na Europa e na América do Norte, o uso também vem crescendo, mas fora do contexto religioso, e mais para propósitos recreativos.

             Uma das versões mais comuns do chá de ayahuasca encontrada ao redor do mundo é a combinação do B. caapi com as folhas da espécie Psychotria viridis (Rubiaceae). Ao contrário de cogumelos alucinógenos, como os do gênero Psilocybe, onde os princípios ativos podem elicitar efeitos psicodélicos por si próprios, a combinação B. caapi-P.viridis atua via interação entre as substâncias presentes em cada planta. O B. caapi contém os alcaloides harmina, tetrahidroharmina (THH), e pequenas quantidades de harmalina, compostos chamados de "beta-carbolinas". Na P. viridis - assim como em um número de espécies de plantas ao redor do mundo - existem grandes concentrações de N,N-dimetiltripamina (DMT), composto também presente em minúsculas quantidades no cérebro humano, e o principal componente psicoativo da ayahuasca..




          A administração via venosa de 30 mg de DMT induz breve mas intensos efeitos psicodélicos com ilusões visuais, mudanças no conteúdo de pensamento e humor, e uma série de modificações fisiológicas como sensações de formigamento, tremores, midríases, e elevações na pressão sanguínea e na taxa de batimentos cardíacos. Efeitos subjetivos (somáticos e visuais) são disparados dentro de segundos após a administração venosa, alcançando um máximo de intensidade 5 minutos após a injeção e diminuindo nos próximos 30 minutos. Como o DMT é rapidamente metabolizado pela enzima MAO-A, sua meia-vida é de aproximadamente 5 a 15 minutos quando administrado isolado. Em doses maiores, a experiência rapidamente progride para uma profunda imersão - às vezes chamada de 'realização'. Porém, mesmo doses tão altas quanto 150 mg administradas oralmente não surtem efeitos. As beta-carbolinas impedem que o DMT seja degradado na corrente sanguínea e no intestino pela enzima hepáticas monoamina oxidase A (MAO-A), permitindo o composto atingir a circulação geral e o sistema nervoso central.

          Nas folhas de P. viridis, a concentração de DMT varia entre 0,1% e 0,66% de massa seca, dependendo da hora do dia quando elas são coletadas. Geralmente, cada preparação de ayahuasca pode conter entre 8,8 mg e 42 mg de DMT, causando efeitos alucinógenos com doses maiores do que 0,2 mg/kg. De forma intravenosa, doses letais de DMT ficam em torno de 1,6 mg/kg, e, de forma oral junto com a ayahuasca fica em torno de 8 mg/kg, já que nem toda a quantidade consumida ficará biodisponível. O fumo das folhas é a rota preferida para o consumo recreativo, apesar da rota intravenosa ser amplamente usada. Porém, esse tipo de uso recreativo não é recomendado.

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   EFEITOS APÓS CONSUMO

         Após o consumo do chá de ayahuasca existe geralmente um intervalo de meia-hora até os primeiros efeitos serem sentidos. Não é incomum uma desagradável sensação de queimação no estômago, a qual pode ser prontamente atribuído à acidez da mistura. Usuários também reportam mudanças na sensibilidade da pele, alfinetadas, ondas de calor e de frio, e bocejos. Isso é seguido por um forte desejo de fechar os olhos, e o início de visões em cerca de 40-60 minutos, apesar de alguns indivíduos não reportarem nenhuma experiência visual. Os efeitos podem durar até 4 horas após o consumo.

          Quando presentes, as manifestações visuais são geralmente comparadas àquelas em sonhos, com complexas cenas às vezes envolvendo lugares e pessoas conhecidas ou a lembrança de eventos passados. Apesar de serem bem vívidas, as imagens reportadas claramente diferem de "verdadeiras alucinações". Os usuários ficam cientes de que as visões são droga-induzidas, geralmente desaparecendo quando os olhos estão abertos e quando a atenção é direcionada para pistas externas. Percepções auditivas raramente envolvem "ouvir vozes", mas, sim, modificações no estímulo externo, com músicas, por exemplo, sendo mais intensamente sentidas, influenciando profundamente a experiência.

         Além dos efeitos auditivos e visuais, é sugerido que a ayahuasca aumenta a velocidade de pensamento e facilita novas associações. Esse estado introspectivo induzido pelo chá promove reflexão em questões pessoais - incluindo o engatilhamento de intensas emoções associadas a memórias -, algo pelo menos reportado em alguns estudos clínicos e pelos usuários em geral. Essa interação entre pensamentos, memórias e emoções é altamente valorizado pelos indivíduos que consomem regularmente ayahuasca.

          Esses efeitos mais subjetivos tipicamente vêm e vão em ondas, com períodos alternados de intensidades máximas e mínimas. No entanto, com base em estudos laboratoriais, após o consumo de uma única dose de ayahuasca, os efeitos psicológicos alcançam uma intensidade máxima após uma hora e meia a duas horas. Os efeitos são dose-dependentes até um certo limite, mas podem variar substancialmente de indivíduo para indivíduo.

