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Plantas que filtram o seu ar!


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         Além de enfeitarem o ambiente e dar um ar mais natural à sua casa, as plantas ornamentais podem ser grandes aliadas para a saúde. Elas são capazes de purificar o ar da sua casa - assim como um purificador de ar artificial - com a vantagem de não consumirem energia elétrica, serem bem mais baratas, não serem barulhentas e o principal: você estará deixando o planeta mais verde!

          Bem, é óbvio que a eficiência delas não será a mesma de um purificador padrão (bem longe disso), mas as outras vantagens mencionadas cobrem bem as deficiências. A NASA possui um famoso estudo publicado em 1989 sobre a capacidade das plantas em purificar o ar e outros estudos ao longo dos anos foram também realizados nesta mesma área, reforçando cada vez mais o poder purificador dessas plantas. Os poluentes mais comuns e que várias plantas conseguem absorver com relativa boa eficiência são cinco: benzeno, xileno, amoníaco (ou 'amônia'), tricloroetileno e formaldeído (1). Tanto o benzeno quanto o formaldeído são potentes agentes cancerígenos e ambos são produzidos em grande quantidade pela fumaça do cigarro, por exemplo. Diversas fontes na casa ou fora dela liberam essas substâncias tóxicas para dentro do seu lar, com o efeito venenoso deles aumentando ainda mais caso o ambiente da casa/apartamento possua pouca circulação de ar, fazendo com que a presença das plantas nesses locais seja de grande ajuda. E esses parceiros verdes também podem ser usados para tornar o ar de escolas, hospitais e escolas mais limpos.

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         Mas nem todas as plantas possuem significativo poder de purificação, e nem todas que o possuem absorvem todos os cinco poluentes citados acima. Aqui, eu vou listar algumas das mais notáveis plantas ornamentais que funcionam como excelentes filtros naturais, segundo trabalhos científicos nas últimas décadas sobre o assunto*:

1. Jibóia: É eficaz na absorção de formaldeído, xileno e benzeno.

Jibóia (Epipremnum aureum)
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(2) Recentemente, pesquisadores da Universidade de Washington, EUA, modificaram geneticamente essa espécie (Epipremnum aureum) para remover clorofórmio e benzeno do ar. As plantas modificadas expressam uma proteína chamada 2E1 (citocromo P450 2E1), a qual está presente no fígado de mamíferos e transforma esses compostos em moléculas úteis para o crescimento da planta.
A 2E1 quebra benzeno em fenol e clorofórmio em dióxido de carbono e íons cloreto. O fenol é utilizado pela planta para a construção da parede celular das suas células e o dióxido de carbono e íons cloro para a produção de alimentos.

Para introduzir o gene associado ao 2E1 (CYP2e1) nas células reprodutivas da E. aureum, os pesquisadores produziram uma versão sintética desse gene espelhado naquele encontrado nos coelhos. Para testar a eficiência das plantas modificadas, elas foram colocadas em tubos de vidro contendo gás clorofórmio ou benzeno durante 11 dias. Plantas não-modificadas não conseguiam retirar clorofórmio, mas as versões transgênicas degradaram 82% do clorofórmio em apenas 3 dias, e praticamente eliminou essa toxina no 6° dia. A concentração de benzeno no ar também diminuiu com as transgênicas, mas mais lentamente. No 8° dia, a concentração de benzeno diminuiu 75%. Plantas não modificadas absorveram o benzeno a taxas muito inferiores.

O feito foi descrito em um estudo publicado na Environmental Science & Technology (Ref.15). Agora, os pesquisadores querem otimizar a eficiência das plantas modificadas, e incluir outros genes para a quebra de outros poluentes.
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2. Lírio-da-Paz: Ela absorve bem todos os cinco poluentes.

Lírio-da-Paz (Spathiphyllum wallisii)

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3. Palmeira-dama ou Ráfia: Muito boa para absorver o formaldeído, e, em menor força, o amoníaco e o xileno.
 
