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Fumo da maconha: lobo sob pele de cordeiro



           Não importa se existe uma onda de legalização ou não ao redor do mundo. O consumo da maconha (ou marijuana, ou cannabis) vem aumentando de forma sem precedentes. Nos EUA, pesquisas mostram que mais do que metade da população já consumiu a droga em algum momento da vida e uma grande parcela é usuário frequente. Para quem assiste à séries e outros produtos da mídia norte-americana, já deve ter percebido que hoje o consumo da maconha é algo normal por lá, onde quem não é usuário (frequente ou regular) chega até a ser encarado como um estranho no ninho. Os jovens e adolescentes estão usando a maconha como se estivessem bebendo água. Porém, algo retrógrado está ocorrendo e poucos estão se atentando para isso.

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  LIBERAR OU NÃO LIBERAR?

          Para começar, eu não me preocupo mais se existe polêmica ou não em cima da legalização da maconha. Se o cigarro é legalizado, por que não a marijuana? Tanto a nicotina do cigarro quanto os canabinoides (sendo o THC o princípio ativo mais importante e abundante) presentes na maconha não parecem ser perigosos se consumidos em pequenas quantidades, como normalmente é feito com as práticas usuais de ingestão. Não existem estudos conclusivos mostrando qualquer mal significativo oriundo das quantidades médias absorvidas por estas substâncias pela população. Mesmo que, pela ciência, não é recomendado o consumo desnecessário dessas substâncias, tanto pelo seu caráter viciante quanto por possíveis problemas à longo prazo, elas, provavelmente, não fazem mais mal do que o consumo alcoólico (etanol) além da medida.

          Além do mais, existem tratamentos médicos onde os canabinoides da maconha têm mostrado efeitos positivos em algumas enfermidades (mas é preciso tomar cuidado para não cair na ideia de que os canabinoides são inofensivos, especialmente quando seus efeitos no cérebro ainda não são totalmente compreendidos). Mais uma vez, existem controvérsias quanto à real eficácia em alguns casos, mas as quantidades terapêuticas utilizadas não parecem surtir efeitos negativos no corpo. Então, por que eu estou fazendo este artigo?

O consumo e frequência de uso do fumo da maconha vêm aumentando de forma avassaladora entre os jovens e adolescentes, especialmente no EUA

    FUMO

         O motivo de eu estar fazendo este artigo é o mesmo motivo pelo qual, hoje, existem campanhas contra o FUMO do tabaco (cigarro, charuto, cigarro de palha, narguilé, etc.). Sim, quando as pessoas ouvem falar em benefícios médicos oriundos da utilização dos canabinoides da maconha, elas logo entram em modo absoluto de defesa em relação ao consumo dessa droga. Porém, você não vai ao hospital e vê um monte de pacientes fazendo um ´bonde da fumaça´ dentro das instalações médicas.

           Infelizmente, a maior parte das pessoas absorvem os princípios ativos da maconha através do fumo dessa última. Quem defende o uso medicinal da droga precisa seguir recomendações de doses seguras e métodos de absorção saudáveis, como pílulas ou qualquer outro meio do tipo. Quem defende apenas o uso pelo uso, não importando a forma de entrega da droga, deve entender que os prejuízos causados pelo fumo da maconha podem ser tão ruins quanto os do fumo do tabaco, apesar deste último ser muito mais perigoso por causa do grande vício trago pela nicotina. Estão entendendo agora o problema? As pessoas estão ligando o fumo da maconha a algo saudável ou não prejudicial, de forma parecida com o que estava ocorrendo com o fumo do tabaco em meados dos anos 60.

