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Os Espanhóis não estavam mentindo: Centenas de crânios revelam uma massiva escala de sacrifícios humanos na capital Asteca


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         Quando os conquistadores Espanhóis sob o comando de Hernán Cortéz pisaram pela primeira vez na região do México no início do século XVI, eles ficaram fascinados com o poderoso Império Asteca. Mas a fascinação logo se transformou em um violento conflito militar, revelando as reais intenções de dominação por parte dos estrangeiros. Os nativos, em grande parte, acabaram sendo aniquilados, tanto devido à superioridade armamentista e sistemas de alianças quanto devido ao contato de novas doenças trazidas do continente Europeu.

        Como justificativa para um dos diversos massacres em massa, os Espanhóis chegaram a demonizar a cultura Asteca, citando diversas vezes os horrores dos inúmeros sacrifícios humanos. Alguns conquistadores escreviam sobre torres e uma enorme prateleira (tzompantli) encontradas em Tenochtitlán, afirmando que dezenas de milhares de crânios oriundos de terríveis sacrifícios eram dispostos e continuamente renovados nessas estruturas. Apesar da cultura de sacrifícios dos Astecas já ser bem conhecida, historiadores e arqueólogos por muito tempo pensaram que os Espanhóis estavam exagerando demais nesses números, apenas para denegrir a imagem dos nativos. Aliás, com o passar dos séculos, os acadêmicos começaram até mesmo a questionar se o tzompantli era real.

          Porém, em anos recentes, o tzompantli não só mostrou-se real como arqueólogos estão reportando agora que ele parece ter realmente ostentado uma quantidade absurda de crânios, todos indo como tributo aos Deuses e provavelmente também servindo como ferramenta de terror. E essa assustadora indústria de sacrifícios representou um extremo nunca antes visto em nenhuma outra cultura do planeta.

          OBS.: A parte inicial deste artigo traz um resumo sobre a civilização Asteca e seu colapso frente ao Espanhóis, sendo uma leitura mais do que recomendada. No tópico 'Sacrifícios Humanos' a recente revelação da existência do tzompantli é explorada.

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   ASTECAS

         A cultura Asteca floresceu na região central do México entre os séculos XII e XVI, com o Império Asteca dominando o México entre os séculos XV e XVI. Como os últimos de uma série de complexas civilizações urbanas na Mesoamérica, os Astecas adotaram várias características e instituições dos seus predecessores, incluindo os Maias e os Teotihuacanos, mas também desenvolveram diversas inovações tecnológicas, políticas e econômicas. Destruídos no seu auge pela invasão dos Espanhóis, o povo Asteca sobrevivente - o qual adotava a língua falada Nahuatl -, acabou se misturando com a população Espanhola que se estabeleceu na região. Hoje é estimado que existam ainda mais de 1 milhão de falantes de Nahuatl em áreas rurais no centro do México.

        A base da civilização Asteca pode ser traçada até o estabelecimento da cidade de Teotihuacan (200-700 d.C.), a capital de um pequeno império na região Central do México e que abrigava cerca de 150 mil habitantes, com seus mercadores realizando comércio entre cidades de toda a Mesoamérica. O posterior colapso dos Teotihuacanos iniciou um período de guerras e conflitos (700-900 d.C.), resultando na ascensão de várias menores cidades fortificadas, incluindo Xochicalco, Cacaxtla e Teotenango. Esse período foi seguido pelo estabelecimento do povo Toltec, os quais mantinham relações comerciais com regiões distantes na Mesoamérica e cuja capital era Tula. Diferentes dos seus ancestrais Teotihuacanos, os Toltecas não chegaram a dominar o centro-México, e eventualmente acabaram colapsando, na mesma época em que imigrantes falantes de Nahuatl chegaram: os Astecas.

