Ozempic e Mounjaro são eficazes e seguros para o emagrecimento?
![]() |
| Figura 1. Wegovy (2,4 mg/semana) é o medicamento a base de semaglutida aprovado pela Anvisa no Brasil para o emagrecimento. |
SEMAGLUTIDA e agonistas do GLP-1R
Semaglutida é um análogo do peptídeo similar ao glucagon 1 (GLP-1) que é aprovado, a doses de até 1 mg administradas pela via subcutânea (como injeções de insulina em diabéticos) uma vez por semana, para o tratamento de diabetes tipo 2 em adultos e para a redução de risco de eventos cardiovasculares em pessoas com diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
O fármaco funciona ajudando o pâncreas a liberar a quantidade certa de insulina quando os níveis de glicose no sangue estão altos. A insulina ajuda a reduzir e a clarear o excesso de glicose no sangue, promovendo também a metabolização desse carboidrato nos tecidos do corpo para a geração de energia*. Além disso, a semaglutida reduz o movimento da massa alimentar através do estômago, aumentado a sensação de saciedade e também desacelerando ou atrasando a absorção de carboidratos no intestino (reduzindo picos de insulina).
-----------
> O GLP-1 é um hormônio incretina liberado de células enteroendócrinas em resposta ao consumo alimentar que estimula secreção de insulina, desacelera o esvaziamento gástrico e promove saciedade. Além disso, o GLP-1 é um neuropeptídeo produzido por neurônios no tronco cerebral inferior que suprime alimentação. Os efeitos do GLP-1 são mediados pelo receptor do GLP-1 (GLP-1R) que é amplamente expresso em vários órgãos, incluindo o sistema nervoso central. Os efeitos de agonistas do GLP-1R são primariamente atribuídos à ação direta sobre neurônios expressando esse receptor no hipotálamo e no tronco cerebral, apesar dos mecanismos ainda não serem totalmente esclarecidos. Evidência mais recente também aponta ação desses agonistas e alta expressão de GLP-1R na medula espinhal. Ref.29
> Mudanças comportamentais reportadas com o uso de semaglutida e afins não parecem estar associadas diretamente com o receptor GLP1. Talvez tenham relação com o dramático emagrecimento em si. Ref.50
----------
Nesse mesmo caminho, estudos têm consistentemente apontado que durante o tratamento com esse fármaco, os pacientes reportam significativo emagrecimento. A semaglutida leva a uma substancial redução no consumo alimentar de energia, reduz a fome e aumenta a sensação de saciedade e de "barriga cheia". Esses efeitos são consequentes da ativação do receptor GLP-1 envolvido na regulação do apetite e do consumo e preferência alimentar. Além disso, evidência clínica mais recente aponta que esse fármaco aumenta a atividade metabólica do tecido adiposo visceral, promovendo uma queima extra diária de calorias independentemente do consumo alimentar ou nível de atividade física (Ref.31).
A semaglutida foi desenvolvida para ter uma taxa de eliminação baixa e, consequentemente, uma meia-vida de eliminação longa, tornando o composto adequado para administração uma vez por semana. O fármaco foi aprovado para comercialização nos EUA, UE, Japão, Canadá, Brasil e em vários outros países sob os nomes comerciais Ozempic® (via subcutânea) e Rybelsus® (via oral). A primeira aprovação da semaglutida foi obtida para Ozempic®.
------------
IMPORTANTE: O fármaco é aprovado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o tratamento de obesidade sob o nome de Wegovy® (dose de 2,4 mg), o qual começou a ser comercializado no Brasil em agosto de 2024 (Ref.27). O Ozempic@ (dose de 1 mg) é aprovado apenas para o tratamento de diabetes tipo 2. Sólido suporte científico de eficácia para robusto emagrecimento e manutenção da perda de peso envolve dose de 2,4 mg/semana. Mas existe evidência recente de que doses bem menores podem ter eficácia similar caso o uso seja acompanhado por um programa bem planejado de dieta e exercícios físicos.
![]() |
| Figura 3. Ozempic (1,0 mg/semana) é aprovado pela Anvisa apenas para o tratamento de diabetes tipo 2. Ozempic e Wegovy são marcas pertencentes à mesma empresa farmacêutica (Novo Nordisk). |
> Aqui no Brasil, o Ozempic@ está sendo comercializado, em média, por R$ 1000 por mês, um valor impeditivo para a maioria da população. O preço do Wegovy® foi definido pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos): o chamado PMC (preço máximo ao consumidor) varia de R$ 1034,35 a R$ 2634,03, a depender da versão do produto.
> Formulação oral de semaglutida (25 mg/dia) parece ser também efetiva para emagrecimento. Ref.54
> Liraglutida tem se mostrado também efetiva e segura para o emagrecimento em adultos, adolescentes e mesmo crianças. E um estudo clínico randomizado e placebo-controlado também apontou que esse fármaco é seguro (curto e médio prazos) e efetivo para auxiliar o emagrecimento de crianças obesas (6 até <12 anos de idade). Mas efeitos a longo prazo para uso infantil não são conhecidos. Ref.33-34
*Importante lembrar que a glicose não depende exclusivamente da insulina para entrar nas células, como frequentemente é alegado. Leitura recomendada: Qual é o real papel da insulina no controle da hiperglicemia?
------------
Segundo o fabricante do fármaco (Novo Nordisk) e informações na página da ANVISA (Ref.2), a semaglutida (2,4 mg/semana) é indicada como um adjuvante a uma dieta hipocalórica e exercício físico aumentado para controle de peso, incluindo perda e manutenção de peso, em adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) inicial de: ≥ 30 kg/m2 (obesidade), ou ≥ 27 kg/m2 a < 30 kg/m2 (sobrepeso) na presença de pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, por exemplo, disglicemia (pré-diabetes ou diabetes mellitus tipo 2), hipertensão, dislipidemia, hiperlipidemia, apneia obstrutiva do sono ou doença cardiovascular.
