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Toda mulher sangra quando "perde a virgindade"?

 

               O termo "virgindade" faz referência a um constructo social, cultural e religioso que ainda permeia de forma extensiva e frequentemente deletéria as relações sociais em várias partes do mundo. Apesar do conceito de virgindade não possuir uma definição médica ou científica, muitas pessoas ainda persistem com a errônea ideia de que é possível determinar cientificamente se uma mulher ou menina é virgem através de técnicas como a inspeção do hímen, uma membrana associada à abertura vaginal. De fato, o público em geral tipicamente acredita que toda relação sexual com penetração vaginal leva ao "rompimento do hímen", com subsequente e relativamente abundante sangramento. Aliás, é inclusive comum a errônea ideia de que o hímen normalmente veda a abertura vaginal, algo que gera ainda mais desinformações, como a alegação de que "adolescentes e mulheres virgens não devem usar tampão ou copo menstrual caso queiram preservar a virgindade".

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   VIRGINDADE

          Virgindade é um conceito compartilhado de forma quase universal, e, em sentido mais amplo, faz referência a um indivíduo que nunca teve uma relação sexual. Por outro lado, historicamente, o conceito faz melhor referência à ausência prévia de relação sexual com penetração vaginal por um pênis e é geralmente atribuído às mulheres (sexo feminino). As três religiões monoteístas, assim como culturas tradicionais em diferentes países, valorizam a virgindade antes do casamento, em especial os muçulmanos e os evangélicos. O controle da sexualidade da mulher garante regulação da linhagem familiar já que virgindade antes do casamento ajuda a prevenir alianças desfavoráveis em sociedades patriarcais e assegura a paternidade dos filhos. Virgindade é frequentemente considerada uma virtude associada com pureza, honra e moralidade. E, em algumas comunidades ao redor do mundo, a virgindade também possui valor econômico, já que uma noiva virgem traz um dote mais valioso.

          Apesar dos avanços no reconhecimento dos Direitos Humanos das mulheres e crianças em várias partes do mundo, incluindo evolução de leis mais igualitárias e maior promoção de educação sexual, a questão da virgindade ainda persiste como um fator de forte influência social. Mesmo perdendo parte dos seus atributos históricos, a "perda da virgindade" continua representando um importante marco na vida adolescente e adulta de muitas mulheres. Para adolescentes no geral, o primeiro ato sexual é tipicamente uma preocupação central, e está associado com ansiedade, questionamentos e expectativas; muitas vezes, o status "virgem" é um motivo de vergonha. Esse cenário também fomenta várias desinformações associadas em especial com o aparelho genital feminino.

          O mito de que um homem pode sentir com seu pênis se sua parceira é virgem é amplamente difundido, mesmo que a sensação de "vagina apertada" seja em sua maior parte devido à ansiedade e contração involuntária dos músculos pélvicos ao invés da ausência de penetração vaginal prévia (Ref.1). Mas talvez as mais enraizadas e prevalentes desinformações estejam relacionadas com o hímen.
 

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   ANATOMIA DO HÍMEN

           Virgindade é comumente pensada estar associada com a integridade do hímen, o qual alegadamente sempre sofre ruptura e sangra no primeiro ato sexual com penetração peniana. Porém, a verdade traz um cenário bem diferente: sangramentos no primeiro ato sexual com penetração vaginal são reportados por apenas ~50% das mulheres, e a anatomia normal do hímen está longe se ser um tecido vedando a abertura vaginal para ser, necessariamente, "rompido". Ora, se tivéssemos uma membrana vedando a vagina, por onde sairia a menstruação nas adolescentes virgens? Aliás, esse último e raro cenário existe, mas é uma patologia congênita.

          O hímen - nome dado em homenagem ao deus Grego do casamento, Himeneu (em latim, Hymenaios) - é um tecido membranoso em torno do introito vaginal (entrada da vagina), constituído principalmente de tecido conectivo elástico e colagenoso. Embriologicamente, o hímen é pensado ser derivado de uma invaginação do sino urogenital. A porção pélvica do sino urogenital leva à formação da terceira parte distal da vagina, o qual se juntará ao canal útero-vaginal emergindo da fusão da porção inferior dos dutos paramesonéfricos ao redor dos 12 meses de gestação. O lúmen do canal vaginal é separado do vestíbulo vaginal pelo hímen, o qual se abrirá ao redor do nascimento, cobrindo apenas parcialmente a abertura vaginal. Sim, o hímen é uma estrutura aberta desde o início da vida pós-parto da mulher.

