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Epidemia de obesidade também está atingindo os cães e gatos


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        Além da obesidade já ser um grave problema afetando boa parte da população humana, os cães e gatos de estimação também já estão enfrentando a triste realidade do excesso de massa adiposa no corpo. Muitas pessoas, por falta de orientação profissional sobre como melhor lidar com seus animais de estimação, acabam dando alimentos errados e/ou de forma excessiva aos cães e gatos. O ideal seria seguir apenas com uma dieta aprovada por veterinários, mas muitos donos gostam de empanturrar os peludos com doces, massas e tudo que pode ser encontrado na alimentação humana. Um gravíssimo erro. O sedentarismo também é outro importante fator negativo.

        De acordo com um estudo de 2015, realizado pela Association for Pet Obesit Prevention, é estimado que 58% dos gatos e 54% dos cães nos EUA estão com sobrepeso (Ref.1). Em termos globais, cerca de 33% dos cães levados em clínicas veterinárias são reportados estarem obesos (Ref.6). E as consequências dessa massa corporal extra de gordura nesses animais são bastante similares àquelas observadas em humanos. As doenças decorrentes do sobrepeso em cães e gatos englobam, por exemplo, diabetes tipo 2 (onde o corpo não consegue utilizar ou produzir a insulina de forma adequada), osteoartrite, cânceres (1), hipertensão, e doenças respiratórias, cardíacas e renais.

        Estudos recentes já mostraram que entre Labradores retrievers, por exemplo, aqueles com o peso ideal apresentam uma longevidade bem maior - uma média de 2,5 anos de diferença - do que aqueles com sobrepeso, e apresentam riscos bem menores de adquirirem doenças crônicas.

        Além disso, muitos alimentos contribuindo para essa crise de obesidade entre esses animais podem ser inofensivos para nós mas tóxicos para eles, algo que discuti no artigo Alimentos tóxicos para os cães.


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   OBESIDADE EM CÃES E GATOS

          No caso de animais de estimação, 20% acima do peso ideal é considerado obesidade. Mas esse peso ideal é relativo, dependendo da raça, idade, tipo de corpo e metabolismo. Além disso, dentro de uma mesma raça, genética e fatores ambientais também são importantes determinantes. Quem realmente saberá esse peso ideal será o seu veterinário, o qual verá variações marcantes no corpo do seu animal de estimação que você pode não notar, especialmente considerando que você o vê todos os dias (ou seja, fica acostumando com as graduais mudanças corporais). Geralmente, a escala profissional usada de parâmetro nesse campo vai de 1 a 5, onde 1 é muito magro e 5 é obeso.

         Em cães, algumas raças são mais inclinadas a serem obesas do que outras. Labradores e Beagles são dois exemplos, assim como cães longos e baixos, como Basset hounds e Dachshunds. No entanto, no caso dos gatos, enquanto são reportados mas casos de obesidade entre esses felinos, nenhum deles, em específico, parece ser mais ou menos inclinado ao ganho excessivo de massa adiposa. Aliás, é interessante alertar que, se você dá alimentos doces para o seu gato, pare já com isso. Gatos não sentem o gosto doce, e acaba sendo uma verdadeira desnecessidade alimentá-los com alimentos açucarados. Só estará contribuindo para engordá-los e aumentar bastante o risco de uma diabetes. Discuti mais sobre o assunto em Gatos não sentem o gosto de doce.


          Além disso, castrar cães e gatos diminui o metabolismo do corpo (por causa das mudanças hormonais), assim como o avanço da idade, com ambos os fatores favorecendo a obesidade. Nessas situações, se torna essencial informar ao seu veterinário sobre como deveria ser a alimentação ideal a ser oferecida.

