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O Trump possui um Transtorno de Personalidade Narcisista?



           Mesmo antes de assumir o cargo, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, já estava imerso em polêmicas e criticismo. Diversas das suas propostas de governo são bastante controversas e sua guerra à mídia está saindo do controle. Tudo que é lançado como uma crítica às suas ações é, por ele, batizado como "Fake News". Quando algo desfere elogios às suas ações e pessoa, é tratado como um veículo de confiança. Sua famosa conta no Twitter é usada como um meio de disparar mensagens aleatórias, com muitas delas contendo afirmações sem base científica ou de evidências factuais. Seus discursos muitas vezes são proferidos com pouco cuidado com as palavras e emoções pessoais, resultando em achismos desnecessários. Agora, vários profissionais psiquiátricos estão quebrando uma sagrada regra e questionando a saúde mental do presidente. Mas será que isso é ir longe demais?

            Desde 1964, quando a revista Fact pediu para que milhares de especialistas dessem suas opiniões sobre se o candidato Republicano Barry Goldwater era psicologicamente preparado para assumir a presidência, que um princípio foi criado e adotado pela APA (Associação Americana de Psiquiatria, na tradução da sigla em inglês) em 1973: a ´Goldwater Rule´ (Regra de Goldwater). Segundo esse princípio, os psiquiatras ficam proibidos de diagnosticar alguém que eles não avaliaram pessoalmente, especialmente figuras públicas, e de emitir opiniões profissionais formalmente autorizadas. A APA, inclusive, alertou, em Agosto do ano passado (através da sua Presidente, Maria A. Oquendo) (Ref.1), que quebrar essa regra para avaliar os candidatos à presidência era "irresponsável, potencialmente estigmatizante e definitivamente antiético". O alerta veio justamente devido ao tom anormal das campanhas, ou seja, recheadas de polêmicas e desinformações, e que foi decisiva, inclusive, para criar o termo ´Pós-Verdade´.

A revista enviou uma pesquisa de opinião para cerca de 12,356 mil psiquiatras sobre a saúde mental do Senador Barry Goldwater em 1964, onde 2,417 deles responderam a mesma, e, entre estes, 1,189 disseram que Goldwater não estava preparado para assumir o cargo de chefe de Estado

            Mesmo com a regra, diversos profissionais escolheram declarar publicamente sobre a suposta instabilidade mental de Donald Trump. Na verdade, essas declarações já vêm ocorrendo antes mesmo de ser eleito em Novembro do ano passado. Em uma carta recente ao The New York Times (Ref.4), 35 psiquiatras alertaram que o Trump possuía uma "grave instabilidade emocional", a qual fica clara em seus discursos e ações, e que, devido a isso, ele seria "incapaz de servir seguramente como Presidente". Vários outros, inclusive, estão o diagnosticando com o Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN). Pessoas com esse transtorno mental teriam um profundo apego pela grandiosidade, uma falta de empatia por outras pessoas, e uma necessidade por admiração. Elas podem achar que merecem um tratamento especial por serem supostamente superiores, e tendem a ser arrogantes, auto-centradas, manipuladoras e exigentes. Aqui também existe uma dificuldade em tolerar criticismo ou derrota, e um sentimento de humilhação quando um dano é desferido na forma de crítica ou rejeição. Bem, de fato, diversas dessas características se encaixam perfeitamente como o Trump.


           Segundo os psiquiatras responsáveis pelas declarações, já estava mais do que na hora de alguém se levantar e questionar a saúde mental de Trump, mesmo que, para isso, a Regra Goldwater seja atropelada. Segundo eles, "o silêncio resultou em uma falha de alerta para os jornalistas e membros do Congresso neste momento de grande tensão, e que muita coisa está em risco para que a voz continue sufocada". Na semana passada, o Senador Democrata Al Franken afirmou que alguns dos seus colegas Republicanos expressaram preocupação sobre a saúde mental do Presidente, especialmente na questão da confiabilidade das palavras de Trump, onde sinais claros já surgiram de que ele possa ser alguém que "mente muito".

