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Qual é a melhor forma de carregar a bateria do seu celular?



          Uma dúvida que castiga de preocupação a grande maioria das pessoas é em relação aos cuidados de recarga das baterias de celular e outros equipamentos eletrônicos. Um dos supostos problemas mais difundidos nas discussões do dia a dia é relacionado com o famoso ´Memory Effect´ (Efeito de Memória) ou, como é mais conhecido aqui no Brasil, ´Vício de Bateria´.

          O efeito de memória é algo bem característico das baterias de Níquel-Cádmio (NiCd) e Níquel-Metal Hidreto (NiMH). Nesses dois tipos de baterias - bem populares no passado, mas com um uso limitado hoje -, caso a recarga não fosse feita somente quando a energia estivesse totalmente depletada (0%) ou se fosse feita de forma incompleta, a capacidade energética da mesmas sofria prejuízos significativos. Por isso o fenômeno ficou apelidado de ´efeito de memória´, já que a bateria passava a se ´lembrar´ da menor capacidade que aparentemente essas baterias haviam desenvolvido (você recarregou elas quando não estavam totalmente descarregadas, então, supostamente, esse seria o novo limite de gasto energético). Obviamente, as tais baterias não possuem consciência própria, sendo que esse efeito é apenas devido à química que compõe a estrutura das mesmas.

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         Só que isso tudo não se aplica às modernas baterias recarregáveis, ou seja, as baseadas em lítio, presentes no seu celular, notebook, tablet, etc. As baterias de lítio não possuem os efeitos de memória (1) tão devastadores presentes naquelas de NiCd e de NiMH. Na verdade, é até prejudicial para o desempenho delas se forem descarregadas completamente, sendo que o recomendado é sempre procurar carregá-las quando estiverem chegando perto do esgotamento. Não precisa se preocupar em recarregá-las de forma incompleta (50, 60, 70, 80%, etc.) e nem se incomode em esperar elas chegarem perto de 0% antes da recarga. Isso não afetará a vida útil delas. No site da Apple eles até explicam mais detalhadamente sobre o assunto (2). Virtualmente, não existe efeito de memória nas baterias de lítio (Lítio-íon ou Li-ion, na abreviatura) que possa gerar mínima preocupação em relação aos aparelhos móveis comuns do cotidiano da população.

As baterias de lítio não ficam viciadas

            No caso do Lítio-íon, dois outros fatores são os reais perigos para a sua vida útil:

1. Altas temperaturas, as quais fazem com que reações secundárias aconteçam em demasiado dentro dessas baterias, degradando-as mais rapidamente. Fique de olho onde você está deixando sua bateria/dispositivo e evite aquecimentos desnecessários na hora da recarga (retire a tampa durante a recarga ou deixe o aparelho em um lugar bem fresco/ventilado);

2. Se não for usar seu aparelho ou bateria por um longo período, nunca deixe a mesma com recarga totalmente cheia ou totalmente vazia. Prefira guardá-la com cerca de 50% de recarga. Isso preserva bastante a capacidade da bateria (por isso quando você compra um aparelho que possui uma bateria de lítio esta estará com cerca de metade da sua carga).

          Bem, além disso, obviamente, a bateria de lítio, ou quaisquer outras, irão perder a eficiência com o tempo de uso ou com o simples tempo. É válido também chamar a atenção para os ciclos da bateria. Muitos pensam que toda vez que se recarrega a bateria já está sendo usado 1 ciclo e, como o número de ciclos é diretamente ligado com a sua vida útil, cada recarga seria uma apunhalada. Só que a bateria de lítio só conta 1 ciclo completo depois do uso de 100% da sua capacidade. Por exemplo, se você usou 50% da energia da bateria hoje e recarregou ela, você apenas gastou meio ciclo. Se amanhã você usar 20% e recarregar, ainda faltará mais 30% para chegar em 1 ciclo completo. Ou seja, você pode demorar dias até completá-lo. É estimado que uma bateria de lítio convencional sobreviva bem ao uso entre 400 e 1200 ciclos, dependendo do seu modo de fabricação e/ou aparelho no qual ela esteja inserida. Baterias mais sofisticadas podem durar bem mais, como as encontradas em carros elétricos.

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(1) Uma pesquisa de 2013, publicada na Nature, mostrou que a bateria de lítio feita do composto LiFePO4 (que serve de eletrodo positivo) possui, sim, um efeito de memória, algo antes tido como impossível. Só que o efeito é muito pequeno quando comparado com as baterias mencionadas no início deste artigo. Artigo científico: Nature 

(2) Artigo da Apple: Apple

OBS.: Alguns fabricantes recomendam, nas instruções, que os consumidores descarreguem completamente a bateria e carregue-a completamente antes do primeiro uso. Isso é desnecessário e não afetará a vida útil da sua bateria de lítio caso não seja feito. Essa recomendação seria válida se houvesse algum parâmetro de calibração do aparelho em relação à leitura da bateria que necessitasse desse procedimento inicial, mas isso é independente da vida útil da mesma.

Quanto a carregar completamente antes de usar o aparelho pela primeira vez, isso pode estar mais ligado ao marketing do produto, objetivando otimizar, ao máximo, a primeira experiência do usuário com o novo produto. Ou seja, carregando tudo, você estaria usando o produto por mais tempo pela primeira vez, aumentando a satisfação.

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1.  http://jes.ecsdl.org/content/143/10/L225.short
  2. https://www.psi.ch/media/memory-effect-now-also-found-in-lithium-ion-batteries
  3. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378775300005061
  4. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0013468608005914
  5. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378775306021161 
  6. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0167273806001512 
  7. http://www-scf.usc.edu/~rzhao/LFP_study.pdf
  8. https://www.admin.ch/gov/en/start/dokumentation/medienmitteilungen.msg-id-48489.html