          Nesse último ponto, a anatomia himenal possui um amplo espectro de formas e aparências, como anular (circunferencial), crescente, fimbriada, redundante, septada ou cribriforme, como mostrado nas figuras abaixo. No nascimento a forma anular é a mais comum, com a configuração crescente ficando mais prevalente em crianças com mais de 3 anos (Ref.2). O hímen é um tecido dinâmico, com mudanças morfológicas também induzidas por variações hormonais. A transferência de hormônios maternais durante a gravidez engrossa e incha o hímen no recém-nascido. Com a supressão do eixo hipotalâmico-pituitário-gonadal nas meninas na pré-puberdade, o hímen pode se tornar fino, seco e com os contornos lisos. Durante a puberdade, a exposição a estrógenos contribui para tornar o hímen mais espesso e fornece mais elasticidade, permitindo que seja esticado durante a penetração sem causar lesões ou "rupturas". 

 > Para a imagem de uma real vulva mostrando a região do hímen, acesse aqui.


           Durante o desenvolvimento fetal, se a abertura do hímen falha, temos uma rara condição conhecida como hímen imperfurado, onde toda a abertura vaginal é coberta pelo hímen. Ocorrendo em 0,5-1 a cada 1000 bebês do sexo feminino, é a mais comum anomalia obstrutiva do trato reprodutivo feminino, e pode se manifestar no nascimento como um hidrocolpo (acúmulo de fluídos na vagina). No entanto, frequentemente a condição permanece sem diagnóstico até a adolescência, manifestando-se como uma amenorreia primária (ausência de menstruação, já que o sangue menstrual é barrado pelo hímen), hematocolpo (distensão vaginal causada pela pressão de sangue acumulado), dor abdominal cíclica, distensão abdominal, lombalgia, disúria (dor ao urinar) e, às vezes, uma massa pélvica que comprime a bexiga, causando retenção urinária aguda (Ref.5-7). Recentemente, foi reportado o caso de uma adolescente de 14 anos com hímen imperfurado que levou ao acúmulo de 3 litros de sangue menstrual, resultando em uma visível e grande massa abdominal (Ref.9). Existe evidência sugerindo causas genéticas para a condição, com padrões recessivo e dominante de transmissão (Ref.8). A cirurgia de himenectomia (remoção do excesso de tecido himenal) é indicada para corrigir essa e outras anomalias do hímen, mas existem reportes de ruptura espontânea do hímen no período da adolescência (Ref.2). O oposto dessa condição - completa ausência de hímen - também pode ocorrer, mas é extremamente raro e tem sido reportado em casos de agênese vaginal (anomalia congênita caracterizada pela ausência da vagina e do orifício cervical).

           O hímen possui uma alta capacidade regenerativa, com a maioria das lesões no seu tecido se recuperando totalmente sem qualquer cicatriz em poucos dias, exceto em lesões transeccionais. Traumas himenais podem ser resultado de lesões penetrativas acidentais. E, apesar de ser um mito comum, não existe evidência científica de suporte de que a prática de esportes como andar de cavalo ou de bicicleta, ou o uso de tampão/copo menstrual, possam causar lesões no hímen. Outra desinformação comumente disseminada é a de que apenas mulheres virgens possuem hímen, ou seja, o crasso erro de achar que o hímen sofre ruptura e se desfaz após a primeira penetração peniana; a parte posterior do hímen pode ser reduzida significativamente apenas após histórico de parto vaginal e outras forças de alto impacto (Ref.10).

          Neste ponto, fica óbvio que o hímen não é um marcador confiável para se determinar atividade sexual prévia de qualquer natureza. Um hímen sem anomalia estrutural permite a penetração sexual sem significativo obstáculo porque é aberto e bastante elástico, e penetração não necessariamente irá perturbar sua integridade. Mesmo ocasionais lesões podem ser reparadas naturalmente sem cicatriz. Além disso, o hímen é uma membrana relativamente avascular, improvável de sangrar de forma significativa mesmo se rasgado. Por fim, o hímen varia muito em sua configuração e dimensões de mulher para mulher, e é difícil discernir o que seria um hímen "intacto"; o hímen de uma mulher virgem está longe de possuir um aspecto padrão, expressando grande variação individual na quantidade de tecido, regularidade do contorno e a largura da abertura. Uma mulher virgem pode ter um hímen com uma grande abertura, enquanto outra mulher sexualmente ativa pode ter um hímen com uma pequena abertura.

          Aliás, essa questão do sangramento na "perda da virgindade" é também um tópico de debate sobre a origem do sangue. Mesmo nas mulheres que sangram no primeiro ato sexual com penetração, sangue não necessariamente é oriundo do hímen. A inexperiência da mulher na sua primeira relação sexual e ansiedade associada pode provocar um maior tensionamento dos músculos pélvicos, resultando em dificuldade de penetração; é especulado que a fricção entre o pênis e a parede vaginal pouco lubrificada pode criar uma pequena laceração, representando uma causa mais provável em muitos casos do sangramento após o coito (Ref.11).