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            Porém, por outro lado, vários outros profissionais estão criticando bastante essas declarações e pedem para que seus colegas de profissão não quebrem uma das regras modernas mais tradicionais da psiquiatria. Além disso ser algo antiético, também faz com que a confiança entre paciente e médico seja enfraquecida. Se uma regra tão importante e bem estabelecida é quebrada, quais outras mais também poderão sofrer tal abuso? Em outra carta enviada semana passada para o The New York Times (Ref.5), o Dr. Allen Frances, este o qual ajudou a escrever o Manual de Estatística e Diagnóstico das Desordens Mentais IV (um dos principais manuais usados no mundo para classificar os transtornos mentais), disse que parte dessas declarações irresponsáveis são, na maioria, "diagnósticos amadores e insuficientes para caracterizar o Trump com uma Transtorno de Personalidade Narcisista". E acrescentou:

           "O Donald Trump pode ser um narcisista da mais alta classe, mas isto não faz dele um doente mental, porque ele não sofre de aflições e debilidades necessárias para diagnosticar um transtorno mental. Sr. Trump mais causa grave aflição do que experiencia, e tem sido ricamente premiado, ao invés de punido, pela sua grandiosidade, auto-absorção e falta de empatia. É um insulto estimagnetizante contra os doentes mentais (a maioria dos quais são bem comportados e bem intencionados) que estes sejam englobados junto ao Sr. Trump (este o qual não possui nenhuma dessas características). Mal comportamento é raramente um sinal de doença mental. Diagnosticar o Trump com uma doença psiquiátrica é uma maneira errada de combater seu ataque à democracia."


    ENTRE POLÊMICAS E DISCURSOS

           Apesar desse árduo debate no meio psiquiátrico, uma coisa tende a ser um consenso, tanto no meio acadêmico quanto no meio jornalístico: o Trump vem criando um grande vício em falar sem pensar antes e em sufocar ao máximo possível quaisquer críticas negativas às suas ações e falas. Nesses últimos dias, ele vem pegando pesado contra os veículos de comunicação, e o termo ´Fake News´ (´Notícias Falsas´) é algo mais do que recorrente no seu vocabulário. Trump tenta sufocar tanto as críticas negativas que ele, praticamente, está tentando criar uma barreira de insultos contra diversos grandes e conceituados meios jornalísticos atuando no território norte-americano, como a CNN e o The New York Times. Seu ataque também recai sobre a gigante global BBC News e sobre a mídia popular em geral. Basicamente, ele quase apenas elogia a Fox News, esta a qual é considerada por muitos como um porta voz dos Republicanos, e tende a ser bastante tendenciosa quanto às informações referentes ao partido e ao Trump. E sufocar a mídia, filtrando-a parcialmente, é algo bastante característico de governos ditatoriais.

       "A Mídia FAKE NEWS (decadentes The New York Times, NBC News, ABC, CBS, CNN) não é minha inimiga, é a inimiga do Povo Americano!"
  

"Não acreditem na mídia popular (fake news). A Casa Branca está funcionando MUITO BEM. Eu ganhei de herança uma BAGUNÇA e estou no processo de arrumá-la."

 
            E os absurdos nas falas do Trump são inúmeros, e podemos fazer uma lista de alguns principais:

   1. Imigrantes australianos

           O Trump mandou, no começo deste mês, essa mensagem no seu Twitter:

           "Você acredita nisso? A Administração do Obama concordou em receber milhares de imigrantes ilegais da Austrália. Por quê? Eu vou estudar esse acordo idiota!"
 

         Além do modo inapropriado com que ele faz declarações sobre questões políticas no Twitter, temos aqui uma das "verdades" que ele defende sem antes checar com profundidade os fatos. São ´1250 refugiados´, e não ´milhares de imigrantes ilegais´. (Ref.22, 23 e 24)

      2. Multidão na sua inauguração
            Por causa de uma foto que começou a circular sobre a quantidade de pessoas atendendo à cerimônia de posse no Capitólio, Washington, em uma comparação entre o Obama e o Trump, este último criou uma forte rejeição ao fato de que bem menos pessoas compareceram no local em comparação com o ex-Presidente. Ele chegou a afirmar, e se convencer disso, que 1,5 milhões de pessoas foram à sua inauguração, sendo que o número foi BEM menor do que isso, com algumas estimativas apostando em torno de 600 mil, cerca de um terço da multidão presente na inauguração do ex-Presidente Obama em 2009 (Ref.14 e 15).

