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O narguilé é menos prejudicial do que o cigarro?


- Artigo atualizado no dia 10 de fevereiro de 2018 -


          O narguilé - também conhecido como 'shisha' - consiste em inalar a fumaça do tabaco e de outras substâncias aromáticas (as quais conferem sabores diferenciados à fumaça e fica à escolha do consumidor) através de mangueiras que ficam conectadas a uma espécie de jarro. Esse jarro contém água e é por onde a fumaça passa antes de chegar à boca do usuário (estrutura azul na imagem ao lado). Essa é uma popular forma de uso do tabaco que vem sendo utilizado há séculos na África, no Oriente Médio e em certos países da Ásia (1). Estima-se que cerca de 100 milhões de pessoas no mundo utilizem o narguilé e sua popularidade vêm crescendo enormemente, especialmente entre os jovens. Muitos acreditam piamente que a fumaça dessa forma de fumo é bem menos tóxica do que a dos cigarros comuns, supostamente não causando danos significativos ao corpo. Mas aí está o grave engano.

         Em um maior detalhamento do funcionamento do narguilé mais convencional e disseminado (hookah), este inclui um fornilho ou vaso para o tabaco (no qual o tabaco é colocado), um corpo, um vaso para água, uma mangueira e um bocal. Os furos no fundo do fornilho permitem que a fumaça passe no canal central do corpo que é submerso em água (ou álcool, ou refrigerante), enchendo o vaso de água até a metade. a mangueira de couro ou plástico sai do topo do vaso de água e termina com um bocal, que o fumante usa para inalar. Uma pedra ou um briquetea de carvão é instalado na parte de cima do fornilho cheio de tabaco, geralmente separado do tabaco por uma folha de alumínio perfurada. Depois de o fornilho ser carregado e o carvão aceso, o fumante inala pela mangueira, aspirando o ar de dentro e ao redor do carvão. O ar quente resultante, que também contém produtos da combustão do carvão, passa então pelo tabaco que, ao ser aquecido, produz a fumaça principal, esta a qual passa pelo corpo do narguilé, borbulha na água do vaso e é carregada pela mangueira até o fumante. Em uma sessão de narguilé, os fumantes normalmente reabastecem e ajustam o carvão para manter o sabor e a concentração de fumaça desejados. Para tanto, podem deixar uma pilha de carvão aceso em uma caldeira próxima - o que pode representar um risco adicional de inalação -, ou podem optar por briquetes que são mais convenientes e fáceis de acender (uso de isqueiro, por exemplo).

         A "filtragem" que ocorre no narguilé através desse processo é mínima, retirando com significativa importância apenas algumas partículas sólidas da fumaça, esta a qual continua contendo quase o mesmo potencial cancerígeno do cigarro tradicional. E a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma: o narguilé pode fazer até mais mal do que o fumo tradicional! Por quê? Cada seção de inalação costuma durar entre 20 e 60 minutos e o resultado disso é que cada rodada pode ter o poder de 100 a 200 cigarros! Quantidades enormes de substâncias cancerígenas e sufocantes (como o monóxido de carbono) acabam sendo mandadas direto para o pulmão e, subsequentemente, para a circulação sanguínea da pessoa.

           Portanto, não é recomendado o consumo nem esporádico de narguilé. Infelizmente, aqui no Brasil, quase 300 mil pessoas admitem usar o método de fumo segundo pesquisas recentes. Além disso, o número de usuários jovens (entre 18 e 24 anos) mais do que dobrou nos últimos anos. E é válido até reforçar: qualquer ato de fumo que envolva queima de substâncias orgânicas é prejudicial. Alguns fabricantes até mesmo chegam a vender misturas de ervas para serem usados no narguilé ao invés do tabaco - menos comum -, alegando que os efeitos tóxicos foram eliminados, sendo que isso passa longe da verdade, porque a queima de carvão sob altas temperaturas continua.

          Infelizmente, por causa dos cheiros agradáveis geralmente utilizados no narguilé - aromas de frutas, mentolado, etc. - a fumaça passa um ar de 'mais inofensiva'. Isso incentiva os fumantes diretos e os passivos a ficarem mais tempo suportando a nuvem tóxica se acumulando no ambiente, algo até mesmo perigoso em locais fechados e com pouca ventilação (intoxicação com o monóxido de carbono). Muitos especialistas até pedem que os governos proíbam a aromatização desses produtos. Além disso, os acessórios do narguilé são vendidos geralmente sem alertas de riscos à saúde, e muitos ainda até trazem alegações sem base científica de que conseguem reduzir a nocividade da fumaça. Isso sem contar propagandas sem sentido que trazem afirmações do tipo “natural” ou “não contém produtos químicos”. Outras propagandas populares mostram narguilés feitos de coco ou abacaxi e chegam até mesmo a colocar "nenhuma árvore foi cortada para fazer o produto", tudo para tentar enganar o consumidor.



