YouTube

Artigos Recentes

Possível existência de megaestruturas alienígenas na Estrela de Tabby!



             Com a nossa atual tecnologia, ainda fica difícil concebermos ou iniciarmos a construção de grandes estruturas espaciais para fins diversos. Uma "Estrela da Morte" ou gigantescas instalações artificiais de habitação humana ainda são exclusivas de obras de ficção científica, como Star Wars e Star Trek. Porém, isso não impede que civilizações alienígenas bem mais avançadas do que a nossa já tenham tais colossais empreendimentos espaciais em desenvolvimento ou concluídos. Nesse sentido, muitos astrônomos buscam, além de planetas em zonas habitáveis pertencentes a outros sistemas estelares e por sinais de rádio de origem artificial, detectar essas assim chamadas "megaestruturas", estas as quais podem gerar excelentes pistas na procura por vida inteligente.

           Seguindo essa caça, recentemente foi anunciado (Ref.1) um novo bloqueio de luminosidade ainda inexplicável da curiosa estrela KIC 8462852, a qual está localizada a uma distância superior a 1300 anos-luz de nós, na constelação Cignos. Essa foi a primeira oscilação anormal de luminosidade da estrela testemunhada em tempo real, desde as primeiras detecções do tipo nos anos de 2011 e 2013. E segundo o astrônomo David Kipping, da Universidade do Estado de Columbia, provavelmente outras oscilações estão próximas de ocorrer e que muitos observadores já estão ansiosos para detectá-las. E o que mais chama a atenção nessa estrela é que ela pode ser estar mostrando tais estranhos comportamentos por causa de possíveis megaestruturas alienígenas em seu sistema!


- Continua após o anúncio -



   PROCURANDO POR EXOPLANETAS

           Tendo sido o nosso principal caçador de mundos, o Kepler é um observatório espacial lançado pela NASA em 7 de Março de 2009 com o objetivo principal de procurar por planetas próximos do tamanho da Terra que estejam em zonas habitáveis e que, portanto, sejam bons candidatos para sustentar vida como a conhecemos hoje. A Missão Kepler mira nossa galáxia, Via Láctea, nessa busca, explorando a estrutura e diversidade dos sistemas planetários encontrados. Durante seu tempo de operação, centenas de milhares de estrelas foram analisadas e milhares de planetas encontrados. Seu potencial de busca foi bastante limitado com danos que sofreu entre 2012 e 2013, e hoje ele opera deficiente (menor faixa de busca) na forma de uma nova missão: K2.

          Para detectar um possível planeta em torno das estrelas, o Kepler, e outros sistemas de buscas auxiliares, analisam, basicamente, o bloqueio de luminosidade em um evento chamado de transição, ou seja, quando um planeta passa em frente à sua estrela. Quando um planeta faz sua transição, um observador verá o evento como uma mancha sem luminosidade na estrela. Se o planeta possui um tamanho próximo da Terra, essa diminuição de luminosidade será de cerca de 1/10000 (100 partes por milhão) e durará entre 2 e 16 horas (tempo que o planeta, em referência a um observador fixo, demora para atravessar a frente da estrela). Aqui na Terra, podemos ver ocasionalmente um pequeno ponto preto no Sol quando Vênus ou Mercúrio o atravessam na nossa frente, sendo isso possível devido ao fato deles terem uma órbita mais próxima da nossa estrela.



          Uma vez que tal diminuição de luminosidade é detectada, e outros padrões de caracterização de um planeta são confirmados, o tamanho da órbita do planeta pode ser calculado do seu período (tempo necessário para o mesmo dar uma volta completa na estrela) e sua massa através da 3° Lei de Kepler de movimentação planetária. O tamanho do planeta em si pode ser encontrado do quanto a luminosidade é bloqueada da estrela em relação às dimensões dessa última. A partir da órbita e a temperatura da estrela (a qual é facilmente identificada com o seu espectro eletromagnético emitido), a temperatura média do planeta pode ser calculada. Dependendo dessa temperatura, e considerando se ele é de um tamanho próximo ou não da Terra (não muito grande para ser rochoso e não muito pequeno para ter uma gravidade suficiente para manter uma atmosfera mínima), ele pode ser classificado como estando em uma zona habitável ou não habitável.