Nos últimos anos, vários estudos clínicos têm suportado alta eficácia da semaglutida para redução de gordura corporal e manutenção do emagrecimento a longo prazo. Em pacientes sem diabetes, a perda média de peso com o uso semanal de semaglutida (2,4 mg administrados via injeção subcutânea) fica na faixa de ~15-17%, incluindo também melhora robusta em fatores de risco cardiometabólicos, função física e qualidade de vida (Ref.3-10, 45). No geral, emagrecimento ou perda de massa corporal pode variar de 10% a 20% nos pacientes.
Sugestão de leitura:
É recomendado que a semaglutida seja utilizada com uma dosagem gradualmente crescente até 2,4 mg (máximo) ao longo de 16 a 20 semanas para minimizar os efeitos adversos gastrointestinais (Ref.16).
MOUNJARO: Tirzepatida
A tirzepatida (LY3298176) difere significativamente da ação da semaglutida, no sentido que é um agonista de dois receptores: do GLP-1 e do peptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP). Além disso, estudos clínicos sugerem que esse fármaco - em dose de 10 mg ou 15 mg por injeção - possui eficácia superior à semaglutida no tratamento de obesidade, em termos de redução da massa corporal e da circunferência abdominal, e com menos efeitos gastrointestinais adversos (Ref.51, 58). Além disso, parece ter significativamente maior custo-efetividade do que a semaglutida (Ref.59). Esse fármaco - vendido sob as marcas Mounjaro ou Zepbound - parece também suprimir a curto prazo padrões de atividade cerebral associados com desejo alimentar (Ref.55).
O GLP-1 e o GIP estão entre os principais hormônios incretínicos. O GLP-1 é liberado pelas células L no íleo distal e no cólon, enquanto o GIP é secretado pelas células K no duodeno e jejuno e é responsável pela maior parte do efeito incretínico insulinotrópico. Desenvolvida inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, a tirzepatida possui maior afinidade pelos receptores de GIP do que pelos receptores de GLP-1, e sua meia-vida (t½) de aproximadamente 5 dias permite a administração subcutânea uma vez por semana.
Em relação ao hormônio GLP-1, a afinidade da tirzepatida ao GIPR é 18 a 20 vezes mais fraca (Ref.57). E, assim como o GLP-1R, o GIPR é expresso em muitos órgãos e tecidos do corpo e apresenta expressão e função que podem se sobrepor ao não àquelas do GLP-1R (Ref.57). Nesse último ponto, e em contraste com o GLP-1R, o GIPR é expresso também em adipócitos (células de gordura), e o hormônio GIP está implicado no metabolismo de carboidratos e de lipídios através de regulação da assimilação de glicose, lipólise e atividade da enzima lipase lipoproteína (Ref.57).
Tanto o tratamento com tirzepatida quanto com semaglutida levam a melhorias semelhantes nas sensações relacionadas ao apetite em jejum e pós-prandial, bem como à redução da ingestão alimentar em uma refeição ad libitum (~348 kcal e ~284 kcal, respectivamente) Tratamento com tirzepatida está associado à redução do apetite em jejum, incluindo redução da fome, aumento da sensação de saciedade e redução da ingestão alimentar prospectiva.
No Brasil, a Anvisa aprovou recentemente a tirzepatida - sob a nome comercial Mounjaro - para o controle crônico do peso, incluindo perda de peso e manutenção do peso, em conjunto à dieta de baixa caloria e aumento de atividade física, em adultos com Índice de Massa Corpórea (IMC):
- Maior ou igual a 30 kg/m2 (obesidade) ou
- Maior ou igual a 27 kg/m2 (sobrepeso) na presença de pelo menos uma condição de comorbidade relacionada ao peso (por exemplo, hipertensão (pressão alta), dislipidemia (colesterol alto), apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes mellitus tipo 2.
A agência regulatória, porém, realçou que segurança e eficácia de Mounjaro não foi estabelecida em pacientes menores de 18 anos de idade.
A Anvisa também autorizou o uso da tirzepatida (Mounjaro) para o tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS) em pessoas com obesidade, abrindo a possibilidade de dentistas prescreverem o medicamento - embora sob crítica da Associação Médica Brasileira.
-----------
> Segundo atualização da Associação Europeia para o Estudo de Obesidade (EASO), a semaglutida ou a tirzepatida deveriam ser a primeira linha de tratamento para pessoas vivendo com obesidade e para a maioria das complicações associadas à condição. Ref.60
> No emagrecimento, os agonistas de GLP-1R e/ou GIPR, primariamente, reduzem de forma drástica o desejo alimentar e o apetite e aumentam a saciedade, levando a uma grande redução do consumo calórico diário (-24-39%). Isso força o corpo a queimar as reservas de gordura corporal em resposta.
> Similar à semaglutida, o tratamento com tirzepatida está associado com significativos benefícios à saúde além do efeito terapêutico específico nos quadros de obesidade e de diabetes, incluindo em especial redução no risco de eventos cardiovasculares. Ref.61
> Efeitos adversos comuns com o uso de tirzepatida envolvem principalmente sintomas gastrointestinais, incluindo náusea, vômito, diarreia, constipação e dor abdominal, que geralmente diminuem com o tempo.
