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Colibri-Abelha-Cubano






O Colibri-Abelha-Cubano (Mellisuga helenae), também conhecido como Beija-Flor-Zumbidor, é o menor pássaro do mundo, sendo encontrado em diversos territórios de Cuba (endêmico deste país).

Com um comprimento médio de 5,8 cm, esse passarinho pesa, em média, 2,28 gramas, com as machos não ultrapassando os 2 gramas! Os machos, além de tenderem a serem menores,  apresentam uma coloração avermelhada e iridescente a mais do que as fêmeas na região abaixo da garganta. Quando chega a época do acasalamento, os machos ficam com o topo inteiro da cabeça vermelho.

À esquerda, um macho, e, à direita, uma fémea


Importantes polinizadores, se alimentam exclusivamente de néctar, sugando-o com o seu longo bico pontiagudo. Chegam a visitar mais de 1500 flores por dia, parando em frente a elas para se alimentar com asas que podem chegar a bater 90 vezes por segundo! Quem vê um deles parado no meio do ar (uma habilidade única de todos os beija-flores), apenas consegue ver um vago borrão, como se não houvesse asas ali de tão rápido. Por isso, e pelo seu tamanho, chamá-los de 'abelhas com penas' é mais do que adequado.

A lista dos seus predadores é grande, e inclui sapos e corujas. Para se defender, esses pássaros confiam na sua grande habilidade e agilidade de voo, onde conseguem alcançar velocidades de até 48 km/h, voar para trás (habilidade única dos beija-flores) e parar no meio do ar. Seu corpo é todo adaptado para otimizar ao máximo o voo, e em torno de 22 a 34% da sua massa corporal é composta de músculos especializados nessa função.


Crédito: Aslam

Com um alto metabolismo, gastam cerca de 15% do dia comendo para suprir suas altas necessidades energéticas. À noite, para economizarem energia, diminuem sua temperatura normal de 41°C para próximo de 30°C (!). Vivendo bastante para um animal do seu tamanho, essa espécie pode alcançar uma expectativa de vida de 10 anos, mas geralmente não ultrapassam os 7 anos em ambiente selvagem. Como habitam um restrito território, o qual sofre com a devastação ambiental, eles, infelizmente, estão próximos de ficarem ameaçados de extinção.

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(!) ESTADO DE TORPOR

Estado de torpor é pensado ser particularmente importante para pequenos animais endotérmicos ocupando ambientes frios e com limitada reserva de gordura para alimentar o metabolismo, apesar de ser raro e variável em extensão entre as aves. Um exemplo notável são os beija-flores.

Os beija-flores, entre os vertebrados, possuem as maiores taxas metabólicas relativas ao tamanho do corpo, as quais chegam a ser 77 vezes àquela observada nos humanos. No entanto, como são muito pequenos, manter a temperatura corporal em torno de 35-41°C é difícil, e, à noite e no frio os beija-flores podem diminuir a temperatura interna em 10°C até 30°C. Essa drástica redução na temperatura corporal diminui o metabolismo em até 95%, preservando suas reservas energéticas durante a noite e o sono. Nesse estado de torpor, batidas cardíacas de 1000-1200 batidas por minuto em voo diminuem até 50 batidas por minuto. É como se essas aves possuíssem uma contínua e intermitente hibernação.

Em um estudo publicado no periódico  Biology Letters (Ref.3), os pesquisadores analisaram 26 beija-flores capturados de 6 espécies - incluindo o Metallura phoebe de 12 cm e o maior beija-flor conhecido, o Patagona gigas - vivendo em altitudes em torno de 3800 metros nos Andes Peruvianos, onde as temperaturas à noite alcançam quase 0°C. Eles encontraram que, para sobreviverem nesses frígidos ambientes, essas aves conseguem reduzir a temperatura corporal, em média, até 5-10°C, ou seja, uma redução de 26°C ou mais na temperatura corporal quando estão ativos (35-37°C). Em humanos, uma redução de apenas 2°C já é considerado um preocupante estado hipotérmico.

A espécie Metallura phoebe bateu um recorde: conseguia reduzir sua temperatura até alcançar 3,26°C, a menor já registrada em aves ou em mamíferos não-hibernantes.
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Referências:


*´Peso´, neste artigo, está se referindo ao uso popular da palavra, ou seja, para indicar a ´massa´ do corpos aqui na Terra (já que a variação da força-peso na superfície do nosso planeta é bem pequena).