    
      3. Vitória no voto popular

             Já para desmentir o fato de que a Hillary ganhou no voto popular por 3 milhões de votos a mais, ele diz que se fossem descontados os "milhões de votos ilegais", ele teria ganhado no popular também. Mas não existem provas ou evidências de que houveram nem mesmo dezenas de votos ilegais. (Ref.21, 22 e 29)



       4. Ceticismo às mudanças climáticas

            O Trump continua cético em relação às mudanças climáticas no planeta, especialmente de que o homem tenha alguma coisa a ver com isso, mesmo com o consenso científico dizendo o contrário (aliás, temos inúmeras provas de que o aquecimento global é real e está já causando grandes danos no planeta, como o recente desastre noticiado em relação à massivas mortes na grande Barreira de Corais, na Austrália). Ele, inclusive, chegou a publicar em seu perfil no Twitter no final do ano passado: "Falam de uma grande frente fria, semanas antes do esperado. Cairia bem uma boa dose de aquecimento global!". Além disso, vivia dizendo que o aquecimento global era coisa espalhada pelos chineses para frear o crescimento dos EUA. A situação só piorou quando ele integrou à sua equipe de transição de governo o fanático Myrin Ebell, o qual é um cético ainda mais violento contra o aquecimento global ter alguma influência da ação humana. Isso sem contar que em um dos planos de governo já traçados pelo Trump, ele coloca que os limites impostos no uso de carvão mineral no setor energético do país serão reduzidos com prioridade.

             Apesar disso, no final do ano passado, os ambientalistas e cientistas em geral puderam respirar um pouco aliviados, quando houve uma inesperada reunião entre o Trump e o Al Gore (o ex-vice do Clinton e Nobel da Paz, responsável pelo famoso documentário "Uma Verdade Inconveniente"), com o objetivo de discutir o assunto. E após essa reunião de figuras completamente opostas de pensamento em relação às mudanças climáticas na Terra, o Al Gore disse ao The New York Times que a conversa foi extremamente interessante, buscou sinceros pontos de consenso, e que voltaria a se repetir. E o Trump ainda chegou a comentar que agora vê "alguma conexão" entre atividade humana e o aquecimento global. (Ref.25, 26 e 27)



            De qualquer forma, ainda é incerto qual o atual pensamento do Trump, mas ele continua firme em adotar diversas ações ambientalmente preocupantes. Pode até existir incertezas quanto à participação do homem no aquecimento global (este o qual é um fato), mas isso não nega o fato de que estamos destruindo o meio ambiente do nosso planeta.

      5. Desconfiança em relação às vacinas

            Em campanha, Trump tinha feito a vergonhosa e mais do que irresponsável ligação entre vacinas e autismo (Ref.19). Isso foi tão triste que ele nem mesmo voltou a tocar no assunto.

            Porém, um dos líderes do movimento anti-vacina, Rober F. Kennedy Jr., disse que o Trump pediu a ele que liderasse um estudo para averiguar a segurança das vacinas. O porta voz do Presidente eleito, Hope Hicks, contudo, disse que nenhuma decisão do tipo tinha sido feita ainda. No final, isso mais do que preocupa as autoridades de saúde pública.

           Vacinas são seguras e inúmeros estudos ao longo dos anos já confirmaram isso, estando já mais do que claro nos relatórios de todas as agências e organizações de saúde, como a OMS, o FDA e o CDC. Diversas doenças graves foram controladas e/ou extintas por causa delas. Se o Trump realmente checasse as evidências científicas antes dos seus comentários e declarações impulsivas, ele nunca pensaria em fazer tais afirmações e alimentar esse tipo de teoria da conspiração.

            No artigo A problemática questão do autismo, eu discuto o assunto.

      6. Ofensas ao Serviço de Inteligência
              E uma que ele foi obrigado a admitir o erro, foi sua constante crítica contra o serviço de inteligência dos EUA, onde ele dizia ser mentira e tolice acusar os russos de invadirem o sistema cibernético dos partidos Republicano e Democrata, taxando a CIA de ´ridícula´. Ficou semanas e mais semanas defendendo isso baseado, mais uma vez, no seu achismo. Quando as agências de inteligência apresentaram as provas, ele teve que voltar atrás e acusar os russos de espionagem. Logo após esses eventos, ele veio a público dizer que ele não estava criticando o serviço de inteligência do seu país, e que as pessoas estavam interpretando suas falas erroneamente. (Ref.30 e 31)

        7. Ataque ao The New York Times

              Primeiro, vamos contextualizar. Recentemente, o Trump resolveu ´pedir desculpas´ à China, e, em uma ligação telefônica, disse ao Presidente chinês, Xi Jinping, que respeitaria a política de ´Uma China´ (basicamente, essa política afirma que o governo de Pequim é absoluto em todo o território chinês, incluindo a revoltosa Taiwan).

