YouTube

Artigos Recentes

Banho de sauna faz bem à saúde?


- Artigo atualizado no dia 5 de maio de 2018 -

Compartilhe o artigo:



        Muitos adoram um banho de sauna, e encontram um bom relaxamento nessa atividade. Mas será que a sauna possui efeitos positivos para a saúde? De acordo com as evidências acumuladas até o momento e dois novos estudos recentes - um publicado na Nature e o outro na Neurology -, a resposta parece ser afirmativa.

- Continua após o anúncio -



   SAUNA

         A sauna consiste de um pequeno ambiente projetado para os indivíduos terem sessões de aquecimento seco ou úmido com o fim de propiciar relaxamento e promover o convívio social entre os frequentadores desses ambientes. Há basicamente dois tipo de saunas: a "sauna a vapor" ('sauna úmida' ou banho turco) e a "sauna seca" (também conhecida como banho Finlandês), esta a qual utiliza pedras ou outro material que é aquecido, mas sem libertar vapor.

          A sauna úmida raramente ultrapassa os 60°C - ficando em torno de 40°C - enquanto na sauna seca o corpo humano tolera facilmente temperaturas ambientes superiores a 80 °C durante curtos períodos de tempo (devido à elevada transpiração e transporte de calor pelo suor para o ar seco).

         Mas o tipo que vem mais demonstrando benefícios à saúde é a sauna seca.


   BANHO FINLANDÊS

         Ao contrário do banho Turco, a sauna seca (banho Finlandês) usa ar com baixa umidade e alta temperatura. As instalações modernas desse tipo de sauna consistem em uma sala construída com madeira não pintada, possuindo plataformas também de madeira e um aquecedor elétrico preenchido com pedras. As paredes são feitas de abeto ou pinheiro, e os bancos de obeche, abeto ou aspen (esses tipos de madeira esquentam menos e ficam mais confortáveis para o assento nesse tipo de sauna). A temperatura interna recomendada é de 80°C a 100°C no nível do rosto do usuário e de 30°C no nível do chão. O ar deve ter uma umidade relativa de 10% a 20%, e a ventilação no ambiente deve ser eficiente, onde recomenda-se trocar o ar de três a oito vezes por hora.


         Em uma sauna seca, a temperatura da pele pode aumentar rapidamente para aproximadamente 40°C. A transpiração sobe bruscamente e alcança seu máximo em aproximadamente 15 minutos, com uma secreção de suor média de 0,5 kg. O fluxo de sangue na pele aumenta de 5% a 10%, passando a representar de 50% a 70% do trabalho cardíaco de saída, enquanto o sangue fluindo para os órgãos internos diminui. Em relação ao ritmo de batimento do coração, o trabalho cardíaco aumenta em torno de 60-70%, enquanto o volume do batimento cardíaco não muda.


   BENEFÍCIOS DA SAUNA

            A terapia com sauna vem sendo utilizada por centenas de anos na região Escandinava como uma atividade saudável bastante popular, possuindo origem tradicional comumente associada à Finlândia (aliás, nesse país é muito comum as residências familiares possuírem uma particular), onde a sauna é algo praticado há milhares de anos. Nas últimas décadas, os banhos de sauna vêm se tornando muito populares também em outras culturas ao redor do mundo.

         Um bom volume de evidências bem estabelecidas na literatura acadêmica sugere que os banhos de sauna estão ligados a uma redução no risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como hipertensão, mortalidade por doença cardiovascular, demência, assim como mortalidade por todas as causas. Estudos ao longo dos anos também vêm acumulando evidências de que o uso regular dos banhos de sauna trazem benefícios significativos para pessoas com hipertensão, falha cardíaca congestiva e como ajuda de recuperação para casos de pós-infarto do miocárdio. Além disso, alguns indivíduos com doença obstrutiva pulmonar crônica (DOPC), fatiga crônica, dores crônicas, ou vícios também podem encontrar benefícios.

         O banho de sauna é uma forma de terapia de calor passivo usada geralmente para propósitos de relaxamento e prazer. Além do vapor ou ar seco quentes, esse calor passivo pode ser obtido também com banhos quentes (imersão em fontes hidrotermais, por exemplo). Nesse tipo de terapia, o corpo fica exposto a um estresse térmico, onde já foi demonstrado que a exposição à sauna resulta em elevação da temperatura interna do corpo e alteração nas hemodinâmicas cardiovasculares, em efeitos similares àqueles vistos nos exercícios físicos. Nessa linha, o que parece ser uma realidade científica é que a sauna pode ajudar a melhorar a saúde cardiovascular do corpo, caso seja realizada regularmente, em específico a sauna seca. Nesse sentido, os benefícios tragos por essa atividade estariam ligados às consequências nas funções circulatórias e cardiovasculares via redução na pressão sanguínea sistêmica, modulação positiva no perfil lipídico, redução na rigidez arterial e na grossura do revestimento interno da carótida, estimulação do sistema imune, alteração positiva do sistema nervoso autônomo, redução do estresse oxidativo e diminuição na resistência vascular periférica.

