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Qual é a função e o recorde de protusão do maxilar entre tubarões?

Figura 1. Fotos mostrando tubarões-duendes antes (A) e após a protusão do maxilar (B). 

           A protusão do maxilar é um componente altamente conservado na maioria dos elasmobrânquios - peixes cartilaginosos que incluem os tubarões e raias. Tubarões em especial empregam uma variedade de mecanismos para capturar presas: mordidas, engolimento passivo (movimento para frente com a boca aberta engolindo água e presas no caminho) e sucção, ou uma combinação desses métodos. 

          Nos tubarões, a protusão do maxilar ocorre quando a cartilagem do palatoquadrado se move anteroventralmente para longe do crânio à medida que a maxila se aproxima da presa - com mecanismos musculares e anatômicos variando entre as espécies. Várias funções para essa protusão nos tubarões têm sido propostas: mordidas e manipulação das presas mais eficientes; melhor pegada relativa a grandes presas; maior versatilidade da boca mas com manutenção de importantes propriedades hidrodinâmicas; reorientação dos dentes para agarrar com maior eficiência as presas; tornar o fechamento do maxilar e da mandíbula quase instantâneo; maior velocidade de fechamento dos maxilares (inferior/mandíbula e superior). É inclusive sugerido que a capacidade de mover o maxilar para frente, ao invés do corpo inteiro, pode ajudar a tornar o ataque inicial menos visível para a presa, reduzindo a chance de escape (Ref.2).

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          O tubarão-duende (Mitsukurina owstoni) é uma das mais estranhas espécies de tubarão conhecidas e habita águas marinhas profundas (Fig.1). Essa espécie possui tipicamente entre 2 e 4 metros de comprimento [adultos] - mas comprimento máximo pode ultrapassar 5 metros - e é amplamente conhecida pela exagerada protusão dos maxilares (Fig.2), caracterizada como a maior e mais rápida entre os tubarões: velocidade máxima de 3,1 m/s e extensão equivalente a ~9% do comprimento corporal. É sugerido que essa exagerada protusão evoluiu como uma resposta adaptativa ao ambiente escasso de presas nas profundezas marinhas, e em detrimento da capacidade de nado (como sugerido pelo seu formato corporal pouco hidrodinâmico).

 

Figura 2. Eventos durante a alimentação do tubarão-duende. (a) Fase de descanso; (b) pico de retração; (c) estágio de projeção; (d) início do estágio de pegada; (e) pico da protusão do maxilar. Setas grossas indicam movimentos dos maxilares e setas finas indicam movimentos das cartilagens maxilar e da mandibular. Ref.2

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> Vídeo mostrando a protusão do maxilar do tubarão-duende: acesse aqui.

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REFERÊNCIAS

  1. Cheryl et al. (2001). Evolution of Upper Jaw Protrusion Mechanisms in Elasmobranchs. American Zoologist, Volume 41, Issue 6, Pages 1248–1257. https://doi.org/10.1093/icb/41.6.1248
  2. https://www.pnas.org/doi/abs/10.1073/pnas.2212339119
  3. Nakaya et al. (2016). Slingshot feeding of the goblin shark Mitsukurina owstoni (Pisces: Lamniformes: Mitsukurinidae). Scientific Reports 6, 27786. https://doi.org/10.1038/srep27786
  4. https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0156730
  5. https://www.hindawi.com/journals/bmri/2013/147064/
  6. https://www.sharks.org/goblin-shark-mitsukurina-owstoni
  7. https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/joa.13822