          Os Astecas adotaram várias características das civilizações anteriores, incluindo deuses, rituais, instituições econômicas, princípios de reinado e planejamento urbano. Vindos de uma região ao norte do México - Aztlan -, e carregando também influências linguísticas e culturais da parte sul do que é hoje os EUA, a primeira leva migrante de Astecas (1150-1350 d.C.) era dividida em diferentes grupos étnicos (Chalca, Xochimilca, Tlahuica, Tlaxcalteca, entre outros), mas com todos compartilhando uma cultura e uma língua comum. Basicamente, esses migrantes chegaram como vagantes sem um lar no Vale do México, sendo obrigados a realizarem alianças com tribos mais poderosas na área para sobreviverem.



         Então, os Astecas finalmente se estabeleceram em uma ilha alagadiça no lago Texcoco, e tiveram sucesso em manter esse local para eles em parte porque era uma região não muito desejada e em parte porque era um interstício de tribos locais. Qualquer grupo tribal que considerasse capturar os Astecas e seus territórios arriscavam também provocar vizinhos mais poderosos e arrastá-los para uma violenta guerra. Nesse sentido, os Astecas deram muita sorte - ou já esperavam isso - e acabaram sendo deixados construindo sua cidade na ilha. Aliás, eles chegaram não só a construir uma imponente e luxuosa cidade em cima da ilha, como também expandiram essa última ao arranjarem colunas de madeira no solo do lago e preencher a estrutura de amarração criada com barro retirado do próprio lago. Além disso, o espaço entre as amarrações serviram como canais para facilitar o transporte de materiais dentro da cidade, esta a qual foi chamada de Tenochtitlán (em homenagem ao nome que eles davam a si mesmo - Tenochca). Os Astecas não se chamavam de 'Astecas (Aztecs)', mas sim ou de Tenocha ou Mexica.



          O início do período Asteca Superior (1350-1520 d.C.) foi marcado por uma explosão populacional, com a população Asteca indo de cerca de 500 mil pessoas para próximo de 3 milhões. Isso intensificou a atividade de agricultura e a busca por novas terras de plantio. Eventualmente a competição entre as cidades-estados se escalou, e já pelo ano de 1400 grande parte do México central sucumbiu ao controle de impérios de pequena escala em Azcapotzalco, Texcoco, Cuauhnahuac, e algumas outras poucas cidades. Os Tepanecas, da cidade de Azcapotzalco, tinham o domínio dos Astecas no início, e eram grandes expansionistas ávidos por guerras, derrotando o império rival de Texcoco, este os qual, mais tarde, derrotou os Tepanecas em uma grande guerra no ano de 1428, com a ajuda de alianças de outros povos, como os Tlaxcalanos (aliás, os Tlaxcalnos foram aliados importantes de Córtez durante a dominação Espanhola). Do resultado desse conflito, os Astecas, livres do domínio dos Tepanecas, emergiram como uma potência independente, e começaram a engolir alguns territórios às margens do lago.

         Continuando a expansão e o acúmulo de poder, os Astecas formaram uma Tríplice Aliança com Texcoco e Tlacopan, a qual ficou conhecida como Império Asteca, e imediatamente iniciando um processo de violenta campanha militar. Essa coalizão definiu uma divisão de espólios de guerra em cinco partes, com duas delas indo para Tenchtitlán, duas partes para Texcoco e uma parte para Tlacopan. Mais tarde, Tlacopan acabou sucumbindo, seguido por Texcoco e deixando o Império governado sozinho pelos Astecas. Tenochitlán passou a receber tributos de todas as partes do norte e centro da Mesoamérica no início do século XV, representando mais de 500 cidades-estados dominadas. Em seu auge, somente a capital Asteca abrigou mais de 250 mil pessoas.



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   RELIGIÃO

         A religião Asteca era politeísta, mas suas divindades não existiam como personificações facilmente identificáveis, assumindo várias formas e sendo vistas mais como forças ou espíritos, com cada um deles possuindo atributos distintos, roupagem e regalias. Os mais proeminentes deuses incluíam o Tezcatlipoca, um deus criador que era patrono dos reis; Quetzalcoatl, o deus do aprendizado e patrono dos sacerdotes; Tlaloc, o deus da chuva; e Huitzilopochtli, o deus da guerra e patrono das pessoas Astecas.