              Nesse último caso, uma grande tensão entre os dois países havia sido criada quando o Trump questionou essa política, dizendo que não fazia sentido os EUA respeitá-la quando a China não parece respeitar os EUA. Nesse caso, como Taiwan está refém do governo chinês e é um importante parceiro comercial dos norte-americanos, Trump disse que negócios deveriam ser tratados diretamente com o governo de lá e não ficar pedindo permissão dos chineses. A situação ficou mais tensa quando descobriu-se que ele já havia contactado duas vezes a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, sem a China saber, sendo que na segunda vez ele mesmo deixou o telefonema explícito em uma mensagem no Twitter.

             Bem, quando todos pensavam que Trump estava desafiando a China, ele agora resolveu voltar atrás e abaixar a cabeça, provavelmente orientado por seus conselheiros políticos, temerosos com uma possível "guerra comercial" entre as duas gigantes nações.

            De qualquer forma, ele acabou atacando, sem lógica alguma, o The New York Times, pelo fato do jornal, supostamente, ter dado notícias falsas sobre o ocorrido (adaptado):

           "O decadente The New York Times fez uma grande notícia falsa sobre a história envolvendo a China, dizendo ´Sr.Xi não falou com o Sr. Trump desde 14 de novembro´. Nós conversamos bastante ontem!"



             A reportagem do The New York Times começava justamente com o contrário (Ref.32), fazendo referência à conversa que o Trump teve com Xi:

            "O Presidente Trump disse ao Presidente da China, Xi Jinping, nesta quinta-feira à noite, que ele honraria a política de ´Uma China´..."

            No terceiro parágrafo da reportagem, eles fazem a menção citada pelo Trump para mostrar que Xi Jinping não falava com o Trump desde o incidente envolvendo a conversa com a presidente de Taiwan. Obviamente, eles voltaram a conversar agora, após o Trump fazer a ligação telefônica.

            Ou seja, o Trump pegou uma parte da reportagem e interpretou da maneira que quis e ofendeu o jornal ao seu próprio gosto. Provavelmente ele buscou alguém para descontar a raiva depois que os tribunais norte-americanos estarem desafiando seus banimentos de refugiados e imigrantes.

               Nos inúmeros comentários à mensagem no Twitter, as pessoas apontavam o óbvio.

       8. Disputas judiciais sobre a imigração

             No final de Janeiro deste ano, o Trump demitiu a Procuradora Geral da República, Sally Yates, depois dela questionar a legalidade e ser contra a ordem executiva de banimento dos imigrantes, visitantes e refugiados entrando nos EUA vindo de vários países do Oriente Médio, em uma clara barreira contra os muçulmanos.

          Yales tinha dito que não iria defender a ordem de Trump, por achá-la fora de qualquer padrão legal previsto pela lei norte-americana. O presidente disse que ela foi demitida por "trair o governo" e tentar obstruir seus planos por interesses políticos. Dana Boente foi imediatamente colocada em seu lugar, para que o desejo de Trump fosse levado adiante. Inúmeros protestos também eclodiram, junto com críticas negativas de diversas entidades, empresas e organizações, contra as ações de Trump.

           Após esse incidente, a ordem executiva de restrição à imigração foi barrada novamente pelo Juíz James L. Robart no dia 4 de Fevereiro, em todo o território nacional. A decisão posteriormente foi seguida pelos juízes federais de New York, Massachusetts, Virgínia e da California. Mas após o movimento de Robart, Trump, furioso, questionou, em discurso ofensivo, sua autenticidade profissional, referindo-se a ele como "so-called judge" ("o assim-chamado juiz") (Ref.28). E a ofensa não foi baseada em uma real falta de eficiência profissional ou violação da lei e, sim, porque Robart foi contra os desejos de Trump. Mike Pence, o atual Vice-Presidente, ainda tentou defendê-lo, afirmando, em entrevista, que "esse é o jeito de falar do Trump, não levem a sério". 

