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A câmara secreta da Grande Pirâmide pode conter um Trono de Ferro


         Depois de dois anos de estudo, cientistas Franceses e Japoneses anunciaram no final do ano passado a existência de uma grande cavidade dentro da já misteriosa e relativamente pouco entendida pirâmide de Khufu (ou Quéops, no grego), no Egito. Até o momento, seu conteúdo permanece um mistério e diversas especulações já foram feitas. Agora, uma nova e excitante hipótese foi proposta em um novo estudo publicado na ArXiv desta semana (Ref.5): dentro dessa câmara secreta pode existir um Trono de Ferro.


   DESCOBERTA DA CÂMARA SECRETA

        Não se sabe o porquê da cavidade existir ou se de fato guarda algo de valor, especialmente considerando que o espaço não é facilmente e obviamente acessível. A descoberta dessa grande câmara secreta foi feita com a ajuda de uma técnica conhecida como muografia, a qual pode sentir mudanças de densidade dentro de grandes estruturas rochosas. E o resultado foi confirmado por três análises independentes e distintas, e publicado na Nature (Ref.1).



         Nessa técnica utiliza-se as partículas múons, as quais são um subproduto das radiações cósmicas ao reagirem com os átomos da alta atmosfera. Essas partículas continuamente alcançam a Terra com uma velocidade próxima da luz e um fluxo em torno de 10 mil por metro quadrado. Nesse sentido, elas acabam atingindo e atravessando parcialmente tudo na superfície terrestre. Interagindo pouco com a matéria, algumas delas são absorvidas e algumas outras refletidas, especialmente em estruturas rochosas (densas). Isso permite uma análise não invasiva similar às radiografias mais convencionais.

         Construída durante o reino do Faraó Khufu (entre 2509 e 2483 a. C., a Grande Pirâmide (ou Pirâmide de Khufu) possui uma altura de 139 metros, 230 metros de extensão na base, e é a maior das pirâmides egípcias localizadas em Giza, Cairo. Além disso, é um dos maiores, mais complexos e mais antigos monumentos na Terra, e ainda não existe um consenso sobre como essa pirâmide foi construída pelos povos antigos (apensas é sabido como os blocos estruturais foram transportados, por causa de papiros encontrados dessa época). Em seu interior é encontrado três grandes câmaras e uma série de passagens, a mais notável delas sendo a Grande Galeria, com 47 metros de comprimento e 8 metros de altura.



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       Uma cavidade menor na face norte, antes desconhecida, já tinha sido detectada há algum tempo pelos pesquisadores. A nova cavidade provavelmente possui 30 metros de comprimento e vários metros de altura - como mostrado na figura acima - e foi uma grande surpresa para os pesquisadores, os quais não esperavam tal estrutura de tais dimensões nessa pirâmide. Desde o anúncio da descoberta, já existe um enorme debate entre os especialistas sobre o que essa cavidade pode representar ou conter.

        De acordo com alguns pesquisadores, é improvável que o novo espaço descoberto contenha quaisquer artefatos relacionados ao túmulo do rei, porque já existe uma câmara de enterro com o sarcófago dentro. Seguindo esse raciocínio, especula-se que a cavidade tenha a função de ser uma "câmara de alívio", com o objetivo de reduzir o peso pressionando a Grande Galeria. Sistemas similares são vistos acima da câmara do Rei e na pirâmide do pai de Quéops, Sneferu, em Meidum.

         Porém, outros especialistas consideram a câmara muito grande para servir a esse propósito. Nesse sentido, essa cavidade pode ser uma passagem estilo a Grande Galeria levando a uma outra câmara superior, ou mesmo conter algo de grande valor religioso.

         Pode ser também, segundo uma terceira hipótese, que a cavidade, junto com a Grande Galeria, esteja inserida em um sistema de contra-peso durante a construção da pirâmide.

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   HIPÓTESE DO TRONO DE FERRO

         Segundo Giulio Magli, Diretor do Departamento de Matemática e Professor de Arqueoastronomia na Politecnico di Milano, Itália, a nova câmara não possui função prática de 'alívio de peso', já que o teto da Grande Galeria foi construído com uma técnica justamente para esse propósito. Magli acredita em outra hipótese que faria mais sentido.

         "Existe uma possível interpretação, a qual está em boa concordância com o que nós sabemos sobre a religião funerária Egípcia com base nos escritos antigos dentro das pirâmides. Nesses textos, é dito que o Faraó, antes de alcançar as estrelas do Norte, terá que passar pelos 'portões do céu' e sentar em seu 'trono de ferro'", afirma Magli.