          Para exemplificar a preocupação das autoridades de saúde, um estudo em 2010 (Ref.8) encontrou os seguintes teores na fumaça desses produtos: CO/monóxido de carbono -150 mg, nicotina – 4 mg e alcatrão – 602 mg. São valores muito superiores aos de referência para cigarros (CO - 10 mg, nicotina - 1 mg e  alcatrão - 10 mg de CO). Sendo assim, temos um valor 15 vezes maior de CO, 4 vezes maior de nicotina e 60 vezes de alcatrão, no narguilé em relação ao cigarro. Outro estudo de 2005 (Ref.8) apresenta valores semelhantes (2,94 mg de nicotina, 802 mg de alcatrão e 145 mg de CO). Esse último estudo aponta, ainda, uma presença significativa de poli-cíclico aromáticos (conhecidos agentes carcinogênicos) na fumaça do narguilé. Um estudo publicado em 2012 (Ref.9) já sugeria que a intoxicação pelo monóxido de carbono após a utilização do narguilé pode aumentar o risco de acidentes no trânsito devido à hipóxia cerebral (diminuição do oxigênio sanguíneo no cérebro), já que pode provocar problemas com a coordenação motora, tonturas, fadiga e sonolência. E essa sugestão foi confirmada por um estudo publicado em setembro deste ano na Clinical Toxicology (Ref.28), o qual demonstrou diversos efeitos perigosos de toxicidade por monóxido de carbono via narguilé em jovens adultos.

         No geral, a fumaça do narguilé alcança um nível de toxidade tão alto quanto a do cigarro comum, e estudos nos últimos anos (Ref.13-17) mostram que ela carrega, além de grandes quantidades de monóxido de carbono, poli-hidrocarbonetos, benzeno, formaldeído, óxido nítrico e outros tóxicos como arsênio, cromo, chumbo e aldeídos voláteis. Todas essas toxinas elevam os riscos de cânceres, especialmente no pulmão, boca, estômago e rins, danos generalizados no sistema respiratório e no sistema cardiovascular, prejuízos bucais diversos (incluindo os dentes) e infertilidade. Normalmente a queima do carvão é usada como fonte de calor nos narguilés, e a fumaça contém produtos tóxicos emitidos tanto pelo carvão quanto pelo produto de tabaco, incluindo os aromatizantes. Assim, a composição do carvão e a do tabaco podem influenciar o conteúdo tóxico da fumaça.

          Estudos recentes analisando a boca de usuários de narguilé mostram que os danos gerados são os mesmos do cigarro comum (Ref.20-21), e esse nível de agressão se estende também para a traqueia e tecido pulmonar (Ref.22,26). Aliás, quatro grandes estudos de revisão sistemática e meta-análise deste ano (Ref.24-25,30-31) mostraram uma clara associação positiva entre o fumo do narguilé e o desenvolvimento de vários cânceres e diversas outras doenças, como síndrome metabólica e problemas no sistema nervoso, inclusive como um fator de risco para a esclerose múltipla também destacado por um estudo isolado deste ano na Multiple Sclerosis Journal (Ref.29). E a quantidade de nicotina - substância altamente viciante - entregue durante as sessões de fumo leva a quadros de dependência, algo confirmado - e já, obviamente, esperado - por diversos trabalhos de revisão da literatura acadêmica.



          Em relação às quantidades de fumaça tragadas, podemos ver as gigantescas discrepâncias no quadro abaixo, englobando os perfis de tragadas mais utilizados para o cigarro. É importante lembrar que os valores expressos são em mg do componente de interesse/g de tabaco. Um cigarro hoje em dia tem cerca de 0,8 g de tabaco, enquanto a rodada de narguilé usa pelo menos cerca de 10 gramas de tabaco (ou seja mais de dez vezes a quantidade de tabaco fumado). Esse fato, por si só, já garantiria uma maior quantidade de componentes tóxicos inaladas.