           Aliás, muitos questionam esses banimentos do Trump sobre os imigrantes e refugiados vindos de países considerados uma "ameaça" (mais especificamente, de países com maioria muçulmana) sob o ponto de vista lógico. Isso porque o Egito e a Arábia Saudita ficaram de fora. Terroristas da Arábia Saudita foram a base dos ataques do 11 de setembro, e é o país muçulmano mais radical. Além disso, foi um egípcio o líder do sequestro dos aviões do ataque, Mohammed Atta.

           As duas nações com envolvimento direto nos grandes ataques terroristas nos EUA foram deixadas de fora. Enquanto isso, todos os outros incluídos não possuem relação direta com ataques dentro do território norte-americano. A lista abrange 7 países (Síria, Iraque, Irã, Líbia, Sudão e Iêmen), e parece que foi baseada em uma lista feita no governo Obama de "países que causam preocupação". Mesmo assim, falta lógica nessas escolhas.

          "Será que o motivo é por que o Trump possui negócios com os ricaços sauditas e está desenvolvendo relações amigáveis com o brutal ditador egípcio, General Abdel Fattah el-Sisi?" São algumas das alegações.

             Richard Painter e Norman Eisen, ex-advogados de ética da Casa Branca durante os mandatos de George W. Bush e do Obama (respectivamente), alegaram que existem interesses privados de Trump, este o qual já fez negócios na Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes Unidos (Ref.17). Isso indicaria conflito de interesses e, segundo eles:

            "Parece que os imigrantes de países que têm recursos para fazer negócios com a organização Trump estão livres para irem e virem aos Estados Unidos. Os imigrantes de países que não podem pagar tais transações, podem muito bem ser detidos nos aeroportos e enviados para casa, onde alguns podem perecer."

             Os planos do Trump, além de fomentarem a xenofobia e intolerância religiosa, ainda compromete diversas áreas, especialmente a científica, já que os banimentos impedem o vários fluxos de cientistas estrangeiros de entrarem nos EUA. O Google e o Facebook, por exemplo, repudiam e protestam pesadamente contra os banimentos, por dificultarem suas relações com altos funcionários especialistas ao redor do mundo. E isso para não mencionarmos que as trágicas guerras ocorrendo na Síria e no Iêmen são, em parte, patrocinadas pelos EUA, especialmente no Iêmen (tanto pela venda de armas quanto pelo apoio a um dos lados do conflito visando interesses econômicos). Os inúmeros refugiados sendo gerados são, em boa parte, frutos das ações norte-americanas.

               Só para se ter uma ideia da carnificina humanitária que ocorre no Iêmen (Ref.33. 34, 35, 36 e 37):



      9. O que aconteceu na Suécia, Trump?

           Durante um discurso na Flórida (Ref.18), nesse último sábado, Trump mencionou as consequências das políticas de aceitação de refugiados na Europa, para defender seu desejo de barrar os 7 países muçulmanos mencionados anteriormente:

           "Você olha o que está acontecendo! Nós temos que manter o nosso país a salvo. Você olha para o que está acontecendo na Alemanha, você olha o que está acontecendo, desde a noite passada, na Suécia. Suécia! Quem acreditaria nisso?"

           Bem, realmente, eu concordo com a pergunta: "Quem acreditaria nisso?". Aparentemente, apenas o Trump acredita nisso, porque nada está ou estava acontecendo na Suécia envolvendo refugiados ou imigrantes estrangeiros. E como ele também mencionou os ataques em Paris no discurso, logo em seguida, ficou mais do que inferido que ele afirmava ter ocorrido um ataque terrorista na Suécia. O ex-Primeiro Ministro e Ministro do Exterior na Suécia, Carl Bildt, escreveu no seu Twitter:

           "Suécia? Ataque terrorista? O que ele têm fumado?"


            Várias suecos ridicularizaram o Trump, questionando sobre o que estaria acontecendo de tão grave no país. No Domingo, Sarah Huckabbe Sanders, uma porta voz da Casa Branca, tentou dar um esclarecimento sobre a errônea declaração do Trump, dizendo que ele não estava se referindo a um ataque ou evento específico, e, sim, sobre os crimes em geral na Suécia.

