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Os cigarros eletrônicos são realmente seguros?

     
- Artigo atualizado no dia 13 de outubro de 2019 -

          IMPORTANTE: Grávidas e crianças NÃO devem ficar expostos aos vapores dos cigarros eletrônicos!

         Muita gente confunde, mas o que causa toda a toxidade cancerígena do cigarro é a inalação da fumaça gerada pela queima do tabaco, e não a nicotina, a qual não tende a trazer danos significativos à saúde de adultos em pequenas quantidades. A nicotina é, no geral, "apenas" responsável pelo vício durante o fumo de tabaco, mas a sua toxicidade pode ser extremamente prejudicial em certas situações, como na gravidez e na infância, independentemente da quantidade. Nas crianças, ela afeta o desenvolvimento cerebral. Na gravidez, diversos problemas podem atingir o feto em desenvolvimento. Três estudos recentes reforçam o quão prejudicial a nicotina pode ser durante a gravidez:

I. O primeiro estudo publicado na Stem Cell Reports (Ref.33) mostrou que 3 semanas de exposição das células embrionárias do feto à nicotina danifica a comunicação celular, diminui a sobrevivência das células, e altera a expressão de genes que regulam funções críticas, como as contrações do músculo cardíaco.

II. O segundo estudo, publicado no periódico Pediatrics (Ref.35) mostrou que a exposição do feto à nicotina aumenta em até três vezes o risco de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

III. Já o terceiro estudo, publicado no periódico HeartRhythm (Ref.39) mostrou que a exposição do feto à nicotina pode aumentar substancialmente o risco da síndrome da morte súbita infantil, ao causar alterações de longo prazo na corrente cardíaca de sódio. Essas alterações podem prejudicar a resposta do músculo cardíaco à adrenalina e explicar porque alguns bebês não acordam ("reflexo de ressurreição") durante um evento sufocante de apneia.

          Existem várias alternativas para cortar o fumo do tabaco sem remover o consumo de nicotina, como chicletes, adesivos, e o recente cigarro eletrônico (ou e-cigarro), o qual foi introduzido no mercado em 2007 e vem crescendo colossalmente em vendas nos EUA e já considerado uma moda na Europa. Além de supostamente não aumentarem o risco de doenças cancerígenas relacionadas ao uso do cigarro de tabaco tradicional, os preços do e-cigarro acabam sendo mais lucrativos ao consumidor a longo prazo. Hoje a indústria do e-cigarro - em grande parte pertencente à indústria do tabaco - é um negócio multi-bilionário, associado a um mercado global de US$10 bilhões  (56% desse mercado presente apenas nos EUA) em 2015. Porém, todo esse sucesso vem atraindo não só fumantes a experimentarem o produto, mas também não fumantes. Nesse sentido, torna-se mais do que pertinente a pergunta: essa alternativa ao fumo é segura?

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   CIGARRO ELETRÔNICO

          O cigarro eletrônico é um dispositivo cujo objetivo é mimetizar o 'ato' de fumar. Um dos maiores problemas das outras formas de absorver nicotina é a falta de se ter um cigarro na mão sendo tragado. O cérebro condiciona o ato de assimilar nicotina com a ação de puxar a fumaça do cigarro e ter este em mãos, deixando as pessoas viciadas geralmente em um grande estresse quando apenas mascam um chiclete de nicotina ou colocam os adesivos na pele contendo essa substância. O cigarro eletrônico acaba com parte desse problema, pois no seu interior é gerado um vapor de uma solução de líquidos orgânicos (majoritariamente, propileno glicol), os quais arrastam a nicotina a ser aspirada pelo usuário, imitando o trabalho e a forma da fumaça, mas com a vantagem de ser, alegadamente, muito menos tóxico aos pulmões e outros tecidos do corpo. Além disso, esses dispositivos possuem a forma física e outras características visuais de um cigarro comum, mimetizando ainda mais o antigo hábito. O aparelho também pode ser usado para outras drogas, como a marijuana, eliminado a necessidade de queimar o baseado.

O cigarro eletrônico pode ser dividido em quatro partes: A. Normalmente onde fica um LED vermelho para imitar o brilho vermelho intenso (queima) na ponta causado pela aspiração do cigarro comum; B. É onde fica a bateria; C. É onde fica a mistura líquida do solvente e nicotina, o qual será aquecido por meio de um aquecedor alimentado pela bateria; D. É onde o vapor produzido será aspirado.

