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A ciência alerta: as selfies podem distorcer seu rosto, especialmente o nariz


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         As selfies são tipicamente auto-retratos - individuais ou em grupo - geralmente tirados com um Smartphone segurado pela mão de uma pessoa ou por um pau-de-selfie. As fotos são frequentemente compartilhadas nas redes sociais, como o Facebook, Snapchat e, especialmente, no Instagram. Em anos recentes, a selfie se tornou parte da rotina de muitas pessoas e uma das principais modalidades fotográficas da atualidade. Somente em 2014, foram mais de 93 bilhões de selfies tiradas por aparelhos Androides por dia. Porém, um significativo mas ignorado efeito também acompanha esses auto-retratos.

         Apesar da facilidade e praticidade envolvida na execução de uma selfie, a curta distância entre a câmera e o rosto da pessoa que muitas vezes acompanha esses auto-retratos causa distorções significativas nas características faciais do indivíduo, mais notavelmente um aumento nas dimensões do nariz. E as pessoas podem estar correndo para o cirurgião plástico por motivos desnecessários, segundo um estudo norte-americano publicado esta semana no  JAMA Facial Plastic Surgery (Ref.1).

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   EFEITO SELFIE

        De acordo com uma pesquisa da Academia Americana de Plásticas Faciais e Cirurgias Reconstrutivas, 42% dos cirurgiões nos EUA reportaram pacientes procurando por procedimentos que melhorem suas fotos em selfies e em plataformas das redes sociais. E um exemplo comum são as insatisfações com o nariz.

        Boris Paskhover, um professor assistente no Departamento de Otolaringologia da Escola de Medicina da Universidade de Rutgers, New Jersey, EUA, é especializado em plásticas faciais e cirurgias reconstrutivas. Frequentemente ele se depara, em seu consultório, com selfies tragas pelos pacientes como exemplo do porquê deles estarem querendo uma cirurgia de redução nasal.

       "Jovens adultos estão constantemente tirando selfies para postarem nas redes sociais e acham que aquelas imagens representam com fidelidade como eles realmente são na aparência, algo que pode ter um impacto em seus estados emocionais," disse Paskhover em uma entrevista para o jornal da sua Universidade (Ref.2). "Eu quero que eles entendam que quando eles tiram uma selfie eles estão essencialmente olhando para uma espécie de espelho distorcido."

        Para melhor explicar aos pacientes porque eles não devem usar as selfies para avaliar as dimensões dos seus narizes - e assim melhorar a percepção de si próprios e fazerem melhores decisões sobre seus corpos -, Paskhover trabalhou com Ohad Fried, um amigo pesquisador do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Stanford, para o desenvolvimento de um modelo matemático que mostre as distorções nasais criadas pelas fotos de selfies tiradas de curtas distâncias.

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   MATEMÁTICA DA SELFIE

         Para desenvolver o modelo matemático que consegue predizer as distorções tragas pelas selfies, os pesquisadores modelaram o rosto como uma coleção de planos paralelos que são perpendiculares aos principais eixos da câmera e calcularam as mudanças da razão percebida da largura nasal pela largura bizigomática de acordo com a distância da câmera àqueles planos.

         Com base na análise geométrica desse modelamento, os pesquisadores usaram os valores médios de comprimentos morfométricos da protusão nasal, largura nasal, largura bizigomática, comprimento da cabeça e distância intercrural (indicados na imagem abaixo, onde temos uma cabeça vista de cima) para determinar as mudanças notadas nas dimensões nasais tanto em homens e mulheres a partir das distância de 30,48 centímetros, 1,5 metros e 'infinita' entre a câmera e o indivíduo. Os dados foram coletados de um amplo espectro de participantes aleatórios, englobando diferentes raças/etnias ao longo do território dos EUA.


        Como resultado, para uma câmera posicionada no infinito (projeção ortográfica), a razão dos eixos de planos alinhados permaneceram fiéis ao mundo real em relação ao formato tridimensional do rosto. Ou seja, fotografias tiradas de uma distância suficiente grande não causam distorções no rosto. Porém, quando as selfies eram tiradas de uma distância em torno de 30,5 cm, a base do nariz nas fotos era aumentada em cerca de 30% nos homens e cerca de 29% nas mulheres quando comparado com o real tamanho do nariz. Além disso, quando mantido uma largura nasal constante, a distância intercrural é 7% maior nessa distância tanto em homens quanto em mulheres. Já uma imagem tirada de 1,5 m (um padrão fotográfico ideal de distância), nenhuma diferença significativa surgia.


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   CONCLUSÃO

        Basicamente, o novo estudo mostrou que uma selfie bastante comum tirada de uma distância em torno de 30 cm do rosto leva a uma forte distorção facial que deixa a largura da base do seu nariz aproximadamente 30% maior para ambos os sexos e a ponta nasal cerca de 7% mais larga. Algo do tipo não acontece se a distância de, por exemplo, 1,5 metro é tomada para a fotografia, uma posição padrão de retrato que fornece uma representação mais proporcional das características faciais da pessoa caso a fotografia precise ser feita à curta distância.

        Fica, então, a dica de vaidade: cuidado com as selfies, porque elas provavelmente não serão um retrato fiel de você. Isso também reforça porque é preciso muito muita cautela antes de optar por cirurgias plásticas e outras mudanças mais drásticas no corpo.


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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://jamanetwork.com/journals/jamafacialplasticsurgery/article-abstract/2673450 
  2. https://news.rutgers.edu/research-news/selfies-drive-self-image-and-may-lead-many-seek-plastic-surgery/20180301#.WpjdKVTwbIU 
  3. http://www.bizjournals.com/sanjose/news/2014/06/25/google-divulges-numbers-at-i-o-20-billion-texts-93.html