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          Quando as partes da planta da maconha (flores, folhas, sementes, caule e resinas secas) e o papel usado para enrolá-las são queimadas, o perfil químico da fumaça que é inalada e sai como fumo passivo é muito parecido com o do tabaco, chegando a ser pior em vários aspectos, especialmente por não existir um filtro nesses procedimentos. Quantitativamente, existe bem mais alcatrão sendo ingerido durante o fumo da maconha;  20 vezes, ou mais, de amônia; 3 a 5 vezes mais gás cianídrico, monóxido de nitrogênio, óxidos de nitrogênio (NOx) e algumas aminas aromáticas; e maior concentração de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos na fumaça liberada na ponta do fumo, inalada indiretamente pelo usuário e pelo fumo passivo. Todas essas substâncias são altamente tóxicas para o corpo e comprovados carcinogênicos. E isso sem contar nas milhares de outras substâncias prejudiciais compondo a fumaça, assim como no caso do cigarro de tabaco. Todos elas são produtos de combustão incompleta e pirólise (reações químicas na presença de muito calor mas ausência/muito baixa concentração de oxigênio).

A fumaça do fumo da maconha é tão, ou mais, prejudicial quanto o fumo do tabaco
  
          Bem, comparado com os usuários do fumo de tabaco, os consumidores da maconha normalmente fumam menos cigarros por dia, mas aproveitam mais desses cigarros, além de inalarem mais longamente e profundamente, prendendo a fumaça tóxica no pulmão por mais tempo. Além disso, muitos gostam de fumar em grupo e em locais fechados, o que aumenta a quantidade de fumaça tóxica no ambiente. Substâncias sólidas e gasosas periculosas ficam mais tempo em contato com o delicado tecido pulmonar, assim como outras aéreas do corpo por onde a fumaça passa diretamente ou indiretamente (através da absorção pela corrente sanguínea).

           Pesquisas já comprovaram que a quantidade de monóxido de carbono no corpo após o fumo da marijuana atinge níveis de 4 a 5 vezes maiores do que após o fumo do cigarro, por causa dos hábitos diferenciados de consumo. Para piorar, partículas sólidas de combustão altamente danosas para o tecido pulmonar são inaladas em quantidades também muito maiores por causa da ausência de filtro nos ´baseados´. Apesar de tudo isso, estudos endereçando se o uso regular de maconha como fumo traz maiores riscos de câncer de pulmão são ainda inconclusivos. Um dos principais entraves é a não tão grande quantidade de estudos sobre o tema (ora, a maconha era ilegal em quase todos os países há algum tempo, ficando difícil um estudo em grupos grandes de controle). Porém, pessoa que possuem uma grande tendência genética a desenvolver cânceres no pulmão, ou em outras regiões da via respiratória, incluindo a boca, podem estar acrescentando um forte fator de risco com o fumo.

            A queima de qualquer insumo vegetal na forma irá gerar diversas substâncias perigosas. E as pessoas tendem a atribuir isso somente à fumaça do tabaco. Muitas até acham que a nicotina é o grande problema dos cigarros tradicionais. Não, o problema é a fumaça gerada na queima. Ou seja, estamos retroagindo em relação ao fumo, glamorizando ele novamente baseados em preceitos distorcidos. Quer usar os prováveis benefícios médicos da maconha? Busque apoio médico profissional e métodos de ingestão que não utilizem a fumaça. É preciso tomar cuidado também com ´bolinhos´, ´chocolates´, ou outras formas de ingestão, porque as quantidades colocadas de marijuana podem ser muito grandes e provocar intoxicações.

          Quanto aos cigarros eletrônicos, existem algumas controvérsias ligadas ao seu uso, e pesquisas conclusivas sobre sua segurança ainda não existem. Mas, com base nas evidências científicas reunidas até agora, eles parecem ser uma alternativa relativamente mais segura em comparação com o fumo tradicional, apesar de um estudo recente levantar sérias preocupações quanto ao uso desses produtos (Danos causados pelo cigarro eletrônico parecem ser bem sérios). Porém, é preciso tomar cuidado com uma forma de consumo da marijuana ficando cada vez mais popular: o 'dabbing' ou a vaporização do extrato do cannabis. Essa prática, apesar de não envolver o fumo da maconha, é bastante controversa. Consistindo em colocar pequenas quantidades do extrato de cannabis - a 'dab' - sobre uma superfície aquecida para a inalação do vapor resultante, o processo, além de gerar altos níveis de canabinoides, também produz benzeno e outras substâncias potencialmente cancerígenas (Ref.26).

