Tabaco sem fumo: seguro?
- Atualizado no dia 3 de fevereiro de 2026 -
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Apesar de serem consideradas formas seguras para o uso de tabaco, a mastigação ou aspiração desse de tabaco - baseados nas folhas ou extratos da planta do tabaco, como o rapé - carrega consideráveis riscos à saúde. Alguns até mesmo acreditam, erroneamente, que o consumo 'não fumado' do tabaco é uma alternativa inclusive suportada por médicos para o abandono do cigarro. Qualquer forma de consumo do tabaco promove dependência química e aumenta o risco para diversas doenças, incluindo cânceres.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a epidemia mundial do tabaco (fumo, aspiração, ingestão ou mastigação), ao longo do século XX, matou mais de 100 milhões de pessoas. Atualmente, 5,4 milhões de mortes acontecem todos os anos por causa do tabaco e, caso o atual cenário não mude:
- a partir de 2030 serão mais de 8 milhões de mortes por ano, onde cerca de 80% das mortes ocorrerá em países em desenvolvimento;
- e, ao longo do século XXI, é estimado que 1 bilhão de pessoas irão morrer.
Apesar de ser a causa de morte de mais "fácil" prevenção - no sentido de que existe uma cura definitiva: parar de fumar ou usar tabaco -, o tabaco atualmente mata mais gente que a aids, tuberculose e malária juntos.
Mesmo não queimando, o tabaco possui, no mínimo, 28 tipos diferentes de substâncias cancerígenas. Entre elas podemos citar hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, polônio-210 (um elemento radioativo encontrado nos fertilizantes de tabaco) e, principalmente, nitrosaminas. Metais tóxicos também podem estar misturados ao tabaco, como o arsênio, berílio, cádmio, cromo, cobalto, chumbo, níquel e mercúrio. Os principais cânceres associados são o oral, no esôfago e no pâncreas. No caso do tabaco mastigado, existe forte evidência de alto risco de câncer de boca. Além disso, os riscos de ataques cardíacos, perda de dentes e lesões graves na boca podem aumentar muito quando analisamos as formas mastigável e por absorção (2). E, ao contrário do que alguns dizem, a dependência química associada é tão forte quanto àquela ligada ao fumo, sendo que o pó aspirável e a base oral podem liberar até mais nicotina durante um mesmo intervalo temporal de uso, dependendo dos aspectos físico-químicos do produto e técnica de consumo.
Não existe nível seguro para o uso de quaisquer que sejam as formas de tabaco. Todos os produtos que possuem tabaco na composição são carcinogênicos e devem ser evitados. Caso você seja dependente de nicotina e esteja querendo largar o cigarro e afins, procure ajuda com especialistas. E rejeite também o uso de cigarros eletrônicos (e-cigarros).
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Tabaco e Baseball: O terrível hábito de mascar tabaco antes e durante os jogos entre os jogadores de Baseball tem sido banido das ligas grandes e pequenas nos últimos anos. Muitos jogadores agora usam chiclete ou mesmo bolsas de nicotina como alternativa. O hábito de mascar tabaco vem da década de 1970, quando os jogadores começaram a adotar a prática para manter a boca úmida e, com a saliva cuspida, impedir que as luvas ficassem ressecadas. Mas com as novas tecnologias empregadas no vestuário do atleta nas últimas décadas, o hábito tornou-se apenas uma "tradição cultural" e muito prejudicial. Vários atletas já faleceram com câncer de boca causado pelo tabaco mascado e muitos ainda hoje sofrem com danos severos. Na Índia, estima-se que 90% dos casos de câncer de boca são causados pelo tabaco mascado.
Apesar de serem consideradas formas seguras para o uso de tabaco, a mastigação ou aspiração desse de tabaco - baseados nas folhas ou extratos da planta do tabaco, como o rapé - carrega consideráveis riscos à saúde. Alguns até mesmo acreditam, erroneamente, que o consumo 'não fumado' do tabaco é uma alternativa inclusive suportada por médicos para o abandono do cigarro. Qualquer forma de consumo do tabaco promove dependência química e aumenta o risco para diversas doenças, incluindo cânceres.
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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a epidemia mundial do tabaco (fumo, aspiração, ingestão ou mastigação), ao longo do século XX, matou mais de 100 milhões de pessoas. Atualmente, 5,4 milhões de mortes acontecem todos os anos por causa do tabaco e, caso o atual cenário não mude:
- a partir de 2030 serão mais de 8 milhões de mortes por ano, onde cerca de 80% das mortes ocorrerá em países em desenvolvimento;
- e, ao longo do século XXI, é estimado que 1 bilhão de pessoas irão morrer.