           Mesmo assim, isso não encontra bases sólidas de justificativa, porque não existem evidências de que os crimes aumentaram na Suécia devido à massiva entrada de imigrantes vindos de países em guerra e de maioria muçulmana. Contudo, muitas notícias falsas inventam ou exageram as estatísticas criminais, especialmente através das redes sociais, algo que, infelizmente, vem se tornando uma grande praga à nível mundial. Essas notícias falsas acabam fomentando opiniões públicas sem base factual. E, provavelmente, o próprio Trump deve ter sido uma vítima disso, ou seja, mais uma vez não checando os fatos e filtrando apenas o que lhe convém. Aliás, ele também tentou se justificar no Twitter:

          "Minha declaração sobre o que estava acontecendo na Suécia foi em referência à história que foi divulgada na Fox News em relação à questão da imigração na Suécia."


             Mais uma vez, não existem apontamentos oficiais na Suécia de que o aumento do número de refugiados e imigrantes no país estão sendo um grande problema ou aumentando os índices de criminalidade. E a história na Fox News era uma entrevista com o produtor de cinema Ami Horowitz, o qual afirmava que os imigrantes entrando no país estavam elevando as taxas de criminalidade, mas, segundo ele, quem se atrevia a falar sobre isso na Suécia estria sendo taxado de racista ou xenofóbico. Ou seja, palavras de uma fonte nada oficial ou da área criminalista. E outra: o Presidente faz afirmações sobre política internacional baseado em histórias da Fox News? Mesmo assim, o Trump completou com outra mensagem no Twitter um dia depois:

           "Dê ao público uma folga - A mídia ´Fake Newns´ está tentando dizer que o grande volume de imigrantes entrando na Suécia está funcionando maravilhosamente. NÃO!"


           E sobre a relação entre aumento da criminalidade e imigração, um estudo realizado na University at Buffalo e publicado semana passada no Journal of Ethnicity in Criminal Justice (Ref.11), mostrou que 4 décadas de evidências não suportam a ligação entre o aumento de imigração e o aumento da criminalidade. Pelo contrário, a imigração parece estar associada com a redução de alguns tipos de crimes, segundo o mesmo estudo. Os dados de análise englobaram 200 áreas metropolitanas nos EUA, seguindo os reportes de crimes entre os anos de 1970 a 2010. Os resultados mostraram que roubos e assassinatos são menores em áreas com maior índice de imigração, enquanto a taxa de outros crimes permaneceram estáveis. Segundo os autores do estudo, "os resultados são muito claros".

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          Outro estudo publicado no começo deste ano e realizado em Harvard (Ref.12), mostrou que o período entre 1850 e 1920, conhecido como a Era da Migração em Massa (a maior já vista nos EUA, e que compreendeu imigrantes vindos de todas as partes da Europa, englobando diferentes línguas e religiões), teve, a longo prazo, consequências positivas para o crescimento econômico dos EUA. As áreas no país que receberam mais imigrantes hoje possuem maiores índices de urbanização, menor pobreza, maior renda, menores taxas de desemprego e melhor alcance educacional. Uma das possíveis explicações pode recair justamente nas experiências inovativas tragas pelos imigrantes, já que eles viviam em regiões bem diferentes, tanto culturais quanto físicas. Isso pode acabar acrescentando, e muito, na capacidade de produção e inventividade de uma nação.

           Nesse sentido, fica óbvio que a maior parte das associações entre imigrantes e os índices criminais pelo mundo são mais guiadas por ideais políticos e opinião pública do que por reais fatos. Isso se junta, mais uma vez, à infeliz onda de desinformações e reais ´Fake News´ que vem assolando o globo, especialmente com a facilidade cada vez maior de propagação de qualquer informação publicada. E o Carl Bildt ainda deixou mais duas mensagens para o Trump, uma direta e outra indireta:

          "Ano passado houveram 50% mais assassinatos somente em Orlando/Orange, na Flórida, onde Trump discursava no outro dia, do que que em toda a Suécia. Mau." (O ´Bad´ foi para imitar o jeito que o Trump muitas vezes escreve no Twitter, com um ´Sad´, ´Bad´, ou outra palavra do tipo no final)


        "Apenas um pequeno conselho amigável: quando você está em um buraco, pare de cavar."


       10. Ivanka e Nordstrom

            E, por último, temos um comentário mais do que impróprio do Trump, o qual causou grande polêmica nos EUA. Depois da varejista de roupas Nordstrom ter cortado laços comerciais com a linha de roupas e acessórios pertencente à filha do Presidente, Ivanka Trump, o presidente comentou:

           "Minha filha Ivanka foi tratada tão injustamente pela Nordstrom. Ela é uma ótima pessoa, sempre me motivando a fazer a coisa certa! Terrível!"


