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Os Pterossauros eram dinossauros?



         Os famosos Pterossauros, comumente referidos como 'dinossauros voadores', não eram dinossauros, e, sim, répteis voadores pertencentes a outro grupo de animais! Nesse sentido, é mais errado ainda pensar que eles seriam a ligação evolucionária direta entre dinossauros e nossas atuais aves. Aliás, outros répteis pré-históricos, especialmente os marinhos, são tidos hoje no meio popular como dinossauros, mas também pertenciam a outros grupos, onde podemos citar o Ictiossauro, o Plesiossauro e o Mosassauro.

          Os pterossauros são répteis voadores pré-históricos da Era Mesozoica, pertencentes à clade Ornithodira. Esses animais viveram do período Triássico até o período do Cretáceo, espalhando-se por todo o planeta durante cerca de 155 milhões de anos. Os registros mais antigos dos fósseis desses animais já encontrados datam aproximadamente 220 milhões de de anos atrás e eles conviveram junto com os dinossauros há 65 milhões de anos. Mas, importante, esses répteis não eram dinossauros, estes os quais fazem parte da clade Dinosauria. Além disso, eles vinham em vários formatos - com presença ou não de dentes - e tamanhos - onde alguns não ultrapassavam os 25 cm de envergadura de asas, como o Nemicolopterus crypticus, e outros ultrapassavam os 11 metros, como o Quetzalcoatlus northropi. Na verdade, esse é outro erro comum, onde as pessoas, influenciadas por filmes e outras mídias populares, pensam que os Pterossauros eram todos seres voadores gigantescos. Pelo contrário, a maior parte deles tinham de tamanhos pequenos a bem modestos, não ultrapassando muito as dimensões de uma gaivota na maioria das vezes.

Hornby azhdarchoid, por exemplo, era do tamanho de um pequeno gato doméstico

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          Mas os Pterossauros já causaram - e ainda causam - uma grande confusão também no meio acadêmico, em relação à capacidade de voo desses animais. Amplamente lembrados por serem os primeiros vertebrados conhecidos no planeta a voarem, até hoje não se sabe ao certo os mecanismos que controlavam o voo desses animais, especialmente a propulsão inicial ("decolagem"). Antigamente os pesquisadores achavam que não era possível grande parte deles voarem, por causa do tamanho de alguns e devido ao fato de que todos eles supostamente terem sangue frio, assim como os nossos répteis tradicionais. Nessa linha de pensamento, no máximo a maioria devia planar, já que um sangue quente seria necessário para iniciar um voo. Em décadas recentes, contudo, investigações mais cuidadosas, e outros achados fósseis, mostraram que era mais provável que esses animais, - e também os dinossauros (1) -, possuíam um sangue no meio termo entre frio e quente, além de terem uma musculatura bastante avantajada para as decolagens.

           Hoje, a capacidade de voo da maioria dos Pterossauros já é mais aceita e vários modelos que simulam a estrutura corporal desses répteis já foram construídos para sustentar essa ideia, com os primeiros sendo projetados na década de 80. Ainda não foi obtido um bom modelo de comparação, mas pressupõe-se que mesmo as espécies maiores conseguiam alcançar velocidades de voo superiores a 120 km/h. As membranas que formavam suas asas, parecidas com aquelas de morcegos, podiam suportar voos, sim, não apenas planadas, como outros vertebrados atuais fazem (certos esquilos e lagartos, por exemplo). Aliás, certas pesquisas indicam que logo que saíam dos ovos, certas espécies de Pterossauros já tinham capacidade de voar! (2)

Os estudos de fósseis em décadas recentes mostram que os Pterossauros possuíam a capacidade física para poderosos voos

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           Porém, os pesos pesados - como o Quetzalcoatlus - seguram ainda dúvidas se conseguiam de fato voar ou  se, assim como várias aves hoje, as asas eram mais herança evolucionária do que qualquer outra coisa. Neste último caso, pesquisas anteriores indicavam que esses gigantes tinham um densidade corporal muito baixa, fazendo-os terem um peso máximo em torno de 70 kg, permitindo-os voar com facilidade. Mas estimativas mais recentes, estudando a constituição dos fósseis encontrados, não acham plausível tal valor, colocando um mínimo de 200 kg para a espécie, e o mesmo sendo válido para outras espécies do mesmo grupo de grandes Pterossauros ('azhdarchids'). Por outro lado, hipóteses biomecânicas atuais mostram que se eles utilizassem seus fortes quatro membros para a decolagem - diferente das aves modernas que usam dois - fica bem plausível uma arrancada de voo, com a aerodinâmica dos seus corpos permitindo sua manutenção. E, falando nisso, os indícios fósseis estudados até hoje indicam que os Quetzalcoattus eram quadrúpedes quando se movimentavam no solo.