          Um estudo publicado recentemente no New England Journal of Medicine (Ref.31) encontrou que os cigarros eletrônicos são quase duas vezes mais efetivos em ajudar os fumantes de cigarros tradicionais a abandonarem o hábito. Analisando dois grupos de 886 voluntários fumantes, aleatoriamente distribuídos, 18% daqueles usando o e-cigarro alcançaram a abstinência do cigarro dentro de 1 ano, enquanto 9,9% alcançaram a abstinência com tratamentos tradicionais. No grupo usando tratamentos tradicionais, a escolha do método de entrega da nicotina (sprays, chicletes, adesivos, etc.) ficou a escolha de cada voluntário. Ambos os grupos receberam suporte comportamental de especialistas.

           No entanto, um estudo prévio realizado por pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio, EUA, e publicado no periódico Nicotine & Tobacco Research (Ref.38), analisando 617 usuários de tabaco, não encontrou diferenças na taxa de abandono dos cigarros tradicionais entre aqueles utilizando apenas cigarro e aqueles utilizando tanto cigarro quanto e-cigarro ao final de 18 meses. Enquanto que nos primeiros 6 meses aqueles usando ambos os produtos conseguiram abandonar o cigarro mais facilmente do que aqueles não usando e-cigarro, no final de 18 meses a taxa daqueles que conseguiram abandonar o cigarro não foi diferente entre os dois grupos. Segundo os pesquisadores, a diferença inicial observada pode ser devido ao maior interesse dos participantes em abandonarem o fumo, mas com esse desejo perdendo a força a longo prazo. Muitos que tinham abandonado o cigarro ao utilizarem o e-cigarro acabaram voltando ao fumo.

          De qualquer forma, em ambos os estudos os pesquisadores reforçaram que os riscos à saúde associados ou potencialmente atribuídos aos cigarros eletrônicos não podem ser ignorados.

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   DISPOSITIVOS SEGUROS?

             Independentemente da eficácia dos e-cigarros nas tentativas de abandono do cigarro tradicional, existem muitas controvérsias relacionadas à promoção dos e-cigarros para esse fim, começando pelo fato do vício das substâncias ativas continuar, em especial a nicotina. Além disso, existe a tendência dos fabricantes, ilícitos ou não, em aumentarem a quantidade de nicotina nos cigarros eletrônicos, tanto para manter um público mais cativo quanto por pura negligência,  aumentando a toxicidade desse composto no organismo. Esse último problema torna-se pior ainda quando passamos a considerar outras drogas mais fortes - adicionadas e-cigarro para serem inaladas - e a falta de uma fiscalização rígida por parte dos órgãos reguladores. E o líquido contendo a nicotina dentro dos dispositivos pode ser acidentalmente ingerido ou acabar caindo sobre a pele se vazado. Com isso, altas doses de nicotina podem acabar sendo absorvidas pelo corpo, o que pode causar problemas graves. Acidentes como este já foram registrados e geraram grandes danos aos usuários.
 
Sem uma suficiente fiscalização, e limites impostos por lei, os líquidos de vapor podem conter quantidades excessivas de nicotina ou presença de outras substâncias nocivas; além disso, acidentes de ingestão ou contato na pele com eles são comuns e perigosos

          Somando-se a isso, é geralmente subestimado ou ignorado que e-cigarros que funcionam a base de bateria de lítio frequentemente entram em combustão e/ou explodem quando essas falham. Segundo um estudo publicado no periódico Tobaco Control da BMJ (Ref.37), só nos EUA, de 2015 a 2017, foram reportados 2035 visitas a departamentos médicos de emergência por causa de acidentes desse tipo. E como nem todas as pessoas que sofreram danos desses acidentes vão ao serviço médico, esse número é provavelmente ainda muito subestimado. As explosões dos e-cigarros já resultaram em danos severos, incluindo queimaduras de terceiro grau, lacerações, perda de partes corporais (incluindo olho, língua e dente), e até mesmo morte.