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Campanha do Ministério da Saúde contra o uso do Narguilé


        Em torno de 75% dos fumantes brasileiros iniciam-se no tabagismo até os 18 anos e 67% começam a fumar regularmente/diariamente com 18 anos ou menos. Nesse cenário, o narguilé acaba sendo também uma potencial porta de entrada para o fumo do cigarro, aumentando ainda mais o volume de fumo. E quando mais cedo é iniciada a dependência no tabaco, maior o risco de câncer e outras doenças crônicas não transmissíveis, morte prematura na meia-idade ou na idade madura. Além disso, os médicos alertam que o uso coletivo do narguilé - como geralmente é feito, passando de boca em boca entre um grupo de pessoas - pode transmitir doenças infectocontagiosas, como hepatite (inflamação no fígado), herpes e tuberculose. E o pior é que a 'socialização' promovida pelo narguilé acaba atraindo ainda mais os jovens para o uso. E estudos (Ref.23) alertam que equipamentos mal higienizados de narguilé costumam concentrar diversas bactérias patogênicas, incluindo superbactérias ligadas à doenças graves, como pneumonia.

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         Estamos, sem sombra de dúvidas, enfrentando uma crescente e preocupante epidemia de narguilé pelo mundo, e em várias regiões no globo seu uso já ultrapassa o cigarro, este o qual é geralmente uma opção bem mais cara devido aos pesados impostos. Com a falsa imagem de um produto seguro para a saúde, muitos defensores desinformados do narguilé ignoram os alertas das agências de saúde e acabam caindo nas garras da indústria do tabaco. Precisamos dar um basta nisso, ou a moda do "cigarro saudável" da década de 1970 pode voltar disfarçado de um jarro de água.


ESCLARECIMENTO: É comum muitos usuários de narguilé questionarem o porquê de não existirem tantos estudos na área de saúde sobre essa forma de fumo, especialmente trabalhos clínicos de longo prazo, do que aqueles envolvendo os cigarros. Ora, o uso de narguilé ficou concentrado na região do Oriente Médio por muito tempo, e só a partir da década de 1990 é que houve uma disseminação avassaladora pelo Ocidente e outras partes do mundo, muito devido ao desespero da indústria do tabaco para promover seu produto sob outras formas além do cigarro. O veneno é o mesmo, mas só na última década é que os trabalhos científicos começaram a desmascarar em peso o narguilé de forma oficial porque o uso cresceu muito e se transformou em questão séria de saúde pública. Em 2017, por exemplo, foram inúmeros os estudos publicados sobre o assunto, incluindo diversas meta-análises importantes, todas mostrando que os males do narguilé são tão nocivos quanto aqueles associados ao cigarro. Além disso, a Turquia, por exemplo - onde o consumo de narguilé é gigantesco - estendeu recentemente os rótulos de advertência sobre riscos à saúde para as garrafas ou para os vasos de narguilés, exigindo que essas advertências sejam colocadas nos dois lados do vidro, cobrindo 65% da superfície.

e-NARGUILÉ: Deve-se distinguir o narguilé dos dispositivos eletrônicos conhecidos como e-hookahs, e-shisha ou canetas hookah. Esses são sistemas eletrônicos de liberação de nicotina, que podem ser aromatizados, de modo que seu sabor é similar aos produtos de tabaco aromatizados para narguilés denominados maassel. O uso de dispositivos eletrônicos não envolve a combustão do carvão, ao invés disso, um líquido adocicado é aquecido eletronicamente para criar um aerossol que depois é inalado. Esses dispositivos estão sendo pesquisados atualmente, mas evidências de efeitos negativos ao organismos já estão sendo acumuladas na literatura acadêmica. Sobre os cigarros eletrônicos em geral, o assunto foi discutido no artigo: Os cigarros eletrônicos


(1) HISTÓRIA: Apesar da sua precisa origem ser incerta, os narguilés têm sido usados pelos indígenas da África e da Ásia para fumar tabaco e outras substâncias, como flores, temperos, frutas, café, maconha ou haxixe, há pelo menos quatro séculos ou mais. Foram disseminado com real força em todas as partes da Ásia e África pelas rotas comerciais envolvendo China e Índia, englobando dispositivos dos mais simples (feitos com casca de coco) até os mais complexos e luxuosos. Segundo alguns relatos históricos, o narguilé foi inventado na Índia pelo médico Hakim Abul Fath, no reinado do Imperador Akbar (que governou de 1556 a 1605) como um método de usar o tabaco que pretendia ser menos prejudicial. O médico sugeriu que a “fumaça do tabaco deve primeiro passar por um pequeno receptáculo de água para que fique inofensiva”. A crença popular, embora não embasada científicamente, de muitos usuários de narguilé nos dias atuais de que a prática é relativamente segura para a saúde pode ser tão antiga quanto o próprio narguilé. 