           Mas além de explorar planetas, o monitoramento fotométrico do Kepler se torna bastante efetivo na procura das tão imponentes megaestruturas alienígenas.

- Continua após o anúncio -



      MEGAESTRUTURAS ESPACIAIS

          Avançadas civilizações alienígenas com um amplo domínio tecnológico e entendimento do seu Sistema Estelar com toda certeza causarão profundo impacto no ambiente espacial onde estão fixadas.

           A motivações por trás dessas construções podem ser diversas, mas quatro são as mais plausíveis em termos científicos. A primeira é para a coleta de energia. Ora, uma civilização cada vez mais avançada irá precisar de cada vez mais fontes energéticas para se sustentar, incluindo seus empreendimentos de exploração espacial. A maior fonte de energia livre em um Sistema Estelar é, sem sombra de dúvidas, sua/s estrela/s. Através da fusão nuclear (1), gigantescas quantidades de energia eletromagnética e partículas aceleradas são geradas por uma estrela, as quais acabam sendo a fonte primordial de luminosidade ao seu redor. Se pudéssemos, por exemplo, captar toda a luminosidade emitida pelo Sol, teríamos acesso a cerca de 3,8x1026 Watts de energia! Portanto, a opção mais fácil e óbvia de obtenção energética por uma civilização avançada sedenta por energia seria sua estrela - aliás, hoje a humanidade busca ferozmente por formas eficientes de captar a energia solar tanto aqui na Terra quanto em missões espaciais.

           Com esse objetivo de captar a energia estelar, gigantescas e complexas construções poderiam ser feitas para a colheita da energia luminosa através de grandes painéis solares de alta tecnologia e ou transmiti-la para o seu planeta por wireless ou sustentar a si mesmas caso estejam servindo como um sistema de habitação espacial, sendo esta última possibilidade a segunda motivação para as megaconstruções. A escala Kardashev é frequentemente usada para medir o nível de avanço tecnológico, e é baseada na quantidade total de energia que uma civilização é capaz de utilizar. Os intervalos energéticos na escala são enormes. Nossa civilização, por exemplo, consome uma média em torno de 1,75x1010 Watts anualmente de energia, o que nos coloca no nível 0,724 na escala Kardashev. Em outras palavras, não somos nem mesmo uma civilização Tipo I, e, sim, um sub-Tipo I. Uma hipotética civilização Tipo II seria capaz de controlar sua própria estrela e colher todo o seu poder energético, ou seja, algo em torno de 4,1x1026 Watts (pegando uma média de estrelas). Isso é algo 17 ordens de magnitude maior do que o nosso consumo (1 seguido de 17 zeros vezes mais)! Megaestruturas de captação solar seriam uma opção para suprir esse absurdo energético.

Megaestruturas em volta de uma estrela seriam  prováveis empreendimentos de engenharia de civilizações muito avançadas

            A terceira motivação viria da busca por luminosidade na parte escura do planeta de habitação. O tipo mais comum de estrela na nossa galáxia é a Anã M. Essas estrelas possuem uma longa vida, mas são muito pouco luminosas quando comparadas com outros tipos. Nesse caso, um planeta para estar na zona habitável precisaria estar muito próxima dela para ficar com uma temperatura média que favoreça a vida. Mas com essa proximidade, o efeito de maré forçaria apenas um lado do planeta a ser iluminado pela estrela, ficando a outra metade na completa escuridão (2). Megaestruturas de porte médio poderiam ser construídas ao redor do planeta pela civilização ali residente ou migratória (vinda de outro planeta) para refletir a luz solar na outra metade. Ou também esse sistema de espelhos poderia ser usado como um interruptor de luz, iluminando quando necessário, seja o planeta preso em efeito de maré ou não.