          Saindo do campo de acidentes de uso, a simples ideia de que o e-cigarro pode ser mais saudável do que o fumo tradicional é suficiente para atrair um número gigante de novos usuários, criando ainda mais viciados. As pessoas que antes ficavam receosas em começar o vício por causa da fumaça altamente cancerígena do cigarro comum, acabam sendo incentivadas a entrar na onda dos cigarros eletrônicos, principalmente pelo fato da maioria vendê-los como algo perfeitamente saudável. Isso pode ainda induzir futuros usos de outros produtos contendo nicotina por esses usuários, como o próprio cigarro. Um estudo recentemente publicado no PLOS ONE (Ref.27), por exemplo, mostrou que o número de adultos que saem do vício do cigarro com o uso dos cigarros eletrônicos não é muito significativo a longo prazo (> 1 ano) e que 1,5 milhões de anos de vida podem ser perdidos por causa do crescente aumento de usuários adolescentes e jovens adultos desses dispositivos que eventualmente se tornarão fumantes de cigarros tradicionais.
 
         Continuando a lista das controvérsias, temos a questão dos anúncios irresponsáveis. Fabricantes inescrupulosos estão investindo pesado em propagandas que possuem adolescentes e pré-adolescentes como alvo, produzindo líquidos de vaporização com odores doces e atrativos aos jovens. O objetivo, claro, é produzir fiéis (viciados) consumidores adultos. Segundo o FDA (Agência de Drogas e Alimentos dos EUA) (Ref.21), em 2018 o número de estudantes do ensino fundamental e médio nos EUA usando os cigarros eletrônicos atingiu a absurda marca de 3 milhões. Atualmente, cerca de 1 em cada 4 estudantes Norte-Americanos finalizando o ensino médio são usuários desses produtos, representando um aumento de uso sem controle e mais uma horda de futuros viciados em nicotina. Entre os jovens em geral, nos EUA, o uso dos e-cigarros aumentou cerca de 900% entre 2011 e 2015. Desde 2017, o número de adolescentes usando esses produtos dobrou (Ref.44). Ações mais rígidas estão entrando em vigor nos EUA e em diversos outros países onde o número de usuários desses aparelhos explodiu. As propagandas cada vez mais pesadas realçando a suposta segurança no consumo desses produtos está incentivando cada vez mais pessoas a se tornarem novos viciados.

            E sobre os vapores gerados nesses produtos, muitos especialistas apontam que não existem estudos suficientes para atestar o nível de segurança deles quando em contato com o interior do corpo humano. Aliás, muitos trabalhos científicos praticamente já estabeleceram a ligação entre a exposição do vapor desses produtos a células humanas e o risco aumentado de cânceres e problemas cardiovasculares (1). Outros trabalhos, mostraram que quanto maior a tensão ("voltagem") aplicada no e-cigarro - a maioria dos dispositivos disponibilizam tensões entre 3,5 e 5V, sendo estes valores diretamente proporcionais à quantidade de vapor e, consequentemente, de nicotina/etc. sendo inalados - , maiores as quantidades de formaldeído produzidas, substância a qual é cancerígena. Outros componentes tóxicos são também apontados  pelas agências internacionais de saúde como constituintes do vapor gerado pelos cigarros eletrônicos, como nitrosaminas, dietileno glicol, partículas de metais (como o cobre) e oxidantes. E, por enquanto, não existem estudos de longo prazo (vários anos de contínuo uso) para avaliar os potenciais malefícios da exposição crônica ao vapor.

O cigarro eletrônico imita o ato do fumo, iludindo o cérebro, e evita a fumaça da combustão; mas será que esses vapores são totalmente inofensivos?

          E não só o vapor do e-cigarro é tóxico. Os flavorizantes quase sempre utilizados junto com esses produtos - primariamente diacetil e 2,3-pentanediona - são também potencialmente tóxicos. Um estudo publicado recentemente no periódico Scientific Reports (Ref.34) mostrou que células epiteliais expostas a esses compostos podem ser danificadas via mudança na expressão de genes que interferem na função e na produção de estruturas ciliadas vitais para o tecido pulmonar. Já um estudo publicado no JAMA Internal Medicine (Ref.44) encontrou que três principais marcas de cigarro eletrônico forneciam líquidos de recarga com altos níveis de um aditivo alimentar banido e potencial carcinogênico em humanos, conhecido como pulegona.

          E a falsa sensação de segurança passada pelo marketing desses produtos leva muitos pais a ignorarem a presença dos filhos ou do ambiente familiar na hora de usarem o e-cigarro, expondo grávidas, crianças e até mesmo animais domésticos à nicotina e aos vapores tóxicos. Um estudo recente publicado na Pediatrics (Ref.36) mostrou que apenas 19% dos usuários exclusivos de e-cigarros e 21% dos usuários de e-cigarros e cigarros tradicionais - de um grupo de 750 participantes Norte-Americanos - não utilizam o dispositivo dentro de casa, junto às crianças. E 56% dos usuários de ambos os grupos reportaram usar o e-cigarro inclusive dentro do carro com a família.