PERDA DE MASSA MUSCULAR
Em um adulto saudável com peso normal, a musculatura esquelética representa aproximadamente 40% da massa corporal, sendo o maior órgão do corpo. Essa proporção pode ser alterada pelo envelhecimento e por diversos estados patológicos. A massa e a função do músculo esquelético são importantes não apenas para atividades físicas e regulação metabólica, mas também para funções imunes e a saúde cardiovascular. A redução da massa e da força muscular tem sido associada à diminuição do desempenho cardíaco e a desfechos adversos em condições como insuficiência cardíaca, devido a vias metabólicas compartilhadas e inflamação sistêmica.
Embora os agonistas de GLP-1R e/ou GIPR ajudem as pessoas a perder muita gordura corporal em um relativo curto espaço de tempo, isso ocorre juntamente com a perda de massa magra, da qual a massa muscular representa de 40% a 50%. A perda de massa magra pode corresponder a 25-40% do total de quilos perdidos, enquanto a redução da massa magra relacionada ao avanço de idade é de apenas 8% por década (Ref.63-64). A redução da massa magra com esses fármacos parece ser comparável àquela observada com a cirurgia bariátrica, e varia de indivíduo para indivíduo (Ref.65).
Isso realça a necessidade de combinar o uso de semaglutida, tirzepatida e similares com exercícios de resistência (musculação), exercícios aeróbicos (ex.: corrida) e nutrição adequada para preservar músculos, a capacidade cardiorrespiratória e reduzir o risco de caquexia em indivíduos mais vulneráveis. Isso é de especial preocupação para idosos e pessoas com condições que favorecem grande perda de massa muscular (ex.: câncer). Aliás, o próprio quadro de obesidade causa prejuízos significativos na musculatura esquelética.
Em termos de nutrição, é recomendado o consumo de 1 até 1,5 g de proteínas por dia para cada 1 kg de massa corporal (Ref.67-68), especialmente proteínas de alta qualidade (ex.: ovo, laticínios e carnes).
Leitura recomendada:
REGANHO DE PESO
A recuperação do peso - particularmente de massa adiposa - é tipicamente observada após a suspensão da farmacoterapia, mesmo com a continuidade da intervenção no estilo de vida. Portanto, o tratamento a longo prazo com medicamentos para resolver o quadro de obesidade pode ser necessário para manter a redução de peso e os benefícios cardiometabólicos associados.
Esse reganho de peso varia, mas é menos comum ou intenso com mudanças contínuas no estilo de vida. Para manter significativo emagrecimento, é preciso continuar com a atividade física (procure fazer 60 minutos por dia) e o treinamento de resistência (musculação 2 a 3 vezes por semana) (Ref.67). E, mais importante, é preciso manter hábitos alimentares saudáveis, evitando excesso de ingestão calórica.
A tizerpatida parece ser melhor do que a semaglutida na manutenção do emagrecimento a longo prazo.
Em um estudo de mundo real, conduzido na China, tratamento com tirzepatida por 52 semanas (doses semanal de 10 mg ou 15 mg) trouxe evidência de que significativo emagrecimento é mantido mesmo após a descontinuação de uso do fármaco (Ref.69). Por 26 semanas após parar o tratamento, adultos mantiveram uma perda de peso de 8,7% a 10,6% em comparação com o início do tratamento.
Por outro lado, análise de um estudo clínico publicado no JAMA Internal Medicine (Ref.70), a maioria dos participantes que alcançaram significativo emagrecimento sob tratamento de 36 semanas com tirzepatida (10 mg ou 15 mg), reganharam 25% ou mais da massa perdida dentro de 1 ano após descontinuação do tratamento e uso de placebo.
O reganho do peso perdido é significativo após 8 semanas seguindo a descontinuação do fármaco, com essa tendência persistindo por até 20 semanas (Ref.71). Dentro dos primeiros 6 meses de descontinuação da tirzepatida, o paciente pode reganhar até quase metade da massa corporal perdida. Após cerca de um ano da interrupção (semaglutida e tirzepatida), pacientes podem recuperar gradualmente ~65–67% do peso perdido (Ref.72). A interrupção também leva a pioras na circunferência da cintura, pressão arterial sistólica e escores de função física em comparação com a continuação do tratamento.
Evidência recente sugere que metade das pessoas sem diabetes usando esses fármacos para emagrecimento interrompem o tratamento dentro de 1 ano, o que pode favorecer o reganho de peso. O alto preço desses fármacos parece ser o fator primário para o abandono do tratamento, mas efeitos adversos também contribuem.
----------
> A obesidade deve ser tratada como uma condição crônica, sendo necessário o uso contínuo dos medicamentos ou estratégias eficazes de manutenção a longo prazo (mudança no estilo de vida) para preservar os resultados alcançados de emagrecimento e benefícios à saúde associados.
----------
EFEITOS ADVERSOS (Semaglutida)
No geral, a semaglutida parece ser efetiva e segura para doses semanais de até 2,4 mg, mas caso seja utilizada sob acompanhamento médico e para casos onde existe real necessidade médica de intervenção (grupos recomendados com sobrepeso e obesidade) (Ref.19). Efeitos adversos mais comumente reportados incluem náuseas, vômitos e diarreia - tipicamente transientes e de leve-moderada severidade e que melhoram com o tempo. Esses eventos gastrointestinais - em especial as náuseas - levaram parte significativa dos participantes nos estudos clínicos a descontinuarem o tratamento. Náuseas inclusive podem estar por trás de parte do efeito positivo desse fármaco no emagrecimento (Ref.11).
