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O perigo das dietas extremistas

             
           É preciso tomar cuidado com dietas que pedem para cortamos de vez certos nutrientes. Não podemos confundir ´reduzir´ com ´cortar´. Sódio, gorduras e carboidratos não devem ser consumidos em excesso, mas são extremamente importantes para o funcionamento saudável do corpo. Dietas Detox ( Dietas e alimentos Detox servem para algo?), dietas da lua, dieta do glúten, são apenas produtos comerciais, sem base científica nenhuma e não podem ser priorizadas.

            Por exemplo, entre os fisiculturistas é comum muitos buscarem cortar totalmente o sódio da dieta, pois o mesmo é um grande acumulador de água na pele, dificultando o surgimento das definições. Mas o sódio é essencial para as contrações musculares, onde participa do equilíbrio sódio-potássio, ou seja, para um trabalho muscular excelente, os praticantes de musculação/fisiculturismo devem ingerir o  recomendado pela OMS, que é de 2,4 gramas por dia. O  prejudicial é ingerir um excesso, porque o recomendado não vai nem mesmo fazer diferença para o aspecto da pele.

          Outro grave erro é cortar absurdamente a quantidade de carboidratos e gorduras. O primeiro grupo de nutrientes fornece energia básica para o metabolismo geral do corpo, ou seja, para ficarmos em pé e protegidos precisamos dos carboidratos ( isso é válido caso sua dieta não seja cetônica, como é o caso da maior parte das pessoas...A dieta cetônica é eficaz?). Apenas o excesso se transformará em gorduras. O que pode ser cortado é o açúcar, amido e outras fontes pobres em fibras que, como já expliquei em outro post ( Por que o açúcar refinado é tão prejudicial? ), possuem alto índice glicêmico e elevam a taxa de insulina de forma perigosa, sobrecarregando o pâncreas. E o segundo grupo, as gorduras, não podem ser esquecidas da sua vida, porque muitas delas, entre as insaturadas, são essenciais ao organismo, participando da síntese de diversos componentes do nosso sistema. Além disso, alimentos saudáveis oleaginosos, como diversas frutas e sementes, carregam várias vitaminas dissolvidas nos seus lipídios, o que torna sua ingestão ainda mais necessária. O que pode ser cortado são as saturadas, provenientes de tecido animal. Estas não servem para nada, apenas acumulam-se no seus tecidos. Mas é bom lembrar que, diferente das gorduras trans, as quais são muito prejudiciais, as saturadas não são tóxicas ao corpo se não ingeridas em excesso.

           O contrário também pode ser dito, ou seja, o excesso também é prejudicial. Os praticantes de musculação ficam com uma neura em relação ao consumo de proteínas, muitas vezes exagerando na dose, com o abuso de suplementos. Quem faz exercícios pesados, precisam, no máximo, de 2 gramas de proteínas para cada 1 kg de massa corporal. Quem pesa 80 quilos, não precisa ultrapassar os 160 gramas de proteína por dia e assim por diante. O excesso deste nutriente sobrecarrega muito os rins, onde os metabólitos gerados pelo seu metabolismo são tratados por este órgão, o que pode levar desde a um simples surgimento de cálculos renais até mesmo à falência renal grave. Água e fibras em excesso também fazem muito mal.

          Então, cuidado com estas dietas ´milagrosas´ e, na dúvida, sempre consulte um bom nutricionista. Dietas precisam ser manejadas para durarem a vida toda. Fazer uma reeducação alimentar por alguns meses e depois voltar aos maus hábitos trará apenas benefícios passageiros. É preciso gostar dos alimentos da dieta e não tê-los como inimigos.

OBSERVAÇÃO: Existe uma diferença entre perder peso e emagrecer. Você perde peso quando qualquer massa do seu corpo é perdida, incluindo músculos, tecido ósseo, gordura e água. Emagrecer é perder apenas massa de gordura, e deveria ser esse o objetivo. Dietas extremistas, que saem cortando tudo, fazem você perder peso tirando, além de gordura, diversos outros tecidos e nutrientes importantes do seu corpo. Isso gera uma diminuição do peso registrado na balança, o que causa uma falsa sensação de sucesso no regime. Mas, por dentro, seu corpo estará pedindo por socorro.

ATUALIZAÇÃO (17/08): Uma dúvida frequente que surge é quando algum especialista ou ´pseudo-especialista´ referem-se aos nutrientes dividindo-os em ´macronutrientes´ ou ´micronutrientes´, sem nunca explicar, publicamente, o significado disso. Eu não sei se é para demonstrar uma grande sabedoria ( ´aparecer´) ou atrair mais pessoas para consultas privadas por causa das dúvidas. De qualquer forma, essas duas designações são, simplesmente, usadas para indicar se os nutrientes devem ser ingeridos em pequena ou grande quantidade. Os macronutrientes nada mais são o grupo das proteínas, gorduras e carboidratos, por exemplo, e os micronutrientes englobam, em mais exemplos, as vitaminas e minerais. Ou seja, os macros são os nutrientes consumidos em grande quantidade e os micros, o oposto.

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