Remover cera do ouvido com cotonete é seguro e saudável?
- Atualizado no dia 20 de dezembro de 2025 -
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Cera de ouvido - medicamente conhecida como cerúmen ou cerume - e higiene são termos que não andam de mãos dadas no imaginário popular. Porém, a cera de ouvido está longe de ser a 'sujeira' que muitos alegam. Aliás, segundo especialistas e agências de saúde - incluindo a Academia Americana de Otolaringologia (Ref.1) -, é contra recomendado ficar forçando a remoção de cera do ouvido, exceto se realmente houver um problema de superprodução dessa substância. Infelizmente, apesar do alerta, ainda persiste como parte da rotina de grande parte da população efetuar limpeza frequente (às vezes diária) dos ouvidos, usando geralmente cotonetes (1). Além desse hábito de limpeza não resultar em benefício para a saúde caso não exista real necessidade médica, pode até causar sérios danos ao ouvido.
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A substância amarelada que fica agarrada às paredes do ouvido médio e externo é uma mistura de vários compostos orgânicos, incluindo ácidos graxos, álcoois, colesterol e peptídeos. Sua produção se dá através de glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas modificadas. Entre 1 mil e 2 mil dessas glândulas estão espalhadas ao longo do canal auditivo. E está enganado quem pensa que essa secreção é um simples resíduo do corpo ou "sujeira". Cerúmen é muito importante para a boa saúde do ouvido. Entre as funções conhecidas e prováveis da cera de ouvido, podemos destacar:
- Lubrificação do canal auditivo, impedindo o ressecamento e irritações dessa área;
- Barreira natural contra detritos, pós, insetos, entre outras sujeiras de penetrarem no ouvido;
- Microbicida: evidências sugerem um papel antimicrobiano da cera de ouvido, especialmente da versão 'molhada' (2). Certos lipídios e peptídeos na composição do cerúmen podem deter a proliferação de certas bactérias e até mesmo fungos. O pH levemente ácido do cerúmen (~6) também prejudica o crescimento de microrganismos diversos.
Portanto, ficar forçando a retirada da cera do ouvido sem necessidade pode ser uma péssima ideia.
Aliás, a própria estrutura do ouvido possui um mecanismo próprio de remover o excesso de cera do ouvido, junto com as sujeiras filtradas, com a ajuda da movimentação da mandíbula. Nesse processo, o cerúmen é empurrado de dentro para fora do ouvido através de um crescimento celular epitelial que gera um movimento de migração da substância, em um ritmo comparado ao crescimento da unha. Com o tempo, o cerúmen passa a se acumular no exterior do canal auditivo, sendo aos poucos jogado para fora. Quando uma pessoa remove continuamente ou habitualmente o cerúmen através de um cotonete ou outro objeto, acaba atrapalhando o equilíbrio bioquímico do canal auditivo (ex.: pH), com lesões e infecções sendo consequências comuns.
Existem duas formas muito populares de se limpar a cera de ouvido: lavagem com seringa e cotonete de algodão. No primeiro caso, um líquido é injetado no canal auditivo (frio ou levemente aquecido) para amolecer a cera acumulada, conduzindo-a para fora inclinando-se a cabeça para o lado. No segundo, um cabo com algodão enrolado na ponta é inserido no ouvido e, através de movimentos giratórios, a cera é pregada no algodão e puxada para fora. Os dois métodos podem ser feitos pela própria pessoa em qualquer lugar e a qualquer hora. Porém, as duas técnicas representam um enorme perigo não apenas por retirar as defesas do ouvido, mas também pelo risco de induzir danos diretos no tímpano.
Falha no processo de autolimpeza do cerúmen leva ao acúmulo ou ao impacto excessivo dessa substância no canal auditivo, um cenário associado com o desenvolvimento de múltiplos sintomas, incluindo perda auditiva, tinnitus (zumbido), sensação de entupimento, irritação, otalgia, secreção, odor e/ou tosse. O comprometimento do mecanismo natural ou inato de limpeza pode ocorrer devido ao uso regular de cotonete, manipulação do canal auditivo com os dedos, ou uso de aparelhos auditivo, todos os quais podem empurrar e compactar cerúmen no fundo do ouvido.
