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É verdade que o lendário Touro Sentado possui um bisneto ainda vivo?


         Sim, e essa alegação foi cientificamente comprovada em 2021. 

         Através de um novo método de análise de linhagem familiar usando fragmentos de DNA antigo, um time de pesquisadores liderado pelo Professor Eske Willerslev da Universidade de Cambridge confirmou a alegação de um homem de 73 anos de idade, Ernie LaPointe (Fig.B), de que ele era o bisneto do lendário Touro Sentado (Tatanka Iyotake, ou, em inglês Sitting Bull) (Fig.A), um chefe indígena da etnia Hunkpapa Lakota Sioux que viveu entre os anos de 1831 e 1890. Os resultados da análise foram publicados no periódico Science Advances (1) e abriram um novo caminho para investigações arqueológicas e históricas.

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          Touro Sentado ficou famoso ao conduzir 1500 guerreiros Lakota contra o Sétimo Regimento de Cavalaria Americana, que estava sob as ordens do general Custer, na batalha de Little Bighorn em 25 de junho de 1876, na qual o exército federal foi derrotado. A sangrenta batalha se tornou o grande símbolo de resistência dos Nativos-Americanos ao avanço predatório do 'homem branco'. Após vários anos liderando lutas contra as polícias dos EUA, Touro Sentado foi assassinado em 1890, pela Polícia Indígena agindo em nome do governo Norte-Americano. Foi enterrado em Fort Yates, na Dakota do Norte.

          No estudo, os pesquisadores analisaram 'DNA autossômico' (relativo aos cromossomos não-sexuais) em fragmentos genéticos extraídos de fios de cabelo conservados do chefe indígena, visando compará-los com o material genético do alegado bisneto. Como nós herdamos metade do nosso DNA autossômico do pai e a outra metade da mãe, isso significa que a correspondência genética pode ser conferida seja pelo lado paterno seja pelo lado materno da família.

          Os pesquisadores levaram 14 anos para encontrar um método efetivo e seguro para extrair DNA útil de um pedaço de 5-6 cm do cabelo do Touro Sentado. Isso porque o cabelo estava extremamente degradado, tendo sido armazenado por mais de 1 século a temperatura ambiente no Museu Smithsoniano de Washington, antes de ser retornado (repatriado) para Lapointe e suas irmãs em 2007 (com base em incertos documentos históricos de relação familiar). Para piorar, do pedaço de cabelo conservado no museu (Fig.C), Lapointe queimou a maior parte como parte de um ritual, deixando o time de cientistas com muito pouco - e de baixa qualidade - material para trabalhar.

             A técnica aperfeiçoada pelos pesquisadores difere do método tradicional de exame de DNA para atestar parentesco, onde o cromossomo Y ou mitocondrial é analisado. Além disso, o método tradicional é bastante limitada, especialmente para traçar linhagem familiares muito antigas.


REFERÊNCIA

  • (1Moltke et al. (2021). Identifying a living great-grandson of the Lakota Sioux leader Tatanka Iyotake (Sitting Bull). Science Advances, Vol. 7, Issue 44. https://doi.org/10.1126/sciadv.abh2013