           Já a quarta e última motivação a ser mencionada teria o mesmo objetivo que nós, atualmente: encontrar vida inteligente. Sim, com as megaconstruções, seria possível realizar bloqueios de luminosidade nas estrelas em padrões não naturais, estes os quais evidenciariam a existência de vida inteligente por trás dessas estruturas. E como o intuito é comunicar com o máximo de vida inteligente possível em outros sistemas estelares, grandes oscilações luminosas nas estrelas seriam relativamente fáceis de serem identificadas por civilizações com diferentes graus de avanço tecnológico. Outra forma de usar essas megaconstruções para a comunicação seriam elas terem uma função de coleta de energia estelar - como proposto anteriormente - mas com o objetivo de alimentar um grande volume e espectro de sinais de rádio e emiti-los para todos os cantos do Universo em busca de vida que os captem - assim como nós também transmitimos de forma modesta e temos grandes antenas para tentar captar esses sinais vindos de alienígenas.

           A ideia das megaestruturas com o intuito de fornecer energia para uma avançada civilização foi primeiro explorada por James Dyson em uma publicação científica na Science, em 1960 (Ref.9), com o título de ´Artificial Stellar Source of Infrared Radiation´ (´Fontes Estelares Artificiais de Radiação Infravermelha´), onde o autor sugere a busca desses colossais empreendimentos alienígenas pelo excesso de radiação infravermelho emanado por uma estrela visada que apresente anômalos comportamentos. Nesse trabalho, Dyson propõe a existência de megaestruturas na forma de inúmeros objetos orbitando uma estrela com o intuito de captar sua energia. O modelo prático que mais se aproxima do que Dyson imaginava é o que hoje conhecemos como Enxame de Dyson, onde uma avançada civilização pode quebrar os planetas de uma estrela em pequenos planetoides ou fragmentos diversos soltos em órbita e artificialmente projetados para formar uma coleção - ou enxame - de objetos ao redor da estrela para capturar sua energia luminosa. O enxame de captadores de energia podem cobrir toda a estrela alvo -  Esfera Pura de Dyson - ou apenas parte dela - Esfera Parcial de Dyson. Tal megaconstrução ao redor da estrela seria gradualmente desenvolvida e a energia captada transferida de várias formas por wireless. Se começássemos a fazer tal empreendimento, provavelmente depredaríamos Mercúrio, Vênus e outros corpos espaciais para conseguir matéria-prima.

Obs.: Muitos imaginam a Esfera de Dyson como uma estrutura fechada em volta da estrela. Mas essa situação é muito complicada, porque geraria inúmeros problemas de estabilidade gravitacional e esforços monstruosos para evitar choques com a estrela. Objetos soltos em órbita é a maneira mais lógica e otimizada de colheita energética 

          Independentemente da forma ou objetivo dessas megaconstruções, elas causariam um óbvio impacto de interferência na luminosidade da sua estrela. Sistemas de busca como o Kepler podem, em teoria, ajudar a identificar essas megaestruturas quando estas bloqueiam a luminosidade de uma estrela em que orbitam (assim como os planetas e outros corpos espaciais) e também pelo provável excesso de radiação infravermelha de médios comprimentos de onda que os captadores de energia estelar gerariam ao processar a luz (aquecimento (3)) no momento de observação da transição. Caso a órbita, formato, densidade, entre outros parâmetros astrofísicos na luminosidade ou de objetos em torno de uma estrela estejam muito fora do comum, já é uma pista para identificar esses empreendimentos alienígenas titânicos. Megaconstruções que bloqueiem completamente uma estrela seriam ainda mais fáceis de serem identificados, já que existiria uma grande emissão de radiação infravermelha em um ponto praticamente escuro na faixa do visível.

- Continua após o anúncio -



   KIC 8462852

          Em seus quatro anos de principal atividade, antes da falha em alguns dos seus componentes de propulsão, o Kepler identificou e monitorou a luminosidade de mais de 150 mil estrelas. Entre as mais peculiares descobertas do nosso Caçador de Mundos, está a estrela KIC 8462852, também conhecida como ´Estrela de Boyajian´ ou ´Estrela de Tabby´. Ela é uma estrela de sequência-principal F3 a uma distância em torno de 1400 anos-luz e que possui uma grande quantidade de matéria eclipsando-a. Na fase de transição, esse material de bloqueio pode obscurecê-la em mais de 20%! Porém, o que chama ainda mais a atenção é que essa oscilação de luminosidade não exibe a periodicidade esperada de um planeta em órbita e pode durar de 5 a 80 dias, sendo esse último fato algo inédito!

