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Os que são os Angioqueratomas de Fordyce?

Figura 1. (A) Foto da região afetada pelas lesões. (B) Visualização dermatoscópica.

          Uma mulher de 35 anos de idade apresentou-se a uma clínica de dermatologia com um histórico de quatro anos de lesões pruriginosas e de aspecto verrucoso na região pubiana. As lesões sangravam quando traumatizadas durante a depilação dos pelos pubianos. Um ano antes da consulta, ela havia sido submetida à crioterapia devido a um diagnóstico presumido de verrugas genitais, mas as lesões não regrediram. 

          O exame físico revelou pápulas hiperpigmentadas e hiperqueratósicas formando três placas sobre o monte púbico (Fig.1A). A dermatoscopia revelou lacunas de coloração avermelhada a violácea bem delimitadas associadas às pápulas, correspondendo a capilares dilatados (Fig.1B, setas pretas), e um véu esbranquiçado sobrejacente de hiperqueratose epidérmica (Fig.1B, setas brancas). 

          Nesse sentido, os médicos estabeleceram o diagnóstico de angioqueratoma de Fordyce. 

          A paciente foi então submetida a uma única sessão de tratamento com laser de neodímio-ítrio-alumínio-granada (Nd:YAG) para reduzir a vascularização das lesões, seguida de ablação com laser de érbio-ítrio-alumínio-granada (Er:YAG). 

          Em acompanhamento telefônico realizado dois meses após o procedimento, a paciente relatou que não houve recidiva das lesões.

          O caso foi reportado e descrito em 2024 no periódico New England Journal of Medicine (Ref.1).


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          O angioqueratoma de Fordyce é uma lesão vascular cutânea benigna caracterizada pela dilatação de pequenos vasos sanguíneos chamados de capilares. Essa dilação dos capilares resulta em pequenas manchas elevadas ou protuberâncias de cor vermelho escuro a preta na superfície da pele, caracterizadas por acantose epidérmica e hiperqueratose. A lesão ocorre tipicamente na região genital e é mais comum em homens do que em mulheres. Em homens, as lesões aparecem com mais frequência no saco escrotal. Raramente afeta a vulva. A prevalência da condição aumenta com a idade. 

          Em alguns casos atípico, as lesões podem aparecer sobre o clitóris e a glande do pênis (Ref.3). Em 2024, um estudo reportou dois casos muito raros de angioqueratoma de Fordyce na vulva resultantes de complicação após procedimentos de depilação a laser na região íntima (Ref.4). Nesse último cenário, os autores que descreveram os relatos sugeriram que a presença de veias varicosas pode representar um fator de risco para a condição.

          O angioqueratoma de Fordyce pode ser de difícil distinção em relação a outras lesões genitais, como verrugas e hemangiomas verrucosos. As lesões são, geralmente, indolores e não causam desconforto, exceto se forem esfregadas ou riscadas, o que pode causar sangramento e manchar a roupa íntima.

           Em termos de riscos, é importante realçar que é uma lesão benigna, ou seja, não é cancerígena e não representa um risco à saúde. No entanto, a lesão pode causar algum desconforto psicológico, especialmente se aparecer em uma área sensível como o escroto. Além disso, como mencionado, pode sangrar se for irritado (ex.: durante depilação).

          Remoção e tratamento das lesões pode ser feitos com sucesso através de terapia com laser (Ref.5). Outras opções terapêuticas incluem excisão cirúrgica, eletrodissecação, cauterização, crioterapia e aplicação tópica de rapamicina (Ref.4).

> Angioqueratoma é uma proliferação vascular benigna com hiperqueratose na superfície. Acredita-se que decorra de alterações degenerativas no tecido elástico dos vasos sanguíneos, levando ao aumento da pressão venosa local. Os fatores predisponentes incluem multiparidade, obesidade, hemorroidas, doença inflamatória pélvica, gravidez e histerectomia prévia. Ref.4

> Dermatoscopia, também conhecida como microscopia de epiluminescência, é um exame que permite ao dermatologista visualizar estruturas da pele que não são visíveis a olho nu. Para isso, é utilizado um aparelho chamado dermatoscópio. Esse instrumento ilumina a pele de forma a reduzir a refração da camada mais superficial, a epiderme. Assim, o médico consegue analisar mais estruturas, devido à maior penetração da luz.


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REFERÊNCIAS

  1. Puttur & Lakhey (2024). Angiokeratoma of Fordyce. NEJM, 391: e39. https://doi.org/10.1056/NEJMicm2407196
  2. https://www.urologistajuliobissoli.com.br/especialidades/angioqueratoma/
  3. Meibodi et al. (2025). Angiokeratoma of Fordyce: Two unusual case presentations involving lesions on the clitoris and glans penis. International Journal of STD & AIDS, Volume 36, Issue 14. https://doi.org/10.1177/09564624251359083
  4. Pourgholi et al. (2024). Angiokeratoma of Fordyce—A rare complication of laser hair removal: A case report of two patients. Clinical Case Reports, Volume 12, Issue 6, e9077. https://doi.org/10.1002/ccr3.9077
  5. Lewis et al. (2024). Successful outcome of performing CO2 laser ablation in a middle-aged female with angiokeratoma of Fordyce. International Journal of STD & AIDS, Volume 36, Issue 2. https://doi.org/10.1177/09564624241299571