         (1) ATENÇÃO: No final deste artigo, atualizações estão sendo feitas sobre o tema, destacando novos estudos sobre a segurança dos cigarros eletrônicos. O acúmulo de evidências até o momento mostram que esses produtos estão longe de serem seguros, e inclusive alguns questionam se eles são uma melhor alternativa para quem quer largar o cigarro tradicional.


> MISTERIOSA DOENÇA PULMONAR

           Especialistas estão investigando uma grave e misteriosa doença pulmonar que vem fazendo centenas de vítimas ao longo dos EUA e que está diretamente ligada ao uso de e-cigarros. Segundo o CDC (Centro de Controle e de Doenças dos EUA) (Ref.40), desde o final de junho já foram acumulados 1299 casos registrados da doença em 38 estados. Desse total, 26 mortes foram confirmados. Vários dos casos envolvem a aspiração, via vapor dos solventes orgânicos do e-cigarro, de THC, o principal componente ativo da maconha. porém, casos também foram registrados entre usuários de THC e de nicotina, e entre aqueles que reportaram uso apenas de nicotina.

          Os pacientes vítimas da misteriosa doença tinham idades entre 17 e 38 anos, a maioria homens. Os sintomas apresentados incluem tosse, dor no peito, febre, dificuldade respiratória, fatiga e, em alguns casos, vômito e diarreia. Os sintomas estão se desenvolvendo de forma aguda (alguns dias) ou de forma crônica (semanas). Muitos pacientes sofreram graves colapsos pulmonares e precisaram de intubação e ventilação mecânica.. Não existem evidências de uma doença de natureza infecciosa - causada por vírus ou bactérias, por exemplo - como responsável, mas todas possuem uma causa comum e estão provavelmente associadas com exposição de agentes químicos, segundo o CDC.

          Autoridades já ordenaram testes de laboratório dos líquidos usados para a geração de vapor dos e-cigarros usados pelos enfermos visando a a identificação de componentes tóxicos para o tecido pulmonar. Um dos suspeitos é a vitamina E, mas nenhum composto específico comum para todos os casos foi ainda identificado. Existe também um "mercado negro" para a venda de recargas contendo THC para esses produtos, onde muitas são suspeitas de não serem reguladas.

         Ainda não existe uma definitiva e sólida relação de causalidade entre a misteriosa doença e os e-cigarros, porém as evidências até o momento claramente corroboram esse cenário. Todos os pacientes possuem um histórico de uso do produto 90 dias antes da doença ter se manifestado e alguns relataram terem manifestado os sintomas respiratórios no dia seguinte à utilização dos e-cigarros, ou ao longo de poucos dias durante o uso. E é possível que os casos reportados possam estar ocorrendo bem antes da investigação do CDC ter sido iniciada, e não terem sido reportados ou associados aos e-cigarros. E lembrando que danos pulmonares de moderados a graves, e outros efeitos adversos à saúde, comprovadamente infligidos pelos e-cigarros têm sido reportados por inúmeros estudos.

          Análises dos casos também mostraram padrões patológicos associados ao uso do e-cigarro, incluindo pneumonia eosinofílica aguda, dano alveolar difuso, e pneumonia lipoide (Ref.41). Outros tipos de danos também foram encontrados, como pneumonites de hipersensibilidade, hemorragia alveolar difusa e pneumonia intersticial de células gigantes. Médicos tratando os pacientes atingidos pela doença - sendo referenciada como Vaping-Induced Lung Injury, devido à óbvia ligação com os e-cigarros - estão emitindo alertas reforçando que os e-cigarros não são produtos inofensivos e que as pessoas devem evitar utilizá-los.

         Na atualização mais recente, um reporte no periódico New England Journal of Medicine (Ref.43), médicos identificaram uma característica antes não reconhecida nos pacientes afetados pela misteriosa doença. Dentro dos pulmões desses pacientes foram observadas grandes células imunes contendo numerosas gotas oleosas, chamadas de macrófagos lipídio-carregados.