            Diversas explicações naturais já foram propostas, mas a maior parte não encontrou evidências suficientes de suporte. As primeiras hipóteses recaíram sobre catastróficas colisões no cinturão de asteroides da KIC 8462852, um gigantesco impacto afetando um planeta no sistema, ou uma população de corpos planetesimais passando em frente à estrela. Todos esses cenários produziriam grandes quantidades de poeira dispersada ao longo da órbita dos detritos gerados, resultando em mais infravermelho de comprimento médio do que se pode inferir das condições normais em torno da estrela por um longo período de tempo. Esse infravermelho viria do grande aquecimento de tais partículas de poeira pela radiação solar. Porém, estudos recentes (Ref.10,11, 12 e 13) não conseguem encontrar esse excesso de infravermelho, tornando esses cenários improváveis.

Um cenário de grandes impactos e geração de uma grande quantidade de poeira como rastro é improvável

          Uma hipótese mais aceita hoje, a qual quase sempre é citada nos estudos sobre a estrela, é que uma família de cometas estejam viajando em uma órbita elíptica muito longa em torno dela, onde um primeiro bem grande teria bloqueado bastante sua luminosidade em 2011 e depois, em 2013, o resto da tropa teria bloqueado em menor intensidade a luz emitida. Nesse último cenário, as observações feitas em estudos de 2015 usando o observatório fotométrico Spitzer/IRC na estrela realmente não teriam conseguido registrar traços de infravermelho porque os cometas já estariam bem longe.

Uma grande população de cometas seria a explicação mais provável

           Bem, como sempre, devemos priorizar o máximo as explicações por via de fenômenos naturais, os quais, por probabilidade e tendência, são os majoritários em absoluta extensão. Porém, claro, é interessante também usar essas anormalidades para especular uma possível presença de massivas megaestruturas de projetos alienígenas, sendo que o KIC 8462582 continua ainda hoje representando a maior esperança nesse quesito.

             Aliás, em Julho de 2016, um estudo foi publicado  no periódico The Astrophysical Journal (Ref.14), por astrônomos da Sociedade Astronômica Americana, onde foi feito o detalhamento de uma busca por sinais de rádio de uma possível civilização alienígena no Sistema Estelar da KIC 8462582. As frequências exploradas estavam compreendidas em um espectro de frequência entre 1 e 10 GHz usando o Allen Telescope Array, mas dando também uma especial atenção ao intervalo entre 1 e 100 Hz, frequências as quais não são produzidas por nenhuma fonte natural conhecida (todas abaixo de 500 Hz são, até onde se sabe, de origem artificial). Apesar de nenhum sinal ter sido detectado durante o estudo, as buscas continuam. Como essa estrela está a uma distância relativamente grande de nós (cerca de 1400 anos-luz), seria necessário poderosos sinais sendo emitidos pela civilização alienígena para nos alcançar com significativa abundância. Ou seja, detectar possíveis sinais artificiais de rádio vindos de lá não é fácil.

           E as especulações do que está ocorrendo em torno da KIC 8462582 irão esquentar com os novos eventos de oscilação luminosa anunciados nesta semana, onde as recentes quedas de luminosidade da estrela foram observadas no dia 24 de Abril pelo Observatório Fairborn da Universidade do Estado de Tennessee, no sul do Arizona. Mas foi somente na última semana que os astrônomos tiveram certeza de que ela tinha entrado em uma nova oscilação luminosa, ficando 3% menos brilhante nos dias 19 e 20 de Maio. Agora, ela está voltando ao normal, contudo, como ocorreu antes nas observações do Kepler, as oscilações podem estar apenas começando. E comparando com os dados anteriores, parece que existe uma semelhança nessa primeira transição com outras registradas, suportando a ideia que o mesmo objeto inicial está repetidamente passando em frente à estrela. Astrônomos de dezenas de observatórios diferentes também coletaram os dados dessa transição, despertando energeticamente a comunidade acadêmica para a estrela. Diversos pesquisadores pararam seus trabalhos para observarem o fenômeno. Todos os dados sendo coletados serão sobrepostos posteriormente para análises e tentativa de explicar o misterioso evento.