Uso de semaglutida coincidente com gravidez pode causar hiperêmese gravídica, condição caracterizada por extrema náusea, vômito, cãibras abdominais e anorexia (3). Em estudos in vivo com animais não-humanos, o uso de semaglutida na gravidez aumenta o risco de mortalidade, defeitos estruturais e alterações de crescimento nos embriões e fetos. Portanto, o uso de contracepção e a descontinuação de semaglutida 2 meses antes da concepção (gravidez) são recomendados devido ao longo período de circulação do fármaco no corpo (Ref.16).
----------
Para mais informações:
- risco 9,09 vezes maior de pancreatite, ou inflamação do pâncreas, condição que pode causar dor abdominal severa e, em alguns casos, requerer hospitalização e cirurgia;
- 4,22 vezes maior risco de obstrução intestinal, onde o alimento é impedido de passar através do intestino delgado ou grosso, resultando em sintomas como cãibras, inchaço, náusea e vômito. Dependendo da severidade, cirurgia pode ser necessária;
- 3,67 vezes maior risco de gastroparesia, ou paralisia do estômago, síndrome que limita ou atrasa a passagem de alimento do estômago para o intestino delgado na ausência de obstrução mecânica na cavidade estomacal. Essa condição pode resultar em sintomas como vômito, saciedade precoce, náusea, dor abdominal e também emagrecimento.
Como os estudos clínicos até o momento publicados eram de relativo pequeno a médio porte, raros eventos adversos ficam mais difíceis de serem observados ou associados com o medicamento de intervenção.
Apesar desses eventos adversos serem raros, com vários milhões de pessoas ao redor do mundo usando esses medicamentos, isso pode resultar em centenas de milhares de pessoas experienciando essas condições. Isso é ainda mais preocupante para pessoas usando esses medicamentos sem qualquer orientação e prescrição médica. Aliás, atualmente nas bulas da semaglutida e da liraflutida, não é listado gastroparesia como potencial evento adverso.
----------
> Um estudo de meta-análise mais recente não encontrou associação significativa entre aumento de risco para pancreatite aguda e uso de semaglutida. O estudo incluiu quase 35 mil participantes englobados em 21 testes clínicos. Ref.20
> Efeitos adversos mais sérios reportados para agonistas do receptor GLP-1 incluem irritação gastrointestinal, pancreatite, cálculos biliares, hipoglicemia, falha renal, reações alérgicas, mudanças visuais, taquicardia, depressão e idealização suicida. Importante, existe limitação de dados científicos para o uso cosmético desses fármacos em pacientes obesos e sem diabetes e ainda mais para pacientes sem obesidade e sem diabetes. Ref.25
-----------
Existe também debate sobre a ação causal da semaglutida no aparente aumento de casos de retinopatia (lesões afetando vasos sanguíneos na retina) em pacientes com diabetes (Ref.12). Porém, para indivíduos obesos sem diabetes, nenhuma complicação envolvendo retinopatia foi reportada até o momento nos testes clínicos.
Outra suspeita é uma incidência aumentada de colelitíase (cálculo ou pedra na vesícula biliar) com o uso de semagultida, e quanto maior a dose maior o risco (Ref.13). Essa associação pode estar relacionada com o efeito desse fármaco sobre o esvaziamento da vesícula biliar e a súbita redução da massa corporal. A vesícula biliar é um órgão em forma de saco, parecida com uma pera, localizada abaixo do lobo direito do fígado. Sua função é armazenar a bile, líquido produzido pelo fígado que atua na digestão de gorduras no intestino. Cálculos biliares frequentemente são assintomáticos e pacientes usando a semaglutida devem ficar atentos nesse sentido. No estudo publicado no JAMA (Ref.19), os pesquisadores encontraram um risco aumentado mas não significativo para doenças biliares.
Recentemente, a semaglutida, mas não a liraglutida, foi associada a um significativo aumento de risco para idealização suicida, particularmente entre pacientes com uso concorrente de antidepressivos (Ref.30). E evidência limitada tem associado quadros de depressão ao uso do fármaco em alguns pacientes (Ref.18). Porém, evidências ainda são conflitantes na literatura médica sobre a segurança psiquiátrica da semaglutida (Ref.32).
Por fim, existe certa preocupação com um risco aumentado para tumores na glândula tireoide, incluindo carcinoma medular da tireoide. Porém, esse maior risco têm sido observado apenas em estudos experimentais com roedores (Ref.11). Esses animais exibem alta expressão do receptor GLP-1 em células-C na tireoide, algo não observado em primatas, incluindo humanos. Estudos clínicos com humanos até o momento conduzidos não reportaram efeitos adversos nesse sentido (!).
SEGURANÇA DE USO EM INDIVÍDUOS NÃO-DIABÉTICOS
Estudo na Nature Medicine (Ref.49), analisando dados médicos de quase 2 milhões de pessoas, realçou benefícios e alertou sobre riscos à saúde associados ao uso de semaglutida e similares em pessoas com sobrepeso ou obesas sem diabetes. O estudo acumulou dados ao longo de 3,5 anos.
Comparado com outros fármacos, a semaglutida e similares foram ligados a um menor risco para dezenas de condições, incluindo doença cardíaca, derrame e doença renal - em muitos casos provavelmente ligados ao emagrecimento. Foi observado também um risco reduzido em 17% para transtornos psicóticos, 12% para Alzheimer e uma média de 13% para transtornos por uso de substâncias.
Também foi observado um aumento de risco para desordens gastrointestinais, hipotensão, síncope, desordens artríticas, nefrolitíase, nefrite intersticial e pancreatite medicamento-induzida. Para pancreatite - uma inflamação do pâncreas que pode causar graves complicações -, os pesquisadores encontraram um risco 146% maior. Para artrite, um risco 11% maior.
Esse notável aumento de risco para pancreatite corrobora os achados do estudo de 2023 no JAMA (Ref.19).
