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Plutão possui um oceano!



           E um grande mistério veio ao encontro dos astrônomos quando fotos mais detalhadas do "coração" de Plutão chegaram da sonda New Horizons, da NASA. Nela (imagem abaixo) podemos ver regiões em formato de placas, onde algumas delas são delimitadas por um material escuro. Essas deformidades na superfície foram apelidadas de Sputnik Planum (SP), em homenagem ao primeiro satélite artificial a orbitar o nosso planeta, mas, até agora, ninguém consegue explicar o porquê delas.

As placas estão presentes na região em forma de ´coração´ no planeta, a qual foi formada, acredita-se, pelo impacto de um asteroide

          Porém, nesta semana, um novo estudo (Ref.1) considera a hipótese de que, calculando as anomalias gravitacionais e massa associada com o SP, um oceano de água salgada por baixo da superfície gelada de Plutão, com mais de 100 quilômetros de espessura seria o responsável por tais padrões! A composição desse oceano parece ter um perfil de salinidade similar ao nosso Mar Morto, ou seja, em torno de 30%. Isso reforça ainda mais a a desconfiança dos astrônomos de que Plutão realmente possui água líquida em seu interior, a partir de dados anteriores da sua atividade térmica, tectônica e a estranha deformação gravitacional gerada pela interação com o seu satélite, Charon (1). Além disso, o SP parece, de fato, ter uma origem gerada por um impacto de um asteroide, como também já era desconfiado pela comunidade científica.

           Nada é conclusivo, mas isso coloca Plutão junto com Europa (satélite de Júpiter) como candidatos a terem um oceano líquido salgado em seu interior! E o que mais impressiona é um oceano líquido tão longe do Sol, em um dos corpos mais gelados do nosso Sistema Solar. Mas, é claro, deve ser pouco provável que Plutão, diferente de Europa, consiga sustentar qualquer tipo de vida em seu suposto oceano, considerando a composição do ex-planeta (2). Bem, é esperar para ver novos resultados...

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(2) PORQUE PLUTÃO FOI REBAIXADO À PLANETA-ANÃO E OUTRAS CURIOSIDADES...

           O nosso ex-planeta mais distante do Sol, e novo candidato a ter água líquida em seu interior, foi rebaixado ao título de planeta-anão. Mas qual foi a causa para essa medida tão triste?

          O grande problema é o tamanho de Plutão. Para vocês terem uma ideia, ele possui apenas 2300 quilômetro de diâmetro, tamanho que não cobre nem metade dos EUA! Ele é até um pouco menor do que a nossa Lua. Por causa da sua pequena massa, e consequente baixa gravidade, Plutão não consegue "clarear" seu caminho de outros planetoides e corpo à sua volta. Existem 3 ´planetas anões´
em volta de Plutão e um dos seus 5 satélites naturais, Charon, é quase metade da sua massa! Ou seja, o ponto de gravidade nem ao menos fica dentro dele (3). Portanto, existem diversos outros corpos tão grandes orbitando junto com ele no Cinturão de Kuiper, próximos demais   dele. Um verdadeiro planeta precisa estar praticamente sozinho em sua órbita, porque sua força gravitacional atrai todas as outras massas menores para perto dele (com o centro de gravidade concentrado nele), formando os satélites naturais.

Os cinco satélites naturais de Plutão

           Bem, tirando essa decepção do caminho, Plutão possui outras interessantes características, além do seu provável líquido oceano. Para começar, ele está bem distante do Sol, a uma distância média de 5,8 bilhões de quilômetros! A luz solar demora mais de 53 horas para alcançá-lo! Sua translação demora 248 anos para se completar sua rotação é cerca de seis vezes e meia mais lenta do que a da Terra (1 dia). E aí vem o primeiro fato interessante: sua órbita é bastante elíptica, assemelhando-se a uma ovo. Os outros planetas circundam nossa estrela quase como em um círculo. Com isso, durante sua translação, ele ora fica bem mais próximo do Sol, ora fica bem mais distante. E é engraçado também notar que nos momentos de aproximação solar, ele fica bem próximo da própria órbita de Netuno! Mas não há perigo de choque, nem mesmo com as perturbações gravitacionais de Netuno, pois ambos ainda ficam a uma distância bem grande um do outro...:)