Impacto por cerúmen é definido como o acúmulo sintomático dessa substância, e é um diagnóstico comum, afetando cerca de 5% dos adultos, aproximadamente 10% das crianças e acima de 30% dos indivíduos idosos e intelectualmente deficientes (Ref.10). No caso dos idosos, o acúmulo é facilitado pela progressiva atrofia das glândulas produtoras de cerúmen - este o qual se torna mais seco - e pelo fato dos pelos no canal auditivo se tornarem mais ásperos (Ref.11).
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> Válido mencionar um estudo publicado em 2016 no periódico International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology (Ref.12), o qual analisou dados clínicos de 819 crianças com idades de 1 mês até 12 anos, englobando várias regiões do mundo. Os pesquisadores encontraram que em quase 44% delas, cerúmen estava presente em relevante quantidade (obstruindo pelo menos 50% do canal auditivo), e que os pediatras geralmente negligenciavam o problema. Portanto, a taxa de crianças com acúmulo excessivo de cerúmen pode ser bem maior do que o valor de 10% geralmente mencionado na literatura acadêmica.
> Um estudo de 2024, analisando a população dos EUA, encontrou prevalência de impactação por cerúmen de quase 19% entre indivíduos com 12 anos ou mais de idade e superior a 32% entre aqueles com 70 anos ou mais de idade. A impactação estava associada com prejuízo na capacidade auditiva, mas não com zumbido. Ref.17
> O epitélio escamoso estratificado queratinizado na superfície lateral da membrana timpânica (MT) e do canal auditivo possui propriedade migratória lateral que funciona como um mecanismo de autolimpeza e reparo para a MT e o canal auditivo. Diversas condições patológica podem prejudicar esse mecanismo, como otites, queratose obliterante e colesteatoma. Uso excessivo de cotonete pode também comprometer o mecanismo. Ref.19
> Para uma boa visualização da membrana timpânica pelo profissional de saúde, é bem estabelecido que o diâmetro do canal auditivo precisa estar >75% livre de cerúmen. Portanto, o excesso de cerúmen pode também prejudicar o diagnóstico de doenças afetando o ouvido interno.
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Existem duas formas muito populares de se limpar a cera de ouvido: lavagem com seringa e cotonete de algodão. No primeiro caso, um líquido é injetado no canal auditivo (frio ou levemente aquecido) para amolecer a cera acumulada, conduzindo-a para fora inclinando-se a cabeça para o lado. No segundo, um cabo com algodão enrolado na ponta é inserido no ouvido e, através de movimentos giratórios, a cera é pregada no algodão e puxada para fora. Os dois métodos podem ser feitos pela própria pessoa em qualquer lugar e a qualquer hora. Porém, as duas técnicas representam um enorme perigo não apenas por retirar as defesas do ouvido, mas também pelo risco de induzir danos diretos no tímpano.
Se o líquido injetado pela seringa for feito com força de fluxo excessiva, danos no tímpano e em outras estruturas - particularmente os ossículos estribo, bigorna e martelo - podem ocorrer. No caso do cotonete, existe o perigo da cera nos ouvidos médio e interno ser empurrada ainda mais para dentro e danificar o tímpano (!) ou o próprio cotonete pode acertar essa estrutura dependendo do manejo. De fato, traumas timpânicos causados por cotonetes são relativamente comuns.
Em um estudo publicado em 2018 no periódico The Journal of Emergency Medicine (Ref.14), revisando 80 relatos de caso envolvendo perfuração traumática da membrana timpânica, apontou que 32 deles (40%) foram causados pelo uso de cotonete. Além disso, o algodão, ou parte dele, pode ficar cair lá dentro e ficar preso, causando problemas diversos - incluindo abscessos cerebral e intracraniano (Ref.15-16) e otite externa necrosante (Ref.16)..