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> Até o momento, não sabemos ao certo a função biológica do hímen, e sua estrutura é considerada um vestígio do desenvolvimento embrionário. Entre os atuais primatas, humanos modernos (Homo sapiens), parecem ser os únicos com tal estrutura, apesar desta já ter sido reportada em alguns outros mamíferos, como elefantes-Africanos (Loxodonta). Uma hipótese defende que o hímen passou a persistir após o nascimento inicialmente por causa de um parto cada vez mais prematuro na linhagem evolutiva humana acompanhando um canal de parto cada vez mais reduzido e de uma postura ereta de locomoção; eventualmente, essa estrutura passou a ser selecionada por fornecer proteção extra à área vaginal contra a contaminação/infecção por matéria fecal e outros contaminantes/patógenos ambientais, especialmente durante os primeiros anos de vida (Ref.12).
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   HIMENOPLASTIA

           O procedimento de cirurgia plástica chamado de himenoplastia busca modificar o formato do hímen, com o típico objetivo de obter um sangramento genital na noite do casamento (lua-de-mel) em ordem de convencer o marido e os membros da sua família que a noiva nunca teve experiência sexual com penetração vaginal antes do casamento. A himenoplastia é suportada pela falsa crença que todas as mulheres virgens sangram na primeira penetração envolvendo o pênis. Aliás, a eficácia desse procedimento é questionável: enquanto alguns estudos reportam alta taxa de "eficácia" (sangramento vaginal durante o coito) (Ref.13), já foi reportado que em um grupo de 19 mulheres que se submeteram à himenoplastia, 17 "falharam" em sangrar (Ref.1).

          Como o formato himenal varia dramaticamente entre as mulheres, a himenoplastia, no máximo, é a tentativa criativa do cirurgião em "recriar" o hímen "virgem" da mulher. De fato, a himenoplastia é um procedimento controverso, o qual não é ensinado nas faculdades de medicina e não é descrito na maioria dos livros acadêmicos na área de ginecologia. Nesse sentido, não existe regulação ou padronização do procedimento, sendo descrito comumente como uma forma de cirurgia cosmética da genitália feminina.

           Em alguns países, é realizado secretamente e/ou ilegalmente, por causa da vergonha associada - ou mesmo graves consequências como banimento social e morte (homicídios e suicídio). Ao longo das últimas décadas, até mesmo países desenvolvidos - e sem forte repressão patriarcal ou violência contra a mulher - têm reportado números crescentes de himenoplastias, as quais são altamente lucrativas e a maioria realizada no setor privado.

           Outras estratégias alternativas para enganar o marido sobre o status de virgindade têm sido amplamente reportados ao redor do mundo, todos buscando simular a mitológica perda de sangue durante o coito. Uma prática é o uso de uma agulha no dedo para produzir gotas de sangue a serem espalhadas no lençol da cama. Outra prática é a inserção de uma cápsula solúvel contendo um pigmento vermelho dentro da vagina. Tais produtos são facilmente encontrados na internet, e, às vezes, até sugeridos por médicos em um número de países (Ref.1). Porém, esses produtos não passam por agências regulatórias e podem impor riscos para a saúde da mulher.

          É reportado também mulheres que marcam a data do casamento para coincidir com o período menstrual, ou mesmo a manipulação de contraceptivos orais para se obter um sangramento vaginal.

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> Existem vários pedidos dentro da comunidade médica nos últimos anos para um banimento global tanto da himenoplastia quanto de investigações "médicas" que visam avaliar se uma mulher é virgem ou não (Ref.15). Esses procedimentos não são cientificamente justificados e acabam fomentando deletérias desinformações, criando e exacerbando crenças sociais, culturais e políticas de que o valor de uma mulher é baseado se ela é ou não uma virgem antes do casamento. Importante destacar que não existe nenhum procedimento médico que possa acuradamente determinar se uma mulher é vigem ou não, apesar dos chamados "testes de virgindade" serem comumente aplicados em países como Egito, Afeganistão, Irã, Jordão, Palestina, África do Sul, Turquia e Uganda. Nesses países, a decisão do homem de se casar com uma mulher ainda é comumente orientada pelo status de virgindade da pretendente (Ref.16). Em 2016, um membro no parlamento Egípcio chegou a pedir que testes de virgindade fossem um requisito para a entrada de mulheres na universidade como um modo de combater o sexo antes do casamento; na Indonésia, esse tipo de teste é requerido para entrada de mulheres solteiras no serviço militar (Ref.17). Em 2018, as Agências de Direitos Humanos e da Mulher na ONU, e a Organização Mundial de Saúde (OMS), declararam que o teste de virgindade não possui suporte científico e é uma violação dos direitos humanos, sendo "medicamente desnecessário e frequentemente doloroso, humilhante e traumático, e algo que precisa acabar" (Ref.18). 