Palmeira-Dama (Rhapis excelsa)

4.Espada-de-São-Jorge: Absorve bem o benzeno, xileno, formaldeído e boas quantidades de um poluente extra: o tolueno (1), famoso componente das colas de sapateiro.

Espada-de-São-Jorge (Sansevieria trifasciata)

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5. Árvore-da-Borracha: é muito eficiente em absorver o benzeno e xileno, além, também, do tolueno. Absorve um pouco de formaldeído e tricloroetileno. E mais: como transpira bastante pelas folhas, ajuda a manter uma boa umidade no ar, dependendo do seu tamanho. Não é propriamente uma planta ornamental, de pequeno porte, e, sim, uma árvore de grande porte. Mas muitos gostam de tê-las como enfeite no ambiente enquanto crescem.

Árvore-da-Borracha (Ficus elastica)

6. Fatsia japonica: Em estudos controlados, essa planta conseguiu absorver cerca de 80% do formaldeído sendo lançado no ar em cerca de 4 horas. Na mesma situação, quando não existia nenhuma planta no ambiente, menos do que 8% do formaldeído era eliminado naturalmente em um período de 5 horas.

Fatsia japonica

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7. Dracena:  Filtra bem o formaldeído, tricloroetileno e o benzeno.

Dracena (Dracaena fragrans)

8. Babosa ou Aloe vera ( seu nome científico): Absorve muito bem o benzeno e o formaldeído.

Babosa (Aloe vera)

9. Dracaena massangeana: Absorve muito bem o formaldeído, bem o benzeno e razoavelmente o tricloroetileno.

Dracaena massangeana

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10. Crisântemos: Absorvem bem o benzeno, tricloroetileno e o formaldeído.

Crisântemo (gênero Chrysanthemum

11. Gerbera: Absorve bem o formaldeído, tricoloetileno e o benzeno.
Gênero Gerbera
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13. Hera: Remove muito bem o benzeno do ar e baixas quantidades de tricloroetileno e formaldeído.

Hera (Hedera helix

14. Crassula ovata: Muito eficiente em remover o benzeno. 

Crassula ovata

15. Comigo-Ninguém-Pode: Bastante eficiente em absorver o benzeno.

Comigo-Ninguém-Pode (Dieffenbachia amoena)

15. Dragoeiro-de-Madagascar: Remove bem o benzeno, o tricloroetileno, o xileno e o formaldeído.

Dragoeiro-de-Madagascar (Dracaena marginata)

16. Samambaia-Americana: Remove muito bem o benzeno.

Samambaia-Americana (Nephrolepis exaltata)

 17. Hortênsia: Também muito eficiente em remover o benzeno (3).

Hortênsia (Hydrangea macrophylla)

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18. Liriope spicata: Remove bem o xileno, formaldeíndo e amônia.

Liriope spicata

19. Antúrio: Remove bem o xileno, a amônia e o formaldeído.

Antúrio (Anthurium andraeanum)

20. Chamaedorea: Absorve bem o formaldeído e o xileno.


Gênero Chamaedorea 

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          As plantas purificam o ar no processo de respiração, quando assimilam o ar para a captura de gás carbônico ou oxigênio e também através de bactérias associadas presentes nas raízes e/ou na terra na qual estão plantadas. Nessa assimilação, o composto pode ser tanto armazenado quanto metabolizado pela planta e/ou bactéria. E é um mito pensar que é prejudicial deixar plantas em um quarto muito fechado com a conversa que elas absorvem muito oxigênio do ar quando não estão fazendo fotossíntese. Sim, elas respiram igual a gente quando está escuro, mas a quantidade de oxigênio retirado do ar é ínfima para prejudicar a saúde das pessoas dentro dele. Você só tem a ganhar colocando plantas no seu quarto, independente se ele é muito fechado ou aberto.