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         Somando-se a tudo isso, dados mostram que os usuários do fumo da maconha também usam, concomitantemente, bastante álcool e cigarro de tabaco. Achando que o fumo da maconha só estará fazendo bem ou, no mínimo, mal algum, faz o consumo desta aumentar e piorar os danos causados pelas outras drogas. É preciso alertar as pessoas sobre o que é realmente o ´fumo´ e separá-lo dos possíveis benefícios do consumo da maconha. Trabalhos científicos atualmente estão, por exemplo, projetando pílulas e adesivos seguros baseadas nos canabinoides da marijuana para serem utilizados em tratamentos específicos. Além de seguro, reduz-se muito as chances do surgimento de fortes vícios, principalmente porque a grande maioria dessas drogas utilizam substâncias isoladas que não promovem os mesmos efeitos da ingestão completa da marijuana. Isso, sim, seria uma perfeita e correta base de defesa da legalização da maconha. De qualquer forma, em última análise, se as bebidas alcoólicas e tabaco são legalizados, por que não o fumo da marijuana? Porém, é preciso que todos estejam alertas sobre a tóxica fumaça do seu "inofensivo" baseado e outros prejuízos do consumo irresponsável.

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IMPORTANTE: O uso da maconha como alucinógeno, seja como for, traz efeitos parecidos com a da ingestão alcoólica acima do limite de sobriedade. Portanto, não use-a antes de dirigir ou fazer quaisquer outras atividades que precisem do seu censo crítico e motor funcionando em plena normalidade. Esse é mais um motivo de preocupação com o consumo da maconha, e que deve ser visado durante as campanhas em prol da sua legalização.

ALERTA: Para o uso medicinal, é o cannabidiol (CBD) a substância química geralmente visada para tratar problemas de saúde diversos, e não o viciante tetraidrocanabinol (THC). Pesquisas recentes têm mostrado que a maior parte dos produtos sendo vendidos para uso médico, relacionados ao cannabidiol, estão sendo muito pouco regularizados, com muitos contendo quantidades significativas de THC e estas sendo administradas até em crianças. (Ref.27).


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      CONCLUSÕES:

1. Se o cigarro e bebidas alcoólicas são legalizadas, por que não a maconha?

2. Existem vários estudos mostrando efeitos positivos no uso dos canabinoides da maconha no tratamento de enfermidades. Conclusivos? Nem todos, mas as evidências são fortes.

3. Maconha NÃO deveria ser fumada caso o usuário esteja procurando benefícios médicos. Caso contrário, ele poderá estar sob quase os mesmos riscos do fumo do cigarro tradicional. Infelizmente, isto ainda não está no pensamento popular. Caso haja alguma necessidade médica em prescrever vapores da maconha para ser inalado, o mesmo deveria ser feito com métodos de aquecimento que não envolvam a combustão ou as altas temperaturas proporcionadas por esta.

4. Caso o fumo da maconha seja feito de forma bem ocasional, os danos não serão muito significativos (apesar deles existirem). Isso também se aplica ao cigarro, apesar da nicotina contida neste último ter um potencial de vício inúmeras vezes maior. Porém, quem é que consegue controlar o grau de vício individual? O uso recreativo, então, não deveria ser estimulado, apenas o medicinal.

5. O consumo deve ser feito de forma controlada, porque o excesso dos canabinoides,  principalmente o THC (tetrahidrocannabinol) podem ter sérias consequências. Preparados em bolos, chocolates, entre outros, devem ser cuidadosamente medidos, baseando-se em referências médicas, e ter o consumo limitado.