IMPORTANTE: Aproveitando o assunto, é válido mencionar outro problema similar: muitos acham que o cigarro de palha, só por ser feito de modo 'natural', é mais benéficos ou até mesmo completamente inofensivos à saúde. Ledo engano. Os cigarros de palha, por não possuírem filtro, fazem com que mais fumaça tóxica vá direto para o seu corpo. Além disso, eles possuem quantidades muito maiores de nicotina do que o cigarro comum, causando uma maior dependência e envenenamento - devido à nicotina em excesso. Conclusão: eles acabam sendo até piores do que o seu primo industrializado em relação ao perfil da fumaça gerada.  A única "vantagem" deles é que eles tendem a ficar apagando toda hora, porque a palha de milho usada para embalá-lo é péssima para manter uma combustão mínima e contínua. Isso induz o usuário a não consumi-lo excessivamente.

Cigarro de palha pode ser ainda mais prejudicial do que o cigarro comum



           Outro mito é pensar que os rotulados cigarros 'light' são menos nocivos por conterem filtros e matérias-primas diferenciadas. Os fabricantes colocam cores e avisos de segurança, classificando o nível de periculosidade dos produtos. Não, pura enganação. Todo cigarro é prejudicial, e vários estudos já mostraram que o consumo dessas versões mais "família" mantêm os mesmos níveis de riscos para o desenvolvimento de doenças associadas, como o câncer. O governo dos EUA, por exemplo, em 2009, proibiu os fabricantes de colocarem essas classificações de segurança nos produtos de tabaco, as quais estariam incentivando pessoas a fumarem mais sob o falso pretexto de baixa periculosidade (Ref.7).

          Qualquer ato de fumo, seja para o trago da nicotina, maconha ou qualquer outra droga, é extremamente prejudicial pelo fato de produzir fumaças carregadas por centenas de substâncias cancerígenas, além de  poderem envenenar o corpo com o próprio princípio ativo. Tente fugir do vício procurando tratamento profissional e ajuda de amigos/familiares.

           Existe também a polêmica em cima dos cigarros eletrônicos. Fiz um artigo específico sobre o assunto: Os cigarros eletrônicos são realmente mais saudáveis?



Artigo relacionado:  Tabaco sem fumo... seguro?



REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  1. http://www.who.int/tobacco/mpower/mpower_report_full_2008.pdf
  2. http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Derivados+do+Tabaco/Assuntos+de+Interesse/Danos+A+Saude/Narguile
  3. http://www.inca.gov.br/wcm/dncf/2013/o-que-e-narguile.asp
  4. http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/19588-mais-de-212-mil-brasileiros-admitem-usar-narguile 
  5. http://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/quit-smoking/expert-answers/hookah/faq-20057920
  6. http://www.cdc.gov/tobacco/data_statistics/fact_sheets/tobacco_industry/hookahs/   
  7. http://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/tobacco/light-cigarettes-fact-sheet
  8. http://portal.anvisa.gov.br/resultado-de-busca?p_p_id=101&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-1&p_p_col_count=1&_101_struts_action=%2Fasset_publisher%2Fview_content&_101_assetEntryId=2860320&_101_type=content&_101_groupId=219201&_101_urlTitle=narguile-ou-shisha&inheritRedirect=true
  9. http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/3f821100498bffd38b3f9f0ece413a77/29-de-agosto-manual-2015.pdf?MOD=AJPERES&CACHEID=3f821100498bffd38b3f9f0ece413a77
  10. http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41154903
  11. http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v18s2/1980-5497-rbepid-18-s2-00057.pdf
  12. http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/161991/5/9789241508469-por.pdf
  13. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25492935
  14. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25492935
  15. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25864374
  16. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23863044
  17. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3112129/
  18. https://www.cdc.gov/tobacco/data_statistics/fact_sheets/tobacco_industry/hookahs/index.htm
  19. https://www.fda.gov/TobaccoProducts/Labeling/ProductsIngredientsComponents/ucm482575.htm
  20. http://www.joponline.org/doi/abs/10.1902/jop.2017.170358
  21. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/cid.12557/full
  22. https://www.waset.org/abstracts/75493
  23. https://www.hindawi.com/journals/bmri/2017/8042603/abs/
  24. http://tobaccocontrol.bmj.com/content/26/1/92
  25. https://academic.oup.com/ije/article/46/1/32/2617157
  26. http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0171112
  27. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0306460316303884
  28. http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/15563650.2017.1375115
  29. http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1352458516677867
  30. http://www.inca.gov.br/wcm/dncf/2013/o-que-e-narguile.asp
  31. http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/Narguile_10_.pdf

  32. https://link.springer.com/article/10.1007/s00038-016-0856-2
  33. http://journal.waocp.org/article_44108_0.html
  34. http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/Narguile_10_.pdf