Os achados vão poder orientar melhor os médicos durante prescrições desses medicamentos. Em especial, aumentar o alerta dos médicos para sinais de pancreatite e de disfunções renais nos pacientes. Problemas nos rins podem ocorrer sem sintomas até a condição estar em um estágio avançado com limitadas opções terapêuticas.
Além disso, os achados reforçam a importância de buscar orientação médica antes de usar esses fármacos, especialmente se o intuito for apenas emagrecimento.
----------
> Uma revisão sistemática e meta-análise de 26 estudos clínicos randomizados e placebo-controlados, envolvendo um total de ~15,5 mil adultos com sobrepeso ou obesidade e sem diabetes, conclui que a semaglutida e similares são muito eficazes e, no geral, seguros para o emagrecimento, com a maioria dos efeitos adversos associados envolvendo eventos gastrointestinais leves (ex.: náusea e diarreia). Ref.48
-----------
EFEITOS ADVERSOS OCULARES
Um estudo de revisão recente publicado no periódico JAMA Ophthalmology (Ref.53), e analisando dados de quase 74 mil participantes em 78 testes clínicos, não encontrou associação entre semaglutida e um risco aumentado para desordens oculares ou retinopatia diabética.
Por outro lado, o estudo encontrou uma associação entre tratamento com semaglutida e casos muito raros de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA). Mas a evidência encontrada continua insuficiente para estabelecer uma associação causal. Mais estudos são necessários para esclarecer o potencial risco de NOIA-NA ligado ao uso de semaglutida.
> A neuropatia óptica isquêmica é o termo atribuído à doença do nervo óptico secundária da interrupção de fluxo sanguíneo que pode ocorrer de modo transitório ou permanente. A neuropatia óptica isquêmica anterior envolve a cabeça do disco óptico e, na ausência de vasculite, é caracterizada como "não arterítica". Um evento isquêmico do nervo óptico é um quadro sério, já que pode conduzir para uma deficiência visual permanente nos olhos afetados. Ref.54
OZEMPIC E ENDOSCOPIA
Um estudo publicado no periódico Gastroenterology (Ref.23) alertou que pessoas tomando Ozempic e similares [agonistas do receptor GLP-1] deveriam parar de tomar esses fármacos dias ou semanas antes de certos procedimentos médicos, como endoscopia. Em particular, o estudo encontrou que esses medicamentos estão associados com um significativo aumento no risco de pneumonia por aspiração seguindo endoscopia.
Pneumonia por aspiração é causada pela inalação de materiais estranhos - incluindo alimentos no estômago ou secreções da boca e nariz - para dentro dos pulmões. Endoscopia é um procedimento médico no qual um médico coloca um escopo similar a um tubo através da garganta do paciente para investigação interna do corpo (ex.: cavidade estomacal).
Um dos mecanismos de ação dos agonistas do receptor GLP-1 é tornar mais lenta a digestão, reduzindo o esvaziamento gástrico. Isso faz a pessoa se sentir cheia mais rápido e por mais tempo, levando a uma redução no consumo alimentar. Isso também significa que o alimento fica mais tempo parado no estômago. Como resultado, o estômago pode não esvaziar completamente durante uma típica duração de jejum que é recomendada antes de um procedimento médico ou cirúrgico para reduzir o risco de aspiração de conteúdo estomacal.
"Aspiração durante ou após a endoscopia pode ser devastadora," disse em entrevista o médico e um dos autores do estudo Dr. Ali Rezaie (Ref.24). "Se significativo, pode levar a falha respiratória, admissão na UTI e até mesmo morte. Mesmo casos leves podem requerer monitoramento próximo, suporte respiratório e medicamentos incluindo antibióticos. É importante nós tomarmos todas as precauções possíveis para prevenir aspiração de ocorrer."
O estudo analisou dados de quase 1 milhão de pacientes nos EUA que se submeteram a procedimentos de endoscopia (superior e inferior) entre janeiro de 2018 e dezembro de 2020. Pacientes que estavam usando agonistas do receptor GLP-1 tinham uma chance 33% maior de desenvolver pneumonia por aspiração do que aqueles que não estavam tomando esses medicamentos antes do procedimento. A comparação também levou em conta outros cofatores de risco.
Por outro lado, um estudo de revisão mais recente, publicado no JAMA (Ref.26), não encontrou significativo maior risco de complicações respiratórias pós-operatórias com o uso pré-operatório de agonistas do receptor GLP-1. Os autores do estudo questionaram a recomendação da Sociedade Americana de Anestesiologistas [junho de 2023] para interrupção de uso desses fármacos antes de operações envolvendo anestesia.
"ROSTO DE OZEMPIC"
Um fenômeno notável associado ao uso do Ozempic é o Ozempic face ("rosto de Ozempic"), um termo que se popularizou para caracterizar um rosto com aparência flácida em indivíduos que usam o fármaco. Essa condição não está relacionada ao medicamento em si, mas à rápida perda de peso promovida pelo tratamento. A perda de gordura (e volume) facial e, por vezes, da musculatura facial, resultam em pele caída em múltiplas áreas do rosto (ex.: bochechas e linha da mandíbula) e rugas mais proeminentes ("Ozempic face").
-----------
> Mudanças também podem ocorrer no tamanho dos lábios e queixo. Em casos de subnutrição (ex.: dieta pouco nutritiva durante o uso do medicamento), o aspecto da pele pode também mudar devido à perda de colágeno, elastina e nutrientes essenciais. Ref.22
-----------
Para melhorar a aparência de quem perde peso rapidamente, procedimentos estéticos, incluindo cirurgias e enchimentos dérmicos, são opções, embora frequentemente onerosas. A perda de peso acelerada pode levar à redução do coxim adiposo, perda de colágeno e elastina, tornando a pele mais suscetível a flacidez e rugas.
