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Qual a relação entre Bayer e heroína?

            Existem várias fontes de opioides, incluindo sementes de papoula, produtos derivados dessas sementes (ex.: fumo ou chá de papoula), drogas semi-sintéticas (ex.: heroína, morfina e oxicodona) e drogas sintéticas (ex.: metadona e fentalina). Ao longo dos séculos, opioides têm sido usados como analgésicos em procedimentos cirúrgicos diversos, para parar diarreia e para prevenir cavidades dentárias, e também como drogas recreativas.

          No final do século XIX, a empresa farmacêutica Bayer trouxe ao mundo um desses opioides, anunciado como uma "nova droga milagrosa": heroína. A empresa Alemã garantiu que, diferente da morfina e da cocaína, a heroína não causava dependência (!).

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(!) Alegação absurda e similar foi também repetida na década de 1990 durante a aprovação do opioide oxicodona (sob a marca OxyContin) nos EUA, tanto pelo fabricante (Purdue Pharma) quanto pela Administração de Drogas e Alimentos (FDA). Ambos negaram que o fármaco possuía alto potencial de abuso e dependência. Essa controversa aprovação e irresponsável promoção desse opioide no mercado Norte-Americano engatilhou a grave crise de opioides hoje enfrentada no país, que mata dezenas de milhares de pessoas anualmente. Para mais informações: Por que opioides são tão temidos e tão necessários?

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            A Bayer Company - uma das mais poderosas companhias químicas na época - começou a produção em escala comercial de heroína em 1898, visando primariamente supressão de tosse em doenças como tuberculose e pneumonia, mas também alívio de dor. Tuberculose era um grave problema nesse período. 

A heroína é facilmente sintetizada a partir da morfina, esta última extraída do ópio.

          Mesmo com estudos clínicos muito limitados, a droga foi propagandeada como milagrosa, e recebeu inclusive seu nome derivado de heros, um antigo herói Grego agraciado pelos deuses. Apesar de mais barata e forte do que a morfina, a heroína rapidamente se mostrou bem mais viciante.

          Poucos anos mais tarde à sua introdução no mercado pela Bayer, a heroína se transformou em um sério problema de saúde pública - realçado primeiro nos EUA -, viciando uma massiva quantidade de jovens como droga recreativa. A droga era vendida sem prescrição médica e podia ser usada de várias formas ao ser solubilizada em água.

> Falando sobre ópio, aliás, a sugestão de leitura sobre um impactante evento histórico ainda pouco conhecido no Ocidente: Rebelião Taiping: O segundo maior massacre na história da humanidade

> A Bayer também é famosa pela produção da aspirina. E falando em aspirina (ácido acetilsalicílico), fica a sugestão de leitura: Aspirina é realmente segura para um uso diário? 


REFERÊNCIAS

  1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10366477/
  2. https://museum.dea.gov/museum-collection/collection-spotlight/artifact/heroin-bottle
  3. https://medicine.yale.edu/news/yale-medicine-magazine/article/from-cough-medicine-to-deadly-addiction-a-century/
  4. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11862675/
  5. https://www.taylorfrancis.com/chapters/edit/10.4324/9780429268557-13/heroin-global-commodity-history-southeast-asia-opium-trade-alfred-mccoy
  6. https://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/acschemneuro.0c00262