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Cuidado com o vírus da Raiva!


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         É preciso levar a Raiva a sério. A maioria das pessoas não tratam a mordida de animais como algo perigoso, apenas como algo inconveniente, especialmente de cães nas ruas. Mas nessas mordidas pode estar sua carta de óbito, por mais inofensiva que ela pareça.

            A transmissão da doença conhecida como Raiva acontece de um animal infectado para sadio sadio através do contato da saliva por mordedura, lambida em feridas abertas, mucosas, ingestão de tecido cerebral contaminado ou até mesmo arranhões que envolvam sangue. Raríssimos casos de contaminação humano-para-humano já foram documentados, quase exclusivamente via transplante de órgãos contaminados (como a córnea). Grande parte dos canídeos, selvagens ou domésticos são capazes de transmitir a doença, assim como gatos, morcegos e outros mamíferos. Levou uma mordida de um animal desconhecido, vá direto para o posto de saúde/hospital mais próximo e informe qual animal te atacou e em qual área.

          Os cães com raiva passam a apresentar um comportamento agressivo (daí o nome, e esse é um modo inteligente do vírus de ser transmitido, porque, assim, o cão morde outros animais com mais frequência e acaba espalhando ele com facilidade), espumam pela boca e passam a ter medo de água (hidrofobia). Os animais infectados podem também apresentar um aspecto fraco e cansado. Teoricamente, é possível também que um humano passe raiva para outro humano através de mordidas e contato de fluídos contaminados com o sangue da pessoa sadia. Porém, contato casual com o corpo e fluídos/excretas do paciente com raiva (sangue, urina e fezes) não constituem uma forma de exposição com perigo de contaminação.

           A raiva é uma doença que não possui cura e é fatal. Ela é causada pelo vírus Rabies lyssavirus que ataca o sistema nervoso do infectado. Dependendo do local da mordida, ou qualquer outra forma de transmissão, o indivíduo pode morrer em menos de um mês (quando mais próximo da cabeça, mais rápida a infecção letal no tecido cerebral). O vírus infecta o sistema nervoso central, eventualmente causando graves danos no cérebro e morte. Os sintomas iniciais da raiva nos humanos são similares àqueles de várias outras doenças, incluindo febre, dores de cabeça, e fraqueza geral ou desconforto. À medida que a doença progride, mais sintomas específicos surgem, e podem incluir insônia, ansiedade, confusão, paralisia leve ou parcial, excitação, alucinação, agitação, hipersalivação, dificuldade para engolir e hidrofobia. A morte geralmente ocorre dentro de alguns dias após o surgimento dos sintomas específicos.

O vírus da raiva possui a forma de um bastonete/bala não-segmentada, e um RNA envelopado. Mede cerca de 60 nm x 180 nm e seu genoma codifica cinco proteínas.

           A prevenção da doença é feita vacinando-se cães, gatos e animais de gado, e evitando o contato desnecessário com animais que você não conheça ou que estejam apresentando um comportamento diferente. Dormir de janelas fechadas (ou com grades) é também uma boa forma de prevenir, pois evita a entrada de morcegos durante a noite (eles podem te morder e você nem perceber, já que usam anestésicos durante a sugação de sangue). Profissionais que lidam muito com animais, também podem receber, frequentemente, uma vacina antirrábica.

Vacinação de animais domésticos e silvestres é a melhor forma de prevenir a Raiva

            Caso você seja mordido e o animal realmente tenha te passado raiva, não entre em desespero, porque se você for ao hospital e receber, um 'coquetel' de vacinas antirrábicas, as chances de real desenvolvimento da doença são muito baixas. Esse tratamento de urgência, conhecido como PEP (pós-exposição e profilaxia), geralmente consiste na administração de uma dose de globulina imune e quatro doses da vacina da raiva ao longo de um período de 14 dias. É aconselhável também, após a mordia lavar a área com água e sabão antes mesmo de ir ao hospital para diminuir as chances de contaminação.

         Mas caso você tenha sido infectado e não tenha buscado tratamento, e os sintomas da doença tiverem já surgido em seu corpo, o óbito será o provável caminho a ser seguido, às vezes, em menos de 10 dias. Apenas sete casos de cura já foram registrados até hoje e, mesmo assim, os pacientes ficaram com gravíssimas sequelas cerebrais.

Paciente com Raiva em intensa agitação, com o óbito sendo o único provável diagnóstico. São reconhecidos cinco estágios de contaminação nos humanos: incubação, pródromo, período neurológico, coma e morte (muito raramente, recuperação). O período de incubação geralmente ocorre entre 30 e 90 dias, mas pode englobar um espectro de 5 dias a mais de 2 anos após a exposição inicial. Quanto mais próximo da cabeça a exposição, mais rápido. Os sintomas clínicos geralmente surgem no pródromo, o qual dura de 2 a 10 dias.


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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://www.cdc.gov/rabies/index.html 
  2. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK8618/