Aliás, para reduzir a perda de massa muscular e priorizar a perda de gordura corporal durante o uso de semaglutida, é importante a prática exercícios físicos resistidos (ex.: musculação).
-----------
(!) A obesidade é fator de risco para uma série de doenças. O obeso tem mais propensão a desenvolver problemas como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, entre outras. Além disso, é um dos principais fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento de múltiplos cânceres. São muitas as causas da obesidade. O excesso de peso pode estar ligado ao patrimônio genético da pessoa, a maus hábitos alimentares ou, por exemplo, a disfunções endócrinas.
> Leitura recomenda: Fique alerta: a obesidade caminha junto com o câncer
> Evidência acumulada sugere que os agonistas do receptor GLP-1 podem também reduzir inflamação no fígado, rins e coração. Esses medicamentos parecem também reduzir inflamação no cérebro, e cientistas apostam que esses compostos podem ser potencialmente usados para tratar doenças de Parkinson e de Alzheimer, ambas as quais são caracterizadas por inflamação cerebral. Evidência também sugere que a semaglutida e a a liraglutida podem ser eficazes no tratamento do transtorno do uso de álcool. De fato, boa parte dos usuários desses fármacos têm reportado redução significativa no consumo alcoólico. Evidências mais recentes apontam que esse benefício pode se estender para o transtorno de uso de substâncias no geral (ex.: cigarro e opioides). Ref.15, 35, 47, 56
----------
MONSTRO-DE-GILA E OZEMPIC
O monstro-de-Gila (Heloderma suspectum) é uma das poucas espécies de lagartos que produzem e ativamente inoculam veneno. Nativo do sul do Arizona e do norte do México, esse lagarto peçonhento passa 95% da vida em abrigos subterrâneos, e tipicamente usa o forte veneno excretado na saliva contra potenciais predadores: morde e a tóxica saliva entra na corrente sanguínea do atacante, causando intensa dor e outros sintomas subsequentes que, em humanos, incluem baixa pressão sanguínea, vômito, tontura, rápida taxa cardíaca e, em raros casos, morte.
Leitura recomendada:
Analisando o perfil proteico no veneno do monstro-de-gila, o pesquisador e endocrinologista Norte-Americano John Eng, no início da década de 1990, identificou e isolou duas moléculas (exendina-3 e exendina-4) estáveis e similares ao hormônio humano GLP-1. Enquanto o GLP-1 dura apenas alguns minutos na corrente sanguínea (meia-vida de 1-2 minutos), os análogos no veneno do monstro-de-gila mostraram durar horas, apontando potencial terapêutico no tratamento de pessoas com diabetes. Eng, então, em 1995, patenteou a exendina-4 e buscou financiamento da indústria farmacêutica para o desenvolvimento de um fármaco baseado na exendina e testes clínicos em humanos.
Após sucesso nos testes clínicos e pesado investimento farmacêutico, em especial da Eli Lilly and Company, múltiplos fármacos baseados ou inspirados na exendina e no hormônio GLP-1 foram desenvolvidos, eventualmente dando emergência à semaglutida e outros agonistas do receptor GLP-1. O primeiro aprovado nos EUA pelo FDA para o tratamento de diabetes tipo 2 foi a exenatida (exendin-4 sintética), comercializada sob a marca Byetta, em 2005 (Ref.39-40). A exenatida possui uma meia-vida de 2-3 horas após administração subcutânea, e é efetiva na redução de glicose sanguínea - com baixo risco de hipoglicemia - e promove significativo emagrecimento. A semaglutida possui meia-vida de 165 horas, permitindo que seja administrada pela via subcutânea uma vez por semana para fins terapêuticos (Ref.44).
REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
- https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/semaglutide
- https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/wegovy-semaglutida
- Knop et al. (2022). Semaglutide for the treatment of overweight and obesity: A review. Diabetes, Obesity and Metabolism, Volume 25, Issue 1, Pages 18-35. https://doi.org/10.1111/dom.14863
- https://www.eurekalert.org/news-releases/989854
- Wilding et al. (2021). Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. New England Journal of Medicine. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183
- Kelly et al. (2023). Once-Weekly Semaglutide in Adolescents with Obesity. New England Journal of Medicine. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2208601
- Kelly et al. (2023). Reducing BMI below the obesity threshold in adolescents treated with once-weekly subcutaneous semaglutide 2.4 mg. Obesity. https://doi.org/10.1002/oby.23808
- https://www.eurekalert.org/news-releases/989853
- Zhong et al. (2022). Efficacy and safety of once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity: a meta-analysis. Endocrine 75, 718–724. https://doi.org/10.1007/s12020-021-02945-1
- Jensterle et al. (2023). Semaglutide in Obesity: Unmet Needs in Men. Diabetes Therapy 14, 461–465. https://doi.org/10.1007/s13300-022-01360-7
- Smits & Raalte (2021). Safety of Semaglutide. Frontiers in Endocrinology, Volume 12. https://doi.org/10.3389/fendo.2021.645563
- Berkovic & Strollo (2023). Semaglutide-eye-catching results. World Journal of Diabetes, 15; 14(4): 424-434. https://doi.org/10.4239%2Fwjd.v14.i4.424