> Na Suécia, mödomshinna é o termo tradicionalmente usado para fazer referência ao hímen, e que significa 'membrana da virgindade'. Existe um movimento no país para que o termo não mais seja promovido em programas de educação sexual, substituindo-o com o termo cientificamente mais acurado slidkrans ('corona vaginal') (Ref.19).
 
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   CONCLUSÃO

          Nem todas as mulheres sangram durante o primeiro ato sexual com penetração vaginal. Pelo contrário, é bem comum não ocorrer sangramento. O hímen é geralmente culpado em casos de sangramento, após seu suposto rompimento, porém essa membrana na pós-puberdade é bem resistente e muito elástica, apresentando tipicamente uma abertura suficiente para permitir o coito sem perturbação da sua integridade. Além disso, o sangramento durante o ato sexual não é necessariamente oriundo do hímen. NÃO é possível aferir o "status de virgindade" de uma mulher com a simples inspeção do hímen, ou por qualquer outro procedimento médico (pelo menos não com uma mínima confiabilidade). Desinformações nesse sentido fomentam grande repressão contra as mulheres em várias partes do mundo, incluindo extrema violência.

 

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS 

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  2. Hegazy & Al-Rukban (2012). Hymen: facts and conceptions. The Health,  3(4): 109-115. 
  3. https://ppjp.ulm.ac.id/journal/index.php/jbk/article/view/10270/6894
  4. Egbe et al. (2019). Virginity-sparing management of hematocolpos with imperforate hymen: case report and literature review. SAGE Open Medical Case Reports. https://doi.org/10.1177%2F2050313X19846765
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  7. Goto, K. (2018). Acute urinary retention in two adolescent girls with imperforate hymen. Journal of Obstetrics and Gynaecology Research, Volume 45, Issue 3, Pages 739-742. https://doi.org/10.1111/jog.13875 
  8. Jang et al. (2021). Delayed diagnosis of imperforate hymen with huge hematocolpometra: A case report. World journal of clinical cases, 9(29), 8901–8905. https://doi.org/10.12998/wjcc.v9.i29.8901
  9. Kumar et al. (2022). Abdominal swelling and obstructive uropathy due to hematometrocolpos secondary to imperforate hymen: a case report. The Pan African medical journal, 41, 18. https://doi.org/10.11604/pamj.2022.41.18.32582
  10. Joki-Erkkilä, M., & Suikki, E. (2018). Impact of mechanical force on posterior hymen — Implications for sexual abuse injury interpretations. Forensic Science International. https://doi.org/10.1016/j.forsciint.2018.08.045
  11. Ayuandini, S. (2017). Finger Pricks and Blood Vials: How doctors medicalize “cultural” solutions to demedicalize the “broken” hymen in the Netherlands. Social Science & Medicine, 177, 61–68. https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2017.01.016
  12. Hobday et al. (1997). Function of the human hymen. Medical Hypotheses, 49(2), 171–173. https://doi.org/10.1016/S0306-9877(97)90223-1   
  13. Lahlali et al. (2021). Hymen Restoration: An Experience From a Moroccan Center, Aesthetic Surgery Journal, Volume 41, Issue 12, December 2021, Pages NP2053–NP2059, https://doi.org/10.1093/asj/sjab276
  14. Saharso S. Hymen ‘repair’: Views from feminists, medical professionals and the women involved in the middle east, North Africa and Europe. Ethnicities. 2022;22(2):196-214. https://doi.org/10.1177%2F14687968211061582
  15. https://www.bmj.com/content/374/bmj.n2037.full
  16. Nikirashidi et al. (2019). A study on association of premarital attitude toward intact hymen in new grooms: A cross-sectional study. Journal of education and health promotion, 8, 52. https://doi.org/10.4103/jehp.jehp_161_18
  17. Zayed et al. (2022). Questioned Virginity Has No Definite Reply. Archives of Sexual Behavior. https://doi.org/10.1007/s10508-022-02332-5
  18. Crosby et al. (2020). Virginity testing: recommendations for primary care physicians in Europe and North America. http://dx.doi.org/10.1136/bmjgh-2019-002057
  19. Milles et al. (2017). “Something that stretches during sex”: replacing the word hymen with vaginal corona to challenge patriarchal views on virginity. Gender and Language, 12(3), 294–317. https://doi.org/10.1558/genl.31894