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Faz mal estalar os dedos?

                                   

           Estalar os dedos é um hábito bastante comum, sendo parte íntima do cotidiano de algo entre 25 e 45% da população mundial. Mas, diferente do que as pessoas acreditam, o ato não tem nada a ver com atritar um osso contra o outro. Esse atrito, em condições normais, é impossível. Mas, independente disso, estalar os dedos promove danos para as mãos? Facilita o desenvolvimento de uma artrite?

          O barulho que ouvimos ao estalar os dedos está relacionado à movimentação de ar dissolvido quando esprememos ou esticamos o material presente junto à cartilagem das articulações. Esse material, chamado de ´fluído sinovial´, é um fluído viscoso, com a consistência de uma clara de ovo, e cuja principal função é em reduzir a fricção entre as cartilagens articulares. Ali chegam, junto com o sangue, diversos gases, como o dióxido de carbono, nitrogênio e oxigênio, os quais acabam presos e dissolvidos. Até pouco tempo atrás, ainda era muito debatido qual o exato mecanismo responsável por liberar esse ar, mas um estudo publicado em 2015 no Plos One, usando a técnica de Imagem por Ressonância Magnética (IRM), mostrou claras evidências de que o processo estava relacionado com a formação de cavidade por tribonucleação.

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            Esse processo de tribonucleação é caracterizado por uma rápida separação de superfícies com uma subsequente formação de cavidade. No caso dos estalos, a partir de uma força suficiente, a atração viscosa entre as superfícies articulares é vencida, resultando em uma rápida separação entre as mesmas. Essa rápida separação gera uma drástica redução de pressão, esta a qual força os gases dissolvidos no fluído a saírem e formarem uma cavidade, sendo nesse momento também a formação do som típico dos estalos. Essa cavidade preenchida com ar não desaparece após o estalo por um bom tempo, explicando o porquê da impossibilidade de se estalar novamente aquela articulação dentro de cerca de 20 minutos. Por muito tempo achava-se que o processo era devido ao colapso de bolhas de ar já existentes no fluído sinovial, algo depois mostrado cientificamente falho.

         De qualquer forma, o hábito de estalar foi alvo de testes científicos e clínicos ao longo dos anos para verificar se os mesmos causavam danos nas articulações. E o resultado: nada. O ato não parece causar prejuízos ou ganhos de saúde para as mãos. Um médico e cientista californiano, Donald Unger, intrigado com esta questão (Ref.7), desde muito jovem começou a estalar apenas uma das mãos, duas vezes ao dia, todos os dias, e deixando a outra intacta, e, depois de 60 anos, as duas apresentaram o mesmo estado de conservação (ele até ganhou o IgNobel de Medicina pelo estudo nada convencional, mas dedicado)! Por outro lado, foi sugerido por um estudo publicado na BMJ (Ref.1) que quando você estala as mãos com frequência, sua força de pegada diminui um pouco, mas não por causa de danos. Neste caso, ainda não existe explicação do porquê ou mais estudos na área para confirmarem esse achado. Na verdade, outro estudo feito recentemente (Ref.9), não encontrou nenhuma associação entre força de pegada e o hábito de estalar os dedos. Existe também, porém raros, casos de pessoas que se machucaram ao forçar muito as juntas para tentarem estalar o mais alto possível (Ref.4 e 12).

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           Bem, no final, podemos concluir que estalar os dedos está liberado, mas se você depende muito da sua força de pegada durante seus afazeres cotidianos (musculação, competições esportivas, trabalhos envolvendo esforço físico manual, etc.) TALVEZ seja melhor reduzir o hábito, apesar de não existir nada conclusivo sobre essa questão. Ah, e esta explicação no artigo serve para todos os ´estalos´ no corpo.


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://ard.bmj.com/content/49/5/308.short
  2. http://www.jabfm.org/content/24/2/169.short
  3. http://jaoa.org/Article.aspx?articleid=2092739
  4. http://europepmc.org/abstract/med/10067714
  5. http://www.jrheum.org/content/36/11/2624.1.short
  6. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1009952/?page=1
  7. http://ignobel.com/airchives/press/2009/bmj-2009-10-06.pdf 
  8. http://www.bbc.com/future/story/20120917-is-it-bad-to-crack-your-knuckles 
  9. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2468122916301049 
  10. http://pubs.sciepub.com/bse/3/2/1/ 
  11. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27846331
  12. https://mospace.umsystem.edu/xmlui/handle/10355/56518
  13. http://link.springer.com/article/10.1007/s11999-016-5215-3 
  14. http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0119470