       Sacerdotes profissionais supervisionavam vários rituais públicos e privados em honra dos Deuses. De acordo com vários mitos astecas, os Deuses tinham oferecido o próprio sangue e alguns Deuses tinham sacrificado a si mesmos em ordem de criar a Terra, o Sol, a Lua e os humanos. Nesse sentido, as pessoas estavam em grande dívida com eles, com oferendas e sacrifícios sendo uma forma de pagá-la e evitar também o fim do mundo. Alimentos, artefatos e sangue eram frequentemente oferecidos, e sacerdotes costumavam se auto-mutilarem para derramarem sangue em faixas de papel que eram mais tarde queimadas. Mas nada disso chegava perto dos sacrifícios.

         Cerimônias ininterruptas de extensos sacrifícios humanos eram carregados pela sociedade Asteca, envolvendo todas as classes sociais. A mais comum forma de sacrifício consistia em abrir o peito das vítimas com lâminas de obsidiana no topo de pirâmides-templos. Sacerdotes especiais, então, removiam o coração ainda pulsante dos sacrificados, o ofereciam para os Deuses, e os corpos eram jogados como descarte ao longo das escadarias das pirâmides. A maioria das vítimas eram soldados inimigos capturados em batalha. Eram tantos sacrifícios que em todas as guerras os Astecas tentavam o máximo possível não matar os inimigos derrotados. Os sacrificados geralmente vestiam roupas dos deuses e eram adorados durante uma semana - ou seja, os sacrifícios muitas vezes reencenavam os mitos. O crânio dos sacrifícios eram retirados, preparados e colocados em espaços públicos.

          Além do papel religioso, os aterrorizantes e dolorosos sacrifícios Astecas também serviam para propósitos políticos e sociais, como uma forma de propaganda ou mesmo terrorismo direcionado às classes mais baixas e aos inimigos da cidade-estado.

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   CONQUISTA ESPANHOLA

           Em 1519, Hernán Cortéz partiu de Cuba com um pequeno exército (cerca de 400 soldados) para conquistar o México, afrontando as ordens do governador de Cuba, Diego Velásquez, este o qual acreditava que ainda era muito cedo para iniciar uma campanha de conquista no continente.

           Apesar de Cortéz ter sido logo de cara atacado pelos nativos assim que pisou o pés na Península de Yucatán, ele acabou encontrando Jerônimo de Aguilar, um Espanhol que tinha naufragado há muito tempo no México e que acabou aprendendo a falar Maia com os povos dali. O segundo e importante encontro de Cortéz foi com uma mulher que sabia falar tanto Maia quanto Nahuatl, La Malinche, possibilitando que ele conseguisse manter um contato verbal com os Astecas através de um processo de tradução dupla.

           Cortéz, então, decidiu zarpar para o Golfo do México e após desembarcar em meio ao território Asteca, queimou os navios para impedir que seus homens fugissem. Chegando em Tenchtitlán, ele foi bem recebido pelo Rei Asteca Moctezuma. Os motivos para essa boa receptividade ainda é questão de debate acadêmico, podendo ser que Moctezuma acreditasse que Cortéz era o Deus Quetzalcoatl, retornado da sua viagem, ou que ele apenas queria uma amizade do visitante estrangeiro para conseguir um apoio militar extra, especialmente em uma época onde os nativos estavam, em geral, desgostosos com o monarca (algo que Cortéz usou a seu favor). Muitos não toleravam mais os inúmeros tributos e sacrifícios humanos.