- Continua após o anúncio -



   ESPERANÇA SEMPRE, MAS SEJA REALISTA

            Outras três prévias anormalidades tinham sido detectadas pelo Kepler recentemente: KIC 12557548b, KOI-2700 e K2-22b. O primeiro, rapidamente se descobriu, tratava-se de um planeta em processo de evaporação, o qual já tinha perdido 70% da sua massa devido à interação com a sua estrela em observações de 2013. Esse processo de evaporação acabou produzindo comportamentos fora do comum para o objeto. Já o KOI-2700 e o K2-22b, descritos o primeiro em 2014 e o segundo em 2015, não foram possíveis de gerar dados úteis em seus erráticos comportamentos devido ao brevíssimo período de transição, o que indica baixas massas envolvidas e poucas probabilidades de existir megaestruturas envolvidas ou que possam ser especuladas. Mas a estrela KIC 8462582 mostra-se um verdadeiro mistério ainda e as características das observações feitas em seu sistema podem sugerir um legítimo Enxame de Dyson: aperiodicidade, eventos de oscilações luminosas arbitrários, estranhas durações de transição e grande complexidade.

Estrela KIC 8462852 em infravermelho (2MASS survey) e ultravioleta (GALEX) / NASA

           Porém, é preciso manter a calma nas especulações. Como citado, as explicações naturais precisam vir sempre em prioridade, independentemente se oferecem um mínimo ou um máximo de plausibilidade. Pulsares, por exemplo, quando foram descobertas, ganharam o nome de LGM-1 (´Little Green Men´, ou, na tradução, ´Pequenos Homens Verdes´) para fazer alusão à estranha natureza dessas estrelas e sugerindo uma origem alienígena. Mais tarde, acabou-se explicando a natureza das suas emissões de energia como um fenômeno normal envolvendo uma colapso em forma de estrela de nêutrons (4) ou Anãs Brancas (seu feixe de radiação eletromagnética só pode ser observado por nós quando o mesmo está apontando em direção à Terra, dando a impressão de serem emitidos em pulsos). Já o CTA 102 - um quasar descoberto no início dos anos de 1960 - tinha sido visto trocando de luminosidade muito rápido, algo que levou alguns astrônomos da ex-União Soviética a sugerirem que o fenômeno era algum tipo de mensagem extraterrestre sendo enviada para outras civilizações. No final, o fenômeno foi explicado usando conceitos científicos naturais.

           Além disso, vamos lembrar que a estrela KIC 8462852 não é nada convidativa para o desenvolvimento de vida ou sua manutenção. Primeiro, sua temperatura é alguns milhares de graus mais quente do que o nosso Sol, tornando suas redondezas um mar de nocivas radiações ultravioletas (UV). Em segundo lugar, ela é uma estrela de relativa curta duração, algo em torno de 3 bilhões de anos até seu combustível de hidrogênio se exaurir (1). Considerando que aqui na Terra uma vida inteligente demorou mais de 4 bilhões para surgir e estabelecer um modesto sistema avançado de tecnologia, fica menos plausível uma civilização ultra avançada ter tido tempo de se estabelecer por lá se formos comparar com a nossa história.

           Uma outra dúvida é o fato de que uma civilização super avançada, do Tipo II ou próximo, construindo uma megaestrutura com fins diversos, não parecer ter nos avistado e, sim, nós termos avistado ela agora através da Esfera de Dyson. Temos que lembrar que demora cerca de 1400 anos para a luz dessa estrela chegar até aqui. É de se imaginar que a tecnologia de observação espacial deles seria muito avançada e, considerando que estamos todos na mesma galáxia, fica estranho o fato deles não terem nos identificado e tentado um contato direto ou terem feito um empreendimento para nos visitar.

          Mas não enterremos nossas esperanças, fiéis exploradores estelares! A vida em torno da KIC 8462852 pode ter tido um processo de desenvolvimento totalmente diferente do nosso, onde a evolução natural tomou um rumo mais acelerado e os seres criados sendo mais resistentes à radiação UV. Ou, em outro cenário possível, uma civilização alienígena de um Sistema Estelar próximo pode ter migrado para o sistema dessa estrela e estabelecido uma nova colônia ali. Considerando que é uma civilização muito avançada, isso é mais do que plausível. E nem precisam estar migrando, apenas expandindo seus domínios. Aliás, as megaestruturas podem ser postos de fixação e habitação, sem a necessidade de estarem vinculados a planetas ali dentro.