Apesar de ser a causa de morte de mais "fácil" prevenção - no sentido de que existe uma cura definitiva: parar de fumar ou usar tabaco -, o tabaco atualmente mata mais gente que a aids, tuberculose e malária juntos.
Em um estudo epidemiológico robusto publicado em 2021 no periódico The Lancet Public Health (Ref.10), os pesquisadores estimaram que, em 2019, existiam ~274 milhões de pessoas com idade superior a 15 anos usando tabaco mascado, 83,29% deles residindo no sul da Ásia e 185,8 milhões residindo na Índia. Outros países com alta prevalência de usuários de tabaco mascado incluíram Palau, Bangladesh e Nepal, os quais, juntos, somam 30,1 milhões. E o achado mais preocupante do estudo: em 7 regiões analisadas a prevalência do uso de tabaco mascado por adolescentes de 15 a 19 anos era acima de 10%. Apenas 11 dos 12 países mostraram redução na prevalência do uso de tabaco mascado.
Para produtos de tabaco sem fumo em geral, estima-se que existam ~360 milhões de usuários em 140 países (Ref.12). A grande maioria desses usuários (77%) está em países de baixa e média renda, especialmente no Sudeste Asiático. O uso de tabaco sem fumo é particularmente alto em Bangladesh, Índia, Paquistão e Papua Nova Guiné. E enquanto as taxas de tabagismo diminuíram na maioria dos países nas últimas décadas, o uso de tabaco sem fumo tem aumentado.
A queima do tabaco produz centenas de substâncias cancerígenas, monóxido de carbono, particulados na fuligem, entre outros subprodutos perigosos junto à fumaça. Podemos citar diversos tipos de cânceres e doenças crônicas induzidas pelo fumo do tabaco, seja através de cigarros, charutos, narguilé, cigarros de palha, etc. Nesse contexto, sim, consumir o tabaco sem fumá-lo realmente traz menor risco de desenvolvimento dessas doenças, mas isso não quer dizer que sejam inofensivos, longe disso.
A queima do tabaco produz centenas de substâncias cancerígenas, monóxido de carbono, particulados na fuligem, entre outros subprodutos perigosos junto à fumaça. Podemos citar diversos tipos de cânceres e doenças crônicas induzidas pelo fumo do tabaco, seja através de cigarros, charutos, narguilé, cigarros de palha, etc. Nesse contexto, sim, consumir o tabaco sem fumá-lo realmente traz menor risco de desenvolvimento dessas doenças, mas isso não quer dizer que sejam inofensivos, longe disso.
Alegar que usar rapé ou tabaco mastigável é uma forma segura e alternativa ao fumo é o mesmo que trocar o veneno de uma mamba-negra pelo veneno de uma naja, sendo que existe outras opções que não requerem o contato com nenhuma das perigosas peçonhas citadas. Se você quiser parar de fumar, procure ajuda médica e métodos recomendados pelas agências de saúde (chicletes ou adesivos de nicotina, por exemplo). Se você não fuma, não use quaisquer produtos de tabaco.
E o pior: existe uma crença disseminada em vários países do mundo que o consumo de tabaco sem fumo pode trazer benefícios à saúde, inclusive para o alívio de enjoo matinal - sim, durante a gravidez!
Mesmo não queimando, o tabaco possui, no mínimo, 28 tipos diferentes de substâncias cancerígenas. Entre elas podemos citar hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, polônio-210 (um elemento radioativo encontrado nos fertilizantes de tabaco) e, principalmente, nitrosaminas. Metais tóxicos também podem estar misturados ao tabaco, como o arsênio, berílio, cádmio, cromo, cobalto, chumbo, níquel e mercúrio. Os principais cânceres associados são o oral, no esôfago e no pâncreas. No caso do tabaco mastigado, existe forte evidência de alto risco de câncer de boca. Além disso, os riscos de ataques cardíacos, perda de dentes e lesões graves na boca podem aumentar muito quando analisamos as formas mastigável e por absorção (2). E, ao contrário do que alguns dizem, a dependência química associada é tão forte quanto àquela ligada ao fumo, sendo que o pó aspirável e a base oral podem liberar até mais nicotina durante um mesmo intervalo temporal de uso, dependendo dos aspectos físico-químicos do produto e técnica de consumo.
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(2) Uma mistura colocada atrás da gengiva, ficando fixa na boca e permitindo a absorção gradual de nicotina pelas mucosas. Existem diversas formas que o produto pode tomar para atender esse uso.
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É estimado que mais de 120 mil casos de câncer oral (30% do total) foram causados pelo uso de tabaco sem fumo, semente de areca (betel) ou ambos em 2022 (Ref.12). Quase 88% desses casos ocorreram no centro-sul da Asia.
