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Rãs peçonhentas!



        Para quem achava, assim como eu, que só existiam sapos e rãs apenas venenosos (não injetam veneno, apenas possuem a pele tóxica, por exemplo), terá que mudar de ideia com duas espécies de rãs recentemente descritas.

         Tanto a Corythomantis greeningi quanto a Paraphenodon brunoi possuem um tipo de coroa de pequenos espinhos na cabeça que servem para forçar o veneno produzido por glândulas especiais a entrar na circulação sanguínea do azarado. Elas atacam com a cabeça para cravar os espinhos e abrir uma ferida no alvo, facilitando a entrada do veneno. Em outras palavras, essas rãs podem ser consideradas animais peçonhentos. Isso é algo nunca antes visto em anfíbios!


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          A primeira foi descoberta por acidente pelo pesquisador do Instituto Butantã, Carlos Jared, quando este estudava as espécies de sapos/rãs no Nordeste brasileiro (habitat das duas). Ao manipular a greenini, ele foi alvejado pelos espinhos, com uma forte cabeçada, e ficou com a mão bastante dolorosa por 5 horas. Através de uma biópsia do tecido atingido, foi verificado a existência de um veneno. A brunoi possui uma toxina ainda mais poderosa, cerca de 25 vezes mais forte que as víboras brasileiras da família Crotalinae (vulgarmente conhecidas como Cobras-Covinha). Ou seja, dependendo da quantidade, seu veneno é letal para o seres humanos.

          Normalmente, os sapos e as rãs possuem veneno distribuído pela pele, produzido por glândulas cutâneas. São perigosos, portanto, se ingeridos ou sua pele em contato com nossas mucosas (olhos por exemplo). Com a descoberta desse mecanismo de peçonha nas duas rãs acima descritas, fica perigoso agora até mesmo pegar nesses animais sem antes conhecer a espécie.


Publicação do estudo: Current Biology

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