           A Nordstrom respondeu, em um discurso feito pelo seu porta voz, que a decisão foi puramente comercial, já que as vendas dos produtos da Ivanaka Trump estavam bem baixas, e, portanto, não fazia sentido continuar a parceria. Aliás, a Nordstrom já havia, pessoalmente, informado à Ivanka sobre a decisão no começo de Janeiro. (Ref.39)

          Essa é a quinta empresa a largar os produtos da Ivanka, em meio a boicotes de compra de pessoas contrárias à gestão Trump.

         De qualquer forma, é mais do errado um Presidente criticar uma empresa, ainda mais uma nacional, por conta de negócios financeiros da família. Se as vendas caem absurdamente, por que uma empresa continuará seguindo o caminho do fracasso? Como um empresário, o Trump deveria saber muito bem disso. E isso ainda vai contra o que ele vive defendendo, que é a proteção das empresas norte-americanas.

           Norm Eisen, que serviu na área de ética do governo do Obama, disse que o comentário foi ultrajante, e aconselhou a Nordstrom a processá-lo. (Ref.38)

          Aliás, isso que o Trump fez pode até trazer mais prejuízos para a sua filha, já que outras empresas podem ficar relutantes em aceitarem uma parceria com ela com medo de reações negativas do Presidente no futuro.

     CONCLUSÕES?

           Pouco mais de 1 mês se passou desde que o Trump assumiu a Presidência dos EUA, e já temos uma enorme quantidade de polêmicas, declarações absurdas e ordens executivas mais do que questionáveis. E os problemas explorados na lista acima nem são todo o bolo de preocupações, sendo que outras pérolas poderiam ser citadas, como as recentes brigas infantis com o Arnold Schwarzenegger e com a Meryl Streep, e o controverso novo muro nas fronteiras com o México (onde o Trump garante que os mexicanos irão pagar por ele, mas o Presidente do México, Enrique Peña Nieto, já publicamente afirmou que seu país não pagará nada - faz sentido eles pagarem?). O mais grave é que o próprio Trump é um grande propagador das "Fake News", mas acaba tendo a audácia de criticar pesadamente a mídia, taxando-a de "um dos seres mais desonestos do mundo" e "parte do sistema corrupto". Ele mesmo não percebe que quem inventa muitas histórias e que frequentemente não possui uma fonte sólida de referência para suas ações e falas acaba sendo ele mesmo.  Obviamente, a mídia comete diversos erros, e seus opositores mais fanáticos são mestres em inventar histórias (assim como os seus seguidores mais fanáticos, claro), mas ele consegue atropelar qualquer um quando o assunto é desinformação e manipulação dos fatos.

            Ao entrar na cabeça do Trump, parece que estamos pisando no mundo criado pelo Machado de Assis em ´O Alienista´, e seguindo os passos do protagonista Dr. Simão Bacamarte e sua badalada Casa Verde.  Com um Presidente da nação mais poderosa do planeta sendo um dos principais protagonistas da crise de desinformações que o mundo vem enfrentando, fica fácil entender o quão sério a situação está. O Trump precisa mudar seu modo de agir e começar a levar mais a sério seu novo cargo. Ele não está sob comando da sua empresa e, sim, de um país inteiro, este o qual influencia fortemente a economia global. É hora de parar de gritar quaisquer asneiras no Twitter e em discursos, acordar para a realidade e começar a dar um bom exemplo, especialmente para os seus milhões e milhões de seguidores. E tentar ficar silenciando a mídia no berro só piora as coisas, principalmente quando a justificativa para tal é pessoal e não governamental. Narcisista ou não, isso não impede a pessoa de ter responsabilidade

        . Dos três maiores polos militares e/ou econômicos do mundo, temos hoje um governo chinês ditatorial, um governo russo agressivo/invasivo e, agora, um governo norte-americano nas mãos de um descontrolado. Se quisermos que o Relógio do Apocalipse volte a recuar (O Relógio do Apocalipse foi movido novamente!), é preciso um trabalho de união em prol da população mundial e não um voltado para desejos egoístas.