Existe também um terceiro método de "limpeza" promovida por uma medicina alternativa meio maluca chamado de 'Vela de Ouvido'. Nessa prática, uma vela oca feita de tecido de algodão e cera de abelha é queimada em uma ponta fechada e a parte aberta é inserida dentro do ouvido. Os defensores desse método dizem que o processo cria uma 'pressão negativa' (?) que força a saída da cera acumulada no ouvido interno e médio, sendo que o resíduo de queima final conterá a substância. Cada sessão dura entre 15 minutos e 1 hora. Somando-se a isso, esse procedimento de limpeza também estaria associado a diversos benefícios adicionais à saúde geral do corpo. Não é preciso dizer que não existe base científica para tal técnica e que os resíduos de queima já foram examinados inúmeras vezes, nunca se encontrando cera nenhuma. Somando-se a isso, existe o agravante da cera quente derretida na vela poder cair dentro do ouvido e danificar permanentemente o tímpano. Mesmo assim, até hoje, a prática é bem difundida.
Independentemente do método, nenhum deles é recomendado pela comunidade médica. No máximo, o cotonete pode ser usado para a limpeza da parte mais externa do ouvido, apenas para ajudar a retirar a cera empurrada para fora pelos mecanismos naturais do canal auditivo. Os únicos casos onde recomenda-se o procedimento de limpeza extra é em pessoas que possuem uma superprodução da cera ou falhas no mecanismo endógeno (mandibular) de limpeza. E essa limpeza exógena deve ser feita idealmente por profissionais, se possível um otorrinolaringologista, já que os métodos populares podem acabar agravando o problema, especialmente o cotonete. E não existe evidência clínica de que outras ferramentas comerciais para remoção do excesso de cerúmen seja superior ao cotonete em termos de eficácia e segurança (Ref.18).
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(1) Na verdade, 'cotonete' é o nome comercial das hastes flexíveis com algodão nas pontas vendidas pela Johnson & Johnson (Cotonete®). Mas como quase ninguém usa o nome 'hastes flexíveis com algodão nas pontas', a maioria conhece essa ferramenta de limpeza como cotonete após popularização da marca comercial, assim como ocorre com o 'Xerox' e o 'Bombril'.
(2) Existem entre os humanos dois tipos de cera de ouvido: a 'seca' e a 'molhada'. A cera seca é encontrada em maior quantidade entre a população asiática (!), enquanto a molhada é predominantemente uma característica do resto da população global. A cera molhada é bem pastosa, contendo uma maior quantidade de lipídios, e com cores indo do amarelo forte ao marrom. Já a seca contém menos lipídios (porém, tende a possuir a mesma composição química da molhada), é mais clara e tende a sair com extrema facilidade do ouvido. O tipo de cera que cada um terá é determinado geneticamente.
Existe também um terceiro método de "limpeza" promovida por uma medicina alternativa meio maluca chamado de 'Vela de Ouvido'. Nessa prática, uma vela oca feita de tecido de algodão e cera de abelha é queimada em uma ponta fechada e a parte aberta é inserida dentro do ouvido. Os defensores desse método dizem que o processo cria uma 'pressão negativa' (?) que força a saída da cera acumulada no ouvido interno e médio, sendo que o resíduo de queima final conterá a substância. Cada sessão dura entre 15 minutos e 1 hora. Somando-se a isso, esse procedimento de limpeza também estaria associado a diversos benefícios adicionais à saúde geral do corpo. Não é preciso dizer que não existe base científica para tal técnica e que os resíduos de queima já foram examinados inúmeras vezes, nunca se encontrando cera nenhuma. Somando-se a isso, existe o agravante da cera quente derretida na vela poder cair dentro do ouvido e danificar permanentemente o tímpano. Mesmo assim, até hoje, a prática é bem difundida.