         Assim como em humanos, excesso de peso nos filhotes de cães predispõe uma obesidade na idade adulta, onde fêmeas obesas entre 9 e 12 meses de idade são 1,5 vezes mais prováveis de se tornarem adultas obesas.  Em gatos, esse padrão é reportado apenas naqueles castrados ainda bem jovens. No geral, jovens fêmeas de cães tendem a ser mais propensas a ficarem obesas, mas o risco se torna igual para ambos os sexos em idades avançadas.

        Lembrando também que um animal muito magro também pode ser reflexo de problemas de saúde. Em particular, um cão ou um gato que normalmente gostavam de comer mas que subitamente passaram a mostrar uma falta de apetite pode estar exibindo um sintoma de uma grave doença, necessitando de atenção profissional.

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   SINAIS DE PESO INADEQUADO

         Antes mesmo de conversar com o veterinário, existem alguns sinais básicos que você pode procurar em seu cão e/ou gato para saber se ele está ou não com um peso saudável:

- Olhe seu animal de estimação de cima. Ele possui um cintura definida? Se não, e se suas costas estão largas e planas como um escabelo, ele provavelmente está com sobrepeso.

- Corra as mãos ao longo das laterais do seu animal. Você pode facilmente sentir as costelas ou você precisa pressionar com mais força para senti-las? No último caso, ele pode estar com sobrepeso. Elas estão muito salientes? Nesse caso, ele pode estar abaixo do peso ideal.

- Seu animal possui um abdômen 'dobrado', ou uma barriga mole e pendurada? Se você consegue facilmente agarrar uma porção de gordura nele ("pneu sobrando"), esse é um sinal que seu animal está com sobrepeso.

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   TRATAMENTO DA OBESIDADE

          Em cães e gatos, duas armas são básicas nessa luta contra a obesidade: melhorar a dieta, seguindo a orientação do seu veterinário, e aumentar a quantidade e intensidade das atividades físicas. Em outras palavras, é alcançar aquele protocolo fundamental para toda luta contra o ganho de peso: gastar mais calorias do que ganha.

        Não existem terapias cirúrgicas reportadas para tratar a obesidade em cães e gatos. No campo farmacêutico, também não existem medicamentos licenciados para otimizar o emagrecimento em gatos, mas existem alguns já sendo usados em anos recentes para cães. Entre eles, o mais promissor parece ser o Dirlotapide (Slentrol), o qual mostra-se relativamente efetivo para tratar a obesidade em cães. Ele reduz a absorção de gordura do pequeno intestino ao inibir a atividade da MTP (proteína microsomal de transferência de triglicerídeo).

         Porém, nessa situação, o melhor é apostar na via tradicional, ou seja, uma dieta mais elaborada e mais atividades físicas. Medicamentos desse tipo podem trazer desconfortáveis efeitos colaterais para seu animal de estimação, especialmente se forem utilizados sem prescrição e orientação veterinária.

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   CONCLUSÃO

        Tudo na vida deve ser consumido com moderação, especialmente quando isso se aplica à alimentação, seja nossa ou dos nossos animais de estimação. Um agrado vez ou outra para a maioria dos cães e gatos - englobando, claro, alimentos não prejudiciais - não faz mal, mas tornar isso um hábito pode diminuir bastante a saúde, bem-estar e longevidade do seu companheiro. Outro ponto importante são as atividades físicas, as quais também são excelentes ajudantes para manter seu cão ou gato saudável e com o peso ideal. Arranjar o máximo possível de tempo para brincar com eles e passear/exercitar é mais do recomendado, é obrigatório.

        No geral, sempre procure a orientação do seu veterinário. Eles terão as ferramentas e conhecimento científicos para melhor analisar seu animal de estimação e propor as melhores estratégias de cuidado a serem seguidas.


(1) Artigo Recomendado: Fique alerta: A obesidade caminha junto com o câncer


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://petobesityprevention.org/2016
  2. https://www.fda.gov/ForConsumers/ConsumerUpdates/ucm543882.htm
  3. http://petobesityprevention.org/
  4. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16772464
  5. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4983774/
  6. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20219485
  7. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17085235