         Dentro da Pirâmide existem quatro estreitas passagens, direcionadas para as estrelas e obviamente não projetadas para o trânsito de pessoas. A vida após a morte dos Faraós repousaria, de acordo com as escrituras antigas (Pyramid Texts), no céu, e em particular entre as estrelas do Norte, como a Draco e a Grande Concha. As passagens têm início das câmaras do Rei e da Rainha e apontam para as faces Sul e Norte. Os canais superiores, vindos da câmara do Rei, terminam nas faces, enquanto os canais inferiores param em portas com maçanetas de cobre. Uma das duas portas, a do Sul, já foi explorada várias vezes antes por pesquisadores, mas sem resultados, enquanto a do Norte continua selada.




         De acordo com Magli, essas portas são provavelmente a representação dos 'portões do céu' e a do Norte pode estar dando entrada para a grande câmara descoberta. Os textos antigos citam essas "portas do céu" frequentemente, e as passagens podem representar a materialização para essas portas, onde o "espírito" do Faraó seria capaz de sobreviver da morte e ir para o céu seguindo esses caminhos. Vários objetos arqueológicos já se mostraram antes uma materialização dessas escrituras.  Essa câmara, nesse sentido, pode conter na sua parte final superior, e exatamente abaixo do pico da pirâmide, um objeto necessário ao Khufu após o cruzamento das portas: o Trono de Ferro. Podemos citar inclusive uma passagem dos antigos textos sobre o trono (onde deuses são citados):


        Ou seja, parece que depois de cruzar as "portas do céu", o rei sentará em seu "trono de ferro". Em outro trecho dos textos, podemos ver escrito: "...que aqueles honrados aplaudam às escadas do seu trono." A nova câmara secreta, nesse sentido, poderia ser uma cópia não funcional da Grande Galeria, mas com uma escada ascendente e o Trono de Ferro localizado no seu fim. Além disso, as escrituras descrevem o ritual da 'Abertura da Boca', o qual ocorreria na câmara da Rainha e teria o objetivo de permitir o "espírito" do Faraó sobreviver à morte e alcançar os céus. Aliás, objetos físicos representando essa cerimônia - como um enxó e uma faca no formato de serpente - já foram encontrados em buscas arqueológicas, e uma estátua de Khufu pode ter pertencido à câmara da Rainha, com propósitos ritualísticos. E aqui entraria a serventia da passagem do norte, a qual sairia da câmara da Rainha e terminaria na simbólica porta do Norte representando a entrada de acesso ao trono, e por onde o "espírito" do rei passaria após o ritual de "ressurreição".


         Ainda segundo o pesquisador, nós podemos ter uma ideia de como esse trono seria, ao olhar para o trono da mãe de Khufu, Rainha Hetepheres, o qual foi encontrado em pedaços e reconstruído pela Universidade de Havard, EUA. Esse trono era uma cadeira baixa de cedro (madeira) coberta de lâminas de ouro e faiença (um tipo de cerâmica). O Trono de Ferro do Khufu poderia ser parecido, mas coberto com finas lâminas de ferro - mas não ferro fundido, mas ferro meteórico, o qual é encontrado em certos meteoros que caem na superfície terrestre e contém alta porcentagem de níquel, e que também é citado nos textos antigos. É mais do que certo que os antigos Egípcios conheciam esse material vários séculos antes de Khufu.

   


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PRÓXIMOS PASSOS

         Um modo de confirmar ou descartar a hipótese do Trono de Ferro é a exploração direta da câmara secreta ou a exploração da porta Norte, essa última a qual já é aguardada há muito tempo.

         Por enquanto, estuda-se como será feita uma investigação mais aprofundada para saber o que de fato tem dentro dessa cavidade e qual o seu real propósito. Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência da Computação e Matemática aplicada (Inria) na França, sugeriram uma ideia de como fazê-la, mas que precisaria ser aprovada pelas autoridades egípcias primeiro.

         Basicamente, o plano seria furar um pequeno buraco para alcançar a câmara e colocar um pequeno robô - com 'habilidade' de voo - para analisar cada canto da possível nova câmara e revelar os seus segredos.


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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://www.nature.com/articles/nature24647.epdf
  2. https://www.nature.com/news/cosmic-ray-particles-reveal-secret-chamber-in-egypt-s-great-pyramid-1.22939
  3. http://mathstat.slu.edu/~bart/egyptianhtml/kings%20and%20Queens/Khufu.html
  4. http://in.aucegypt.edu/services/travel-office/pyramids-giza4th-dynasty
  5. https://arxiv.org/ftp/arxiv/papers/1711/1711.04617.pdf 
  6. https://www.polimi.it/home/