- Aroda et al. (2023). Safety and tolerability of semaglutide across the SUSTAIN and PIONEER phase IIIa clinical trial programmes. Diabetes, Obesity and Metabolism, Volume 25, Issue 5, Pages 1385-1397. https://doi.org/10.1111/dom.14990
- Sodhi et al. (2023). Risk of Gastrointestinal Adverse Events Associated With Glucagon-Like Peptide-1 Receptor Agonists for Weight Loss. JAMA. https://doi.org/10.1001/jama.2023.19574
- https://www.nature.com/articles/d41586-024-00118-4
- Okeke et al. (2024). Semaglutide-induced Hyperemesis Gravidarum, JCEM Case Reports, Volume 2, Issue 2, luad167. https://doi.org/10.1210/jcemcr/luad167
- Wang et al. (2024). Association of semaglutide with risk of suicidal ideation in a real-world cohort. Nature Medicine 30, 168–176. https://doi.org/10.1038/s41591-023-02672-2
- Li et al. (2023). Case Report: Semaglutide-associated depression: a report of two cases. Frontiers in Psychiatry, Volume 14. https://doi.org/10.3389/fpsyt.2023.1238353
- Mu et al. (2024). Efficacy and safety of once weekly semaglutide 2·4 mg for weight management in a predominantly east Asian population with overweight or obesity (STEP 7): a double-blind, multicentre, randomised controlled trial. The Lancet Diabetes & Endocrinology, Volume 12, Issue 3, P184-195. https://doi.org/10.1016/S2213-8587(23)00388-1
- Masson et al. (2024). Acute pancreatitis due to different semaglutide regimens: An updated meta-analysis. Endocrinología, Diabetes y Nutrición. https://doi.org/10.1016/j.endinu.2024.01.001
- https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/04/02/2024/rosto-de-semaglutida-usuarios-relatam-flacidez-facial-apos-uso-continuo-do-medicamento
- Lawrence et al. (2023). Implications of Ozempic and Other Semaglutide Medications for Facial Plastic Surgeons. Facial Plastic Surgery, 39(06): 719-721. https://doi.org/10.1055/a-2148-6321
- Rezaie et al. (2024). Increased risk of aspiration pneumonia associated with endoscopic procedures among patients with Glucagon-like peptide-1 receptor agonist use. Gastroenterology. https://doi.org/10.1053/j.gastro.2024.03.015
- https://www.cedars-sinai.org/newsroom/popular-obesity-drugs-may-lead-to-medical-procedure-complications/
- Han et al. (2024). Public Interest in the Off-Label Use of Glucagon-like Peptide 1 Agonists (Ozempic) for Cosmetic Weight Loss: A Google Trends Analysis, Aesthetic Surgery Journal, Volume 44, Issue 1, Pages 60–67. https://doi.org/10.1093/asj/sjad211
- Dixit et al. (2024). Preoperative GLP-1 Receptor Agonist Use and Risk of Postoperative Respiratory Complications. JAMA. https://doi.org/10.1001/jama.2024.5003
- https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2024/06/26/chegada-do-wegovy-as-farmacias-brasil.htm
- Astrup, A. (2024). Reflections on the discovery GLP-1 as a satiety hormone: Implications for obesity therapy and future directions. European Journal of Clinical Nutrition. https://doi.org/10.1038/s41430-024-01460-6
- Ruska et al. (2024). Topography of the GLP-1/GLP-1 receptor system in the spinal cord of male mice. Scientific Reports 14, 14403. https://doi.org/10.1038/s41598-024-65442-1
- Schoretsanitis et al. (2024). Disproportionality Analysis From World Health Organization Data on Semaglutide, Liraglutide, and Suicidality. JAMA Network Open, 7(8):e2423385. https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2024.23385
- O'Shea et al. (2024). GLP-1 therapy increases visceral adipose tissue metabolic activity: lessons from a randomized controlled trial in obstructive sleep apnea. Obesity. https://doi.org/10.1002/oby.24126
- Wadden et al. (2024). Psychiatric Safety of Semaglutide for Weight Management in People Without Known Major Psychopathology (Post Hoc Analysis of the STEP 1, 2, 3, and 5 Trials). JAMA Network. https://doi.org/10.1001/jamainternmed.2024.4346
- Fox et al. (2024). Liraglutide for Children 6 to <12 Years of Age with Obesity — A Randomized Trial. NEJM. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2407379
- https://www.nature.com/articles/d41586-024-02983-5
- Lähteenvuo et al. (2024). Repurposing Semaglutide and Liraglutide for Alcohol Use Disorder. JAMA Psychiatry. https://doi.org/10.1001/jamapsychiatry.2024.3599
- https://www.ndow.org/species/gila-monster/
- https://www.zoo.pt/pt/conhecer/animais/repteis/monstro-de-gila/
- https://animaldiversity.org/accounts/Heloderma_suspectum/
- Furman, B. L. (2012). The development of Byetta (exenatide) from the venom of the Gila monster as an anti-diabetic agent. Toxicon, Volume 59, Issue 4, Pages 464-471. https://doi.org/10.1016/j.toxicon.2010.12.016
- Fox et al. (2013). Connectivity maps for biosimilar drug discovery in venoms: The case of Gila Monster Venom and the anti-diabetes drug Byetta®. Toxicon, Volume 69, Pages 160-167. https://doi.org/10.1016/j.toxicon.2013.03.018
- Chowdhury & Goswami (2020). GLP1 agonists beyond glycemic control—redefining their role. International Journal of Diabetes in Developing Countries 40, 461–463. https://doi.org/10.1007/s13410-020-00879-4
- Zheng et al. (2024). Glucagon-like peptide-1 receptor: mechanisms and advances in therapy. Sig Transduct Target Ther 9, 234. https://doi.org/10.1038/s41392-024-01931-z