          O achado vai permitir que os médicos identifiquem pacientes com a doença mais rapidamente e também pode ajudar a elucidar a causa específica da condição. Poderiam os macrófagos estarem limpando resíduos introduzidos pelos vapores do e-cigarro? Seria uma nova forma de pneumonia lipoide engatilhada pelo e-cigarro?

          Porém, um estudo realizado por pesquisadores da Mayo Clinic, analisando a biópsia do tecido pulmonar de 17 pacientes, todos suspeitos de terem desenvolvido a doença associado aos e-cigarros, não encontrou evidência de danos causados pela acumulação de lipídios, e, sim, danos químicos diretos, similares aqueles em indivíduos expostos a fumaças tóxicas, gases venenosos e agentes tóxicos. Os pesquisadores mais uma vez alertaram sobre os perigos dos e-cigarros, cujos líquidos de vaporização podem conter qualquer coisa, especialmente porque não são minimamente regulados. Os achados foram publicados no periódico NEJM (Ref.46). Outro estudo também no mesmo periódico (Ref.47) analisando 19 imagens de tomografia computadorizada sugeriu diferentes mecanismos de danos, o que corrobora talvez um cenário com múltiplos agentes tóxicos (incluindo o acúmulo de lipídios).

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> Para quem possui um bom domínio de inglês, vídeo da University of Utah Health, onde médicos e pacientes descrevem a doença e alertam sobre os perigos do e-cigarro: U of U Health
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   CONCLUSÃO

          Analisando a atual situação dos e-cigarros, é difícil chegar a uma conclusão óbvia. Se houvesse uma rígida fiscalização e restrição de uso somente aos já viciados no cigarro comum, seria até plausível a aceitação e promoção dos cigarros eletrônicos, porque estaríamos encarando esses aparelhos como um auxiliar no tratamento do vício e um possível minimizador das doenças cancerígenas fomentadas pela queima do tabaco. Porém, muitos novos viciados em nicotina estão sendo iniciados através desses produtos, especialmente entre os adolescentes. E existem várias evidências de que a indústria do e-cigarro está acobertando e buscando conscientemente esse público mais jovem e ainda não escravizado pela nicotina. A situação piora com o recente surto da misteriosa doença pulmonar afetando inúmeros usuários ao longo dos EUA.

          No final, vale lembrar que drogas viciantes serão sempre drogas viciantes. Quando um indivíduo está preso e zumbificado a algo, aproveitadores sempre surgirão e tentarão vender seu produto de qualquer maneira, não importando o mal associado. A única maneira de combater  o vício é prevenindo-o através da conscientização da população desde a infância. Dica: entre escolher o cigarro comum e o eletrônico, escolha não começar a fumar.



Propaganda típica dos cigarros eletrônicos: "Fumar não é mais bacana... Faça a troca para os cigarros eletrônicos" Quem dera se o marketing ficasse só focado nessa 'troca'

IMPORTANTE: Grávidas não devem usar esses produtos por causa dos efeitos adversos que a nicotina pode ter sobre o feto, sem contar outras toxinas potencialmente danosas ao corpo que estão presentes no vapor gerado pelo aparelho. O mesmo vale para crianças.

OBSERVAÇÃO: Aproveitando o assunto, é bom esclarecer algo importante. Muitos acham que o cigarro de palha, só por ser feito de modo natural, é mais benéficos ou até mesmo completamente inofensivo à saúde. Ledo engano. Os cigarros de palha por não possuírem filtro fazem mais partículas tóxicas irem direto para o seu corpo. Além disso, eles possuem quantidades muito maiores de nicotina do que o cigarro comum, causando uma maior dependência e envenenamento causados pela substância em excesso. Conclusão: eles acabam sendo até piores do que o seu primo industrializado.  A única "vantagem" do cigarro de palha é que estes tendem a ficar apagando toda hora, porque a palha de milho usada para embalá-lo é péssima para manter uma combustão contínua. Isso induz o usuário a não consumi-lo à exaustão. E esse alerta também é válido para o fumo da maconha (Sugestão de leitura: Fumo e uso recreativo da maconha: Lobo sob pele de Cordeiro).