           Para explicar o fato deles não terem nos avistado e tentado um contato direto conosco pode ter sido apenas uma questão social deles. Não sabemos nem mesmo se seriam seres orgânicos ou androides (IA - Inteligência Artificial). Talvez eles estejam cansados de avistar planetas com vida e, no momento que viram a Terra, ela era só mais uma. E se lembrarmos que a nossa civilização está a pouquíssimo tempo no planeta (em termos geológicos) e teve um rápido desenvolvimento apenas em uma ordem de centenas de anos, seríamos algo desinteressante para eles (podem até já ter visitado o Sistema Solar em um passado longínquo e terem ido embora). Outra explicação para o que estamos vendo na KIC  8462852 pode ser apenas um projeto inicial de Enxame de Dyson, onde a civilização alienígena pode ter desistido de continuar o projeto - provavelmente durante uma expansão de colonização - ou foi extinta por algum motivo e não terminou o esforço de engenharia.

           Bem, as possibilidades são muitas, e não podemos parar de explorá-las. Muitos dados ainda estão para serem analisados e muitas bilhões de estrelas somente na nossa Via Láctea faltam para serem observadas. E com novos projetos de telescópios espaciais sendo planejados para serem lançados nos próximos anos, como o WFIRST, TESS e o PLATO, o alcance das buscas será inimaginável! Muitas especulações e talvez algumas megaestruturas ainda estão por vir!




Artigos Recomendados:

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.sciencemag.org/news/2017/05/star-spurred-alien-theories-dims-again 
  2. https://www.nasa.gov/mission_pages/kepler/overview/index.html 
  3. https://www.nasa.gov/mission_pages/kepler/multimedia/images/transit-light-curve.html 
  4. http://adsabs.harvard.edu/abs/2017AAS...22924032S 
  5. https://arxiv.org/abs/1705.04142 
  6. https://visibleearth.nasa.gov/view.php?id=78196
  7. https://www.nasa.gov/image-feature/mercury-solar-transit-0
  8. https://ieet.org/index.php/IEET2/more/dvorsky20120329 
  9. http://science.sciencemag.org/content/131/3414/1667 
  10. https://academic.oup.com/mnras/article-abstract/468/4/4399/3098194/Secular-dimming-of-KIC-8462852-following-its?redirectedFrom=fulltext 
  11. https://arxiv.org/abs/1509.03622 
  12. http://iopscience.iop.org/article/10.1088/2041-8205/814/1/L15/meta 
  13. http://adsabs.harvard.edu/abs/2017AAS...22924516R
  14. http://iopscience.iop.org/article/10.3847/0004-637X/825/2/155/meta
  15.  http://meetings.aps.org/Meeting/MAR17/Session/V15.10
  16.  https://www.seti.org/seti-institute/news/alien-engineering-around-strange-star
  17. http://home.fnal.gov/~carrigan/infrared_astronomy/Fermilab_search.htm
  18. https://www.cambridge.org/core/journals/international-journal-of-astrobiology/article/on-the-search-for-artificial-dysonlike-structures-around-pulsars/F81897B07199173A573226D4DC8B77A7
  19. https://www.researchgate.net/profile/Marko_Horvat2/publication/283329165_KIC_8462852_Remnants_of_a_Failed_Early_Type_II_Civilization/links/5633eba408aeb786b7013cee.pdf
  20. http://iopscience.iop.org/article/10.1088/0004-637X/698/2/2075/meta
  21. https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-319-51759-9_4
  22. https://arxiv.org/pdf/1510.04606.pdf
  23. https://apod.nasa.gov/apod/ap160613.html
  24. https://www.nasa.gov/feature/jpl/strange-star-likely-swarmed-by-comets
  25. https://www.seti.org/seti-institute/mysterious-star-kic-8462852
  26. http://large.stanford.edu/courses/2016/ph240/wee1/