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Morcegos em risco na América!

            


           Os morcegos das Américas estão desaparecendo, principalmente por causa das turbinas
de vento e doenças, como a letal síndrome do nariz-branco, descoberta em 2006 e trazida da
Europa por exploradores de cavernas, os quais acabavam entrando em contato com morcegos contaminados ou traziam espécimes com a doença para cá. Esses animais, os quais são conhecidos por serem os únicos mamíferos voadores do mundo, são extremamente importantes para o ecossistema e estão precisando de ajuda.

          Nos últimos anos, a grande causa das mortes, é a síndrome. Esta doença é causada por um fungo que aparece no inverno e infecta diversas partes do corpo do morcego, causando irritação e impedindo também uma hibernação completa nesta época do ano, prejudicando bastante a saúde desses animais. Com o despertar antes da hora dos morcegos, em períodos com falta de alimento (1), eles gastam a energia acumulada e acabam morrendo de fome. E os resultados são desastrosos. No mínimo, 4 espécies enfrentam uma queda variando entre 70 e 99% em suas populações! Somando-se a isso, as turbinas de vento nas fazendas são responsáveis por matar entre 600 mil e 900 mil morcegos por ano apenas nos EUA! Os morcegos acabam voando em direção a elas durante a noite e são atingidos com violência pelas pás ou estas, as quais rodam com velocidades médias de 80 km/h, acabam ferindo o pulmão desses animais por causa da baixa pressão causada pelo vento em alta velocidade criada por elas ( ocorrem sangramentos internos e eles acabam morrendo horas depois). E com a crescente popularização da energia eólica, os acidentes se tornam cada vez mais frequentes, apesar do planeta se beneficiar com o uso cada vez maior de energias limpas. No Brasil, são planejados colocar em funcionamento milhares de novas turbinas de vento, algo que preocupa os ambientalistas por ainda não existirem estudos suficientes sobre a nossa fauna de morcegos e, por consequência, não existirem medidas de prevenção de acidentes fatais contra esses animais. Toda esta carnificina coloca todos os morcegos das Américas, principalmente no Norte, em risco iminente de extinção.

Grandes inimigos: o fungo da síndrome do nariz braco ( veja o esbranquiçado no nariz do morcego) e as turbinas de vento

            O problema não é só perder estes animais de vista. A grande maioria dos morcegos são insetívoros, e, por exemplo, um único pequeno morcego-marrom ( espécie que diminuiu em 90%) consegue comer mil mosquitos em apenas uma hora! Com esse controle mais do que eficiente dos insetos, doenças carregadas por eles são também controladas. Além disso, uma colônia grande de morcegos-marrons pode proteger plantações inteiras do ataque de dezenas de milhões de vermes de raízes durante uma temporada de florescimento.  A população de certas espécies de morcegos mexicanos consome em torno de 250 toneladas de insetos toda noite de verão no centro-sul do Texas. O controle natural de pestes em todo os EUA, feito pelos morcegos, equivale a um custo estimado de  3,7 bilhões se fosse deixado a cargo dos órgão do Estado, de acordo com  dados estimados pelos pesquisadores. Mas essa ajuda econômica pode ser muito maior, porque não estamos levando em conta os custos do controle de doenças, fertilização dos solos com suas fezes ( chamadas de guano, as excreções do morcego são ricas em nutrientes essenciais às plantas) e a polinização de plantas feita por essas criaturas ( muitas são herbívoras, sugadoras de néctar).

O eficiente morce-marrom, à esquerda, e um exemplar de morcego frutífero, à direita

              As mortes pelas turbinas de vento podem ser reduzidas entre 44 e 93%, ajustando as mesmas, durante a noite, para funcionarem apenas quando os ventos estão a mais de 11 milhas por hora, velocidade mínima em que os insetos e morcegos não conseguem manter-se bem em voo, e consequentemente, estão fora de atividade. Mas a cura para os fungos ainda está muito nublada e um dos ícones mais populares do cinema e das festas de Halloween podem estar com os dias contados aqui no nosso continente americano. E eles não serão os únicos a sofrer, pode ter certeza disso. É torcer por uma solução rápida.

(1) A hibernação serve para que os animais consigam suportar um período de escassez de alimento ( no inverno), através de um longo período de sono e baixíssimo metabolismo. Antes de entrarem nesse descanso prolongado, eles se alimentam bastante para criar grandes reservas energéticas no corpo ( engordam), as quais serão utilizadas, aos poucos, pelo animal para mantê-lo vivo durante a hibernação.

OBS: Os pássaros também enfrentam substanciais perdas populacionais por causa das usinas eólicas. Discuti mais sobre o assunto neste artigo: Qual é o maior assassino de pássaros?

ATUALIZAÇÃO ( 30/05/16): Apesar de ser bem conhecido de que as turbinas de vento são um das grandes responsáveis pela morte em massa dos morcegos, não se sabe muito bem o porquê deles serem tão atraídos para elas. Um estudo publicado em Maio deste ano (Ref.10) teorizou que um dos culpados por isso é a presença de insetos que ficam nas estruturas das turbinas, os quais poderiam ser atrativos para os morcegos. Estudando insetos nas turbinas de vento, os pesquisadores envolvidos no trabalho mostraram que o sistema de vocalização dos morcegos consegue localizar esses animais mesmo com as pás em pleno funcionamento. A turbinas poderiam também ser um atrativo para os insetos voadores ( por serem algo bem visível nos céus), onde muitos estariam aproveitando os locais para o descanso.

ATUALIZAÇÃO ( 17/06/16): Um estudo de revisão publicado em Janeiro deste ano mostrou que as mortes dos morcegos por causa das turbinas de vento já é maior do que aquelas causadas pelo fungo da síndrome do nariz-branco (Ref.8). Cientistas acreditam que se o tempo de funcionamento das turbinas fosse diminuído um pouco, suficiente para não coincidirem com o horário de maior atividade dos morcegos, as mortes poderiam ser reduzidas em uma taxa acima de 90% (Ref.9). Atualmente, a proposta de redução de funcionamento das turbinas feita pela indústria eólica iria diminuir em apenas 30% as mortes, segundo os mesmos cientistas. Algo significativo, mas não suficiente.

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://bioscience.oxfordjournals.org/content/63/12/975.full
  2. http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0047586
  3. http://link.springer.com/chapter/10.1007/978-1-4614-7397-8_21
  4. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1679007315000353
  5. http://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-319-25220-9_11
  6. http://sabaa.org.za/operational.guidelines.pdf
  7. http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0103106
  8. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/mam.12064/abstract
  9. http://www.scientificamerican.com/article/bat-killings-by-wind-energy-turbines-continue/?WT.mc_id=SA_ENGYSUS_20160616 
  10. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1616504716300027