       
- ATUALIZAÇÕES -

ATUALIZAÇÃO (30/08/16): Especialistas continuam reforçando que grávidas não devem usar o e-cigarro. A falsa e pesada propaganda de total segurança no uso desses aparelhos pode induzir mães já viciadas na nicotina a usarem o aparelho pensando não estarem fazendo mal ao seu feto, algo longe da verdade. A nicotina entrando no corpo, sob quaisquer formas, pode comprometer o desenvolvimento saudável do feto. (Ref.22)

ATUALIZAÇÃO (27/11/16): Pesquisadores reforçam que ainda existem escassos estudos avaliando a segurança dos e-cigarros, especialmente relativo aos efeitos a longo prazo. E como o uso dos mesmos está em crescimento quase exponencial, especialmente entre jovens, e que substâncias potencialmente nocivas já foram identificadas no vapor do e-cigarro, é urgente que mais estudos analisem a situação. Apesar disso, muitos concordam que esses aparelhos podem ser uma boa alternativa para fumantes que querem parar com o hábito. (Ref.23)

ATUALIZAÇÃO (01/12/16): Pesquisas recentes mostram que uma boa parte dos adultos não sabem que expor crianças pequenas aos vapores do e-cigarros faz mal ao corpo delas. Mesmo não liberando as fumaças tóxicas causadas pela combustão do tabaco, os vapores dos cigarros eletrônicos carregam nicotina, a qual, além de ser inalada pelas crianças (e tende ser bem tóxica para elas), se acumula nas superfícies da casa e outros locais fechados, e podem ser ingeridas por elas ao manusear objetos diversos. As agências de saúde ao redor do mundo pedem que o uso dos e-cigarros não seja feito perto de crianças ou em ambientes fechados onde elas se encontram. Isso sem contar que ainda é incerto se os vapores dos líquidos desses dispositivos causam danos ao organismo a longo prazo.

Outro perigo é deixar os carregadores e cigarros eletrônicos perto delas, já que o líquido dentro deles, contendo alta concentração de nicotina, pode ser ingerido e causar sérios danos à saúde. Além disso tudo, é sempre um mau exemplo consumir substâncias de vício perto de crianças. (Ref.25)

ATUALIZAÇÃO (17/02/17): Um estudo avaliando a presença de 5 metais tóxicos e carcinogênicos (chumbo, cádmio, manganês, níquel e cromo) em 5 das mais populares marcas de e-cigarros nos EUA, encontrou todos eles nos líquidos de vaporização desses aparelhos. Os  pesquisadores envolvidos pedem mais estudos para avaliar o problema e se as quantidades encontradas caracterizam os e-cigarros como uma importante fonte desses metais (Ref.24). Bem, e isso acaba sendo fruto da falta de fiscalização em cima desses produtos, o que aumenta ainda mais a preocupação dos órgãos de saúde com a enorme e crescente demanda pelos mesmos.

ATUALIZAÇÃO (22/10/17): Um novo estudo traz achados mais do que preocupantes: Os cigarros eletrônicos parecem causar danos bem sérios

ATUALIZAÇÃO (29/12/17): Um novo estudo realizado por pesquisadores da Medical University of South Carolina (Ref.26) encontrou que fumantes do cigarro tradicional que começaram a usar o e-cigarro tendem a fumar menos cigarros e uma maior vontade de largá-los. Porém, os autores do estudo também avisam que o e-cigarro só deveria ser usado por fumantes de cigarro que desejam parar e não para uso de pessoas que nunca fumaram, já que esses produtos não são seguros para saúde. Além disso, eles frisaram que faltam estudos avaliando efeitos de longo prazo desses produtos eletrônicos.

ATUALIZAÇÃO (08/02/18): Pesquisadores mostram que o vapor do e-cigarro cria um ambiente ideal para a instalação de infecções graves no trato respiratório, como a pneumonia. Para mais informações, acesse: O cigarro eletrônico parece aumentar os riscos de infecções respiratórias graves

ATUALIZAÇÃO (27/04/18): O FDA (Agência de Drogas e Alimentos dos EUA), através do Youth Tobacco Prevention Plan - cujo objetivo é impedir o uso/acesso de produtos de tabaco pelos menores de idade - já começou a agir para tentar combater a crescente e preocupante epidemia no uso de cigarros eletrônicos pelas crianças e adolescentes. A marca JUUL é a principal sendo investigada e recebendo imposições para que o marketing dos seus produtos seja modificado. O e-Bay e outros locais ou sites de venda também estão sendo obrigados a implantar ações que previnam a promoção e venda de e-cigarros para os menores de idade. Os pais precisam estar bem atentos, porque o uso dos e-cigarros é difícil de ser identificado por que não deixam cheiros característicos (são aromatizados com diferentes sabores) e seus aparelhos fáceis de serem camuflados.