Quetzalcoatlus northropi era tão alto quanto uma girafa!

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          Por último, um fato bastante discutido é a causa da extinção dos Pterossauros. Antes, o consenso era de que as aves, as quais tinham começado a explodir em número e diversidade no começo do Cretáceo, tinham levado esses répteis à extinção, através de competição direta pelos mesmos nichos ecológicos. E isso entra em consonância com o período de desaparecimento dos Pterossauros, no final do Cretáceo. Mas estudos mais recentes mostram que essa hipótese não parece ser plausível, por causa do tipo de declínio que os Pterossauros estavam tendo, onde apesar de ter ocorrido uma redução em morfologia, ecologia e diversidade filogenética, não existiu um declínio geral de diversidade a longo prazo durante o Cretáceo. Com isso, uma suposta substituição desses répteis voadores pelas aves voadoras não encontra suporte de fortes evidências científicas, sendo provável que eles desapareceram do mesmo modo que os dinossauros.


ATUALIZAÇÃO (02/12/17): Uma fantástica descoberta está deixando os Paleontólogos super excitados. Centenas de ovos de pterossauros e alguns embriões foram encontrados na China, e estão ajudando os pesquisadores a entenderem profundamente esses répteis alados.

            Nesse caso, os fósseis pertencem à espécie Hamipterus tianshanensis, a qual viveu há cerca de 120 milhões de anos, e tiveram origem do noroeste da China, em Turpan-Hami Basin, Xinjiang. Escavando uma área de 3 metros quadrados sobre um bloco de arenito, os pesquisadores descobriram, no mínimo, 215 ovos amassados e quebrados junto com ossos de pterossauros adultos - mas o número pode superar os 300. Entre 42 ovos analisados por tomografia computacional, 16 deles continham os restos de embriões compreendendo vários estágios de desenvolvimento.


            De acordo com o estudo dos achados fósseis, publicado na Sciece (Ref.15), os ovos não estavam em suas posições originais de ninho - provavelmente foram aglutinados e varridos por uma evento de tempestade -, mas a série de embriões em diferentes estágios de desenvolvimento sugerem fortemente que esses animais cuidavam dos seus ninhos em grupo, algo antes uma hipótese e agora praticamente confirmado. Além disso, de acordo com a disposição dos fósseis, parecia existir uma fidelidade de local para o ninho, em um comportamento similar ao de aves costeiras.


           Analisando a estrutura microscópica dos ossos embrionários, os pesquisadores também descobriram outra surpresa, mas dessa vez indo de encontro com o atual consenso científico. O ossos do fêmur (coxa) desses embriões estavam bem desenvolvidos mas aqueles dos membros posteriores - necessários para voar - estavam subdesenvolvidos. Até o momento, como já mencionado neste artigo (2), os cientistas acreditavam que tão logo os pterossauros saíam dos ovos ele já estavam aptos a voarem. Porém, considerando o novo achado, pelo menos aqueles pertencendo à espécie Hamipterus tianshanensis  provavelmente não conseguiam voar pouco tempo depois de saírem dos ovos, apenas andarem no solo.

          Outros pesquisadores não estão tão convencidos com essa última especulação e os autores do estudo também alertam que o trabalho investigativo ainda é preliminar. Pterossauros, no geral, podiam ter tecido cartilaginoso apoiando o tecido ósseo ao nascerem que permitiam os filhotes a voarem, especialmente considerando a pequena massa deles (alguns gramas).

          Um dos co-autores do estudo é o brasileiro Alexander Kellner, do Museu Nacional na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.app.pan.pl/article/item/app20090145.html
  2. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2538868/
  3. http://www.bioone.org/doi/10.1666/0094-8373-35.3.432
  4. http://www.port.ac.uk/research/palaeobiology/pterosaurs/
  5. http://www.port.ac.uk/research/palaeobiology/pterosaurs/flight/
  6. http://pterosaur.stanford.edu/
  7. http://www.southampton.ac.uk/news/2016/08/rare-pterosaur.page
  8. http://palaeo.gly.bris.ac.uk/macro/pterosaurs.html
  9. http://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-662-46005-4_4#page-2
  10. http://rsos.royalsocietypublishing.org/content/3/8/160333.abstract
  11. http://www.faculty.biol.ttu.edu/strauss/pubs/Posters/2002AtanassovStrauss.pdf
  12. http://www.nrcresearchpress.com/doi/abs/10.1139/cjz-2013-0219#.WABVw7Oo2Vs
  13. VI Jornadas Internacionales sobre Paleontologia de Dinosaurios y su Entorno 
  14. http://www.fasebj.org/content/28/1_Supplement/13.3.short  
  15. http://science.sciencemag.org/content/358/6367/1197