6. Caso esteja fazendo o uso de medicamentos, procure um médico especializado para saber se o consumo da marijuana não irá interferir com os princípios ativos dos mesmos. O cannabidiol (CHB), por exemplo, é um forte inibidor enzimático, e está presente em doses significativas nos extratos da planta da maconha.

7. É sempre preciso ter em mente que, mesmo não sendo conclusivos e criticados por outros especialistas, muitos estudos mostram evidências de danos a longo prazo derivados do consumo da maconha (fumada ou não), independente se o consumo é moderado ou não. É recomendado, portanto, que o seu uso seja feito em pacientes médicos com reais necessidades. De qualquer forma, é só uma recomendação preventiva e não conclusiva.

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COMPLEMENTO DO TEXTO:  Fortes Evidências Positivas no Uso da Marijuana no Tratamento de Enfermidades
  1. Ataques epiléticos, com casos de sucesso no tratamento, usando-se, principalmente, o CHB, sendo que mostrou melhores resultados do que outras drogas parecidas;
  2.   Câncer, em relação ao efeito de aumento da fome nos pacientes com esta doença e diminuição do sofrimento durante as sessões de quimioterapia. Porém, outras drogas podem fazer o mesmo efeito ou até melhor;
  3. Glaucoma, onde os princípios ativos da maconha diminuem a pressão interna do olho (nesse caso, se inalada na forma de vapor). Porém, vários outros medicamentos são melhores e duram mais em termos quantitativos de exposição;
  4. Aids, onde, assim como no câncer, os pacientes ficam mais dispostos a comer e ganhar peso, melhorando os prognósticos da doença;
  5. Esclerose Múltipla, no alívio dos sintomas de rigidez muscular e outros relacionados. E, como existem poucos tratamentos disponíveis para essa doença, o consumo dos extratos da maconha podem ser promissores nessa área;
  6. Dores e inflamações, mas, nesse caso, apenas pequenos efeitos positivos foram encontrados, não sendo muito mais efetivo do que um placebo. Em conjunto com outros medicamentos voltados para esses problemas, no entanto, estudos sugerem que ele melhore o efeito dos mesmos

ATUALIZAÇÃO (30/08/16): Neste ano, mais dois estudos enfatizaram os malefícios do fumo da marijuana/maconha. Um deles, uma revisão sistemática (Ref.22) mostrou que a fumaça da maconha, em seu uso típico, está associada com o aumento dos riscos de vários problemas pulmonares, incluindo câncer, enfisema pulmonar e pneumotórax espontâneo. Além disso, perfis na respiração parecem alterar negativamente, com maior respiração ofegante e/ou ruidosa, testes de função pulmonar alterados, tosses, entre outros. Já o segundo estudo (Ref.23) relatou associação da aspiração da fumaça da maconha com problemas cardíacos e mostrou que o fumo passivo também pode ser bastante perigoso. No geral, foi mostrado um aumento dos riscos de ataques cardíacos com o fumo tradicional de marijuana.

ATUALIZAÇÃO (11/06/17): Um estudo publicado no Journal of Periodontology (Ref.24) mostrou que o uso recreacional frequente de cannabis (fumo) - incluindo marijuana, haxixe e óleo de haxixe - aumenta bastante o risco de desenvolver uma doença periodontal.

A doença periodontal é um conjunto de condições inflamatórias crônicas, e de origem bacteriana, que afeta a gengiva e pode até levar à perda dentária. Atingindo a parte abaixo da linha da gengiva, essa doença também está associada com vários problemas de saúde fora da região dental, como complicações na gravidez e problemas cardíacos.

O novo estudo, realizado por pesquisadores na Escola de Medicina Dentária da Universidade de Columbia, analisou dados de mais de 1983 adultos entre 2011 e 2012, onde aproximadamente 27% dos participantes reportaram o uso de cannabis pelo menos um ou mais vezes por, no mínimo, 12 meses.