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      PERSONALIDADE DO TRUMP

           Uma pesquisa conduzida pela USPP (Unidade para o Estudo de Personalidades na Política, na tradução da sigla em inglês), um programa de psicologia na Universidade St.Jonh e na Faculdade de St. Benedict, em Minnesota, resumiu a personalidade do Donald Trump no seguinte (Ref.40):

          "O padrão de personalidade predominante do Trump foi encontrado de ser Ambicioso/explorador (uma medida de narcisismo) e Demissionário/impulsivo, mesclado com características secundárias de padrão Dominante/controlador e suplementado por uma tendência Intrépida/aventureira.

          Indivíduos ambiciosos são destemidos, competitivos e auto-seguros; eles facilmente assumem papéis de liderança, esperam que outros reconheçam suas qualidades especiais, e frequentemente agem como fortes designados. Indivíduos demissionários são dramáticos chamadores de atenção que se esforçam para ser o centro das atenções, se reinventam para serem populares com os outros, possuem confiança nas suas habilidades sociais, tendem a ser impulsivos e indisciplinados, e se tornam entediados com facilidade (especialmente quando são encarados com tarefas mundanas e repetitivas). Indivíduos dominantes adoram o poder para dirigir os outros e para evocar obediência e respeito; eles são duros e não sentimentais, e frequentemente se fazem líderes efetivos. Indivíduos intrépidos tendem a desrespeitar tradições, desgostar de seguir rotinas, algumas vezes agem impulsivamente e com irresponsabilidade, e são inclinados a disfarçar/sombrear a verdade e desviar-se da lei.

          A personalidade central de Trump, em termos de características pessoais de liderança, podem ser resumidas como: um ativo-positivo personagem presidencial com mobilização (a habilidade de levantar, engajar e dirigir o público) como ponto chave de liderança; um estilo de liderança, no geral, que é distintivamente carismático e não deliberativo; e uma alta-dominância, extrovertida e influenciadora orientação política estrangeira."

Há esperança?

ATUALIZAÇÃO (25/02/17):  Bem, como sempre, depois do seu rito diário de acusar quase todos os meios jornalísticos de serem Fake News (quando, na verdade, ele o maior Fake News de todos), Trump manda essa hoje:

         "A mídia não reporta que a Dívida Nacional no meu primeiro mês caiu $12 bilhões, enquanto no governo Obama, em seu primeiro mês, subiu $200 bilhões."


            Mas é lógico que a mídia não reportou isso, porque não faz sentido reportar, santa criatura! Nos inúmeros comentários no Twitter e reportagens que se seguiram depois da merda da mensagem, todos apontavam o óbvio.

           Primeiro, em apenas um mês de governo, ele não passou nenhuma legislação fiscal, portanto, qualquer resultado na economia está vindo como consequência do governo anterior. E, agora, o segundo ponto, e mais grave, é que ele mostrou que nem ao menos entende as flutuações da dívida pública norte-americana.

          Essa dívida possui um valor em torno de 20 trilhões de dólares, e fica flutuando constantemente. Realmente, houve um decréscimo de 12 bilhões de dólares no seu primeiro mês, e, na verdade, o valor foi até maior se contarmos a data atual, em cerca de 22 bilhões de dólares. Só que dois meses antes, o valor da dívida tinha ido de pouco mais de 19,9 trilhões para 20 trilhões no final do ano e novamente voltou para pouco mais de 19,9 trilhões, em seu normal ciclo de flutuações. O que ocorreu agora, está sendo apenas mais uma flutuação, e mesmo se ele estivesse tendo influência direta nas questões fiscais, esse decréscimo não indicaria absolutamente nada.

           Para piorar, quando o Obama assumiu, os EUA vinham de uma incrível recessão devido à Crise Imobiliária que abalou o mundo inteiro e de um governo totalmente conturbado do Bush. Para resolver os problemas, teve-se que pedir emprestado dinheiro para cobrir buracos na economia. E, mesmo assim, se considerarmos a flutuação da dívida, 200 bilhões ainda está na faixa aceitável, e não é algo decisivo para influir negativamente na mesma a longo prazo.

          E para piorar ainda mais, especialistas sugerem que as ações e planejamento do governo Trump irão elevar a dívida pública do país em patamares recordes no futuro.

          Portanto, Sr. Presidente, a mídia não comentou nada, porque não tinha nada para ser comentado. Mas depois do seu comentário infeliz, estão todos comentando e apontando o óbvio agora.


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REFERÊNCIAS
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