          Em um estudo publicado em janeiro deste ano na Nature (Ref.6), pesquisadores avaliaram 102 participantes e confirmaram vários desse benefícios cardiovasculares. Os voluntários (56% homens) tinham uma idade média aproximada de 52 anos e tinham pelo menos um fator de risco cardiovascular. Eles foram expostos uma sessão única de sauna seca (duração: 30 minutos; temperatura: 73°C; e umidade: 10-20%). Parâmetros cardiovasculares e sanguíneos foram coletados antes, imediatamente depois e após 30 minutos de recuperação. Os resultados principais mostraram que a velocidade de pulso de onda carótide-femoral era de 9,8 m/s antes da sauna e diminuiu para 8,6 m/s imediatamente após a sauna;, e que a pressão sanguínea sistólica foi de 137 mmHg para 130 mmHg, e diastólica de 82 para 75. E mesmo após 30 minutos de recuperação a pressão sistólica permaneceu menor do que no período pré-sauna, enquanto os níveis de sódio e potássio permaneceram constantes.

         No geral, os resultados indicam que uma sauna seca durante 30 minutos possui efeitos benéficos na rigidez arterial, na pressão sanguínea e em alguns biomarcadores sanguíneos. Ainda é incerto o significado disso a médio e a longo prazo, mas fica claro que o uso regular da sauna seca pode gerar significativos impactos positivos na saúde cardiovascular.

         Já em um estudo internacional de grande impacto publicado recentemente no Neurology (Ref.7), pesquisadores das Universidades da Eastern Finland, Bristol, Leicester, Atlanta, Cambridge e Innsbruck reportaram que pessoas que tomam banho de sauna seca 4-7 vezes por semana possuem 61% menos risco de sofrer um derrame do aquelas que utilizam a sauna apenas 1 vez por semana. Para chegarem nessa conclusão, os pesquisadores utilizaram o Kuopio Ischaemic Heart Disease Risk Factor (KIHD) e envolveram 1628 adultos com idades de 53 até 74 anos vivendo na parte leste da Finlândia (788 homens e 840 mulheres), durante um período de análise, na média, de 14,9 anos. Os participantes foram divididos em três grupos: aqueles que tomam banho de sauna seca 1 vez por semana; 2-3 vezes por semana; e 4-7 vezes por semana.


        Basicamente, os pesquisadores encontraram que quanto mais frequentes os banhos de sauna, menores os riscos de derrame. Comparado com aqueles que tomam 1 banho de sauna seca por semana, os do grupo de 2-3 vezes/semana e 4-7 vezes/semana tinham o risco diminuído em torno de 14% e 61%, respectivamente. E esse decréscimo de risco persistiu mesmo quando se levava em conta os fatores de risco convencionais, como idade, sexo, diabetes, índice de massa corporal, lipídios no sangue, consumo de bebidas alcoólicas, nível de atividades físicas e status sócio-econômico. Além disso, a associação foi similar entre homens e mulheres.

        Esse foi o primeiro estudo prospectivo de larga escala sobre o tópico. Os pesquisadores acreditam que como o banho de sauna seca está fortemente associado com a diminuição dos riscos ligados aos problemas cardiovasculares, isso traz também consequências para os riscos de derrames, já que ambas as esferas patológicas estão intimamente relacionadas. Aliás, um grande corpo de evidências sugere que os riscos de derrame cerebral diminuem com a diminuição da pressão sanguínea.

- Continua após o anúncio -



   CONTRA-INDICAÇÕES

        Em geral, a sauna seca tem sido contra-indicada para pacientes com falha cardíaca crônica, apesar de já ter sido mostrado que ela é bem tolerada em pacientes com esse problema tanto após exposições únicas quanto regulares, trazendo inclusive reportes de benefícios. Além disso, pacientes com estenose aórtica severa, angina pectoris instável e recente infarto do miocárdio também são aconselhados a evitarem esse tipo de terapia térmica. Idosos propensos à hipotensão ortostática devem ser cuidadosos nesses ambientes porque uma diminuição na pressão sanguínea pode causar síncope, geralmente logo depois da sauna.

        No mais, a sauna seca é segura para a maioria das pessoas com doença arterial coronária, angina pectoris estável ou antigo infarto do miocárdio. São raros os infartos agudos do miocárdio e mortes súbitas durante sessões de saunas, mas o consumo alcoólico durante uma sessão aumenta o risco de hipotensão, arritmia e morte súbita, e deve ser evitado.

- Continua após o anúncio -



   CONCLUSÃO

         O banho de sauna seca - e talvez outras modalidades similares, mas provavelmente em menor grau de benefícios - possui o potencial de ser uma efetiva opção terapêutica para pacientes com hipertensão ou outros problemas/fatores de risco cardiovasculares. Somando-se a isso, parece ser uma ótima ferramenta para a diminuição dos riscos de derrame. O mecanismo comum de ação parece ser a otimização da função vascular endotelial, a qual reduz a pré e pós-carga cardíacas. Ainda é incerto se os benefícios tragos são permanentes, mas prejuízos não parecem existir, salvo as poucas contra-indicações.


Artigo Recomendado: 

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16871826
  2. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24304490
  3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21951023
  4. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11165553
  5. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2359619/
  6. https://www.nature.com/articles/s41371-017-0008-z
  7. http://n.neurology.org/content/early/2018/05/02/WNL.0000000000005606
  8. https://www.cdc.gov/stroke/about.htm