Entre os participantes analisados, usuários frequentes de cannabis, em um uso recreativo, tinham mais locais no tecido da gengiva com sinais de moderada à severa doença periodontal do que aqueles que não são usuários. Os fumantes recreacionais de cannabis, no geral, tinham duas vezes mais chance de ter indícios da doença do que aqueles que não fumavam a droga com frequência.

Esse estudo é mais um alerta sobre o uso mais popular da maconha, ou seja, o fumo.

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ATUALIZAÇÃO (12/06/17): Sempre houve dúvidas se a marijuana mostrava efeitos terapêuticos benéficos contra a epilepsia. Agora, na última semana, um rigoroso estudo clínico, publicado no The New England Journal of Medicine (Ref.25) acabou com a dúvida, pelo menos em termos de efeitos a curto prazo.

120 crianças e adolescentes com Síndrome de Dravet, uma devastadora forma de distúrbio epiléptico, receberam uma solução oral de canabidiol, um componente da marijuana, enquanto um grupo de controle recebeu um placebo.

Para aqueles que receberam a solução de canabidiol, o número de ataques epilépticos por mês foram cortados pela metade, na média - com 5% dos pacientes ficando livres dos mesmos no período de estudo -, comparado com um declínio praticamente inexistente no grupo que recebeu o placebo!
Porém, apesar do grande efeito positivo do cannabidiol, algumas crianças tiveram efeitos colaterais fortes o suficiente para fazerem as mesmas abandonarem o tratamento, incluindo vômitos e produção excessiva de enzimas hepáticas.

Os estudos continuam, para analisar os efeitos a longo prazo do canabidiol e o porquê de algumas crianças não encararem bem o tratamento.

OBS.: Notem que a marijuana/maconha nesse caso foi usada de forma realmente medicinal, como um medicamento. Não escolha o uso medicinal sem orientação médica.

ATUALIZAÇÃO (22/09/17): Um estudo publicado na Scientific Reports reforçou o alerta sobre os potenciais perigos do abuso de canabinoides, os quais pode disparar perigosos ataques súbitos no cérebro, baseado em resultados de estudos com ratos. Para saber mais, acesse: Canabinoides da maconha e de sintéticos podem disparar preocupantes ataques súbitos no cérebro

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://oehha.ca.gov/prop65/hazard_ident/pdf_zip/FinalMJsmokeHID.pdf
  2. http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/tx700275p
  3. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16054989
  4. http://www.scientificamerican.com/article/can-cannabis-treat-epileptic-seizures/
  5. http://www.scientificamerican.com/article/how-medical-marijuana-s-chemicals-may-protect-cells/
  6. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3358713/
  7. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1311782/?page=4
  8. http://link.springer.com/article/10.1007/s10552-013-0259-0#/page-1
  9. http://www.drugabuse.gov/publications/drugfacts/marijuana-medicine
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  11. http://www.scientificamerican.com/article/medical-marijuana-how-the-evidence-stacks-up/
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  13. http://journals.lww.com/co-pulmonarymedicine/Abstract/2014/03000/Marijuana_and_lung_diseases.10.aspx 
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  15. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0749379715003207
  16. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ijc.29036/full
  17. http://link.springer.com/article/10.1007/s10552-013-0259-0
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  19. http://europepmc.org/abstract/med/25012035
  20. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/resp.12308/full
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  22. http://rc.rcjournal.com/content/early/2016/08/09/respcare.04846.abstract
  23. http://jaha.ahajournals.org/content/5/8/e004004.short
  24. http://www.joponline.org/doi/abs/10.1902/jop.2016.160370?journalCode=jop
  25. http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1611618#t=articleMethods
  26. https://www.pdx.edu/news/portland-state-study-links-cancerous-toxins-cannabis-extract
  27. https://www.pennmedicine.org/news/news-releases/2017/november/penn-study-shows-nearly-70-percent-of-cannabidiol-extracts-sold-online-are-mislabeled