Independentemente do método, nenhum deles é recomendado pela comunidade médica. No máximo, o cotonete pode ser usado para a limpeza da parte mais externa do ouvido, apenas para ajudar a retirar a cera empurrada para fora pelos mecanismos naturais do canal auditivo. Os únicos casos onde recomenda-se o procedimento de limpeza extra é em pessoas que possuem uma superprodução da cera ou falhas no mecanismo endógeno (mandibular) de limpeza. E essa limpeza exógena deve ser feita idealmente por profissionais, se possível um otorrinolaringologista, já que os métodos populares podem acabar agravando o problema, especialmente o cotonete. E não existe evidência clínica de que outras ferramentas comerciais para remoção do excesso de cerúmen seja superior ao cotonete em termos de eficácia e segurança (Ref.18).
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(1) Na verdade, 'cotonete' é o nome comercial das hastes flexíveis com algodão nas pontas vendidas pela Johnson & Johnson (Cotonete®). Mas como quase ninguém usa o nome 'hastes flexíveis com algodão nas pontas', a maioria conhece essa ferramenta de limpeza como cotonete após popularização da marca comercial, assim como ocorre com o 'Xerox' e o 'Bombril'.
(2) Existem entre os humanos dois tipos de cera de ouvido: a 'seca' e a 'molhada'. A cera seca é encontrada em maior quantidade entre a população asiática (!), enquanto a molhada é predominantemente uma característica do resto da população global. A cera molhada é bem pastosa, contendo uma maior quantidade de lipídios, e com cores indo do amarelo forte ao marrom. Já a seca contém menos lipídios (porém, tende a possuir a mesma composição química da molhada), é mais clara e tende a sair com extrema facilidade do ouvido. O tipo de cera que cada um terá é determinado geneticamente.
(!) Sobre a variante genética responsável por esse fenótipo, fica a sugestão de leitura: O que causa, como é gerado e para que serve o mau cheiro nas axilas?
Curiosidade: Vários tipos de Baleia possuem cera que vai se acumulando sem parar durante toda a sua vida, sem ser expulsa do ouvido. Isso forma verdadeiras montanhas desse material dentro do canal auditivo desses animais com o passar do tempo. De fato, medir o tamanho do acúmulo de cera é um método bastante eficaz de estimar a idade de um cetáceo, e um dos preferidos quando a espécie não apresenta dentes.
Curiosidade: Vários tipos de Baleia possuem cera que vai se acumulando sem parar durante toda a sua vida, sem ser expulsa do ouvido. Isso forma verdadeiras montanhas desse material dentro do canal auditivo desses animais com o passar do tempo. De fato, medir o tamanho do acúmulo de cera é um método bastante eficaz de estimar a idade de um cetáceo, e um dos preferidos quando a espécie não apresenta dentes.
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(!) RELATO DE CASO: ZUMBIDO
(!) RELATO DE CASO: ZUMBIDO
Em um relato de caso publicado no periódico Journal of Novel Physiotherapies (Ref.13), uma mulher com 35 anos de idade apresentou-se aos hospital reclamando de zumbido no ouvido de natureza pulsátil no ouvido direito, em sincronia com o batimento cardíaco, há três dias seguidos.
A paciente não tinha nenhuma doença sistêmica ou otológica, e a reclamação de zumbido apareceu quando ela estava limpando o canal externo do ouvido com um cotonete. Além disso, ela reportou que o zumbido se agrava especialmente à noite, quando estava dormindo sobre o lado direito do ouvido. A paciente não tinha histórico de perda auditiva, tontura, ouvido entupido, doença no pescoço ou cabeça, medicamentos causando ototoxicidade, ou qualquer outra doença sistêmica.