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   EFEITOS FISIOLÓGICOS, NEURAIS E RISCOS

          Do ponto de vista fisiológico, a ayahuasca exerce efeitos simpatomiméticos aumentando a modificação de norepinefrina e causando midríase. Os níveis de cortisol (hormônio de estresse) e de prolactina também aumentam. Já os efeitos cardiovasculares geralmente são mínimos, sem mudanças na taxa de batimentos cardíacos e moderados aumentos nas pressões sistólica e diastólica. E apesar de substâncias psicodélicas serem comumente associadas com dependência, isso não se aplica ao DMT, não sendo reportados sintomas de abstinência na literatura acadêmica.

          Nesse sentido, a versão B. caapi-P. viridis da ayahuasca parece ser razoavelmente segura em termos de impactos fisiológicas quando administrada em indivíduos saudáveis. Os mais comuns efeitos colaterais são náusea e vômito, especialmente se mais de uma dose é tomada em uma única sessão, apesar de alguns considerarem esses efeitos como uma 'purificação' no contexto cerimonial. A rápida remoção de harmina do corpo e a interação das beta-carbolinas com o DMT são alguns dos fatores que podem explicar a baixa toxicidade da ayahuasca. Porém, pode ser perigoso combinar outros medicamentos - como drogas serotonérgicas (ex.: antidepressivos) - com o chá.

          Como o fígado é o principal órgão para o metabolismo e desintoxicação de xenobióticos absorvidos pelo trato alimentar, existe também a preocupação que o consumo frequente e a longo prazo da ayahuasca pode levar a danos nas funções hepáticas. Porém, um estudo publicado em 2019 no periódico Journal of Psychoative Drugs (Ref.4), analisando 22 usuários ritualísticos de ayahuaca que vinham tomando o chá 2 vezes ou mais por mês por pelo menos 1 ano, não encontrou evidências de que o consumo da bebida em um contexto religioso afete as funções hepáticas em qualquer extensão. O estudo, portanto, reforça as alegações de baixa toxicidade da substância na literatura acadêmica.

          Existe também um potencial risco de reações de ansiedade durante a experiência, como ocorre com outros psicodélicos. Episódios dissociativos transientes têm sido também documentados durante o consumo do chá. Esses efeitos têm sido geralmente observados após o consumo de altas doses. De forma mais infrequente, sintomas psicóticos de longa duração têm sido reportados. Indivíduos com um histórico familiar de qualquer doença psicótica ou mania não-psicótica deve também evitar o consumo não apenas de DMT assim como outros alucinógenos, como LSD e psilocibina.

          A nível de receptores moleculares, o DMT possui uma série de alvos. Devido à similaridade da sua estrutura molecular com o neurotransmissor endógeno serotonina, essa molécula interage com a neurotransmissão serotonérgica. Esses efeitos geram os efeitos já mencionados - visões, variações na percepção sonora, exacerbação de emoções - que são frequentemente descritas como uma entrada em um mundo ou dimensão inteiramente diferente, mas não menos 'real', similar a um estado de sonho. Aliás, a fenomenologia da experiência com DMT sugere que essa substância pode ser uma poderosa ferramenta científica para iluminar a neurobiologia da consciência.

           No primeiro estudo clínico controle-placebo sobre os efeitos do DMT no cérebro humano, reportado recentemente na Scientific Reports (Ref.4), pesquisadores mostraram que a imersão no estado induzido pelo DMT é acompanhado por uma substancial diminuição no espectro total de energia nas bandas alfa e beta, e paralelamente - e mais notavelmente - por um substancial aumento na diversidade espontânea de sinais e a emergência de oscilações theta e delta durante os picos de efeitos. As ondas theta estão tipicamente associadas com sonhos. Esses efeitos são significativamente correlacionados com os característicos efeitos visuais do DMT, incluindo especialmente a vívida sensação de 'sonhar acordado'.



           Aliás, como o DMT ocorre naturalmente no cérebro humano, existe a hipótese que a liberação endógena dessa substância pode estar envolvida em reportes de abduções de alienígenas (I), experiências místicas espontâneas, e experiências de quase-morte, mas isso permanece controverso.

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(I) Reportes de abduções alienígenas e possessões demoníacas estão mais associadas nesse sentido ao fenômeno conhecido como 'paralisia do sono'. Para mais informações, acesse: O que é a aterrorizante Paralisia do Sono?
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           Já foi reportado também que usuários regulares de ayahuasca mostram uma diminuição da espessura cortical no córtex cingulado posterior e um aumento na espessura cortical do córtex cingulado anterior (Ref.6). Esses e de outros efeitos do consumo agudo, sub-agudo e de longo prazo do chá não estão associados a psicopatologias ou déficits cognitivos, mas curiosamente a um aumento de espiritualidade, reduzida impulsividade e melhora de humor e cognição.