          Enquanto fingia aceitar a amizade de Moctezuma, Cortéz secretamente estava negociando com os vizinhos inimigos dos Astecas, especialmente os Tlaxcalanos, e acabou conseguindo cerca de 200 mil nativos para lutarem ao seu lado na destruição do governo Asteca. Com o apoio complementar dos seus soldados, Cortéz conseguiu cercar Tenchtitlán, aproveitando que o coração do Império Asteca era praticamente uma ilha. Após intensas lutas e disseminação de doenças trazidas da Europa (1), o Império colapsou em agosto de 1521.

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   SACRIFÍCIOS HUMANOS

           Acompanhando a ascensão e contribuindo para o colapso dos Astecas, os terríveis e temidos sacrifícios humanos marcaram profundamente a poderosa cidade de Tenochtitlán entre os séculos XIV e XVI, e foram por muito tempo subestimados pelos historiadores e pelos arqueólogos, os quais acreditavam que os Espanhóis estavam exagerando enormemente nas suas descrições sobre os rituais Astecas. Mas Cortéz não estava mentindo.

          Toda a 'indústria' de sacrifícios era extremamente sistemática e empregava sacerdotes altamente especializados e muito experientes. Com um grande e detalhado conhecimento anatômico, e lâminas de obsidiana mais afiadas do que instrumentos cirúrgicos de aço hoje utilizados, os sacerdotes faziam precisas incisões no fino espaço entre duas vértebras no pescoço e perfeitamente decepavam o corpo. Usando a obsidiana, eles então cortavam a pele e os músculos da face, reduzindo a cabeça ao crânio após retirarem o cérebro e outros tecidos restantes. Em seguida, grandes buracos eram feitos em ambos os lados do crânio, para enfiar este em uma longa e grossa extensão de madeira, a qual também guardava centenas de outros outros crânios da mesma maneira. Depois de preencher essas extensões, as longas fileiras de crânios eram unidas em uma enorme prateleira (tzompantli) construída em frente ao Templo Mayor - uma pirâmide com dois templos em seu topo, com um deles sendo dedicado ao Deus da Guerra, Huitzilopochtli e o outro ao Deus da Chuva, Tlaloc.

          Com o passar do tempo, sob a ação da chuva e do Sol, os crânios em exposição pública começavam a perder os dentes e outras partes, como a mandíbula. Esses eram recolhidos para serem substituídos e também serem aproveitados para a construção de duas torres que flanqueavam o tzompantli - sendo misturados com massa de cimento - ou para outros fins ritualísticos. Quando os Espanhóis viram aquilo, em 1519, não conseguiram ver nada além de pura barbárie e maldade, e quando devastaram a cidade de Tenochtitlán, alegadamente eles destruíram o Templo Mayor e o tzompantli. Além disso, os conquistadores, para apagar as lembranças daquele lugar, pavimentaram as ruínas, drenaram boa parte do lago e construíram por cima o que se tornaria hoje a Cidade do México.

          Relatos dos observadores Espanhóis daquela época, descrevendo o tzompantli e suas torres, estimaram que apenas a prateleira continha cerca de 130 mil crânios em qualquer dado momento! Porém, historiadores e arqueólogos sempre tenderam a desconsiderar essas estatísticas e muitos até mesmo duvidavam da existência do tzompantli, já que os conquistadores estariam inclinados a demonizarem injustamente os Astecas. Aliás, durante grande parte do século XX, ninguém sabia nem ao menos onde estava enterrado o Templo Mayor.



          Porém, na década de 1970, trabalhadores na Cidade do México chamaram a atenção da comunidade arqueológica ao trombarem no que seria a estátua da Deusa Coyolxauhqui - a qual foi morta e desmembrada pelo seu irmão Huitzilopochtli -, apontando para a tão procurada localização do Templo Mayor. Após revelado, grande parte desse templo mostrou-se em relativo bom estado de conservação. Os Astecas os construíram em sete fases entre 1325 e 1521, com cada uma delas correspondendo ao reino de um Rei. Como cada fase foi construída sobre e ao redor da anterior, mesmo quando os Espanhóis destruíram o templo e pavimentaram toda a região, a destruição basicamente apenas extinguiu a primeira fase, deixando as outras intactas sob as ruínas. Mas mesmo após a descoberta, o mistério ainda continuava: onde estava o tzompantli?