No primeiro dia, a paciente pensou que o problema era resultado de fatiga, mas resolveu procurar um otorrinolaringologista quando o zumbido persistiu por três dias. Testes laboratoriais e imagem por ressonância magnética (MRI) craniocerebral não mostraram nada anormal. Porém, após examinação otológica, o médico encontrou um pequeno cerúmen agarrado na membrana timpânica. Após a remoção desse cerúmen, as reclamações da paciente desapareceram.
Nesse sentido, o diagnóstico feito foi de tinnitus (zumbido) objetivo (!). Enquanto que a patologia de tinnitus subjetivo é muito complexa e ainda pouco entendida, o tinnitus objetivo percebido como sons de clique ou pulsos é comparativamente mais simples de entender, já que é geralmente causado por fatores mais palpáveis, como patologias vasculares e musculares, infecções, e, no caso relatado, cera de ouvido obstruindo o canal auditivo ou interferindo com a função timpânica.
(!) Leitura recomendada: O que é o zumbido? E por que estimulação elétrica e sonora pode ajudar?
O caso também realça os riscos de autolimpeza do ouvido com cotonetes e outras ferramentas.
REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
- http://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/0194599816671491
- http://link.springer.com/article/10.1007/s10096-011-1185-2
- http://www.nature.com/ng/journal/v38/n3/abs/ng1733.html
- http://www.cfp.ca/content/53/12/2121.short
- http://eprints.soton.ac.uk/153113/
- http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4005193/
- https://europepmc.org/books/n/statpearls/article-19214/
- http://www.cdc.gov/healthywater/hygiene/disease/swimmers_ear.html
- http://www.aafp.org/afp/2007/0515/p1523.html
- Garret et al. (2020). Cerumen Management: An Updated Clinical Review and Evidence-Based Approach for Primary Care Physicians. Journal of Primary Care & Community Health. https://doi.org/10.1177%2F2150132720904181
- Meyer et al. (2020). Cerumen Impaction Removal in General Practices: A Comparison of Approved Standard Products. Journal of Primary Care & Community Health. https://doi.org/10.1177/2150132720973829
- Marchisio et al. (2016). Cerumen: A fundamental but neglected problem by pediatricians. International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology, Volume 87, Pages 55-60. https://doi.org/10.1016/j.ijporl.2016.05.014
- Yilmaz E. (2018). Pulsatile Tinnitus Triggered by Cerumen: A Case Report. J Nov Physiother 8:398. https://doi.org/10.4172/2165-7025.1000398
- Sagiv et al. (2018). Traumatic Perforation of the Tympanic Membrane: A Review of 80 Cases. The Journal of Emergency Medicine, 54(2), 186–190. https://doi.org/10.1016/j.jemermed.2017.09.018
- Carmel et al. (2021). Cotton swab today, brain abscess tomorrow. Chest Journal, Volume 160, Issue 4, A978. https://doi.org/10.1016/j.chest.2021.07.911
- Charlton et al. (2019). Cotton bud in external ear canal causing necrotising otitis externa and subdural abscess. BMJ Case Reports, 12(3), e227971. http://dx.doi.org/10.1136/bcr-2018-227971
- Adams et al. (2024). Cerumen impaction: Prevalence and associated factors in the United States population. Laryngoscope: Investigative Otolaryngology, Volume 9, Issue 2, e1228. https://doi.org/10.1002/lio2.1228
- Kamm et al. (2025). Efficacy of Over-the-Counter Cerumen Removal Devices: A Randomized Trial. Laryngoscope: Investigative Otolaryngology, Volume 10, Issue 6, e70313. https://doi.org/10.1002/lio2.70313
- Adhikari & Jamtsho (2023). A rare case of abnormal epithelial migration in the external auditory canal secondary to cotton bud abuse. Sage Open Medical Case Reports, 11. https://doi.org/10.1177/2050313X231183584
- Lukolo et al. (2021). Self-Ear Cleaning Practices and the Associated Risks: A Systematic Review. Global Journal of Health Science, Vol. 13, No. 5. https://doi.org/10.5539/gjhs.v13n5p44


