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Mitos e Correções Históricas 2



         Nesse artigo continuaremos desvendando os mitos e informações inacuradas que permeiam a História, em uma jornada iniciada na semana passada em Mitos da História.



    1. Últimas palavras de Júlio César.



        "Até tu, Brutus?" (do original, em latim, ´Et tu, Brute?´)...

        Supostamente essas teriam sido as últimas palavras ditas pelo Ditador Romano Júlio César para o seu amigo, e traidor, Marcus Brutus durante seu assassinato por um grupo de senadores. Citada e popularizada por meio da peça de Shakespeare, ´Júlio César´, não existe evidências de que César realmente disse isso para Brutus. Aliás, é provável que ele já estava morto quando Brutus desferiu seu golpe. (Ref.1 e 2)

        O célebre quadro acima, chamado de ´Morte de César, e pintado por Vincenzo Camuccini, retrata o assassinato do Ditador Romano. 


           2. O ato de escalpelar era exclusivo dos nativos norte-americanos.




          O ato de escalpelar, onde o topo da cabeça do inimigo é arrancada (pele e cabelo), não foi uma prática exclusiva dos nativos americanos, como muitos tendem a pensar. Na verdade, isso foi algo bastante praticado também pelos europeus, provavelmente como uma forma de substituir o transporte de cabeças que serviam para identificar, e/ou enumerar, os inimigos mortos para o contratante. Ou seja, em vez de carregar toda a cabeça, apenas um escalpo já cumpriria a função. E isso ficou ainda mais disseminado entre os colonizadores europeus quando começou a surgir o pagamento de recompensa para cada escalpo de nativos. Outras regiões no mundo inteiro também compartilhavam a prática do escalpo.

         Além disso, existem debates sobre se o ato de escalpelar também não surgiu em várias outras culturas do mundo antes mesmo do contato com a cultura dos nativos americanos, estes últimos os quais já escalpelavam os inimigos desde períodos pré-Colombianos, segundo as evidências arqueológicas até agora reveladas. Muitos falam que os nativos ensinaram aos europeus a prática, mas existe a possibilidade dela ter surgido de forma simultânea em várias partes do globo. E algumas fontes afirmam que essa era uma prática existente na Europa desde a Antiga Grécia.

         O ato de escalpelar parece ter tido tanto motivos simbólicos (troféus e crenças variadas) quanto motivos de comodidade ( já que para identificar um inimigo morto não precisaria mais levar toda uma cabeça, apenas o escalpo, facilitando o transporte e armazenamento). (Ref.3, 4, 5 e 6)


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         3. A primeira transmissão de rádio feita no mundo foi a do italiano Guglielmo Marconi.
         



         Diferente do que muitos assumem, o primeiro inventor da transmissão de rádio provavelmente não foi um norte-americano ou um europeu, e, sim, um padre brasileiro! Seu nome era Roberto Landell de Moura, nascido em 21 de Janeiro de 1861, em Porto Alegre e falecido em 1928. Além de padre católico, Landell gostava de ocupar seu tempo com a ciência, tornando-se um grande inventor. Trabalhando com a transmissão de sinais telegráficos e de som por meio de ondas eletromagnéticas, seus experimentos e conquistas nesse campo proporcionaram sólidas bases para o surgimento do telefone e o rádio, apesar dele não receber quase crédito nenhum a nível internacional por suas descobertas.

           Além disso, vários documentos públicos mostram que seus equipamentos transmitiam bem a voz humana à distância, de forma pioneira no mundo. Outros cientistas estrangeiros também trabalhando nessa área acabaram ganhando todos os louros de pioneirismo nessas linhas de pesquisa, especialmente por terem melhores condições financeiras para investirem, em peso, nos seus projetos e divulgação dos mesmos, como o italiano Guglielmo Marconi. Em anos recentes, a comunidade científica internacional, porém, vem aceitando mais Landell como um dos fundadores do rádio.

          Aqui no Brasil, Landell é cidadão honorário da cidade de São Paulo; patrono da Ciência, Tecnologia e da Inovação da cidade de Porto Alegre; patrono dos radioamadores brasileiros; e, em 2012, seu nome foi inscrito no ´Livro dos Heróis da Pátria´. Landell também prova que religião e ciência não precisam estar sempre em guerra! (Ref.7, 8 e 9)

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           4. Van Gogh cortou, ou não cortou, uma das suas orelhas?



           Aqui, não temos um ´mito´ propriamente dito e, sim, uma grande dúvida histórica. Na verdade, sempre existiu a dúvida se Van Gogh tinha cortado sua orelha inteira ou apenas uma pedaço bem pequeno dela. Muitos dizem que o corte completo é um mito, enquanto outros dizem o contrário. Mas uma pesquisa recente encontrou uma carta do médico do artista, Felix Rey, que parece confirmar que foi a orelha inteira cortada. Na imagem acima, à direita, podemos ver a carta, aparentemente, esclarecedora.

         Pela história mais aceita, Van Gogh cortou sua orelha esquerda inteira após uma briga com Paul Gauguin, um artista com quem ele estava trabalhando por um tempo em Arles, na França, em 1888. Como Van Gogh tinha problemas mentais bem profundos, ele começou a alucinar e sofrer de fortes ataques, momento no qual ele cortou sua orelha com uma faca. Logo em seguida, ele foi a um bordel e deixou ela lá, não nas mãos não de uma prostituta ( como muitos assumem), mas nas mãos de uma humilde empregada de limpeza do local ( novamente, segundo as evidências bibliográficas). No dia seguinte, ele não se lembrava mais de nada. (Ref.10)

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          Caso você tenha algum mito para ser explorado, ou algo que você ache ser um mito, deixe nos comentários para eu dar uma pesquisada e esclarecer os boatos...:)

Artigo Recomendado: Mitos da História

REFERÊNCIAS ACADÊMICAS
  1. http://historynewsnetwork.org/article/158778
  2. http://www.npr.org/2015/11/30/457319066/from-gladiator-duels-to-caesars-last-words-the-myths-of-ancient-rome
  3. http://www.hawthorneinsalem.org/ScholarsForum/MMD2263.html
  4. http://www.manataka.org/page1438.html
  5. http://www.austincc.edu/pgoines/mwells
  6. http://www.amstudy.hku.hk/staff/kjohnson/PDF/engl56_kj_axtell_unkindestcut.pdf 
  7. http://www.memoriallandelldemoura.com.br/imagen/documentos/landell_de_moura.pdf
  8. http://www.unesp.br/aci/revista/ed14/ponto-critico
  9. http://1.ebooks.pucrs.br/edipucrs/Ebooks/Web/978-85-397-0226-8/pages/v2.pdf 
  10. http://www.nytimes.com/2016/07/13/arts/international/van-gogh-ear-amsterdam.html?_r=0