          Essas últimas alegações são corroboradas com um estudo observacional publicado em junho de 2019 no periódico Journal of Psychoative Drugs (Ref.7), envolvendo 380 participantes de diferentes regiões da Espanha onde cerimônias com ayahuasca são reportadas. No estudo, 56% dos participantes relataram ter reduzido o uso de medicamentos prescritos devido ao consumo do chá, e participantes que usavam regularmente a bebida pontuaram mais em termos de valores pessoais e estavam associados com uma percepção positiva de saúde ou estilo de vida saudável. Os pesquisadores concluíram que o uso controlado de ayahuasca em contextos comunitários parece ser bem tolerado e pode ser incorporado a um estilo de vida saudável.

          No entanto, mesmo com estudos descrevendo efeitos positivos sobre proliferação e desenvolvimento de novas células cerebrais (neurogênese) a partir do consumo de ayahuasca e baixa toxicidade em termos sistêmicos, pouco é conhecido sobre os efeitos a nível celular e sua potencial citotoxicidade a longo prazo e mais estudos nesse sentido são necessários.

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    EFEITOS TERAPÊUTICOS?

          Usuários regulares e novos de ayahuasca têm descrito a experiência como positiva e valorosa, e alguns indivíduos têm reportado melhoras associadas à saúde, em especial ligadas com uma diminuição no consumo de drogas viciantes, como bebidas alcoólicas e cocaína. Reportes em sua maioria anedóticos também têm sugerido efeitos antidepressivos e de melhora no humor e na ansiedade para o chá.

          Com base na literatura acadêmica, apesar de existir um potencial uso dos componentes da ayahuasca para o tratamento de transtornos psiquiátricos e vício em substâncias ilícitas (Ref.8-10), ainda não é claro a relevância clínica dos efeitos terapêuticos tradicionalmente reportados. Como a ayahuasca é geralmente consumida durante cerimônias religiosas e encontros espirituais, efeitos positivos podem estar associados também às interações de grupo e fortalecimento de laços sociais. Potenciais mecanismos psicológicos associados com benefícios terapêuticos indicam similaridades com terapias de meditação.

           O único estudo clínico duplo-cego randomizado com grupo de controle-placebo, realizado por pesquisadores Brasileiros e publicado em 2019 no periódico Psychological Medicine (Ref.12), trouxe evidências positivas para o uso de ayahuasca para o tratamento de quadros resistentes de depressão. O estudo envolveu 29 pacientes.

             É válido, contudo, reforçar: não existem suficientes estudos de alta qualidade que comprovem efeitos terapêuticos a partir do uso de ayahuasca. Alegações do tipo não são cientificamente baseadas. O que se pode dizer com um moderado-elevado grau de confiança é que seu uso, mesmo a longo prazo, parece ser, no geral, seguro caso seja feito de forma supervisionada, responsável, limitado a cerimônias realizadas no máximo duas vezes por mês (como normalmente é feito no contexto ritualístico), e em indivíduos saudáveis, sem histórico médico ou familiar de episódios psicóticos e de manias não-psicóticas. O uso abusivo, junto com outros medicamentos e em ambientes não controlados pode ser perigoso.


   CONCLUSÃO

          No geral, o consumo agudo, sub-agudo e de longo prazo do chá de ayahuasca parece ser razoavelmente seguro e associado com uma baixa toxicidade. Existem efeitos colaterais não-desejáveis de baixa-moderada gravidade que podem variar bastante entre usuários, e potenciais efeitos terapêuticos para transtornos psiquiátricos e problemas com abuso de substâncias. Efeitos subjetivos pós-consumo - utilizados para a promoção de cerimônias religiosas - incluem manifestações visuais similares a um 'sonho acordado'. Porém, mais estudos de alta qualidade e envolvendo mais participantes são necessários para melhor esclarecer os efeitos desse chá no corpo humano - benéficos e deletérios -, especialmente no cérebro.

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          De qualquer forma, devido ao potencial terapêutico, aparente baixa toxicidade e longa história de consumo, muitos pesquisadores acreditam que as regulações governamentais em relação ao uso da ayahuasca deveriam ser mais flexíveis, especialmente para facilitar a realização de testes clínicos envolvendo mais participantes. O uso dos compostos de ayahuasca é controlada em alguns países Europeus - em especial na França; em vários outros países Europeus, no entanto, apenas o DMT é ilegal.

> Leitura recomendada: Fumo e uso recreativo da maconha: lobo sob pele de cordeiro


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/12/deputada-quer-criar-lei-que-proibe-ayahuasca-para-menores-e-ensino-religioso-confessional.shtml
  2. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26976063
  3. https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/2045125316689030
  4. https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02791072.2018.1557355
  5. https://www.nature.com/articles/s41598-019-51974-4
  6. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27287824
  7. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30732540
  8. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6182612/
  9. https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/2045125316638008
  10. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29366418
  11. https://www.drugabuse.gov/publications/hallucinogens-dissociative-drugs/how-do-hallucinogens-lsd-psilocybin-peyote-dmt-ayahuasca-affect-brain-body
  12. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29903051
  13. https://www.mdpi.com/2305-6320/6/4/106