           Seguindo intensas investigações arqueológicas na região, pesquisadores do Instituto Nacional de Antropologia e História dos EUA (INAH), no começo de 2015 (Ref.1), acabaram descobrindo os vestígios do tzompantli e de uma das torres da estrutura, após escavarem por baixo de uma casa do período colonial. Análises posteriores desses achados sugerem que a prateleira sustentava milhares de crânios, confirmando uma massiva prática de sacrifícios humanos nunca antes vista em nenhum outro lugar do mundo. Os pesquisadores continuam analisando os crânios e vestígios arqueológicos até a presente data, e desconfiam que a segunda torre se encontra debaixo da catedral da capital Mexicana.



          Nos locais de escavação, as longas extensões de madeira segurando os crânios já tinham há muito tempo decaído, deixando vários crânios sobreviventes espalhados aleatoriamente e muitas vezes quebrados - talvez propositalmente pelos conquistadores. Nos vestígios da torre, diversos crânios estavam grudados juntos com argamassa. Analisando os vestígios, os pesquisadores estimam que a torre encontrada tinha quase 5 metros de diâmetro e, no mínimo, 1,7 metros de altura. Já o tzompantli provavelmente era uma estrutura retangular com 35 metros de comprimento, 12-14 metros de largura e 4-5 metros de altura.

       


         Seja, na Ásia, África ou na Ásia, grupos e culturas humanas em todo o mundo praticavam sacrifícios. Aliás, em outras partes da Mesoamérica povos além dos Astecas pareciam manter estruturas similares ao tzompantli, como na cidade Maia de Chichen Itza, fundada 700 anos antes da cidade-ilha. Recentemente também se descobriu que no Peru houve o maior evento único de sacrifícios de crianças já registrado, ultrapassando inclusive o recorde registrado no Templo Mayor (2). Porém, nenhum povo chegou perto do extremo alcançado pelos Astecas. Como o Império Asteca era relativamente jovem, se expandindo enormemente em menos de 200 anos, talvez tenha sido essa uma forma efetiva de subjugar os povos dominados, levando o terror dos sacrifícios aos inimigos capturados. Estimativas apontam que eventos únicos de sacrifício podiam envolver até 20 mil humanos. De fato, não espanta que uma principais revoltas de diversas cidades-estados na Mesoamérica era dirigida à massiva prática de sacrifícios por parte dos conquistadores Astecas.
       
           A violência extrema tem acompanhado os humanos em todas as épocas, civilizações e regiões, sob variadas justificativas e formas. Reconhecer isso é o primeiro passo para lidarmos com o problema.

  • (2) Até recentemente, o maior evento de sacrifício de crianças que se possui evidências físicas era a execução ritualística e enterro de 42 crianças no Templo Mayor. Mas isso foi superado por um grande sacrifício em massa de lhamas e crianças no Império Chimú. Para saber mais, acesse: O maior sacrifício em massa de crianças foi descoberto no Peru



REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.sciencemag.org/news/2018/06/feeding-gods-hundreds-skulls-reveal-massive-scale-human-sacrifice-aztec-capital 
  2. http://www.public.asu.edu/~mesmith9/1-CompleteSet/Smith-AztecCulture-WWW.pdf
  3. http://www.sjsu.edu/faculty/watkins/aztecs.htm
  4. https://coursewikis.fas.harvard.edu/aiu18/The_Aztecs
  5. http://advances.sciencemag.org/content/4/6/eaas9370 
  6. https://coursewikis.fas.harvard.edu/aiu18/The_Aztecs
  7. https://link.springer.com/chapter/10.1057/978-1-137-53825-3_9
  8. http://www.d.umn.edu/cla/faculty/troufs/anth3618/maaztec.html
  9. https://www.jstor.org/stable/679280