         Além das plantas listadas, diversas outras cumprem um eficiente papel de filtros naturais de contaminantes no solo, água e ar, sendo que várias delas são usadas em projetos tecnológicos de limpeza de baixo custo de poluentes (fitorremediação). De uma forma geral, todas as plantas cumprem um papel de filtro no meio ambiente, nem que seja para retirar o excesso de dióxido de carbono do ar, uma das principais causas do acelerado processo de efeito estufa fomentando o Aquecimento Global. Esse é outro motivo para manter o planeta o mais verde possível, especialmente nas áreas urbanas, onde a poluição, principalmente do ar, é sempre preocupante.


Leitura recomendada: Aquecimento Global: Uma Problemática Verdade



*Existem divergências acentuadas entre as eficiências de purificação reportadas por alguns trabalhos. Nesse sentido, alguns especialistas também reclamam que boa parte dos trabalhos utilizam concentrações de poluentes para os experimentos de teste muito acima do normalmente encontrado no ambiente doméstico.

(1) Os poluentes formaldeído, benzeno, xileno, tolueno e o tricloroetileno produzidos pelo homem são englobados em uma classe de compostos conhecidos como VOCs (compostos orgânicos voláteis, na tradução da sigla em inglês), ou seja, substâncias com baixo ponto de ebulição e que volatizam com bastante facilidade a temperatura ambiente. Entre outros poluentes antropogênicos VOCs  de grande preocupação estão o 1,3-butadieno, o tetracloreto de carbono, o 1,4-diclorobenzeno (PDCB), o naftaleno, o percloroetileno e o dicloreto de etileno.

(2) Geralmente, quando a planta absorve bem o xileno, ela também filtra bem o tolueno.

(3) Artigo recomendado: Acidez do solo e cor das Hortênsias!

OBS.: Existe uma preocupação quanto aos VOCs gerados pelas plantas, através das suas folhas. Esses compostos em específico são substâncias voláteis que cumprem diversos papéis ecológicos e geralmente não representam perigo para os seres vivos ao redor em condições normais. Porém, em ambientes muito poluídos, altas concentrações de óxidos de nitrogênio (NOx) podem tornar esses compostos um tanto prejudiciais, especialmente por participarem da síntese de ozônio no ar (O3) e de certas partículas de aerossol ao reagirem com os VOC, com ambos sendo danosos à saúde. Mas ainda não se sabe se esse processo possui real relevância para o nosso organismo quando consideramos a presença de plantas ornamentais em casa. Aliás, se o ambiente está cheio de óxido de nitrogênio, é porque situação está bem feia. E, mesmo nessas condições, a filtragem de outras substâncias poluentes no ar por essas plantas provavelmente compensam esse efeito colateral.

OBS 2.: É preciso tomar cuidado porque várias plantas podem ser tóxicas para cães e gatos, entre outros animais domésticos, se ingeridas acidentalmente por eles. Verifique isso antes de comprá-las caso tenha animais em casa. Crianças pequenas também podem ser uma preocupação.


Artigo relacionado: Os florais são uma medicina confiável?


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1.  http://ntrs.nasa.gov/archive/nasa/casi.ntrs.nasa.gov/19930073077.pdf
  2. https://www.sciencedaily.com/releases/2009/02/090217141419.htm 
  3. http://maison-orion.com/media/1837156-NASA-Indoor-Plants.pdf
  4. http://www.wolvertonenvironmental.com/MsAcad-93.pdf
  5. http://link.springer.com/article/10.1023%2FB%3AWATE.0000038896.55713.5b
  6. http://www.indjst.org/index.php/indjst/article/view/80467
  7. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1352231011002263
  8. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1352231006008077 
  9. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3230460/
  10. http://hortsci.ashspublications.org/content/45/10/1489.full.pdf
  11. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23095155
  12. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20084432
  13. http://laqm.defra.gov.uk/laqm-faqs/faq105.html
  14. https://spinoff.nasa.gov/Spinoff2007/ps_3.html
  15. https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acs.est.8b04811