ATUALIZAÇÃO (15/06/18): Acesse: Mais dois estudos reportam efeitos colaterais danosos gerados pelos cigarros eletrônicos

ATUALIZAÇÃO (17/07/18): Acesse: Novo estudo encontra que os cigarros eletrônicos podem aumentar os riscos de problemas cardiovasculares tanto quanto os cigarros tradicionais

ATUALIZAÇÃO (15/08/18): Acesse: Vapor do cigarro eletrônico parece aumentar a inflamação e diminuir a imunidade no pulmão

ATUALIZAÇÃO (27/08/18):
Acesse: Cigarros eletrônicos dobram o risco de ataques cardíacos e podem gerar sérios danos no DNA

ATUALIZAÇAÕ (13/09/18): Acesse: Substancial quantidade de cancerígenos fica retida no trato respiratório após uso do cigarro eletrônico

ATUALIZAÇÃO (13/09/18): O FDA (Ref.28) declarou esta semana que o enorme número de novos usuários adolescentes de cigarros eletrônicos no território Norte-Americano - para os quais a venda desses produtos é proibida - chegou a um ponto onde a situação já pode ser tratada como uma epidemia. O alarmante problema vinha sendo ignorado - provavelmente de forma proposital - pela indústria dos e-cigarros, o que levou ao FDA a finalmente se levantar furiosamente.

Segundo o chefe do FDA: "A trajetória perturbante e acelerada de uso que nós estamos vendo na juventude, e o caminho resultante para o vício, precisa acabar. Eu tenho alertado a indústria do e-cigarro há mais de 1 ano de que eles precisavam fazer muito mais para barrar a tendência de uso entre os adolescentes. Na minha visão, eles trataram esse problema mais como um desafio de relações públicas do que seriamente considerando suas obrigações legais, a saúde pública, e a ameaça existente ligada a esses produtos. Bem, eu estou aqui agora para dizer a eles que o limite se esgotou."

O FDA disse que mais de 1100 cartas de alerta foram emitidas para lojas sobre a venda ilegal de e-cigarros para menores de idade, incluindo também a emissão de multa para outras 131 lojas.

Cinco dos maiores produtores de e-cigarro - JUUL, Vuse, MarkTen, blu e-cigs, e Logic - precisam também reportar à agência dentro de 60 dias com planos para adereçar o problema, ou lidará com sérias penalidades. Uma delas, a JUUL - a qual já está sob investigação do FDA sobre suas práticas de mercado - disse que irá "trabalhar proativamente com o FDA em resposta ao alerta." A companhia, aliás, defende o uso de flavorizantes, (como manga, menta, chocolate, etc.) porque isso estaria ajudando os adultos a pararem de fumar.

ATUALIZAÇÃO (25/09/18): Um estudo publicado no JAMA (Ref.29) mostrou que aproximadamente 1 em cada 11 estudantes Norte-Americanos do ensino básico e médio usaram cannabis (maconha) nos cigarros eletrônicos em 2016. Entre os usuários de cigarros eletrônicos, quase 1 em cada 3 estudantes de nível médio e quase 1 em cada 4 estudantes de nível básico reportaram o uso de cannabis nos cigarros eletrônicos. Isso acrescenta mais riscos aos e-cigarros, especialmente considerando os incertos efeitos adversos dos componentes da maconha no sistema neurológico de indivíduos em fase importante do crescimento.

ATUALIZAÇÃO (20/02/19): Acesse: Cigarros eletrônicos geram várias desregulações moleculares ligadas ao câncer

ATUALIZAÇÃO (01/03/19): A gigante Imperial Brands está produzindo mais um produto eletrônico de nicotina para ser lançado no mercado (Ref.32). Chamado de HTP (Heated Tobacco Product), o dispositivo aquece extratos do tabaco e promete a emissão de nicotina com aparente menos potencial de danos (~99% menos poluentes detectados), similar ao marketing dos cigarros eletrônicos. Ou seja, mais um produto visando formar mais jovens viciados, mascarado de "auxiliar para os fumantes que buscam parar de fumar". E, claro, sem estudos clínicos de médio e longo prazo avaliando o real potencial de dano desses dispositivos.



> Artigo Relacionado: Tabaco sem fumo: seguro?


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
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