- https://www.nytimes.com/2024/11/13/magazine/venom-animals-drugs-ozempic.html
- Leon, G. (2023). More Questions than Answers about Injectable Weight Loss Drugs. Emergency Medicine News 45(7):p 10. https://doi.org/10.1097/01.EEM.0000945404.71459.8a
- Khan et al. (2024). Discontinuation of Glucagon-Like Peptide-1 Receptor Agonists. JAMA. https://doi.org/10.1001/jama.2024.22284
- Sass et al. (2024). NK2R control of energy expenditure and feeding to treat metabolic diseases. Nature. https://doi.org/10.1038/s41586-024-08207-0
- Matero-Miller et al. (2024). Alcohol Use and Antiobesity Medication Treatment. JAMA Network Open, 7(11):e2447644. https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2024.47644
- Filion et al. (2025). Efficacy and Safety of Glucagon-Like Peptide-1 Receptor Agonists for Weight Loss Among Adults Without Diabetes: A Systematic Review of Randomized Controlled Trials. Annals of Internal Medicine. https://doi.org/10.7326/ANNALS-24-0159
- Xie et al. (2025). Mapping the effectiveness and risks of GLP-1 receptor agonists. Nature Medicine. https://doi.org/10.1038/s41591-024-03412-w
- Hayman et al. (2025). Association of GLP1R locus with mental ill-health endophenotypes and cardiometabolic traits: A trans-ancestry study in UK Biobank. Diabetes, Obesity and Metabolism. https://doi.org/10.1111/dom.16178
- Aronne et al. (2025). Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity. NEJM. https://doi.org/10.1056/NEJMoa2416394
- Natividade et al. (2025). Ocular Adverse Events With Semaglutide A Systematic Review and Meta-Analysis. JAMA Ophthalmology. https://doi.org/10.1001/jamaophthalmol.2025.2489
- https://doi.org/10.37039/1982.8551.20240054
- Wharton et al. (2025). Oral Semaglutide at a Dose of 25 mg in Adults with Overweight or Obesity. NEJM, Vol. 393, No. 11. https://doi.org/10.1056/NEJMoa2500969
- Choi et al. (2025). Brain activity associated with breakthrough food preoccupation in an individual on tirzepatide. Nature Medicine. https://doi.org/10.1038/s41591-025-04035-5
- https://www.nature.com/articles/d41586-025-03911-x
- Galindo et al. (2025). Insights into the Mechanism of Action of Tirzepatide: A Narrative Review. Diabetes Therapy. https://doi.org/10.1007/s13300-025-01804-w
- Singh et al. (2025). Comparative efficacy and safety of semaglutide 2.4 mg and tirzepatide 5–15 mg in obesity with or without type 2 diabetes: A systematic review of Phase 3 clinical trials. Diabetes & Metabolic Syndrome: Clinical Research & Reviews, Volume 19, Issue 3, 103212. https://doi.org/10.1016/j.dsx.2025.103212
- Losina et al. (2025). The Cost-Effectiveness of Semaglutide and Tirzepatide for Patients With Knee Osteoarthritis and Obesity. Annals of Internal Medicine, Volume 178, Number 11. https://doi.org/10.7326/ANNALS-24-036
- McGowan et al. (2025). Framework for the pharmacological treatment of obesity and its complications from the European Association for the Study of Obesity (EASO). Nature Medicine 31, 3229–3232. https://doi.org/10.1038/s41591-025-03765-w
- Krüger et al. (2025). Cardiovascular outcomes of semaglutide and tirzepatide for patients with type 2 diabetes in clinical practice. Nature Medicine. https://doi.org/10.1038/s41591-025-04102-x
- https://www.mdpi.com/1422-0067/23/23/14631
- Liu et al. (2025). Incretin Receptor Agonism, Fat-free Mass, and Cardiorespiratory Fitness: A Narrative Review, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Volume 110, Issue 10, Pages 2709–2717. https://doi.org/10.1210/clinem/dgaf335
- https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12534358/
- https://journals.physiology.org/doi/full/10.1152/ajpcell.00245.2025
- Heymsfield et al. (2024). Strategies for minimizing muscle loss during use of incretin-mimetic drugs for treatment of obesity. Obesity Reviews, Volume 26, Issue 1, e13841. https://doi.org/10.1111/obr.13841
- Mehrtash et al. (2025). "I Am Taking a GLP-1 Weight-Loss Medication—What Should I Know?" JAMA Internal Medicine, 185;(9):1180. https://doi.org/10.1001/jamainternmed.2025.1133
- Ceasovschih et al. (2025). Glucagon-like peptide-1 receptor agonists and muscle mass effects. Pharmacological Research, Volume 220, 107927. https://doi.org/10.1016/j.phrs.2025.107927
- Chen et al. (2025). Weight loss maintenance after tirzepatide cessation in people with overweight/obesity: a real-world follow-up of the phase 3 SURMOUNT-CN trial, Life Metabolism, Volume 4, Issue 5, loaf024. https://doi.org/10.1093/lifemeta/loaf024
- Horn et al. (2025). Cardiometabolic Parameter Change by Weight Regain on Tirzepatide Withdrawal in Adults With Obesity. JAMA Internal Medicine. https://doi.org/10.1001/jamainternmed.2025.6112
- Wu et al. (2025). Trajectory of the body weight after drug discontinuation in the treatment of anti-obesity medications. BMC Medicine 23, 398. https://doi.org/10.1186/s12916-025-04200-0
- Mota et al. (2025). Comparação do reganho de peso após a interrupção de semaglutida versus tirzepatida: uma revisão sistemática. Revista DELOS, Curitiba, v.18, n.72, Special Edition, p. 01-10. https://doi.org/10.55905/rdelosv18.n72espec-003







