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Usando gravetos para achar água?


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        Todos aqui já devem ter experimentado, visto ou ouvido falar de uma técnica bem simples, e supostamente muito eficiente, para se achar água subterrânea, baseada em algo chamado de radiestesia. Basicamente, a pessoa pega uma forquilha feita de materiais diversos (normalmente um graveto), como mostrado na imagem acima, e, com a palma virada para cima, vai vasculhando o ambiente em busca de água sob a terra. Se a ponta da vareta se mexer é porque existe água corrente debaixo do solo em que você está pisando. Também são usadas varetas independentes de livre movimentação, cada uma em uma mão, para o mesmo processo. Bem, mas será que isso realmente faz sentido e é confiável?

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         A radiestesia supostamente engloba toda a capacidade do indivíduo de sentir certas radiações especiais geradas no ambiente, mas de forma inconsciente. Assim, seres vivos e elementos não-vivos na natureza seriam capazes de gerar essas energias, estas quais, então, atingiriam nossos corpos sem as percebermos de imediato. No caso da forquilha, a água corrente debaixo do solo estaria gerando radiações que estariam sensibilizando o seu corpo e gerando impulsos musculares involuntários, os quais seriam melhor evidenciados com a movimentação da forquilha (tipo, sua mão mexe um pouco fazendo a forquilha também mexer, e você segurando ela da maneira correta faria a ação muscular ter mais impacto perceptivo). Tudo é muito belo e florido nessa descrição, mas a radiestesia não possui provas científicas de ser algo real, sendo considerada mais uma instrumentação mística do que qualquer outra coisa. Usando pêndulos e outros veículos para direcionar a captação dessas radiações pelo nosso corpo, diversos feitos seriam possíveis, mas nada comprovado cientificamente.

         Aqui no Brasil existe até uma organização voltada para a radiestesia, a Abrad (Sociedade Brasileira de Radiestesia). Mas apesar dos responsáveis pela organização reforçarem com todo vigor que a prática é baseada em real ciência, e refutarem qualquer misticismo envolvido, não existe uma real base acadêmica para tal.  Vários experimentos científicos ao longo das décadas não conseguiram achar nada de concreto no método e os testes sob controle efetuados para avaliá-lo mostraram que o uso das forquilhas, por exemplo, é algo apenas baseado no acaso. Aliás, em um experimento duplo-cego acompanhando pelo famoso Biólogo Evolucionário Richard Dawkins realizado em 2009, praticantes da radiestesia foram colocados a prova na tentativa de diferenciarem recipientes com água e recipientes com areia em um ambiente controlado e o resultado? Eles acertaram tanto quanto se estivessem escolhendo os recipientes ao acaso.  Veja o vídeo do experimento: Dawkins debunks dowsing.

          Muitas pessoas podem afirmar que encontraram água subterrânea com o uso da radiestesia, mas isso pode ser facilmente explicado: oras, água subterrânea existe em quase todo lugar, sendo muito fácil esbarrar em uma ao acaso. Em uma dada região você não encontrar apenas pontos isolados de água subterrânea, mas, sim, amplas áreas  Agora, a quantidade, profundidade e qualidade da mesma podemos garantir que os pauzinhos não vão te informar nem jogando nos dados (Risos!)

OBS.:  Em relação à existência de equipamentos, a forma científica de se achar água subterrânea, e obter dados como quantidade, profundidade, qualidade, apresentação (se presa em rochas ou não), é através do estudo geológico e também biológico da região. Certos tipos de plantas, composição rochosa do solo, tipo da região, e vários outros sinais podem ser analisados para uma estimativa do conteúdo aquífero do subsolo de um dado local.


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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://water.usgs.gov/edu/dowsing.html
  2. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1279512/
  3. https://archaeology.uiowa.edu/sites/archaeology.uiowa.edu/files/Dowsing.pdf
  4. http://www.csicop.org/si/show/testing_dowsing_the_failure_of_the_munich_experiments 
  5. http://water.usgs.gov/edu/gwhowtofind.html