A cauda dos cangurus funciona como um membro extra?
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| Figura 1. Ilustração da estrutura esquelética de um canguru-vermelho (Macropus rufus). |
Todos os cangurus modernos usam locomoção quadrúpede durante movimentação mais lenta, a qual se manifesta como locomoção pentapedal nas espécies de maior porte, como o canguru-vermelho (Macropus rufus) e o canguru-cinzento (Macropus giganteus).
Essa natureza de 'membro extra' da cauda faz sentido evolucionário: os ancestrais dos cangurus modernos eram arborícolas e, portanto, provavelmente usavam as caudas para agarrar e realizar movimentos de balanço. E, biomecanicamente, um quinto membro extra faz sentido nos cangurus, devido à anatomia profundamente desigual (assimétrica) entre os membros posteriores e anteriores - traço anatômico que torna uma típica locomoção quadrúpede bastante limitada e ainda favorece quedas para trás durante as passadas. Além disso, a poderosa cauda permite - ou melhor, estabiliza - outros movimentos com os quatro membros, como durante a briga entre machos onde chutes com as duas pernas são também muito empregados.
> Papagaios são os únicos vertebrados conhecidos com três membros locomotórios, com o bico [e cabeça-pescoço] funcionando biomecanicamente como uma terceira "perna" (trípede) e não apenas uma estrutura auxiliar de locomoção. Entenda: Papagaios quebram regra biológica do 'número par de membros', conclui estudo
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CURIOSIDADE: Um estudo de revisão publicado em 2023 no periódico Alcheringa: An Australasian Journal of Palaeontology (Ref.2) concluiu que antigos cangurus - hoje extintos - nem sempre saltavam como principal ou frequente meio de locomoção como os cangurus modernos. Espécies "gigantes" (>100 kg) no Mioceno Tardio provavelmente adotavam outras posturas, como passadas bípedes alternadas ou locomoção quadrúpede. Porém, um estudo mais recente Os cangurus modernos de grande porte possuem massa máxima inferior a 100 kg - a maioria com massa inferior a 70 kg - e são os únicos que empregam locomoção a longa distância com saltos; estima-se que o pico de massa corporal para esse atípico modo de locomoção é de ~50-90 kg (!). Até 50% da energia gasta é armazenada nos tendões extensores dos membros inferiores desses animais e usados para sustentar sucessivos saltos.
(!) Locomoção com saltos é atípica entre mamíferos mas evoluiu de forma independente pelo menos 8 vezes, incluindo cangurus e roedores das famílias Dipodidae, Heteromyidae, Muridae e Pedetidae. São incertas as pressões seletivas fomentando a evolução do salto como meio preferencial de locomoção. Cientistas sugerem que um ambiente árido e pressão predatória favorecem esse tipo de locomoção.
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Leitura recomendada:
REFERÊNCIAS
- Donelan et al. (2014). The kangaroo's tail propels and powers pentapedal locomotion. Biology Letters, Volume 10, Issue 7. https://doi.org/10.1098/rsbl.2014.0381
- Janis et al. (2023). Myth of the QANTAS leap: perspectives on the evolution of kangaroo locomotion. Alcheringa: An Australasian Journal of Palaeontology. https://doi.org/10.1080/03115518.2023.2195895
- Jones et al. (2026). Biomechanical limits of hopping in the hindlimbs of giant extinct kangaroos. Scientific Reports 16, 1309. https://doi.org/10.1038/s41598-025-29939-7