Outro problema ao se tornar usuário de tabaco é o perigo imposto às crianças que convivem no mesmo ambiente - e a preocupação não é apenas com o fumo passivo. Grande parte dos produtos de tabaco mascado ou aspirado são aromatizados com sabores diversos, incluindo de doces. Resultado: crianças muito pequenas podem ficar tentadas a comê-los achando ser um alimento saboroso. Com isso, podem acabar sendo intoxicadas com as altas quantidades de nicotina ingeridas, e vulneráveis ao agravamento do quadro de intoxicação por serem indivíduos muito novos e de pequeno porte corporal. Diversos casos de acidentes dessa natureza têm sido reportados, e realçam o alerta: evite ter produtos de tabaco perto de crianças e de animais domésticos.
É estimado que mais de 120 mil casos de câncer oral (30% do total) foram causados pelo uso de tabaco sem fumo, semente de areca (betel) ou ambos em 2022 (Ref.12). Quase 88% desses casos ocorreram no centro-sul da Asia.
Outro problema ao se tornar usuário de tabaco é o perigo imposto às crianças que convivem no mesmo ambiente - e a preocupação não é apenas com o fumo passivo. Grande parte dos produtos de tabaco mascado ou aspirado são aromatizados com sabores diversos, incluindo de doces. Resultado: crianças muito pequenas podem ficar tentadas a comê-los achando ser um alimento saboroso. Com isso, podem acabar sendo intoxicadas com as altas quantidades de nicotina ingeridas, e vulneráveis ao agravamento do quadro de intoxicação por serem indivíduos muito novos e de pequeno porte corporal. Diversos casos de acidentes dessa natureza têm sido reportados, e realçam o alerta: evite ter produtos de tabaco perto de crianças e de animais domésticos.
E não duvide que as empresas do tabaco usam esses aromatizantes para atrair um público mais jovem, garantindo consumidores "fiéis" (dependentes) no futuro.
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Não existe nível seguro para o uso de quaisquer que sejam as formas de tabaco. Todos os produtos que possuem tabaco na composição são carcinogênicos e devem ser evitados. Caso você seja dependente de nicotina e esteja querendo largar o cigarro e afins, procure ajuda com especialistas. E rejeite também o uso de cigarros eletrônicos (e-cigarros).
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Tabaco e Baseball: O terrível hábito de mascar tabaco antes e durante os jogos entre os jogadores de Baseball tem sido banido das ligas grandes e pequenas nos últimos anos. Muitos jogadores agora usam chiclete ou mesmo bolsas de nicotina como alternativa. O hábito de mascar tabaco vem da década de 1970, quando os jogadores começaram a adotar a prática para manter a boca úmida e, com a saliva cuspida, impedir que as luvas ficassem ressecadas. Mas com as novas tecnologias empregadas no vestuário do atleta nas últimas décadas, o hábito tornou-se apenas uma "tradição cultural" e muito prejudicial. Vários atletas já faleceram com câncer de boca causado pelo tabaco mascado e muitos ainda hoje sofrem com danos severos. Na Índia, estima-se que 90% dos casos de câncer de boca são causados pelo tabaco mascado.
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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
- http://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/tobacco/smokeless-fact-sheet
- http://www.cancer.org/cancer/cancercauses/tobaccocancer/smokeless-tobacco
- http://www.cdc.gov/tobacco/data_statistics/fact_sheets/smokeless/health_effects/
- Colilla, S. A. (2010). An epidemiologic review of smokeless tobacco health effects and harm reduction potential. Regulatory Toxicology and Pharmacology, Volume 56, Issue 2, Pages 197-211. https://doi.org/10.1016/j.yrtph.2009.09.017
- http://www.who.int/topics/tobacco/en/
- http://health.gov.ie/healthy-ireland/tobacco/
- http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25735356
- http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26443187
- http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25411778
- GBD 2019 Chewing Tobacco Collaborators (2021). Spatial, temporal, and demographic patterns in prevalence of chewing tobacco use in 204 countries and territories, 1990–2019: a systematic analysis from the Global Burden of Disease Study 2019. The Lancet Public Health, Volume 6, Issue 7, E482-E499. https://doi.org/10.1016/S2468-2667(21)00065-7
- https://truthinitiative.org/research-resources/emerging-tobacco-products/tobacco-and-baseball-have-long-shared-history-zyn
- Parascandola et al. (2026). Smokeless Tobacco and Oral Cancer in Global Perspective. NEJM, 394:209-211. https://doi.org/10.1056/NEJMp2500631