         (1) E voltando ao seu satélite, Charon, ambos apresentam um peculiar padrão de movimentação.  Com uma gigantesca massa comparada com a do nosso planeta-anão, Charon está em uma espécie de "travamento" gravitacional com Plutão, onde ambos estão bem ligados um ao outro e possuem um movimento de rotação onde as mesmas faces se voltam um para o outro. Ou seja, enquanto os dois vão translacionando em volta do Sol e rotacionando em volta de cada um dos seus eixos, eles só observam o mesmo lado um do outro. E a linha de ligação entre eles coincide com a tão misteriosa região de SP, fazendo com que ocorra uma deformação de massa no local devido ao maior puxão gravitacional. Mas como os modelos teóricos não conseguem explicar a deformação específica que ocorre lá devido a esse fenômeno, isso também contribui para a suspeita de que existe um oceano de água líquida abaixo da superfície de Plutão, como dito anteriormente.

Charon, à esquerda, e Plutão, à direita, possuem um movimento de "travamento" gravitacional

          Por estar bem distante do Sol e ter pouca atividade no interior do planeta (devido à baixa pressão exercida por sua pequena massa), Plutão é muito gelado em sua superfície (apesar de haver um enorme decaimento radioativo no interior dele, aquecendo um pouco as coisas). As temperaturas variam de um mínimo de 240°C negativos à um máximo de 218°C negativos, com uma média translacional de 229°C negativos! Era para se esperar que a diferença entre o máximo e o mínimo fosse maior, já que o planeta se aproxima e se afasta bastante do Sol. Mas, quando está afastado, sua fina atmosfera formada por gás nitrogênio, monóxido de carbono e metano, fica inteiramente congelada (sim, Plutão vira uma verdadeira bola de ´gelo´), tal é o frio. Quando se aproxima do Sol, os gases congelados começam a sublimar (passam do estado sólido diretamente para vapor) e, nesse processo, retiram tanto energia do Sol quanto do planeta, resfriando-o tanto quanto está sendo aquecido pela radiação solar! O gás metano, de estufa, é que ajuda a dar uma aquecida a mais no planeta, fazendo as temperaturas variarem um pouco mais.

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           A sonda New Horizons continua mandando diversos novos dados e fotos do planeta, em um incessante trabalho de exploração. Lançada em 2006, ela chegou esse ano próximo ao planeta e está sendo uma das principais alegrias da NASA. Quando as análises e envio de dados terminarem, teremos uma visão completamente nova de Plutão e do nosso Sistema Solar! E já existe outro fato ainda a ser confirmado, mas já esperado pelos astrônomos: a existência de ´vulcões de gelo´ no planeta. Enquanto nossos vulcões cospem lava super quente, os vulcões de gelo de Plutão parecem cuspir uma mistura gelada, parcialmente derretida, composta de substância como água, nitrogênio molecular e metano! E por mais conflituoso que isso possa parecer, embaixo de vulcões de gelo, pode existir uma imensidão de água líquida! Se o nosso Sistema Solar é ainda um mistério para nós, imagine o que pode estar escondido pela vastidão do Universo...

(3) Centro de gravidade é o ponto onde pode ser considerada a aplicação da força de gravidade de todo o corpo formado por um conjunto de partículas. Por exemplo, se dois corpos de massas iguais estão separados por uma distância x, o centro de gravidade desse sistema é na metade de x.

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/2016GL070694/abstract
  2. https://news.brown.edu/articles/2016/09/pluto
  3. http://www.nasa.gov/feature/frozen-plains-in-the-heart-of-pluto-s-heart
  4. http://www.nasa.gov/audience/forstudents/k-4/stories/nasa-knows/what-is-pluto-k4.html
  5. http://www.nasa.gov/press-release/from-mountains-to-moons-multiple-discoveries-from-nasa-s-new-horizons-pluto-mission/
  6. http://pluto.jhuapl.edu/